{"id":93748,"date":"2018-10-14T07:00:45","date_gmt":"2018-10-14T10:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=93748"},"modified":"2018-10-13T19:55:20","modified_gmt":"2018-10-13T22:55:20","slug":"florestas-ricas-em-especies-armazenam-duas-vezes-mais-carbono-que-monoculturas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/florestas-ricas-em-especies-armazenam-duas-vezes-mais-carbono-que-monoculturas\/","title":{"rendered":"Florestas ricas em esp\u00e9cies armazenam duas vezes mais carbono que monoculturas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amazonia-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-93750\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amazonia-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amazonia-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amazonia-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O n\u00edvel total de\u00a0<strong>sequestro de carbono<\/strong>\u00a0e a conseq\u00fcente mitiga\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>aquecimento global<\/strong>\u00a0s\u00f3 poder\u00e3o ser alcan\u00e7ados com uma combina\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 de\u00a0<strong>Universidade de Zurique<\/strong><\/p>\n<p>Em 2009, o projeto\u00a0<strong>BEF-China<\/strong>\u00a0iniciou um experimento de\u00a0<strong>biodiversidade<\/strong>\u00a0em uma\u00a0<strong>floresta<\/strong>, com a colabora\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es da\u00a0<strong>China<\/strong>,\u00a0<strong>Alemanha<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Su\u00ed\u00e7a<\/strong>. O amplo projeto investigou qu\u00e3o importante \u00e9 a diversidade de esp\u00e9cies de \u00e1rvores para o bom funcionamento dos\u00a0<strong>ecossistemas florestais<\/strong>. Foram plantados grupos de \u00e1rvores com diferentes n\u00fameros de esp\u00e9cies, desde\u00a0monoculturas\u00a0at\u00e9 terrenos altamente diversificados, com 16 tipos diferentes de\u00a0<strong>\u00e1rvores<\/strong>\u00a0em uma \u00e1rea de 670 metros quadrados.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s oito anos, tais terrenos armazenavam uma m\u00e9dia de\u00a0<strong>32 toneladas de<\/strong>\u00a0<strong>carbono<\/strong>por hectare em\u00a0<strong>biomassa<\/strong>\u00a0acima do solo. Em contrapartida, as\u00a0<strong>monoculturas<\/strong>acumularam menos da metade disso: uma m\u00e9dia de apenas\u00a0<strong>12 toneladas de carbono<\/strong>por hectare. Durante a\u00a0fotoss\u00edntese, as plantas absorvem\u00a0di\u00f3xido de carbono\u00a0da atmosfera e convertem o\u00a0<strong>carbono<\/strong>\u00a0em\u00a0<strong>biomassa<\/strong>. Quando uma\u00a0floresta armazena mais carbono, isso auxilia na redu\u00e7\u00e3o dos\u00a0gases de efeito estufa\u00a0e ao mesmo tempo tamb\u00e9m indica uma alta produtividade florestal.<\/p>\n<h3>Florestas biodiversificadas s\u00e3o mais produtivas<\/h3>\n<p>O fato de a\u00a0biodiversidade\u00a0aumentar a produtividade j\u00e1 havia sido anteriormente demonstrado atrav\u00e9s de experimentos em prados na\u00a0<strong>Europa<\/strong>\u00a0e nos\u00a0<strong>Estados Unidos<\/strong>. Mas como partiram do principio de que todas as\u00a0<strong>esp\u00e9cies de \u00e1rvores<\/strong>\u00a0ocupam nichos ecol\u00f3gicos semelhantes, conclu\u00edram que a\u00a0<strong>biodiversidade florestal<\/strong>\u00a0traria um efeito m\u00ednimo. Evidentemente, no entanto, esta suposi\u00e7\u00e3o estava errada. \u201cNo experimento de\u00a0<strong>biodiversidade florestal<\/strong>, a\u00a0<strong>biomassa<\/strong>\u00a0aumentou t\u00e3o rapidamente quanto nas pradarias. Conseq\u00fcentemente, mesmo ap\u00f3s apenas quatro anos, se via claras diferen\u00e7as entre as\u00a0<strong>monoculturas<\/strong>\u00a0e as florestas ricas em esp\u00e9cies,\u201d explica o Professor<strong>\u00a0Helge Bruelheide<\/strong>\u00a0da\u00a0<strong>Universidade Martinho Lutero de Halle-Wittenberg<\/strong>, co-diretor do\u00a0<strong>Centro Alem\u00e3o para Pesquisa Integrativa em Biodiversidade<\/strong>\u00a0(<strong>iDiv<\/strong>), o qual supervisionou os experimentos de campo junto com o\u00a0<strong>Instituto de Bot\u00e2nica da Academia Chinesa de Ci\u00eancias<\/strong>. Tais diferen\u00e7as continuaram a se intensificar nos quatro anos seguintes.