{"id":93339,"date":"2018-10-06T14:43:08","date_gmt":"2018-10-06T17:43:08","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=93339"},"modified":"2018-10-06T14:43:08","modified_gmt":"2018-10-06T17:43:08","slug":"caes-podem-ser-uma-das-maiores-ameacas-a-vida-selvagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/caes-podem-ser-uma-das-maiores-ameacas-a-vida-selvagem\/","title":{"rendered":"C\u00e3es podem ser uma das maiores amea\u00e7as \u00e0 vida selvagem"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/animais.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-93340\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/animais-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/animais-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/animais.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A cientista Julie Young dedicou meses a ensinar seu c\u00e3o, ZZ Bottom, a parar de perseguir os perus selvagens que eles os dois encontravam durante trilhas pela natureza. &#8220;O mais dif\u00edcil \u00e9 impedir que ele v\u00e1 atr\u00e1s dos esquilos, mas eu o treino e digo para ele &#8216;senta&#8217; ou &#8216;fica&#8217;, e ele faz isso&#8221;, conta ela.<\/p>\n<p>Young \u00e9 uma pesquisadora de ecologia comportamental do Departamento de Agricultura do Centro Nacional de Pesquisa de Vida Selvagem no Estado de Utah, nos Estados Unidos. Ela estuda o impacto de cachorros sobre a fauna local.<\/p>\n<p>A cientista come\u00e7ou esse trabalho h\u00e1 uma d\u00e9cada, na Mong\u00f3lia, na \u00c1sia, onde estudava bezerros de ant\u00edlopes saiga, uma esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Eles j\u00e1 estavam amea\u00e7ados, e nosso trabalho de campo mostrou que c\u00e3es de rua estavam perseguindo esses animais&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p>&#8220;Eles fugiam dos cachorros e gastavam mais energia por causa disso, o que \u00e9 cr\u00edtico, especialmente durante a \u00e9poca em que havia muitos bezerros, porque eles podiam acabar se separando de sua prole.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9F49\/production\/_103577704_mediaitem103577703.jpg\" alt=\"Young pesa um ant\u00edlope na Mong\u00f3lia\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">JULIE YOUNG<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Young pesquisou sobre como c\u00e3es dom\u00e9sticos se tornaram uma amea\u00e7a a ant\u00edlopes<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Pesquisas ao redor do mundo apresentam cen\u00e1rios semelhantes &#8211; c\u00e3es sem dono que perseguem animais selvagens e se tornam uma amea\u00e7a a esp\u00e9cies que correm risco de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Conforme cresce a popula\u00e7\u00e3o humana, tamb\u00e9m aumenta a popula\u00e7\u00e3o destes que talvez sejam nossos maiores companheiros do mundo animal, o que significa que os c\u00e3es est\u00e3o invadindo territ\u00f3rios que costumava ser um santu\u00e1rio para a vida selvagem.<\/p>\n<p>Estima-se que hoje existam 1 bilh\u00e3o de cachorros dom\u00e9sticos no mundo. &#8220;Haver\u00e1 mais conflitos entre c\u00e3es (e animais selvagens)&#8221;, afirma Young.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Invasores ou animais de estima\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n<p>Um estudo de 2017 em que foram analisados n\u00fameros sobre a amea\u00e7a representada por c\u00e3es revelou que eles estiveram envolvidos na extin\u00e7\u00e3o de ao menos 11 esp\u00e9cies, entre elas a\u00a0<i>Porzana sandwichensis<\/i>, uma ave do Hava\u00ed, e do\u00a0<i>Tachygyia microlepis<\/i>, um lagarto de Tonga.<\/p>\n<p>&#8220;Cachorros tamb\u00e9m s\u00e3o uma amea\u00e7a conhecida ou em potencial a 188 esp\u00e9cies que correm risco de extin\u00e7\u00e3o&#8221;, explicaram os autores da pesquisa.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/27A2\/production\/_103664101_gettyimages-900552736.jpg\" alt=\"Cachorro come carca\u00e7a de animal\" width=\"639\" height=\"426\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Crescente popula\u00e7\u00e3o de c\u00e3es domesticados virou um risco a animais selvagens<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Isso inclui 30 esp\u00e9cies criticamente amea\u00e7adas, das quais duas s\u00e3o classificadas como &#8216;possivelmente extintas'&#8221;.<\/p>\n<p>Isso coloca os c\u00e3es na terceira posi\u00e7\u00e3o, atr\u00e1s de gatos e roedores, como os mam\u00edferos predadores invasores que mais causam danos \u00e0 vida selvagem.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Jogando a culpa no lobos e coiotes<\/h2>\n<p>O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos voltou sua aten\u00e7\u00e3o recentemente a casos em que c\u00e3es sem dono atacavam cria\u00e7\u00f5es de animais e nos quais a culpa tinha sido antes atribu\u00edda a lobos e coiotes.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1ADD\/production\/_103577860_mediaitem103577859.jpg\" alt=\"Coiote come uma presa\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">SCIENCE PHOTO LIBRARY<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Coiotes selvagens foram apontados como culpados pela morte de animais de fazendeiros nos EUA<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Na Calif\u00f3rnia, esses bandos de c\u00e3es v\u00eam provavelmente de fazendas ilegais de maconha que possivelmente usam esses animais para proteger seus cultivos e que, ao fim da temporada de colheita, os libertam&#8221;, diz Young.