{"id":93739,"date":"2018-10-13T13:50:55","date_gmt":"2018-10-13T16:50:55","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=93739"},"modified":"2018-10-13T13:50:55","modified_gmt":"2018-10-13T16:50:55","slug":"conheca-os-trilhoes-de-virus-que-formam-seu-viroma-em-guerra-contra-as-bacterias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/conheca-os-trilhoes-de-virus-que-formam-seu-viroma-em-guerra-contra-as-bacterias\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a os trilh\u00f5es de v\u00edrus que formam seu viroma em guerra contra as bact\u00e9rias"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/virus-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-93740\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/virus-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/virus-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/virus-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por David Pride e\u00a0Chandrabali Ghose<\/p>\n<p>Se voc\u00ea acha que n\u00e3o tem v\u00edrus, pense de novo.<\/p>\n<p>Pode ser dif\u00edcil de entender, mas o corpo humano \u00e9 ocupado por grandes cole\u00e7\u00f5es de microorganismos, comummente referidos como microbiomas, que evolu\u00edram conosco desde os primeiros dias da humanidade. Cientistas come\u00e7aram apenas agora a quantificar o microbioma, e descobriram que ele \u00e9 o lar de pelo menos 38 trilh\u00f5es de bact\u00e9rias. Mais intrigante ainda, talvez, \u00e9 que elas n\u00e3o s\u00e3o os micr\u00f3bios mais abundantes que vivem em nossos corpos: esse pr\u00eamio vai para os v\u00edrus.<\/p>\n<p>Estima-se que h\u00e1 mais de 380 trilh\u00f5es de v\u00edrus nos habitando \u2013 uma comunidade conhecida como viroma humano. Mas estes v\u00edrus n\u00e3o s\u00e3o aqueles perigosos dos quais ouvimos falar, como os causadores de gripe ou infec\u00e7\u00f5es mais sinistras como dengue ou ebola. Muitos destes v\u00edrus infectam as bact\u00e9rias que vivem dentro de voc\u00ea e s\u00e3o conhecidos como fagos O corpo humano \u00e9 um terreno f\u00e9rtil para fagos, e apesar de sua abund\u00e2ncia, n\u00f3s temos pouqu\u00edssimo conhecimento sobre o que eles \u2013 e todos os outros v\u00edrus em nosso corpo \u2013 est\u00e3o fazendo.<\/p>\n<p>Sou um m\u00e9dico e cientista que estuda o microbioma humano com foco em v\u00edrus, porque acredito que o aproveitamento do poder dos predadores naturais de bact\u00e9rias ir\u00e1 nos ensinar como prevenir e combater infec\u00e7\u00f5es bacterianas. Pode-se presumir que se v\u00edrus s\u00e3o os micr\u00f3bios mais abundantes do corpo, eles seriam o alvo da maior parte dos estudos de microbiomas humanos. Mas este \u00e9 um grande equ\u00edvoco: o estudo do viroma humano est\u00e1 t\u00e3o atr\u00e1s das an\u00e1lises de bact\u00e9rias que estamos descobrindo apenas agora algumas de suas atribui\u00e7\u00f5es mais b\u00e1sicas. Este atraso acontece gra\u00e7as \u00e0 demora que cientistas t\u00eam em reconhecer a presen\u00e7a do viroma humano, e a falta de ferramentas padronizadas e sotisficadas para decifrar o que exatamente est\u00e1 em nosso viroma.<\/p>\n<p><strong>O 411 no viroma<\/strong><\/p>\n<p>Esta s\u00e3o algumas das coisas que aprendemos at\u00e9 ent\u00e3o. Bact\u00e9rias no corpo humano n\u00e3o est\u00e3o apaixonadas pelos muitos fagos que vivem \u00e0 sua volta. Na verdade, elas desenvolveram\u00a0 Repeti\u00e7\u00f5es Palindr\u00f4micas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespa\u00e7adas (CRISP-Cas systems, em ingl\u00eas) \u2013 para livrarem-se de fagos ou prevenir infec\u00e7\u00f5es deles. Por qu\u00ea? Simples: fagos matam bact\u00e9rias. Eles assumem o maquin\u00e1rio delas e as for\u00e7am a produzir mais fagos ao inv\u00e9s de mais bact\u00e9rias. Quando terminam esse trabalho, explodem para fora das bact\u00e9rias, destruindo cada uma delas \u2013 e, finalmente, ficam em nosso corpo esperando cruzarem caminhos com outras bact\u00e9rias vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>S\u00e3o, praticamente, stalkers de bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>Est\u00e1 claro que h\u00e1 uma guerra sendo lutada na superf\u00edcie de nosso corpo a cada minuto de cada dia, e n\u00f3s n\u00e3o fazemos ideia de quem est\u00e1 vencendo \u2013 ou quais s\u00e3o as consequ\u00eancias desta guerra.<\/p>\n<p>V\u00edrus podem habitar todas as superf\u00edcies de nosso corpo, dentro ou fora. E em todos os lugares em que cientistas olharam para o corpo humano, v\u00edrus foram encontrados. V\u00edrus no sangue? Sim. V\u00edrus na pele? Sim. V\u00edrus nos pulm\u00f5es? Sim. V\u00edrus na urina? Sim. E por a\u00ed vai. Para simplificar, quando estamos falando de onde os v\u00edrus vivem no corpo humano, \u00e9 mais f\u00e1cil parar com isso e mudar a pergunta para \u201conde eles n\u00e3o vivem?