{"id":935,"date":"2014-06-07T20:17:39","date_gmt":"2014-06-07T20:17:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=935"},"modified":"2014-06-07T20:17:39","modified_gmt":"2014-06-07T20:17:39","slug":"parque-na-mongolia-abriga-os-ultimos-cavalos-selvagens-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/parque-na-mongolia-abriga-os-ultimos-cavalos-selvagens-do-planeta\/","title":{"rendered":"Parque na Mong\u00f3lia abriga os \u00faltimos cavalos selvagens do planeta"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/cavalos_selvagens.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-936\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/cavalos_selvagens.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>A capital da Mong\u00f3lia, Ulan Bator, tem 1,4 milh\u00e3o de habitantes. Como muitas outras cidades, \u00e9 barulhenta e confusa. Mas fora dali, a Mong\u00f3lia \u00e9 diferente de tudo: \u00e9 o pa\u00eds menos populoso do mundo, n\u00e3o chega a tr\u00eas milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Mas ocupa uma vastid\u00e3o de estepes onde h\u00e1 oito mil anos o cavalo \u00e9 domesticado. Homem e animal, em uma parceria imbat\u00edvel.<\/p>\n<p>Gengis Kahn, o fundador do imp\u00e9rio mongol, \u00e9 at\u00e9 hoje o her\u00f3i nacional. Est\u00e1 \u00e0 frente do pal\u00e1cio do governo e domina o campo em uma est\u00e1tua de a\u00e7o de 40 metros de altura.<\/p>\n<p>Quase sempre os guerreiros de Gengis Kahn lutavam em menor n\u00famero contra ex\u00e9rcitos considerados mais poderosos. Mas eles conseguiam a vantagem da surpresa. Isso porque antes do uso da p\u00f3lvora nas batalhas, os mong\u00f3is dominaram como nenhum outro povo do planeta a m\u00e1quina de guerra mais poderosa: o cavalo.<\/p>\n<p>Sobre as quatro patas mais bem treinadas da \u00e9poca, os arqueiros tinham as m\u00e3os livres para atirar flechas. Um mensageiro cavalgava at\u00e9 600 km por dia, trocando v\u00e1rias vezes de animal. No campo de batalha, guerreiros e cavalos fingiam de mortos. No momento certo, emergiam e atacavam o inimigo.<\/p>\n<p>Como no Ocidente as pessoas exp\u00f5em a foto de um diploma ou de um casamento, na Mong\u00f3lia a foto mais importante para eles \u00e9 a foto com o cavalo. \u00c9 o cavalo da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Soldados do ex\u00e9rcito montam como se flutuassem. Exageram, tocam o ch\u00e3o sem aterrissar. \u00c9 de tirar o chap\u00e9u. A montaria vira a cabe\u00e7a deles. Parecem meninos. E \u00e9 assim que come\u00e7am. A competi\u00e7\u00e3o de hoje \u00e9 para crian\u00e7as de oito a 12 anos. A ansiedade toma conta dos participantes, como a menina Monkh Chimeg.<\/p>\n<p>Alguns usam capacete, outros v\u00e3o sem sela e sem sapato, para reduzir o peso. Aumentam a expectativa. Da sa\u00edda, s\u00f3 vemos um risco de poeira: um percursos de oito quil\u00f4metros. Os primeiros chegam. Monkh Chimeg est\u00e1 contente com o nono lugar.<\/p>\n<p>Mas o que dizer de Monkh Tuchig, de um ano e quatro meses? Ela mesma ainda n\u00e3o fala, mas em cima do cavalo deixa qualquer um de boca aberta. Monta a pelo. Mal come\u00e7ou a andar e j\u00e1 se mistura aos outros. Se o cavalo empaca, ela sabe o que fazer. Sem viol\u00eancia, o anjinho conquista o respeito do grand\u00e3o, 30 vezes maior. Mas a conviv\u00eancia entre homem e cavalo nem sempre foi de amizade.<\/p>\n<p>Os cavalos da ra\u00e7a prezewalski, conhecida na Mong\u00f3lia como takhi, s\u00e3o sobreviventes de uma hist\u00f3ria fascinante. No s\u00e9culo XIX, cientistas conclu\u00edram que os cavalos selvagens estavam extintos no mundo inteiro. Mas o naturalista russo, Nikolai Prezewalski, descobriu remanescentes do takhi. Alguns animais, que receberam o nome do descobridor, foram levados para reservas da Europa. Anos mais tarde, eles desapareceram de verdade das estepes. Mas em 1992, 16 deles voltaram para a Mong\u00f3lia em uma grande opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Chegamos ao parque Hustai. O alojamento tem um museu e um bi\u00f3logo. Pergunto por que o cavalo prezewalski \u00e9 t\u00e3o importante. Ele responde: \u201cEles s\u00e3o os \u00faltimos. Se os nossos animais se perderem, n\u00e3o haver\u00e1 mais cavalos selvagens no mundo&#8221;. Mas este \u00e9 o lugar onde a esperan\u00e7a vive.<\/p>\n<p>Nossa busca vai fundo nos vales e al\u00e9m de onde o carro chega. Zhol descobre movimentos. Finalmente encontramos. \u00c9 um macho. Ele est\u00e1 irritado, tenta nos afastar. A atitude \u00e9 de prote\u00e7\u00e3o. O bicho entra na mata, e s\u00f3 a\u00ed entendemos a braveza. Do outro lado, est\u00e1 o bando inteiro.<\/p>\n<p>O macho dominante comanda um har\u00e9m. F\u00eameas e filhotes. E mais surpresas: outros bandos. Descobrimos o vale dos cavalos selvagens.<\/p>\n<p>Quando o Przevalski ouviu falar da exist\u00eancia de cavalos indom\u00e1veis na Mong\u00f3lia, se apressou em viajar com a inten\u00e7\u00e3o de n\u00e3o desistir da busca. Em 1882, encontrou o que procurava. Mais de 130 anos depois o Globo Rep\u00f3rter fez a mesma viagem para descobrir um magn\u00edfico exemplo de conserva\u00e7\u00e3o. Estamos diante de uma raridade do s\u00e9culo XXI, os \u00faltimos cavalos selvagens do planeta.<\/p>\n<p>O prezewalski \u00e9 baixo, o pesco\u00e7o largo e curto, crina espetada. O comportamento \u00e9 de bicho na natureza. \u00c0s vezes, os cavalos se distraem e os bandos se misturam, mas o l\u00edder est\u00e1 atento e n\u00e3o permite. Cerca, separa e toca. A a\u00e7\u00e3o dos pastores \u00e9 essencial para a seguran\u00e7a dos bandos.<\/p>\n<p>O Hustai j\u00e1 tem 300 cavalos selvagens. A cada ano, nascem, em m\u00e9dia, 40 novos potros. As imagens das fam\u00edlias nos d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de miss\u00e3o cumprida. Nas estepes da Mong\u00f3lia, a esperan\u00e7a se reproduz outra vez.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A capital da Mong\u00f3lia, Ulan Bator, tem 1,4 milh\u00e3o de habitantes. 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