{"id":9305,"date":"2014-10-26T23:32:54","date_gmt":"2014-10-26T23:32:54","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=9305"},"modified":"2014-10-26T23:32:54","modified_gmt":"2014-10-26T23:32:54","slug":"ate-quando-a-amazonia-consegue-pagar-a-conta-do-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/ate-quando-a-amazonia-consegue-pagar-a-conta-do-clima\/","title":{"rendered":"At\u00e9 quando a Amaz\u00f4nia consegue pagar a conta do clima?"},"content":{"rendered":"<p class=\"capitalize\"><strong class=\"fn\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" title=\"Floresta n\u00e3o perturbada na Amaz\u00f4nia paraense (Foto: Malva Hernandez \/ Divulga\u00e7\u00e3o)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/mNvEGDiH03TvzD-IEw__4aAnos0=\/300x400\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/06\/09\/undisturbed_forest_-_malva_hernandez.jpg\" alt=\"Floresta n\u00e3o perturbada na Amaz\u00f4nia paraense (Foto: Malva Hernandez \/ Divulga\u00e7\u00e3o)\" width=\"300\" height=\"400\" \/>Por Mariano Cenamo*<\/strong><\/p>\n<p class=\"capitalize\"><span style=\"letter-spacing: -0.30239999294281px; line-height: 21.923999786377px;\">Ningu\u00e9m mais discute o quanto as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o reais e tem afetado o nosso modo de vida. Desde secas hist\u00f3ricas como a que vem afetando o abastecimento de \u00e1gua e a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola no sul e sudeste do Brasil nos \u00faltimos meses, at\u00e9 cheias arrasadoras que alagam cidades e isolam popula\u00e7\u00f5es na Amaz\u00f4nia. Os preju\u00edzos s\u00e3o incont\u00e1veis e se n\u00e3o forem tomadas atitudes concretas, a situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 tende a piorar.<\/span><\/p>\n<p>At\u00e9 o momento os pa\u00edses que negociam medidas para conter o seu agravamento na conven\u00e7\u00e3o da ONU sobre mudan\u00e7a do clima (UNFCCC), n\u00e3o chegaram a um acordo satisfat\u00f3rio. A origem do problema est\u00e1 no cont\u00ednuo aumento das emiss\u00f5es dos gases causadores do efeito estufa (GEE), gerados principalmente pela (i) queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis (carv\u00e3o, petr\u00f3leo e g\u00e1s) para a gera\u00e7\u00e3o de energia, ind\u00fastrias e transportes e (ii) atividades relacionadas agricultura e pecu\u00e1ria e (iii) perda de florestas ou desmatamento.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses desenvolvidos s\u00e3o os principais emissores e maiores respons\u00e1veis pela mudan\u00e7a do clima global \u2013 principalmente por suas emiss\u00f5es hist\u00f3ricas oriundas da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis. No entanto, os esfor\u00e7os empreendidos por esses pa\u00edses tem sido\u00a0 insuficientes para reduzir emiss\u00f5es na escala necess\u00e1ria. Para ajudar a cumprir com essas metas est\u00e1 sendo criado o mecanismo de Redu\u00e7\u00e3o de Emiss\u00f5es do Desmatamento e Degrada\u00e7\u00e3o florestal (REDD+), que encontra-se em negocia\u00e7\u00e3o h\u00e1 cerca de 10 anos e ainda n\u00e3o entrou em vig\u00eancia na UNFCCC.<\/p>\n<p>Neste per\u00edodo, foram prometidos mais de 7 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para financiar a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento, mas muito pouco chegou de fato em seu destino final. Para se ter um ideia, no Brasil, entre 2006 e 2012, a\u00e7\u00f5es coordenadas entre estados e o governo federal reduziram o desmatamento na Amaz\u00f4nia em cerca de 70%, o que gerou em 7 anos a redu\u00e7\u00e3o de mais 4,2 bilh\u00f5es de toneladas Co2. Isso representou o maior\u00a0 esfor\u00e7o de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es j\u00e1 empreendido por qualquer pa\u00eds no mundo.