\u201d.<\/p>\n<p>V\u00edrus s\u00e3o contagiosos. Mas muitas vezes n\u00f3s n\u00e3o pensamos nos v\u00edrus bacterianos como facilmente transmiss\u00edveis. Pesquisas j\u00e1 provaram que simplesmente morar com algu\u00e9m pode levar \u00e0 r\u00e1pida transmiss\u00e3o de v\u00edrus em seu corpo. Se n\u00f3s n\u00e3o sabemos as consequ\u00eancias desta constante batalha entre bact\u00e9rias e v\u00edrus em nosso corpo, ent\u00e3o fica exponencialmente mais complicado considerar a batalha entre os v\u00edrus e bact\u00e9rias compartilhados com todo mundo \u2013 incluindo seu companheiro, familiares e at\u00e9 mesmo seu cachorro.<\/p>\n<p><strong>V\u00edrus nos mant\u00e9m saud\u00e1veis?<\/strong><\/p>\n<p>Por \u00faltimo, n\u00f3s precisamos entender o que todos estes v\u00edrus est\u00e3o fazendo no corpo humano, e entender se podemos tirar vantagem do nosso viroma para melhorar nossa sa\u00fade. Mas at\u00e9 agora n\u00e3o est\u00e1 claro por que algu\u00e9m acreditaria que nosso viroma pode ser ben\u00e9fico.<\/p>\n<p>Pode parecer contra intuitivo,\u00a0 mas prejudicar nossas bact\u00e9rias pode fazer mal \u00e0 nossa sa\u00fade. Por exemplo: quando nossas comunidades de bact\u00e9rias saud\u00e1veis s\u00e3o importunadas pelo uso de antibi\u00f3ticos, outros vil\u00f5es microbiais, tamb\u00e9m conhecidos como pat\u00f3genos, tiram vantagem desta oportunidade para invadir nosso corpo e nos deixar doentes. Em um grande n\u00famero de condi\u00e7\u00f5es humanas, as bact\u00e9rias saud\u00e1veis t\u00eam pap\u00e9is importantes na preven\u00e7\u00e3o da intrus\u00e3o de pat\u00f3genos. E \u00e9 nessa hora que entram os v\u00edrus. Eles j\u00e1 entenderam como matar bact\u00e9rias. Eles vivem por isso.<\/p>\n<p>A corrida, ent\u00e3o, \u00e9 para encontrar os v\u00edrus que j\u00e1 descobriram como nos proteger dos vil\u00f5es em nosso viroma enquanto conseguimos manter as boas bact\u00e9rias intactas. H\u00e1 exemplos na utiliza\u00e7\u00e3o de fagos para tratar infec\u00e7\u00f5es com risco de vida de bact\u00e9rias resistentes ao maior n\u00famero de antibi\u00f3ticos dispon\u00edveis \u2013 um tratamento conhecido como terapia de fagos.<br \/>\nInfelizmente, estes tratamentos est\u00e3o e continuar\u00e3o dificultados pelas informa\u00e7\u00f5es inadequadas sobre como fagos se comportam no corpo humano, e as consequ\u00eancias imprevis\u00edveis de suas introdu\u00e7\u00f5es em n\u00f3s. Ainda assim, a terapia de fagos continua muito regulada. Nesse ritmo, pode demorar muitos anos at\u00e9 que fagos sejam usados rotineiramente em tratamentos anti-infeccionais. Mas n\u00e3o se engane: os v\u00edrus que evolu\u00edram conosco por tantos anos n\u00e3o s\u00e3o apenas parte do nosso passado, mas continuar\u00e3o tendo um papel significante no futuro da sa\u00fade humana.<\/p>\n<p>(*David Pride \u00e9 Diretor Associado de Microbiologia na University of California San Diego, e Chandrabali Ghose \u00e9 cientista na\u00a0The Rockefeller University. Ambos escreveram em ingl\u00eas para o\u00a0<a href=\"https:\/\/theconversation.com\/meet-the-trillions-of-viruses-that-make-up-your-virome-104105\">The Conversation<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por David Pride e\u00a0Chandrabali Ghose Se voc\u00ea acha que n\u00e3o tem v\u00edrus, pense de novo.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":93740,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/virus-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/virus-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/virus-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/virus-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/virus-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/virus-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/virus-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/virus-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/virus-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/virus-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por David Pride e\u00a0Chandrabali Ghose Se voc\u00ea acha que n\u00e3o tem v\u00edrus, pense de novo.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93739"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93739"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93739\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93740"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93739"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93739"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93739"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}