{"id":93825,"date":"2018-10-14T18:39:18","date_gmt":"2018-10-14T21:39:18","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=93825"},"modified":"2018-10-14T18:45:00","modified_gmt":"2018-10-14T21:45:00","slug":"eco21-a-amazonia-tem-pressa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/eco21-a-amazonia-tem-pressa\/","title":{"rendered":"ECO21 \u2013 A Amaz\u00f4nia tem pressa"},"content":{"rendered":"<p><em><strong><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Crian%C3%A7as-da-Amaz%C3%B4nia_2.jpg\" width=\"639\" height=\"427\" \/>por Elisa Homem de Mello \u2013 jornalista ambiental \u2013\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A import\u00e2ncia da Amaz\u00f4nia para o mundo \u00e9 proporcional \u00e0 sua extens\u00e3o. Trata-se de regi\u00e3o complexa o suficiente, cujas fronteiras n\u00e3o respeitam limites, j\u00e1 que as mesmas, por si s\u00f3, se extrapolam.<\/p>\n<p>Em parceria com o Grupo Santander, a The Nature Conservancy (TNC) trouxe ao p\u00fablico, no \u00faltimo dia 3 de setembro, em S\u00e3o Paulo, o evento \u201cAmaz\u00f4nia tem pressa: Experi\u00eancias Empreendedoras\u201d, que debateu a expans\u00e3o da infraestrutura na regi\u00e3o, abordando os desafios da governan\u00e7a e as gest\u00f5es p\u00fablicas para a conserva\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio Amaz\u00f4nico, com base em uma vis\u00e3o integrada e em experi\u00eancias pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Ainda que fosse para justificar o \u00f3bvio, se tiv\u00e9ssemos de pontuar os motivos pelos quais investir na Amaz\u00f4nia \u00e9 lucro certo, enfatizar\u00edamos o suprimento de \u00e1gua e a melhora na qualidade do ar que respiramos, visto que a regi\u00e3o Amaz\u00f4nica concentra 20% de toda \u00e1gua doce do Planeta e que os processos de evapora\u00e7\u00e3o e transpira\u00e7\u00e3o desta floresta ajudam a manter o equil\u00edbrio clim\u00e1tico. Poder\u00edamos lembrar ainda do fornecimento de medicamentos e mat\u00e9rias primas para os mais variados segmentos da ind\u00fastria. Sem falar dos alimentos. A Amaz\u00f4nia \u00e9 a \u00faltima fronteira gustativa da Terra, uma vez que a\u00ed est\u00e3o os sabores que o mundo desenvolvido ainda n\u00e3o experimentou e talvez seja o \u00fanico lugar onde eles ainda existam.<\/p>\n<p>A\u00ed tamb\u00e9m est\u00e3o uma em cada cinco esp\u00e9cies do Planeta. E, por isso, poder\u00edamos lembrar tamb\u00e9m que a Amaz\u00f4nia cont\u00e9m a gen\u00e9tica que vai prover as solu\u00e7\u00f5es das novas fontes de energia, j\u00e1 prevendo o fim do ciclo do petr\u00f3leo. E seriam infind\u00e1veis os motivos para convencermos quem quer que fosse a investir nestas terras, pois todas as solu\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas e sustent\u00e1veis para o mundo passam pela Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p><strong>Na pr\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>Com tanto potencial, fica f\u00e1cil compreender que a Amaz\u00f4nia n\u00e3o precisa de ajuda, mas sim de oportunidades. Ent\u00e3o, o que falta nesta regi\u00e3o de tanta visibilidade e com tantos atributos desejados para que o empreendedorismo n\u00e3o seja apenas um ato de muita f\u00e9 e acolha com seriedade o cuidado com o meio ambiente e a responsabilidade social?<\/p>\n<p>De acordo com as experi\u00eancias pr\u00e1ticas da Reserva Extrativista (RESEX) Tapaj\u00f3s-Arapiuns, modelos de neg\u00f3cio que valorizem a floresta em p\u00e9 devem ser olhados com carinho. O desmatamento na regi\u00e3o representa hoje a libera\u00e7\u00e3o de 200 milh\u00f5es de toneladas de carbono por ano (2,2% do fluxo total global). Por outro lado, a Amaz\u00f4nia armazena em suas florestas o equivalente a uma d\u00e9cada de emiss\u00f5es globais de carbono, de acordo com dados do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (IPAM).