{"id":94008,"date":"2018-10-18T11:00:54","date_gmt":"2018-10-18T14:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=94008"},"modified":"2018-10-17T18:49:17","modified_gmt":"2018-10-17T21:49:17","slug":"o-grilo-gigante-e-o-acervo-perdido-do-museu-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-grilo-gigante-e-o-acervo-perdido-do-museu-nacional\/","title":{"rendered":"O grilo-gigante e o acervo perdido do Museu Nacional"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/besouro.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-94010\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/besouro-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/besouro-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/besouro.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>&#8220;O meu maior objetivo na vida era conseguir um emprego em uma institui\u00e7\u00e3o de excel\u00eancia, como o Museu Nacional,&#8221; confessa o bi\u00f3logo Pedro Souza-Dias, de 32 anos. Natural de Dourados (MS), Pedro cresceu e teve sua forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica em Foz do Igua\u00e7u (PR). O mestrado ele fez na Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Botucatu. O doutorado e o p\u00f3s-doutorado foram na Universidade de S\u00e3o Paulo. Pedro especializou-se entom\u00f3logo, apaixonado que \u00e9 por ort\u00f3pteros, a grande ordem de insetos que re\u00fane mais de 28 mil esp\u00e9cies de gafanhotos, grilos, esperan\u00e7as e paquinhas. No Brasil foram descritas at\u00e9 o momento 1.743 esp\u00e9cies de 553 g\u00eaneros, de acordo com o\u00a0<a href=\"http:\/\/fauna.jbrj.gov.br\/fauna\/listaBrasil\/ConsultaPublicaUC\/ConsultaPublicaUC.do\">Cat\u00e1logo Taxon\u00f4mico da Fauna do Brasil<\/a>.<\/p>\n<p>Em maio de 2018, Pedro prestou concurso para uma vaga de pesquisador no Departamento de Entomologia do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro. Foi aprovado. Nos tr\u00eas meses seguintes tratou dos detalhes da sua mudan\u00e7a de S\u00e3o Paulo, onde era pesquisador no Instituto de Bioci\u00eancias da USP.<\/p>\n<p>&#8220;Eu estava muito ansioso. Queria vir logo. Queria conhecer os outros departamentos. Queria conhecer logo o laborat\u00f3rio onde iria trabalhar, as pessoas com quem iria conviver. Queria conhecer em detalhes a cole\u00e7\u00e3o de grilos e gafanhotos da qual seria curador. Por obra do destino, o meu primeiro dia de trabalho no museu foi agendado para a segunda-feira, 3 de setembro de 2018&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Na noite de domingo, dia 2, acho que eram oito da noite, eu estava na Barra com minha namorada, Mariane, em uma loja de utens\u00edlios para casa, comprando coisas para nosso apartamento. Foi quando fiquei sabendo do inc\u00eandio. Havia um monte de gente aglomerada em torno de uma tev\u00ea, que exibia as imagens do pr\u00e9dio em chamas. Largamos tudo o que est\u00e1vamos fazendo e corremos para l\u00e1.&#8221;<\/p>\n<p>O Pal\u00e1cio de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, no bairro hom\u00f4nimo, fica no alto de uma colina de contornos suaves, no parque da Quinta da Boa Vista. O pal\u00e1cio, inaugurado em 1803, foi a resid\u00eancia oficial da fam\u00edlia imperial entre 1822 e 1889. Com a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, o edif\u00edcio se tornou sede do Museu Nacional. Portanto, h\u00e1 129 anos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/MN-em-chamas-1.jpg\" width=\"634\" height=\"423\" \/>Museu Nacional em chamas. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>Diante do pal\u00e1cio, existe uma longa alameda arborizada que se estende por mais de 500 metros. No in\u00edcio dela, l\u00e1 embaixo, no p\u00e9 da colina, fica o port\u00e3o principal do parque.<\/p>\n<p>&#8220;Chegamos l\u00e1 entre nove e meia e dez da noite. A Pol\u00edcia Militar havia passado um cord\u00e3o de isolamento ao redor do parque. Como eu s\u00f3 come\u00e7aria a trabalhar no museu no dia seguinte, ainda n\u00e3o tinha em m\u00e3os a minha carteira funcional. Logo, os policiais n\u00e3o nos deixaram entrar. Eu e a Mariane tivemos que ficar ali, em p\u00e9 no meio da multid\u00e3o, atr\u00e1s das grades do parque, assistindo at\u00e9 de madrugada o museu queimar&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 seguinte ao inc\u00eandio, Pedro veio a saber que quase toda a cole\u00e7\u00e3o de 5 milh\u00f5es de itens do Departamento de Entomologia, que come\u00e7ou a ser formada ainda no final do s\u00e9culo 19, havia sido consumida pelo fogo.<\/p>\n<p>&#8220;O Departamento de Entomologia ficava no Pal\u00e1cio, exceto um laborat\u00f3rio de Diptera (moscas) e parte da sua cole\u00e7\u00e3o, que ficava em um pr\u00e9dio anexo, e foi o \u00fanico laborat\u00f3rio que sobrou&#8221;, disse.<\/p>\n<p>A cole\u00e7\u00e3o de ort\u00f3pteros, o grupo de insetos que Pedro estuda, era uma das maiores do mundo. O acervo do Museu Nacional tinha cerca de 35 mil esp\u00e9cimes, a maioria gafanhotos. Na cole\u00e7\u00e3o havia 273 esp\u00e9cimes-tipo (ou hol\u00f3tipos), que s\u00e3o os esp\u00e9cimes cujas caracter\u00edsticas serviram para descrever novas esp\u00e9cies, no caso 273.<\/p>\n<p>&#8220;Passei um m\u00eas sem conseguir acreditar no que havia ocorrido. Nos primeiros dias, ao acordar de manh\u00e3, desejava que tudo n\u00e3o tivesse passado de um pesadelo.&#8221;<\/p>\n<p>Nas semanas seguintes, os pesquisadores e t\u00e9cnicos dos departamentos cujas instala\u00e7\u00f5es se perderam no inc\u00eandio (Antropologia, Arqueologia, Invertebrados, Entomologia e Paleontologia), foram sendo abrigados nos laborat\u00f3rios dos colegas que ficam nos tr\u00eas pr\u00e9dios n\u00e3o atingidos pelo fogo: o do Departamento de Vertebrados, de Bot\u00e2nica e a biblioteca.<\/p>\n<p>&#8220;Algumas cole\u00e7\u00f5es de Invertebrados sobreviveram. Ainda antes do inc\u00eandio tomar conta de todo o Pal\u00e1cio, os pesquisadores conseguiram retirar uma parte das cole\u00e7\u00f5es de Carcinologia e Malacologia. Outros laborat\u00f3rios do Departamento de Invertebrados ficavam fora do Pal\u00e1cio e n\u00e3o foram atingidos. Entretanto, o Laborat\u00f3rio de Aracnologia e a sua cole\u00e7\u00e3o foram perdidos,&#8221; explica Pedro.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Pedro.jpg\" width=\"638\" height=\"426\" \/>O bi\u00f3logo Pedro Souza-Dias segura uma esperan\u00e7a do g\u00eanero Panoploscelis, inseto que pertence ao grande grupo dos grilos e gafanhotos. A fotografia foi tirada no Parque Nacional do Ja\u00fa, no rio Ja\u00fa, no Amazonas. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 agora, passados um m\u00eas, \u00e9 que estou me acostumando com a nova rotina. N\u00f3s, da Entomologia, fomos abrigados no pr\u00e9dio dos Vertebrados. Os colegas nos receberam muito bem e procuraram nos acomodar da melhor forma poss\u00edvel,&#8221; diz Pedro.