{"id":9259,"date":"2014-10-26T22:19:34","date_gmt":"2014-10-26T22:19:34","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=9259"},"modified":"2014-10-26T22:21:02","modified_gmt":"2014-10-26T22:21:02","slug":"a-complexa-teia-hidrica-que-brota-do-cerrado-esta-ameacada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-complexa-teia-hidrica-que-brota-do-cerrado-esta-ameacada\/","title":{"rendered":"A complexa teia h\u00eddrica que brota do Cerrado est\u00e1 amea\u00e7ada"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"contentheading\">Entrevista especial com Altair Sales Barbosa<\/h2>\n<div id=\"texto-aumenta\">\n<div class=\"article_text\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cA quest\u00e3o atual do desaparecimento dos pequenos cursos d\u2019\u00e1gua, alimentadores dos maiores, \u00e9 apenas a ponta de um \u2018iceberg\u2019 que tende a se tornar cada vez mais evidente\u201d, adverte o antrop\u00f3logo.<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img style=\"margin: 15px; float: right;\" src=\"https:\/\/encrypted-tbn1.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcQSUvxk3W_i3AUGy740a1LKXz0BZ9Njj_-gmKkxAMI9sfWoBJpL\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\u00a0<em><span style=\"font-size: xx-small;\">Foto: tvbrasilcentral<\/span><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema que gera as crises de abastecimento de \u00e1gua que afetam o estado de <strong>S\u00e3o Paulo<\/strong> \u201cjamais ser\u00e1 solucionado em sua totalidade\u201d, alerta <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=4232&amp;secao=382\" target=\"_blank\"><strong>Altair Sales Barbosa<\/strong><\/a>, na entrevista a seguir, concedida por e-mail \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo ele, a dificuldade de solucionar tais crises est\u00e1 relacionada a outros dois fen\u00f4menos: \u201co primeiro \u00e9 a estiagem prolongada provocada por fatores que independem da a\u00e7\u00e3o humana, como <strong>el Ni\u00f1o<\/strong>, por exemplo. O segundo \u00e9 a vaz\u00e3o dos rios alimentadores das represas, que n\u00e3o ostentam mais a quantidade de \u00e1gua de tempos atr\u00e1s. A consequ\u00eancia: com a normaliza\u00e7\u00e3o da precipita\u00e7\u00e3o pluviom\u00e9trica depois de certo tempo (uns quatro anos), os n\u00edveis das represas podem atingir a plenitude. Entretanto, com o advento de outra estiagem c\u00edclica, a situa\u00e7\u00e3o voltar\u00e1 a se repetir\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista a seguir, o pesquisador explica que o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/531551-o-sistema-cantareira-risco-ou-oportunidade\" target=\"_blank\"><strong>Sistema Cantareira<\/strong><\/a>, respons\u00e1vel pelo abastecimento de <strong>S\u00e3o Paulo<\/strong>, \u201c\u00e9 abastecido principalmente pelo <strong>rio<\/strong> <strong>Piracicaba<\/strong>, afluente do <strong>rio Doce<\/strong>, que aparentemente nada tem a ver com a <strong>bacia do Paran\u00e1<\/strong>\u201d, que \u00e9 formada e alimentada pelas <strong>\u00e1guas do Cerrado<\/strong>. Entretanto, esclarece, \u201cse penetrarmos al\u00e9m das apar\u00eancias, iremos constatar que al\u00e9m das \u00e1guas que fluem da <strong>Serra do Mar<\/strong>, as \u00e1guas do <strong>aqu\u00edfero Guarani<\/strong> s\u00e3o as respons\u00e1veis pela alimenta\u00e7\u00e3o das