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Reserva-Arapiuns.sergio_amaral.jpg\" width=\"637\" height=\"423\" \/>Reserva Tapaj\u00f3s\/Arapiuns Cr\u00e9dito \u2013 Sergio Amaral<\/p>\n<p>Para Andr\u00e9a Cardoso de Almeida, Representante da Organiza\u00e7\u00e3o e das Associa\u00e7\u00f5es e Moradores da Resex Tapaj\u00f3s-Arapiuns, falta Investimento. A variedade de produtos da regi\u00e3o \u00e9 indiscut\u00edvel, mas est\u00e1 claro que eles precisam ser trabalhados para chegarem ao consumidor final. \u201c\u00c9 preciso ainda qualifica\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o, transporte, dentre outras quest\u00f5es sociais, como o combate ao preconceito de igualdade de g\u00eanero nos trabalhos\u201d, afirma Almeida. Em conson\u00e2ncia, est\u00e1 a vis\u00e3o de H\u00e9lia F\u00e9lix, agricultora e cooperada da Coopatrans\/Cacauway, para quem faltam tamb\u00e9m Pol\u00edticas P\u00fablicas, cujo papel deve ser o de tornar a vida daqueles que querem investir na Amaz\u00f4nia mais f\u00e1cil e fazer com que empreender na regi\u00e3o n\u00e3o seja uma aventura e sim um ato corriqueiro e respons\u00e1vel. \u201cVontade e produtos de qualidade n\u00f3s temos. Precisamos de meios para escoar esses produtos\u201d, explica F\u00e9lix, dando como exemplo o trecho de 480 km que liga sua ind\u00fastria de produ\u00e7\u00e3o de geleia at\u00e9 Santar\u00e9m, dos quais apenas 120 km s\u00e3o asfaltados.<\/p>\n<p>Existem hist\u00f3rias de sucesso na Amaz\u00f4nia, conquanto sejam pontuais e isoladas. E nem todos conseguem perseverar e apresentar a resili\u00eancia necess\u00e1ria neste processo. Faltam centros de infraestrutura, seja para log\u00edstica de distribui\u00e7\u00e3o, seja para embalagens, fazendo com que os produtos locais n\u00e3o concorram com outros em pre\u00e7o, uma vez que estes custos s\u00e3o alto neste Estado. Por outro lado, os produtos existentes, tais como cacau, cupua\u00e7u, bacuri, a\u00e7a\u00ed e os mais de 140 cogumelos yanomamis j\u00e1 catalogados, garantem a seguran\u00e7a na biodiversidade. \u201cFalta Conex\u00e3o. A quest\u00e3o\/desafio \u00e9 como conseguiremos chegar nas prateleiras dos supermercados da Europa, de S\u00e3o Paulo ou dos EUA com um pre\u00e7o competitivo. Somos produtores mas n\u00e3o estamos no centro consumidor\u201d, coloca Raphael Medeiros, Diretor Executivo do Centro de Empreendedorismo da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>A Resex Tapaj\u00f3s-Arapiuns tem cerca de 1 milh\u00e3o de hectares, o que representa 10 vezes o tamanho de S\u00e3o Paulo. A\u00ed habitam 6 mil fam\u00edlias, que, a grosso modo, poder\u00edamos concluir, \u201ccuidam\u201d de aproximadamente 208 milh\u00f5es de brasileiros.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Tapaj%C3%B3s-mapa.jpeg\" width=\"638\" height=\"495\" \/><\/p>\n<p><strong>Uma vis\u00e3o integrada do desenvolvimento<\/strong><\/p>\n<p>A Bacia do Tapaj\u00f3s \u00e9 um territ\u00f3rio bastante emblem\u00e1tico no processo amaz\u00f4nico. Localizado entre os estados da Amaz\u00f4nia, de Mato Grosso, do Par\u00e1 e de Rond\u00f4nia, abrange 74 munic\u00edpios com cerca de 1,5 milh\u00e3o de habitantes. Trata-se de \u00e1rea de transi\u00e7\u00e3o entre o Cerrado e a Floresta Amaz\u00f4nica, onde 40% do territ\u00f3rio est\u00e1 destinado \u00e0s Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UCs) e aos Territ\u00f3rios Ind\u00edgenas. A\u00ed habitam 800 esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros, 500 esp\u00e9cies de peixes e 250 de mam\u00edferos. Al\u00e9m de concentrar enorme potencial h\u00eddrico e, portanto, energ\u00e9tico, e uma localiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica para a sa\u00edda Norte de toda a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os que vem do Mato Grosso, expandindo a fronteira agr\u00edcola.