<\/p>\n<p>Quanto tempo Pedro e seus colegas entom\u00f3logos v\u00e3o ficar l\u00e1? Ningu\u00e9m sabe dizer. A reconstru\u00e7\u00e3o do Pal\u00e1cio de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o pode durar muitos anos. Isso se o governo federal e a Universidade Federal do Rio de Janeiro, \u00e0 qual \u00e9 ligado, tornarem a reconstru\u00e7\u00e3o do Museu Nacional uma prioridade or\u00e7ament\u00e1ria. Um levantamento preliminar d\u00e1 conta que, apenas para restaurar o pal\u00e1cio incendiado, ser\u00e3o necess\u00e1rios R$ 100 milh\u00f5es. Isto sem contar talvez outros R$ 100 milh\u00f5es necess\u00e1rios para levantar quatro ou cinco edif\u00edcios independentes, um para cada departamento destru\u00eddo. Os departamentos de vertebrados e bot\u00e2nica sobreviveram t\u00e3o somente porque isto j\u00e1 havia sido realizado nos anos 1990.<\/p>\n<p>Enquanto os pesquisadores torcem para que a reconstru\u00e7\u00e3o do museu se torne realidade, Pedro, que dever\u00e1 passar os pr\u00f3ximos 30 anos naquela institui\u00e7\u00e3o, j\u00e1 sabe muito bem qual ser\u00e1 a sua miss\u00e3o. &#8220;Pretendo lutar por apoio dos \u00f3rg\u00e3os de fomento \u00e0 pesquisa para financiar expedi\u00e7\u00f5es por todo o Brasil. Nossa ideia \u00e9 sair a campo para coletar gafanhotos, grilos e paquinhas, e recompor este acervo. A raz\u00e3o de ser de um museu \u00e9 o estudo e a preserva\u00e7\u00e3o de suas cole\u00e7\u00f5es. Inicialmente, vou a campo no Parque Nacional do Itatiaia, no Parque Nacional da Serra dos \u00d3rg\u00e3os, na floresta da Tijuca e na Reserva Biol\u00f3gica do Tingu\u00e1, na Baixada Fluminense.&#8221;<\/p>\n<p>A nova cole\u00e7\u00e3o de Orthoptera do Museu Nacional j\u00e1 come\u00e7a grande, com 1.500 esp\u00e9cimes. &#8220;\u00c9 o material que venho coletando ou que recebi de colegas desde 2006. Eu geralmente depositava no Museu de Zoologia da USP os esp\u00e9cimes de outros grupos de Orthoptera que coletava (gafanhotos e esperan\u00e7as), ficando apenas com os grilos, para estudos da tese ou estudos futuros. Descrevi at\u00e9 o momento seis g\u00eaneros e 17 esp\u00e9cies de grilos.\u201d<\/p>\n<p>&#8220;Foi uma tremenda sorte esta cole\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter queimado. Eu estava para traz\u00ea-la de S\u00e3o Paulo, mas aguardava o in\u00edcio do meu trabalho no museu para saber onde e em quais condi\u00e7\u00f5es poderia deposit\u00e1-la. No final foi bom, porque se a cole\u00e7\u00e3o j\u00e1 estivesse aqui, n\u00e3o mais existiria. \u00c9 esse material que eu trouxe pra c\u00e1 e que agora passar\u00e1 a fazer parte do meu laborat\u00f3rio e, consequentemente, da cole\u00e7\u00e3o entomol\u00f3gica do Museu Nacional.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Os maiores grilos do mundo s\u00e3o capixabas e baianos<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Titanogryllus_linhares_male.jpg\" width=\"638\" height=\"425\" \/>Um macho da esp\u00e9cie T<em>itanogryllus salgado<\/em>, com 6 cm de comprimento, coletada em Linhares-ES. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A cole\u00e7\u00e3o de ort\u00f3pteros reunida por Pedro \u00e9 basicamente composta por grilos, al\u00e9m de alguns gafanhotos e esperan\u00e7as. &#8220;Eu tenho algumas f\u00eameas e ninfas de\u00a0<em>Titanogryllus<\/em>, al\u00e9m da s\u00e9rie-tipo, que ficaram em S\u00e3o Paulo.