<\/p>\n<p>Segundo o princ\u00edpio das \u201cresponsabilidades comuns por\u00e9m diferenciadas\u201d adotado na UNFCCC, pa\u00edses em desenvolvimento como o Brasil n\u00e3o possuem metas obrigat\u00f3rias de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es. Sendo assim, deveriam ser compensados por resultados obtidos em redu\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>No caso do Brasil, se utilizarmos o valor atual do mercado de carbono de 5 d\u00f3lares por tonelada de CO2,\u00a0 o pa\u00eds deveria ser \u201crecompensado\u201d em at\u00e9 20 bilh\u00f5es de d\u00f3lares ou cerca de 50 bilh\u00f5es de reais pelas redu\u00e7\u00f5es atingidas nos \u00faltimos 7 anos. Mas, infelizmente n\u00e3o \u00e9 o que tem ocorrido.<\/p>\n<p>Insatisfeitos com a falta de financiamento para o REDD+, estiveram reunidos no estado do Acre no \u00faltimo m\u00eas de agosto representantes de dezesseis governos estaduais detentores de grandes \u00e1reas de florestas tropicais.\u00a0 Esses estados resolveram tomar a dianteira ao assinar a \u201cDeclara\u00e7\u00e3o de Rio Branco\u201d comprometendo-se a reduzir o desmatamento em 80% at\u00e9 2020.<\/p>\n<p>O acordo pode gerar o equivalente a redu\u00e7\u00e3o de mais de 2,3 bilh\u00f5es de toneladas de CO2, o que corresponde a cerca de 40% das emiss\u00f5es globais durante um ano inteiro. No entanto, esse resultado s\u00f3 vai ser\u00e1 alcan\u00e7ado se os estados conseguirem atrair os investimentos necess\u00e1rios para promover as a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o florestal.\u00a0 \u00c9 a\u00ed que mora o problema.<\/p>\n<p>A Amaz\u00f4nia corresponde por 60% do territ\u00f3rio brasileiro, mas gera menos de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O investimento desses recursos \u00e9 fundamental para promover o desenvolvimento socioecon\u00f4mico na Amaz\u00f4nia, que possui os piores indicadores de progresso social do Brasil. Esse investimentos poderiam ser feitos atrav\u00e9s de programas e projetos federais, estaduais, municipais e privados, voltados a manter as florestas conservadas e promover atividades sustent\u00e1veis. A aus\u00eancia de investimentos reflete diretamente na din\u00e2mica do desmatamento, que voltou a subir 28% no ano de 2103 e deve continuar subindo em 2014.<\/p>\n<p>Os governos estaduais t\u00eam sido fundamentais para atingir os resultados de redu\u00e7\u00e3o do desmatamento. Reduzir o desmatamento custa caro, portanto \u00e9 necess\u00e1rio definir formas de compartilhar responsabilidades e distribuir benef\u00edcios e incentivos do REDD+. A conta n\u00e3o fecha. N\u00e3o \u00e9 justo esperar que a regi\u00e3o amaz\u00f4nica, que possui os maiores desafios de desenvolvimento social e econ\u00f4mico do pa\u00eds, pague por 55% da conta nacional de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/?s=Mariano%20Cenamo\" target=\"_parent\"><img loading=\"lazy\" title=\"Mariano Cenamo (Foto: \u00c9poca)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/6ehAiig62TRK1fgEWhPsxBPBix8=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/09\/24\/marinao_cenamo_620x70.jpg\" alt=\"Mariano Cenamo (Foto: \u00c9poca)\" width=\"620\" height=\"70\" \/><\/a><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><label class=\"foto-legenda\"><label class=\"foto-legenda\">*Mariano Cenamo\u00e9\u00a0 pesquisador s\u00eanior do Instituto de Conserva\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel do Amazonas (Idesam)<\/label><\/label><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Mariano Cenamo* Ningu\u00e9m mais discute o quanto as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o reais e tem<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Mariano Cenamo* Ningu\u00e9m mais discute o quanto as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o reais e tem","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9305"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9305"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9305\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}