<br \/>\nEntretanto, os processos de transforma\u00e7\u00e3o territorial na regi\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o projetados em escalas adequadas a estes processos socioambientais e econ\u00f4micos, t\u00e3o pouco respeitam as pessoas que l\u00e1 est\u00e3o, muito menos o DNA da pr\u00f3pria Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cSeguimos planejando muito mal todo este territ\u00f3rio, analisando os projetos de forma fragmentada, sem considerar impactos cumulativos e sinergias, e sem fazer com que as pol\u00edticas p\u00fablicas associadas a todos estes investimentos que ali chegam, sejam revertidas em transforma\u00e7\u00e3o sist\u00eamica com resultado socioecon\u00f4mico positivo para todo o territ\u00f3rio\u201d, afirma Karen Oliveira, Gerente de Infraestrutura, TNC Brasil.<\/p>\n<p>Foi pensando em resgatar a quest\u00e3o do planejamento que foi criado o Blueprint. Trata-se de uma metodologia cient\u00edfica de planejamento integrado apoiada em base de dados espaciais que permite identificar \u00e1reas priorit\u00e1rias para a\u00e7\u00f5es governamentais de conserva\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o. O Blueprint serve como ponto de partida para fortalecer o di\u00e1logo entre diferentes atores e setores, e para a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que assegurem a sustentabilidade ambiental, fundamental para a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade e de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, e para o crescimento econ\u00f4mico de uma bacia hidrogr\u00e1fica. A partir da\u00ed, torna-se poss\u00edvel estabelecer uma vis\u00e3o integrada e compartilhada por todos, fazendo com que as pol\u00edticas p\u00fablicas ali direcionadas passem a ser mais efetivas.<\/p>\n<p>A partir de um conjunto de vari\u00e1veis f\u00edsicas (eleva\u00e7\u00e3o e gradiente do terreno, densidade da drenagem e gradiente do leito dos rios) o Blueprint foi capaz de definir a Bacia do Tapaj\u00f3s em 985 unidades de planejamento (UPs), que integraram quatro grupos maiores de drenagem: rios de cabeceiras, pequenos tribut\u00e1rios, grandes tribut\u00e1rios e rios principais. Os cruzamentos desses dados geraram o ATLAS TAPAJ\u00d3S 3D \u2013 avaliando as dimens\u00f5es tecnol\u00f3gica, cient\u00edfica e social.<\/p>\n<p>De outro lado, um grupo formado por 177 associa\u00e7\u00f5es empresariais, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e academia criaram 28 propostas, agrupadas em tr\u00eas principais eixos (ordenamento territorial; dinamiza\u00e7\u00e3o dos mecanismos e agropecu\u00e1ria de baixo carbono aliada \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o; restaura\u00e7\u00e3o, reflorestamento e uso sustent\u00e1vel dos recursos naturais), com o objetivo de construir uma agenda para a agricultura, pecu\u00e1ria e economia de base florestal competitivas e sustent\u00e1veis. A Coaliz\u00e3o Brasil Clima, Florestas e Agricultura colabora para a implementa\u00e7\u00e3o da Contribui\u00e7\u00e3o Nacionalmente Determinada (NDC), que cont\u00e9m os compromissos assumidos em 2015, no \u00e2mbito do Acordo de Paris.