{"id":9376,"date":"2014-10-28T12:00:19","date_gmt":"2014-10-28T12:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=9376"},"modified":"2014-10-28T11:09:27","modified_gmt":"2014-10-28T11:09:27","slug":"brasil-comeca-a-conviver-com-a-assustadora-sombra-da-escassez-do-liquido-insubstituivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/brasil-comeca-a-conviver-com-a-assustadora-sombra-da-escassez-do-liquido-insubstituivel\/","title":{"rendered":"Brasil come\u00e7a a conviver com a assustadora sombra da escassez do l\u00edquido insubstitu\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/seca_.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-9377\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/seca_.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>O <strong>Brasil <\/strong>tem a maior <strong>reserva de \u00e1gua doce <\/strong>do planeta. Concentram-se aqui 12% de todos os <strong>recursos h\u00eddricos globais<\/strong>. O que explica, ent\u00e3o, a <strong>crise de abastecimento<\/strong> pela qual passa o Estado de S\u00e3o Paulo, o mais populoso e rico do pa\u00eds?<\/p>\n<p>A <strong>seca <\/strong>hist\u00f3rica que atinge o Sudeste h\u00e1 dois anos, a maior dos \u00faltimos 84 anos, efeito cont\u00ednuo de uma massa de ar quente que estacionou na regi\u00e3o, justifica parte do problema. Mas n\u00e3o \u00e9 prudente atribuir o baixo n\u00edvel de \u00e1gua apenas \u00e0s <strong>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong> pelas quais passa a Terra, e que fazem proliferar <strong>climas extremos<\/strong>.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 exemplo de descaso na administra\u00e7\u00e3o de seus <strong>recursos h\u00eddricos<\/strong>. Em todo o pa\u00eds, desperdi\u00ad\u00e7am-se 40% da \u00e1gua captada, que vaza por encanamentos prec\u00e1rios, de manuten\u00e7\u00e3o quase inexistente. Em S\u00e3o Paulo, a perda \u00e9 de 31,2%. \u00c9 falha que poderia ser corrigida com melhorias anunciadas desde 2004, quando o estado passou por crise similar.<\/p>\n<p>Muito pouco foi feito. Sem o <strong>desperd\u00edcio<\/strong>, haveria <strong>\u00e1gua <\/strong>de sobra. O descaso, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 exclusividade brasileira. Pa\u00edses como China e \u00cdndia descuidam de suas reservas, usando-as sem crit\u00e9rio. Com isso, o planeta v\u00ea dezenas de trilh\u00f5es de litros indo pelo ralo.<\/p>\n<p>\u00c9 assustador observar como tratamos o <strong>elemento essencial \u00e0 vida<\/strong>, limitado e insubstitu\u00edvel. Se gastarmos todos os combust\u00edveis f\u00f3sseis que existem, teremos outras <strong>fontes energ\u00e9ticas<\/strong>, como a solar e a e\u00f3lica. Vivemos dezenas de milhares de anos sem combust\u00edveis f\u00f3sseis. Sobrevivemos, e sobreviver\u00edamos sem eles. Mas, se dermos cabo dos <strong>estoques de \u00e1gua<\/strong>, n\u00e3o haver\u00e1 alternativa. \u00c1gua \u00e9 tudo.<\/p>\n<p>Estima-se o valor do atual <strong>mercado global de \u00e1gua doce<\/strong> em 425 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Se o estoque um dia acabar, o que \u00e9 muito improv\u00e1vel, ou for seriamente comprometido, o que \u00e9 poss\u00edvel, entrar\u00e1 em risco a <strong>sobreviv\u00eancia da humanidade<\/strong>. Tomem-se os atuais exemplos de S\u00e3o Paulo e Minas Gerais para entender que danos, ainda plenamente administr\u00e1veis, a <strong>falta d\u2019\u00e1gua<\/strong> pode provocar.