&#8221;<\/p>\n<p>Como o nome indica,\u00a0<em>Titanogryllus<\/em>\u00a0ou \u201cgrilo-tit\u00e3&#8221;, \u00e9 um g\u00eanero de grilos gigantes da Mata Atl\u00e2ntica. Seu nome remete aos tit\u00e3s, gigantes da mitologia grega. &#8220;Trata-se dos maiores grilos das Am\u00e9ricas, e possivelmente do mundo, rivalizando apenas com um outro g\u00eanero de Madagascar,&#8221; explica Pedro. &#8220;<em>Titanogryllus salgado<\/em>, a maior das tr\u00eas esp\u00e9cies conhecidas para o g\u00eanero, \u00e9 muito grande, muito robusto. Os machos t\u00eam cerca de 6 a 7 cent\u00edmetros. As f\u00eameas s\u00e3o muito maiores. Elas medem 8 cent\u00edmetros. S\u00e3o de duas a tr\u00eas vezes maiores do que as outras esp\u00e9cies da subfam\u00edlia Gryllinae.&#8221;<\/p>\n<p>A subfam\u00edlia Gryllinae possui 1.342 esp\u00e9cies e 161 g\u00eaneros espalhados pelas florestas tropicais de todo o mundo. Em m\u00e9dia, estes insetos t\u00eam entre 1,5 e 2,5 cent\u00edmetros de comprimento.<\/p>\n<p>Apesar de seu porte avantajado, que se destaca sobremaneira entre todos os Gryllinae, o g\u00eanero\u00a0<em>Titanogryllus<\/em>\u00a0era desconhecido da ci\u00eancia at\u00e9 muito pouco tempo atr\u00e1s. O novo g\u00eanero e as tr\u00eas esp\u00e9cies atualmente conhecidas foram descritos h\u00e1 apenas 6 meses, em mar\u00e7o de 2018, num trabalho\u00a0<a href=\"https:\/\/biotaxa.org\/Zootaxa\/article\/view\/zootaxa.4402.3.4\">publicado em<em>Zootaxa<\/em><\/a>. Os principais autores do estudo s\u00e3o Pedro Souza-Dias e a pesquisadora indiana Ranjana Jaiswara, da Universidade Panjab, em Chandigarh, \u00cdndia.<\/p>\n<p>Os primeiros exemplares de\u00a0<em>Titanogryllus<\/em>\u00a0foram coletados nos anos 1980 e 1990 pelo bi\u00f3logo Francisco de Mello, da Unesp de Botucatu (SP), por\u00e9m s\u00f3 foram agora estudados.<\/p>\n<p>&#8220;Isto aconteceu porque a Ranjana come\u00e7ou a estudar alguns indiv\u00edduos que descobrira na cole\u00e7\u00e3o do Museu Nacional de Hist\u00f3ria Natural, em Paris. Ela entrou em contato comigo me convidando a participar da descri\u00e7\u00e3o deste esp\u00e9cime e eu lembrei que meu ex orientador, o prof. Dr. Francisco de Assis Ganeo de Mello havia coletado esp\u00e9cimes parecidos desde o final dos anos 80 e identificado como um novo g\u00eanero. O Francisco e eu t\u00ednhamos exemplares em nossos laborat\u00f3rios e ent\u00e3o decidimos ver todo esse material, reunindo esp\u00e9cimes coletados ao longo de muito tempo, em datas espor\u00e1dicas, de 1989 a 2012. Esses indiv\u00edduos possibilitaram a descri\u00e7\u00e3o deste novo g\u00eanero e 3 novas esp\u00e9cies&#8221;, diz Pedro.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Oxossi.jpg\" width=\"636\" height=\"283\" \/>Macho da esp\u00e9cie\u00a0<em>Titanogryllus oxossi<\/em>, coletado em Mucuri-BA. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A esp\u00e9cie\u00a0<em>Titanogryllus salgado<\/em>, a maior das tr\u00eas, foi descrita com base em tr\u00eas machos e sete f\u00eameas, coletados na Reserva Natural Vale, em Linhares (ES).<\/p>\n<p>A esp\u00e9cie\u00a0<em>T. oxossi\u00a0<\/em>(refer\u00eancia a uma divindade Ox\u00f3ssi, da umbanda) foi descrita com base em quatro indiv\u00edduos (dois machos e duas f\u00eameas), coletados em Mucuri, no extremo sul da Bahia, quase na divisa com o Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>J\u00e1 a esp\u00e9cie\u00a0<em>T. oxente<\/em>\u00a0(da interjei\u00e7\u00e3o nordestina \u00f4xente, que exprime espanto, surpresa) foi descrita a partir de cinco machos, coletados na Bahia, pr\u00f3ximo a Porto Seguro.