<\/p>\n<p>\u201cEstes ser\u00e3o elementos importantes para a prosperidade do pa\u00eds\u201d, afirma Izabella Teixeira, ex-Ministra do Meio Ambiente, que lembra, no entanto, que ainda n\u00e3o fomos capazes de sair das quest\u00f5es do S\u00e9culo 20, como seguran\u00e7a alimentar e seguran\u00e7a energ\u00e9tica, embora no S\u00e9culo 21 as quest\u00f5es primordiais sejam a seguran\u00e7a h\u00eddrica e a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>De fato, a gest\u00e3o do territ\u00f3rio amaz\u00f4nico \u00e9 uma quest\u00e3o que se arrasta desde a d\u00e9cada de 1980 e est\u00e1 claro que o modelo de gest\u00e3o empregado pelo estado brasileiro, que compreende rela\u00e7\u00f5es tais como as conhecidas, precisa mudar. \u201c\u00c9 preciso ter flexibilidade para se tomar decis\u00f5es com maior embasamento. O mundo espera que o Brasil apresente solu\u00e7\u00f5es para o meio ambiente\u201d, enfatiza Teixeira.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/desmata-amazonia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-229926 \" src=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/desmata-amazonia-1024x724.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/desmata-amazonia-1024x724.jpg 1024w, http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/desmata-amazonia-300x212.jpg 300w, http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/desmata-amazonia-600x424.jpg 600w, http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/desmata-amazonia-778x550.jpg 778w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"452\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>A Amaz\u00f4nia tem pressa<\/strong><\/p>\n<p>Para Patr\u00edcia Audi, Superintende Executiva de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais do Santander, falta planejamento a partir do territ\u00f3rio. \u201cCom base em um planejamento territorial, poderemos estabelecer as prioridades e o papel de cada stakeholder, atribuindo respons\u00e1veis e uma vis\u00e3o de monitoramento para se pensar a Amaz\u00f4nia que abrange o mundo agr\u00edcola, o mundo extrativista (inclusive o ilegal) e o mundo h\u00eddrico. \u00c9 preciso pensar uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica que perpasse governos e que perdure muito al\u00e9m de 4 anos, pois a Amaz\u00f4nia tem pressa e o povo que l\u00e1 est\u00e1 n\u00e3o pode esperar por planejamentos cujos efeitos nunca ser\u00e3o vistos\u201d.<\/p>\n<p>A Amaz\u00f4nia tem pressa para encontrar um modelo de transforma\u00e7\u00e3o que tenha como base a governan\u00e7a social e territorial e que valorize seus ativos naturais. Um modelo que seja inspirador e inovador e que promova e propicie uma transforma\u00e7\u00e3o sist\u00eamica que supere barreiras e, ao mesmo tempo, atenda \u00e0s necessidades de fomento socioecon\u00f4mico e ambiental.<\/p>\n<p>\u201cO empreendedorismo amaz\u00f4nico tamb\u00e9m nos faz dialogar sobre as muitas amaz\u00f4nias que existem na Amaz\u00f4nia. \u00c9 preciso um modelo de desenvolvimento sustent\u00e1vel que fomente mecanismos financeiros p\u00fablicos e privados. A Amaz\u00f4nia tem pressa e \u00e9 preciso fazer com que seu legado seja reconhecido e respeitado mundialmente\u201d, afirma Santiago Gowland, Vice-presidente Executivo de Inova\u00e7\u00e3o Global e Diretor Executivo para AL, TNC<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Usina-Belo-Monte.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-232296 \" src=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Usina-Belo-Monte.jpg\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" srcset=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Usina-Belo-Monte.jpg 640w, http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Usina-Belo-Monte-300x150.jpg 300w, http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/Usina-Belo-Monte-600x301.jpg 600w\" alt=\"\" width=\"636\" height=\"319\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Empreendimentos que merecem aten\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ferrogr\u00e3o \u2013 Quest\u00e3o\/Desafio: como entrar na Amaz\u00f4nia, respeitando seus povos, suas culturas e sua floresta? Desde 2012, a