<\/p>\n<p>\u201cEstas descobertas t\u00eam grande relev\u00e2ncia ecol\u00f3gica e econ\u00f4mica,\u201d afirma o Professor<strong>Bernhard Schmid<\/strong>, da\u00a0<strong>Universidade de Zurique<\/strong>, autor s\u00eanior na equipe de reda\u00e7\u00e3o, composta de 60 pessoas, da presente publica\u00e7\u00e3o na\u00a0<strong>Science<\/strong>. Um estudo anterior j\u00e1 havia encontrado uma correla\u00e7\u00e3o positiva entre a\u00a0<strong>biodiversidade<\/strong>\u00a0e o\u00a0<strong>armazenamento de carbono<\/strong>. Contudo, ele foi baseado apenas na compara\u00e7\u00e3o entre a varia\u00e7\u00e3o de diversidade de esp\u00e9cies em terrenos naturais. \u201cPortanto, era imposs\u00edvel concluir se a maior\u00a0<strong>biodiversidade<\/strong>\u00a0era a causa da maior produtividade. Mas agora n\u00f3s chegamos \u00e0 mesma conclus\u00e3o com um experimento sob condi\u00e7\u00f5es controladas: uma floresta com um grande n\u00famero de esp\u00e9cies de \u00e1rvores \u00e9 mais produtiva que uma<strong>monocultura<\/strong>,\u201d acrescenta o Professor\u00a0<strong>Dr. Keping Ma<\/strong>, da\u00a0<strong>Academia Chinesa de Ci\u00eancias<\/strong>\u00a0e co-gestor do projeto.<\/p>\n<h3>Maior produtividade, melhor prote\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica<\/h3>\n<p>Em todo o mundo, h\u00e1 planos para grandes programas de\u00a0reflorestamento, com o objetivo de\u00a0proteger o clima\u00a0atrav\u00e9s do plantio de novas florestas. Somente na\u00a0<strong>China<\/strong>, entre 2010 e 2015, foram plantadas anualmente 1.5 milh\u00e3o de hectares de novas florestas, ainda que a maior parte constitu\u00edda de\u00a0<strong>monoculturas<\/strong>\u00a0de r\u00e1pido crescimento. \u201cNosso novo estudo mostra que as\u00a0<strong>florestas<\/strong>\u00a0n\u00e3o s\u00e3o todas iguais no quesito\u00a0<strong>prote\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica<\/strong>: as\u00a0<strong>monoculturas<\/strong>\u00a0n\u00e3o fornecem nem metade dos\u00a0<strong>servi\u00e7os ambientais<\/strong>\u00a0desejados. O n\u00edvel total de\u00a0sequestro de carbono\u00a0e a conseq\u00fcente mitiga\u00e7\u00e3o do\u00a0aquecimento global\u00a0s\u00f3 poder\u00e3o ser alcan\u00e7ados com uma combina\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, florestas ricas em esp\u00e9cies tamb\u00e9m contribuem para proteger a amea\u00e7ada\u00a0biodiversidade do planeta,\u201d explica\u00a0<strong>Bernhard Schmid<\/strong>. \u201cInfelizmente, o conceito err\u00f4neo de que produtividade e\u00a0<strong>biodiversidade<\/strong>\u00a0se excluem mutuamente ainda \u00e9 muito difundido. Mas o oposto \u00e9 verdadeiro.\u201d As florestas ricas em esp\u00e9cies tamb\u00e9m s\u00e3o menos vulner\u00e1veis \u00e0 doen\u00e7as ou\u00a0fen\u00f4menos meteorol\u00f3gicos extremos, que est\u00e3o se tornando cada vez mais frequentes devido \u00e0\u00a0mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Se os efeitos observados no experimento forem extrapolados para as florestas existentes no mundo, pode-se concluir que uma redu\u00e7\u00e3o de 10% das esp\u00e9cies de \u00e1rvores levaria \u00e0 perdas de produ\u00e7\u00e3o mundiais no valor de 20 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, por ano. Tal resultado mostra que, de acordo com os pesquisadores, o\u00a0reflorestamento\u00a0com uma combina\u00e7\u00e3o de diferentes esp\u00e9cies \u00e9 economicamente vantajoso.<\/p>\n<p>###<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia:<\/strong><\/p>\n<p>Yuanyuan Huang et al.: Impacts of species richness on productivity in a large-scale subtropical forest experiment, Science, 5 Oktober 2018.<\/p>\n<p>DOI: 10.1126\/science.aat6405\u00a0http:\/\/dx.doi.org\/10.1126\/science.aat6405<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o de Ivy do Carmo, Magma Translation (magmatranslation.com)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00edvel total de\u00a0sequestro de carbono\u00a0e a conseq\u00fcente mitiga\u00e7\u00e3o do\u00a0aquecimento global\u00a0s\u00f3 poder\u00e3o ser alcan\u00e7ados com<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":93750,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amazonia-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amazonia-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amazonia-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amazonia-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amazonia-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amazonia-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amazonia-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amazonia-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amazonia-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/amazonia-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O n\u00edvel total de\u00a0sequestro de carbono\u00a0e a conseq\u00fcente mitiga\u00e7\u00e3o do\u00a0aquecimento global\u00a0s\u00f3 poder\u00e3o ser alcan\u00e7ados com","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93748"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93748"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93748\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93750"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93748"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93748"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93748"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}