nascentes da represa, basta ver a geotecnia das nascentes do<strong> rio Piracicaba<\/strong>, bacia do <strong>rio Doce<\/strong>, e suas rela\u00e7\u00f5es com as nascentes do <strong>ribeir\u00e3o Bagua\u00e7u<\/strong>, proveniente do <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/44481-aquifero-guarani-acoes-de-protecao-nao-estao-acompanhando-a-exploracao\" target=\"_blank\"><strong>aqu\u00edfero Guarani<\/strong><\/a> e pertencente a <strong>Bacia do Paran\u00e1<\/strong>\u201d. Isso significa, pontua, que o \u201c<strong>Sistema Biogeogr\u00e1fico do Cerrado<\/strong>, que ocupa desde a aurora do Cenozoico at\u00e9 a parte central da <strong>Am\u00e9rica do Sul<\/strong>, tamb\u00e9m \u00e9 conhecido como o <strong>\u2018ber\u00e7o das \u00e1guas\u2019<\/strong> ou a <strong>\u2018cumeeira\u2019<\/strong> do continente, porque \u00e9 distribuidor das \u00e1guas que alimentam as grandes bacias hidrogr\u00e1ficas da <strong>Am\u00e9rica do Sul<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somente na abrang\u00eancia do <strong>Cerrado<\/strong>, destaca, \u201cencontram-se tr\u00eas grandes aqu\u00edferos respons\u00e1veis pela forma\u00e7\u00e3o e alimenta\u00e7\u00e3o dos grandes rios continentais. Um deles e o mais conhecido \u00e9 o <strong>aqu\u00edfero Guarani<\/strong>, associado ao arenito <strong>Botucatu<\/strong> e a outras forma\u00e7\u00f5es aren\u00edticas mais antigas. Esse aqu\u00edfero \u00e9 respons\u00e1vel pelas \u00e1guas que alimentam a bacia hidrogr\u00e1fica do <strong>Paran\u00e1<\/strong>, al\u00e9m de alguns formadores que vertem para a bacia <strong>Amaz\u00f4nica<\/strong>. Os outros dois s\u00e3o os aqu\u00edferos <strong>Bambu\u00ed<\/strong> e <strong>Urucuia<\/strong> (&#8230;) Os <strong>aqu\u00edferos Bambu\u00ed<\/strong> e <strong>Urucuia<\/strong> s\u00e3o respons\u00e1veis pela forma\u00e7\u00e3o e alimenta\u00e7\u00e3o dos rios que integram a <strong>bacia do S\u00e3o Francisco<\/strong> e as sub-bacias hidrogr\u00e1ficas do <strong>Tocantins<\/strong>, <strong>Araguaia<\/strong>, al\u00e9m de outras situadas na abrang\u00eancia do <strong>Cerrado<\/strong>\u201d. Isso significa que, \u201crepresentada por uma complexa teia, as \u00e1guas que brotam do <strong>Cerrado<\/strong> s\u00e3o as respons\u00e1veis pela alimenta\u00e7\u00e3o e configura\u00e7\u00e3o das grandes bacias hidrogr\u00e1ficas da <strong>Am\u00e9rica do Sul<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fundador do <a href=\"http:\/\/ihu.unisinos.br\/noticias\/536381-o-cerrado-esta-extinto-e-isso-leva-ao-fim-dos-rios-e-dos-reservatorios-de-agua\" target=\"_blank\"><strong>Memorial do Cerrado<\/strong><\/a>, <strong>Goi\u00e2nia-GO<\/strong>, o antrop\u00f3logo adverte que o <strong>Cerrado<\/strong> \u00e9 uma das matrizes ambientais mais antigas, e \u201cj\u00e1 chegou ao seu cl\u00edmax evolutivo, ou seja, uma vez degradado, n\u00e3o se recupera jamais na plenitude de sua biodiversidade\u201d. A vegeta\u00e7\u00e3o nativa do bioma \u00e9 respons\u00e1vel pela alimenta\u00e7\u00e3o dos len\u00e7\u00f3is profundos, contudo, com a introdu\u00e7\u00e3o da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/535279-leguminosa-tipica-do-cerrado-conhecida-por-favela-promove-inclusao-social-de-2-mil-agricultores-familiares\" target=\"_blank\"><strong>agricultura no Cerrado<\/strong><\/a>, parte da