preocupa\u00e7\u00e3o maior dos investidores envolvidos neste empreendimento tem sido fazer uma consulta pr\u00e9via com a sociedade da regi\u00e3o e as culturas ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>O projeto de constru\u00e7\u00e3o de uma ferrovia (EF-170, comumente chamada de Ferrogr\u00e3o) faz frente \u00e0 expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola brasileira e \u00e0 demanda por uma infraestrutura integrada de transportes de carga, produzindo benef\u00edcios socioecon\u00f4micos de alto impacto para as regi\u00f5es entre Sinop\/MT e Itaituba\/PR.<\/p>\n<p>Prev\u00ea-se que, j\u00e1 em 2020, a demanda total de carga alocada da ferrovia alcance 25 milh\u00f5es de toneladas, n\u00famero que poder\u00e1 chegar a 42,3 milh\u00f5es de toneladas em 2050. O corredor a ser constitu\u00eddo pela EF-170 e pela rodovia BR-163 abrir\u00e1 uma nova rota para a exporta\u00e7\u00e3o da soja e do milho no Brasil. Hoje, mais de 70% da safra mato-grossense \u00e9 escoada pelos portos de Santos\/SP e de Paranagu\u00e1\/PR, a mais de 2 mil km da origem.<\/p>\n<p>Essa circunst\u00e2ncia d\u00e1 ao projeto uma import\u00e2ncia de extrema relev\u00e2ncia dentro do sistema log\u00edstico de cargas do pa\u00eds, sendo imprescind\u00edvel um olhar cr\u00edtico que foque principalmente na regi\u00e3o e na popula\u00e7\u00e3o que a\u00ed vive.<br \/>\nHidrel\u00e9trica de S\u00e3o Luiz \u2013 Quest\u00e3o\/Desafio: \u00e9 poss\u00edvel desenvolver infraestrutura na Amaz\u00f4nia de forma sustent\u00e1vel? Para especialista de uma das mais novas geradoras de energia el\u00e9trica do pa\u00eds, trata-se de empreendimento capaz de produzir desenvolvimento e alavancar a comunidade local, entretanto, \u00e9 preciso repensar as tecnologias, unindo conhecimento social e ambiental.<\/p>\n<p>A Usina Hidrel\u00e9trica S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s foi concebida como uma usina-plataforma, conceito inspirado nas plataformas de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo em alto mar. Depois de pronta, o canteiro de obras dever\u00e1 ser desmanchado, para o reflorestamento da regi\u00e3o. Usinas-plataformas funcionam de forma mais automatizada e n\u00e3o s\u00e3o ligadas por estradas. O acesso dos funcion\u00e1rios ter\u00e1 que ser feito por helic\u00f3ptero. O lago ter\u00e1 \u00e1rea de 722,25 km\u00b2. A queda ser\u00e1 de 35,9 metros, gerando 6.356,4 MW atrav\u00e9s de 31 turbinas Kaplan de 198 MW e duas de 109,2 MW. Produzir\u00e1 29.548,8 GW\/ano.<\/p>\n<p>A previs\u00e3o \u00e9 de que este seja o maior complexo do Tapaj\u00f3s. Sondagens da Eletrobras indicam a possibilidade de expans\u00e3o da capacidade energ\u00e9tica para 7.880 MW.<\/p>\n<p>Essa circunst\u00e2ncia d\u00e1 ao projeto uma import\u00e2ncia de extrema relev\u00e2ncia dentro do sistema h\u00eddrico do pa\u00eds, sendo imprescind\u00edvel um olhar cr\u00edtico que foque principalmente no meio ambiente e na responsabilidade social, al\u00e9m do fortalecimento de institui\u00e7\u00f5es como Funai e ICMBio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Elisa Homem de Mello \u2013 jornalista ambiental \u2013\u00a0 A import\u00e2ncia da Amaz\u00f4nia para o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"por Elisa Homem de Mello \u2013 jornalista ambiental \u2013\u00a0 A import\u00e2ncia da Amaz\u00f4nia para o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93825"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93825"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93825\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93825"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93825"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93825"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}