{"id":93781,"date":"2018-10-14T12:30:49","date_gmt":"2018-10-14T15:30:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=93781"},"modified":"2018-10-14T09:38:26","modified_gmt":"2018-10-14T12:38:26","slug":"agro-espera-crescer-40-ate-2050-com-tecnologia-e-producao-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/agro-espera-crescer-40-ate-2050-com-tecnologia-e-producao-sustentavel\/","title":{"rendered":"Agro espera crescer 40% at\u00e9 2050 com tecnologia e produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/agro.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-93782\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/agro-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/agro-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/agro.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>C<\/span>omo o Brasil pode aumentar a produ\u00e7\u00e3o em 40% at\u00e9 2050? A recomenda\u00e7\u00e3o da FAO para o pa\u00eds foi o mote de um debate que envolveu as principais lideran\u00e7as da cadeia de prote\u00edna animal em Atibaia (SP). O encontro, promovido pela Trouw Nutrition nesta quinta-feira (10\/10) reuniu representantes da piscicultura, pecu\u00e1ria leiteira, avicultura e suinocultura e carne bovina.<\/p>\n<p>Megatend\u00eancias como mudan\u00e7as demogr\u00e1ficas, urbaniza\u00e7\u00e3o acelerada, deslocamento do poder econ\u00f4mico para pa\u00edses emergentes, aquecimento global, escassez de recursos e avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos s\u00e3o alguns dos fatores que podem interferir na produ\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de problemas recorrentes na produ\u00e7\u00e3o brasileira como a infraestrutura e a burocracia.<\/p>\n<p>Confira as principais estrat\u00e9gias dos setores.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">PEIXE<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cA piscicultura \u00e9 uma atividade nova e desconhecida. Hoje, de cada dois quilos de peixe consumidos, um j\u00e1 vem da aquicultura, de peixes criados em cativeiro. Em 2030 ser\u00e3o 70%. \u00c9 a aquicultura que vai suprir a necessidade de fornecimento de peixes porque rios e mares est\u00e3o entrando em colapso\u201d, diz o presidente da Peixe BR, Ricardo Neukirchner.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o setor cresceu muito. A taxa foi de 540% no ciclo 2016\/2017. A produ\u00e7\u00e3o atual, estimada em 2017, foi de 691,7 toneladas e o valor da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 de R$ 5,4 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Apesar dos n\u00fameros substanciais, hoje o Brasil importa cerca de U$ 1 bilh\u00e3o de pescado.<\/p>\n<p>Apesar disso, na opini\u00e3o do presidente da Peixe BR, a piscicultura vai crescer no Brasil ainda mais do que a taxa recomendada pela FAO. \u201cO Brasil tem 14% das reservas de \u00e1gua doce do planeta, a piscicultura n\u00e3o precisa de terras, tem diversidade, precisa ser sustent\u00e1vel e \u00e9 uma m\u00e1quina de convers\u00e3o alimentar\u201d.<\/p>\n<p>Hoje, o setor tem investimentos projetados em f\u00e1bricas de ra\u00e7\u00f5es, melhoramento gen\u00e9tico e frigor\u00edficos. Para 2050, a estimativa \u00e9 de que sejam produzidos no Brasil 2 milh\u00f5es de toneladas de peixe por ano. A maior parte dever\u00e1 ser de til\u00e1pia, a terceira esp\u00e9cie mais consumida no mundo e considerada, por sua convers\u00e3o alimentar, &#8220;o frango dos peixes&#8221;. At\u00e9 l\u00e1, segundo Ricardo, os brasileiros comer\u00e3o 6 kg de peixe por indiv\u00edduo ao ano, a exporta\u00e7\u00e3o ser\u00e1 forte e o valor da produ\u00e7\u00e3o ser\u00e1 de R$ 25 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 todo um mercado a ser conquistado. N\u00e3o existe alternativa para se consumir pescado no mundo se n\u00e3o for atrav\u00e9s da piscicultura. Algu\u00e9m no mundo vai fazer. O Brasil tem todas as condi\u00e7\u00f5es para isso. Diversidade de esp\u00e9cies, diversidade de pre\u00e7os, imagem positiva, facilidade de preparo e produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">LEITE<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cComo aumentar a produ\u00e7\u00e3o em 40%? A resposta \u00e9 uma s\u00f3. Temos que ser mais intensivos, utilizar melhor os recursos dispon\u00edveis para a humanidade e respeitar os recursos finitos do meio ambiente\u201d, diz Roberto Jank, vice-presidente da Abraleite.<\/p>\n<p>Entre 1974 e 2016, a produ\u00e7\u00e3o mundial de leite cresceu 374%, para 34 bilh\u00f5es de litros, segundo a Embrapa. No Brasil o crescimento foi bem menor, 71%, o que equivale a 7 bilh\u00f5es de litros.<\/p>\n<p>\u201cA produ\u00e7\u00e3o precisa ser intensiva, n\u00e3o importa o modelo. Assim a pegada de carbono \u00e9 muito menor. N\u00e3o precisa ser confinamento.<\/p>\n<p>\u201cO resultado depende de diversas vari\u00e1veis, cabe a n\u00f3s decidirmos as prioridades, mas o modelo de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 priorit\u00e1rio. Temos 1 milh\u00e3o de produtores, grande parte em um sistema de baixa produtividade. Precisamos mudar o quadro de como produzir&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o d\u00e1 pra ser um bom pecuarista se n\u00e3o for um bom agricultor. \u00c9 preciso entender a necessidade dos sistemas de integra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dissociar pecu\u00e1ria da agricultura\u201d, disse Roberto, lembrando que hoje uma fazenda produz cerca de 40 mil litros de leite por hectare.