vegeta\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi extinta e impacta diretamente no funcionamento dos corpos h\u00eddricos. \u201cNo caso espec\u00edfico das plantas do cerrado, estas possuem um sistema radicular extremamente profundo e complexo. Estas plantas existiam at\u00e9 bem pouco tempo, nas \u00e1reas de recargas do aqu\u00edfero <strong>Guarani<\/strong>, respons\u00e1veis pelas \u00e1guas da bacia do <strong>Paran\u00e1<\/strong>. Com a introdu\u00e7\u00e3o da monocultura, essas plantas foram substitu\u00eddas por vegetais com ra\u00edzes subsuperficiais que n\u00e3o sugam as \u00e1guas como as plantas nativas. A consequ\u00eancia \u00e9 que com o passar dos tempos as \u00e1guas dos aqu\u00edferos v\u00e3o diminuindo. Num primeiro momento ocorre o fen\u00f4meno denominado migra\u00e7\u00e3o de nascentes das partes mais elevadas para as partes mais baixas. Num segundo momento os cursos d\u2019\u00e1guas menores iniciam um processo de desaparecimento e assim por diante, s\u00e3o veias menores que deixam de irrigar as maiores\u201d, informa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a atual situa\u00e7\u00e3o do <strong>Cerrado<\/strong> n\u00e3o for alterada, o futuro ser\u00e1 ainda mais catastr\u00f3fico. De acordo com o diagn\u00f3stico de <strong>Barbosa<\/strong>, \u201co primeiro aqu\u00edfero a ter suas reservas diminu\u00eddas ser\u00e1 o <strong>Urucuia<\/strong>, at\u00e9 o quase total desaparecimento, seguido do <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/526056-mocao-de-repudio-a-exploracao-de-gas-de-xisto-e-ao-uso-da-fratura-hidraulica-e-em-defesa-do-cerrado\" target=\"_blank\"><strong>aqu\u00edfero Bambu\u00ed<\/strong><\/a> e do aqu\u00edfero <strong>Guarani<\/strong>\u201d. Posteriormente, frisa, \u201cos fen\u00f4menos ocorridos nos chapad\u00f5es centrais do Brasil, em fun\u00e7\u00e3o do desaparecimento do cerrado, afetar\u00e3o, de forma direta, v\u00e1rias partes do continente\u201d e a \u201cfloresta equatorial deixar\u00e1 de existir na sua configura\u00e7\u00e3o original, sendo paulatinamente substitu\u00edda por uma vegeta\u00e7\u00e3o rala do tipo caatinga, salpicada em alguns locais por esp\u00e9cies de plantas adaptadas a um ambiente mais seco\u201d.<\/p>\n<table border=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img style=\"margin: 15px; float: right;\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-2G9OH9ieJKo\/VAXNIJSUQCI\/AAAAAAAAAi0\/m5udTzGc9eM\/s1600\/051206waltair.JPG\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\u00a0<em><span style=\"font-size: xx-small;\">Foto: tvbrasilcentral<\/span><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=4232&amp;secao=382\" target=\"_blank\"><strong>Altair Sales Barbosa<\/strong><\/a> \u00e9 graduado em Antropologia pela <strong>Universidade Cat\u00f3lica de Chile<\/strong> e doutor em Arqueologia Pr\u00e9-Hist\u00f3rica &#8211; <strong>Smithsonian Institution National Museum Of Natural History (1991)<\/strong>. \u00c9 professor titular da <strong>Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Goi\u00e1s<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; O senhor est\u00e1 entre os pesquisadores que j\u00e1 afirmam a extin\u00e7\u00e3o do Cerrado. Quais fatores levaram a esse quadro? \u00c9 poss\u00edvel revert\u00ea-lo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Altair Sales