{"id":94085,"date":"2018-10-19T20:46:35","date_gmt":"2018-10-19T23:46:35","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=94085"},"modified":"2018-10-19T20:46:35","modified_gmt":"2018-10-19T23:46:35","slug":"o-maior-organismo-vivo-da-terra-esta-morrendo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-maior-organismo-vivo-da-terra-esta-morrendo\/","title":{"rendered":"O maior organismo vivo da Terra est\u00e1 morrendo"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2018\/10\/pando.png\" width=\"640\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p>Responda r\u00e1pido: o que pesa mais, uma baleia azul ou esta \u00e1rvore milenar que fica em uma floresta de Utah, nos Estados Unidos? Como voc\u00ea j\u00e1 deve ter sacado pela imagem deste post, acertou quem escolheu a segunda op\u00e7\u00e3o. Com incr\u00edveis\u00a0<a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/news\/2018\/10\/one-world-s-largest-organisms-shrinking\">6 milh\u00f5es de quilogramas<\/a>, o Pando \u00e9 o maior ser vivo que j\u00e1 deu o ar da gra\u00e7a no planeta.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, parece se tratar de uma floresta. E de fato \u00e9 mesmo. O que os cientistas convencionam chamar de Pando, na verdade, diz respeito a 47 mil \u00e1rvores reunidas uma \u00e1rea de 430 mil metros quadrados\u00a0(o equivalente a 57 campos de futebol). Tudo que a vista alcan\u00e7a, no entanto, representa uma coisa s\u00f3. Isso porque cada \u00e1rvore compartilha o mesmo DNA, e est\u00e1 conectada com seus g\u00eameos id\u00eanticos por um intrincado sistema de ra\u00edzes subterr\u00e2neas. Por causa disso s\u00e3o, a rigor, o mesmo indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno acima descreve o que os cientistas chamam de col\u00f4nia clonal, grupos de seres vivos que s\u00e3o c\u00f3pias id\u00eanticas geneticamente uns dos outros. Al\u00e9m de plantas, bact\u00e9rias e fungos tamb\u00e9m podem existir dessa maneira.<\/p>\n<p>No caso da\u00a0<em>Populus tremuloides<\/em>, nome cient\u00edfico do Pando, os brotos s\u00e3o transportados pelas extensas ra\u00edzes. Quando perfuram o solo, d\u00e3o origem a uma nova \u00e1rvore.<\/p>\n<div class=\"ad-content\"><\/div>\n<p>Foi essa forma de reprodu\u00e7\u00e3o assexuada peculiar que motivou, inclusive, a escolha do nome da planta. Em latim, Pando poderia ser traduzido por algo como \u201cme expando\u201d. Cada raiz, ao se expandir debaixo da terra, d\u00e1 origem a novos ap\u00eandices. \u00c9 s\u00f3 repetir esse processo infinitamente e voc\u00ea tem uma bela floresta.<\/p>\n<p>O grande problema \u00e9 que essa taxa de renova\u00e7\u00e3o foi ficando mais lenta nas \u00faltimas d\u00e9cadas anos. Cada dia que passa, a floresta envelhece e h\u00e1 menos clones para tomar o lugar dos irm\u00e3os \u2013 o que significa dizer que o Pando est\u00e1 morrendo.<\/p>\n<div class=\"widget-news widget-box no-margin no-border\"><\/div>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que pesquisadores Universidade do Estado de Utah j\u00e1 sabem o que est\u00e1 causando isso. Em um estudo publicado quarta-feira (17)\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0203619\">na revista cient\u00edfica\u00a0<em>PLOS ONE<\/em><\/a>, os cientistas colocam a morte vagarosa na conta de veados-mula que habitam a Floresta Nacional Fishlake, reserva da regi\u00e3o central do estado de Utah onde est\u00e1 o Pando.<\/p>\n<p>O grupo identificou essa rela\u00e7\u00e3o com um experimento bastante simples. Entre 2013 e 2014, eles dividiram a \u00e1rea ocupada pelo Pando em quadrantes. Em alguns pontos, impediram o acesso completo dos veados-mula, usando cercas. Em outros, deixaram os primos de Bambi livres para correr entre as \u00e1rvores e se alimentar do que quisessem.<\/p>\n<p>Depois, os cientistas compararam o n\u00famero de ramifica\u00e7\u00f5es do Pando vivas, quantas delas estavam mortas, e o n\u00famero de novos brotos em cada uma das \u00e1reas \u2013 al\u00e9m de rastrear os animais analisando suas fezes. As partes onde os veados-mula corriam soltos acabaram ficando mais comprometidas, \u00e9 claro.<\/p>\n<p>Bingo. Ent\u00e3o, \u00e9 s\u00f3 tirar os animais da \u00e1rea e pronto, problema resolvido. A grande pergunta para os pesquisadores, por\u00e9m, passou a ser por que veados-mula tinham tanto sucesso habitando a \u00e1rea. A resposta veio r\u00e1pido: a aus\u00eancia de predadores, como lobos e ursos, na regi\u00e3o.\u00a0Adivinhe quem \u00e9 o respons\u00e1vel pelo sumi\u00e7o dessas esp\u00e9cies? Desde o s\u00e9culo passado, a presen\u00e7a humana para atividades de ca\u00e7a acabou com a maior parte desse animais \u2013 e, consequentemente, aumentou o n\u00famero de veados-mula.<\/p>\n<p>Segundo os cientistas, o desafio agora \u00e9 recuperar o ambiente para que o Pando possa crescer feliz e lampeiro de novo, como h\u00e1 d\u00e9cadas n\u00e3o acontece. \u201cN\u00f3s n\u00e3o estamos falando s\u00f3 de uma \u00e1rvore, mas sim de todos os animais e plantas que dependem dela\u201d, disse Paul Rogers, l\u00edder do estudo, em entrevista\u00a0<a href=\"https:\/\/www.livescience.com\/63852-failing-aspen-clone-utah.html\">ao site LiveScience.<\/a>\u00a0\u201cN\u00e3o d\u00e1 para gerir a floresta e a vida selvagem de forma independente. Temos de cuidar de ambas de maneira coordenada\u201d, completa. A receita para o sucesso est\u00e1 na ponta da l\u00edngua: manter ca\u00e7adores o mais longe possivel. Para isso, por\u00e9m, dever\u00e3o precisar de mais que alguns metros de cerca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Responda r\u00e1pido: o que pesa mais, uma baleia azul ou esta \u00e1rvore milenar que fica<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Responda r\u00e1pido: o que pesa mais, uma baleia azul ou esta \u00e1rvore milenar que fica","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94085"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94085"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94085\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94085"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94085"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94085"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}