<\/p>\n<p>Na capital paulista, pesquisa Datafolha divulgada recentemente revelou que 60% dos moradores ficaram sem \u00e1gua nos \u00faltimos trinta dias. No interior, o cen\u00e1rio se agrava. Alguns munic\u00edpios, a exemplo de Cristais Paulista, multam quem desperdi\u00e7a \u00e1gua. Em Itu, h\u00e1 protestos de rua, e caminh\u00f5es-pipa precisam de escolta para n\u00e3o ser atacados. Ao prejudicar a economia e o abastecimento, a <strong>seca <\/strong>d\u00e1 in\u00edcio a perigosos conflitos.<\/p>\n<p>Desde 1990, a <strong>disputa por \u00e1gua<\/strong> foi motivo de 2\u2009200 conflitos diplom\u00e1ticos, econ\u00f4micos ou militares pelo planeta. A tens\u00e3o deve se intensificar. A <strong>ONU <\/strong>calcula que faltar\u00e1 <strong>\u00e1gua limpa <\/strong>para 47% da popula\u00e7\u00e3o global at\u00e9 2030. Diz o urbanista americano <strong>Michael Klare<\/strong>, autor do livro <em>The Race for What\u2019s Left<\/em> (em ingl\u00eas, <em>A Corrida pelo que Sobrou<\/em>), sobre disputas por recursos naturais: &#8220;A \u00e1gua virou o novo combust\u00edvel f\u00f3ssil, causa de batalhas ferrenhas. Guerras que aumentar\u00e3o em n\u00famero e dimens\u00e3o, j\u00e1 que a demanda cresce, enquanto a oferta diminui&#8221;.<\/p>\n<p>A resposta para a <strong>crise h\u00eddrica<\/strong> parece simples: temos de consumir menos e diminuir drasticamente o desperd\u00edcio. Mas s\u00e3o atitudes dif\u00edceis de ser implantadas, j\u00e1 que dependem de uma mudan\u00e7a radical de costumes. A demanda de \u00e1gua per capita nos Estados Unidos ultrapassa os 500 litros, dez vezes o recomendado pela ONU. Enquanto isso, \u00e1reas pobres quase n\u00e3o t\u00eam acesso ao recurso. Mo\u00e7ambique \u00e9 dono de um dos piores cen\u00e1rios, onde h\u00e1 apenas 4 litros de \u00e1gua limpa por morador.<\/p>\n<p>Para controlar o gasto, todo cidad\u00e3o precisa rever seus h\u00e1bitos cotidianos, como deixar a torneira aberta enquanto escova os dentes ou tomar longos banhos. Mas soa injusto cobrar exclusivamente uma nova postura individual. S\u00e3o essenciais tamb\u00e9m <strong>pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong> que repreendam o desperd\u00edcio.<\/p>\n<p>A Calif\u00f3rnia \u00e9 exemplo mundial nesse aspecto. S\u00e3o Paulo v\u00ea secar seu principal reservat\u00f3rio, o da Cantareira, cujo n\u00edvel est\u00e1 em 3%. Seu primeiro estoque de <strong>volume morto<\/strong>, cota que repousa no fundo das represas, abaixo do t\u00fanel que costuma drenar a \u00e1gua, e, por isso, mais suja que o usual, deve desaparecer no pr\u00f3ximo m\u00eas.<\/p>\n<p>A segunda parcela segurar\u00e1 o abastecimento por poucos meses. Enquanto isso, o governo promete entregar obras que aumentar\u00e3o a <strong>capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua<\/strong>, e j\u00e1 se cogitou importar recursos h\u00eddricos de outros estados. S\u00e3o apenas paliativos, que em nada ajudar\u00e3o a longo prazo se o desperd\u00edcio n\u00e3o for controlado. Para o Brasil e para o mundo, a crise da \u00e1gua serve como alerta. Se n\u00e3o cuidarmos dos escassos recursos que temos, desenharemos um <strong>futuro cada vez mais \u00e1rido<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil tem a maior reserva de \u00e1gua doce do planeta. 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