<\/p>\n<p>&#8220;Esse tipo de cachorro \u00e9 muito agressivo. Nunca usou uma coleira ou teve um dono.&#8221;<\/p>\n<p>O comportamento desses c\u00e3es de guarda de maconha n\u00e3o \u00e9, no entanto, a \u00fanica amea\u00e7a. Eles tamb\u00e9m podem carregar e transmitir doen\u00e7as letais para outros animais.<\/p>\n<p>&#8220;Esses c\u00e3es usados para proteger cria\u00e7\u00f5es de animais s\u00e3o o principal vetor de doen\u00e7as que afetam tanto animais selvagens quanto humanos&#8221;, diz Claudio Sillero, cientista-chefe da Funda\u00e7\u00e3o Born Free, uma organiza\u00e7\u00e3o voltada para a defesa da vida selvagem, e fundador do Projeto Lobo da Eti\u00f3pia, dedicado \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>&#8220;Vacinar e controlar a ocorr\u00eancia de raiva em c\u00e3es dom\u00e9sticos reduz o impacto sobre a vida selvagem, mas tamb\u00e9m beneficia o homem, porque \u00e9 uma doen\u00e7a letal que pode ter consequ\u00eancias terr\u00edveis para pessoas que s\u00e3o mordidas por c\u00e3es vadios. E as cria\u00e7\u00f5es de animais s\u00e3o suscet\u00edveis a raiva, ent\u00e3o, isso gera um custo para uma comunidade rural.&#8221;<\/p>\n<p>A equipe de Sillero conseguiu imunizar os lobos da Eti\u00f3pia por meio de vacinas orais colocadas em iscas.<\/p>\n<p>&#8220;A maior vantagem dessa abordagem \u00e9 que ela se torna uma estrat\u00e9gia proativa de vacina\u00e7\u00e3o. \u00c9 menos estressante para o animais sem ter um risco de gerar um dist\u00farbio para sua estrutura social.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Bom comportamento<\/h2>\n<p>Mas, al\u00e9m de medidas assim, o que pode ser feito para que donos de c\u00e3es os impe\u00e7am de ser uma amea\u00e7a \u00e0 vida selvagem?<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o necess\u00e1rias mais pesquisas para quantificar melhor (os ataques de c\u00e3es a animais selvagens) e entender por que e como isso est\u00e1 ocorrendo e o que podemos fazer para acabar com isso&#8221;, afirma Young.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o acho que exista uma solu\u00e7\u00e3o \u00fanica, mas podemos fazer um trabalho melhor em educa\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/10155\/production\/_103577856_mediaitem103577855.jpg\" alt=\"Julie Young com seu c\u00e3o\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">JULIE YOUNG<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Julie Young conta ter sido trabalhoso ensinar seu c\u00e3o a n\u00e3o perseguir animais selvagens<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Se as pessoas estiverem mais cientes das consequ\u00eancias, quando um c\u00e3o come\u00e7ar a perseguir um animal selvagem ou animais de criadores, seus donos podem trein\u00e1-lo e control\u00e1-lo.&#8221;<\/p>\n<p>Sillero acrescenta que \u00e9 &#8220;essencial que as pessoas assumam sua responsabilidade pela forma como criam e cuidam de seus c\u00e3es&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Cada vez mais, c\u00e3es dom\u00e9sticos s\u00e3o abandonados e, como eles s\u00e3o criaturas resilientes e adapt\u00e1veis, eles conseguem viver na natureza&#8221;, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p>&#8220;Eles formam bandos e procuram comida, que muitas vezes est\u00e1 no lixo ou entre restos deixados por humanos, o que os atraem para vilarejos e cidades. Precisamos de pol\u00edticas de sa\u00fade p\u00fablica para reduzir um problema s\u00e9rio de sa\u00fade e seguran\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>Enquanto isso, Young e seu cachorro continuam a fazer trilhas pela natureza em Utah &#8211; sem mais incomodar os perus selvagens.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o existe c\u00e3o ruim, existe dono ruim &#8211; c\u00e3es s\u00e3o companheiros do homem, ent\u00e3o, n\u00f3s somos respons\u00e1veis pelo comportamento do cachorro.&#8221;<\/p>\n<p><i>Justyna Kulczyk-Malecka \u00e9 cientista de materiais da Universidade Metropolitana de Manchester, no Reino Unido.<\/i><\/p>\n<p><i>* Com reportagem de Victoria Gill.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cientista Julie Young dedicou meses a ensinar seu c\u00e3o, ZZ Bottom, a parar de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":93340,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/animais.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/animais-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/animais-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/animais.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/animais.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/animais.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/animais.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/animais.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/animais.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/animais.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A cientista Julie Young dedicou meses a ensinar seu c\u00e3o, ZZ Bottom, a parar de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93339"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93339"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93339\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93340"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93339"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93339"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93339"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}