<\/p>\n<p>\u201cO melhor investimento com vaca de leite, com pecu\u00e1ria de um modo geral, chama-se bem-estar animal. Preservar a vaca, dar conforto para a vaca, ambienta\u00e7\u00e3o, tudo isso resulta em efici\u00eancia. Sempre que me perguntam qual \u00e9 o melhor investimento eu digo: bem-estar animal. Investimento \u00e9 sempre em bem-estar animal.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o executivo, hoje o maior custo \u00e9 o custo de oportunidade. \u201cPrecisamos mostrar que o que fazemos \u00e9 melhor do que outra atividade que poderia estar sendo feita no lugar. Em segundo lugar precisamos intensificar a produ\u00e7\u00e3o por \u00e1rea. N\u00f3s temos um trabalho de ganho de oportunidade f\u00e1cil de fazer. O Brasil j\u00e1 esteve entre os maiores campe\u00f5es do consumo de leite. O pa\u00eds tem um futuro magn\u00edfico e esses 40% n\u00f3s tiramos de letra\u201d.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">AVES E SU\u00cdNOS<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cSomos indiscutivelmente o grande fornecedor de prote\u00edna animal do mundo\u201d, disse o presidente da ABPA, Francisco Turra, lembrando que a produ\u00e7\u00e3o brasileira tem um \u00f3timo status sanit\u00e1rio. \u201cEstamos livres de enfermidades globais. Hoje h\u00e1 peste su\u00edna africana no mundo e influenza avi\u00e1ria. N\u00e3o temos casos como esses\u201d, disse o executivo.<\/p>\n<p>Para Turra, a versatilidade e a qualidade s\u00e3o diferenciais da produ\u00e7\u00e3o brasileira. \u201cO sistema \u00e9 inspecionado pelo Mapa e pelos 160 mercados consumidores que acessamos. Temos diversas certifica\u00e7\u00f5es internacionais e recebemos mais de 1000 miss\u00f5es e visitas privadas todos os anos.\u201d<\/p>\n<p>O executivo projeta que, j\u00e1 em 2025, o consumo de aves vai ser maior que o da carne su\u00edna. Vantagens como o custo de produ\u00e7\u00e3o competitivo, programas de sanidade av\u00edcola e su\u00edna, al\u00e9m da integra\u00e7\u00e3o entre os elos da cadeia e tecnologia pr\u00f3pria devem assegurar a posi\u00e7\u00e3o ocupada pelo Brasil.<\/p>\n<p>Entre os entraves, o executivo lembra que hoje o Brasil exporta impostos para os mercados compradores e reclama que, na guerra tribut\u00e1ria mundial, o Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais cobra al\u00edquota de imposto de renda sobre o lucro das empresas, com uma taxa de 34%.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">CARNE<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cHoje o cen\u00e1rio nos deixa perceber uma fal\u00eancia do atual modelo federativo. As entidades t\u00eam que passar a exercer um papel diferenciado. O principal problema continua sendo a log\u00edstica\u201d, disse o presidente da Abiec, Ant\u00f4nio Jorge Camardelli.<\/p>\n<p>O executivo lembrou que o principal entrave para a exporta\u00e7\u00e3o continua sendo a log\u00edstica. \u201cN\u00f3s fazemos um esfor\u00e7o para exportar pelos portos do Norte e agora estamos na expectativa com a possibilidade de abertura de v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica. O problema \u00e9 que , no Brasil, o tempo m\u00e9dio gasto com burocracia em opera\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias leva em m\u00e9dia 59,7 horas. Desse modo eu n\u00e3o consigo perpetuar a qualidade da carne que \u00e9 entregue.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m precisamos ter o aproveitamento real das estat\u00edsticas e informa\u00e7\u00f5es sobre diagn\u00f3sticos e doen\u00e7as. Temos exemplos de Estados que t\u00eam bancos de informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o chegam aos produtores\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Camardelli, o Brasil, maior exportador de carne do mundo, n\u00e3o acessa mercados importantes como Jap\u00e3o, Coreia do Sul, Canad\u00e1, ir\u00e3, Indon\u00e9sia e Taiwan devido a problemas diplom\u00e1ticos. \u201cS\u00e3o pa\u00edses que n\u00e3o aceitam a vacina\u00e7\u00e3o contra a aftosa mas s\u00e3o signat\u00e1rios da OIE.\u201d<\/p>\n<p>Para consolidar a posi\u00e7\u00e3o de principal pa\u00eds exportador, segundo o executivo, o minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores precisa voltar a ter uma vis\u00e3o comercial, fortalecer os adidos e promover a fideliza\u00e7\u00e3o dos mercados. \u201cAs embaixadas precisam ter uma vis\u00e3o comercial. Outra necessidade \u00e9 o conceito de n\u00e3o obje\u00e7\u00e3o. Os Estados Unidos trabalham com um modelo de vi\u00e9s diferente. Eles deixam qualquer pa\u00eds produzir o que quiserem, s\u00f3 que checam a qualidade no final\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso acabar com o racioc\u00ednio de exclus\u00e3o, ou seja, consertar problemas burocr\u00e1ticos burocratizando outras \u00e1reas. Temos que investir em marketing, incutir no minist\u00e9rio e nos inspetores uma vis\u00e3o comercial.<\/p>\n<p>\u201cNingu\u00e9m tem carne para oferecer ao mundo. N\u00f3s s\u00f3 vamos parar com a imigra\u00e7\u00e3o se combaterem a fome e o Brasil tem totais condi\u00e7\u00f5es de mudar isso.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como o Brasil pode aumentar a produ\u00e7\u00e3o em 40% at\u00e9 2050? 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