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 surpreendente que, no s\u00e9culo 21, um g\u00eanero de grilos t\u00e3o grandes continuasse desconhecido da ci\u00eancia. Ainda mais quando se sabe que foram coletados em fragmentos de Mata Atl\u00e2ntica. No sul da Bahia ela foi praticamente dizimada. S\u00f3 sobraram as \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o,&#8221; explica Pedro.<\/p>\n<p>As coletas efetuadas por Pedro foram realizadas enterrando baldes no solo da floresta e averiguando, no dia seguinte, o que havia ca\u00eddo l\u00e1 dentro. &#8220;As coletas foram feitas \u00e0 noite.\u00a0<em>Titanogryllus<\/em>\u00a0s\u00e3o insetos que vivem junto ao solo. A gente suspeita que parte destes grilos habitem tocas, das quais saem \u00e0 noite para buscar alimento ou acasalar. Talvez seja por causa de seus h\u00e1bitos noturnos que o g\u00eanero permaneceu desconhecido at\u00e9 hoje.&#8221;<\/p>\n<p>A descoberta de\u00a0<em>Titanogryllus<\/em>\u00a0\u00e9 um demonstrativo cabal da riqueza da biodiversidade dos biomas brasileiros, mesmo daqueles mais atingidos pela devasta\u00e7\u00e3o e pela expans\u00e3o da atividade humana.<\/p>\n<p>Se a perda das cole\u00e7\u00f5es do Museu Nacional \u00e9 uma trag\u00e9dia irrepar\u00e1vel, ainda assim h\u00e1 a certeza de que, gra\u00e7as ao esfor\u00e7o de profissionais como Pedro Souza-Dias, aliado ao cont\u00ednuo apoio \u00e0 ci\u00eancia por parte de governo e sociedade, muito do acervo perdido poder\u00e1, com o tempo, ser recomposto.<\/p>\n<p>Algumas perdas, sabe-se, ser\u00e3o para sempre. Mas nossa biodiversidade \u00e9 das mais ricas do planeta. Sempre haver\u00e1 lugar na reserva t\u00e9cnica do futuro Museu Nacional para guardar novas surpresas. Um \u00f3timo exemplo \u00e9 o maravilhoso g\u00eanero dos grilos-tit\u00e3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O meu maior objetivo na vida era conseguir um emprego em uma institui\u00e7\u00e3o de excel\u00eancia,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":94010,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/besouro.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/besouro-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/besouro-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/besouro.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/besouro.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/besouro.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/besouro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/besouro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/besouro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/besouro.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"&#8220;O meu maior objetivo na vida era conseguir um emprego em uma institui\u00e7\u00e3o de excel\u00eancia,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94008"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94008"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94008\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94010"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94008"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94008"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94008"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}