Barbosa &#8211;<\/strong> Em primeiro lugar, o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/503489-expansao-agricola-e-nova-lei-ameacam-o-resto-do-cerrado\" target=\"_blank\"><strong>Cerrado dos Chapad\u00f5es Centrais do Brasil<\/strong><\/a> se nos apresenta como um <strong>Sistema Biogeogr\u00e1fico<\/strong>, que envolve v\u00e1rios subsistemas. Esses subsistemas se diferenciam por solos, fisionomia vegetal, quantidade de \u00e1gua nos len\u00e7\u00f3is, comunidades animais, etc., e qualquer modifica\u00e7\u00e3o nos elementos dos subsistemas provoca modifica\u00e7\u00f5es nos Sistema como um todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em segundo lugar, conv\u00e9m destacar que o <strong>Cerrado<\/strong> \u00e9 uma das matrizes ambientais mais antigas da hist\u00f3ria recente do <strong>Planeta Terra<\/strong>, que tem seu in\u00edcio no <strong>Cenozoico<\/strong>. Isto significa que este ambiente j\u00e1 chegou ao seu cl\u00edmax evolutivo, ou seja, uma vez degradado, n\u00e3o se recupera jamais na plenitude de sua biodiversidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em terceiro lugar, a maior parte das plantas do cerrado tem um desenvolvimento lento, algumas levam s\u00e9culos para atingir a maior idade, fato que torna quase imposs\u00edvel um trabalho de recomposi\u00e7\u00e3o vegetal. Sem mencionar que estas plantas est\u00e3o condicionadas a um tipo de solo oligotr\u00f3pico com balan\u00e7o h\u00eddrico espec\u00edfico, fato hoje dif\u00edcil de ser encontrado em equil\u00edbrio no<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/535622-pec-do-cerrado-uma-tentativa-de-corrigir-a-omissao-com-os-biomas-brasileiros-entrevista-especial-com-mauro-pires\" target=\"_blank\"><strong> Cerrado<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se mede a degrada\u00e7\u00e3o ambiental apenas pela ocorr\u00eancia de uma ou outra planta. H\u00e1 de se considerar comunidades, tanto vegetais como animais, incluindo insetos polinizadores, \u00e1gua, etc., tudo isto j\u00e1 n\u00e3o existe no cerrado de forma cont\u00ednua. O que h\u00e1 s\u00e3o fragmentos que n\u00e3o representam 10% da \u00e1rea total.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Qual a fun\u00e7\u00e3o do Cerrado brasileiro enquanto elo para garantir o abastecimento da \u00e1gua tanto no Norte quanto no Sul do pa\u00eds? Ainda nesse sentido, qual \u00e9 a conex\u00e3o existente entre o Cerrado e os demais biomas brasileiros?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Altair Sales Barbosa &#8211;<\/strong> O<strong> Sistema Biogeogr\u00e1fico do Cerrado<\/strong>, que ocupa desde a aurora do <strong>Cenozoico<\/strong> at\u00e9 a parte central da <strong>Am\u00e9rica do Sul<\/strong>, tamb\u00e9m \u00e9 conhecido como o \u201cber\u00e7o das \u00e1guas\u201d ou a \u201ccumeeira\u201d do continente, porque \u00e9 distribuidor das \u00e1guas que alimentam as grandes bacias hidrogr\u00e1ficas da <strong>Am\u00e9rica do Sul<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso ocorre porque, na \u00e1rea de abrang\u00eancia do <strong>Cerrado<\/strong>, encontram-se tr\u00eas grandes aqu\u00edferos respons\u00e1veis pela forma\u00e7\u00e3o e alimenta\u00e7\u00e3o dos grandes rios continentais. Um deles e o mais conhecido \u00e9 o<strong> aqu\u00edfero Guarani<\/strong>, associado ao arenito <strong>Botucatu<\/strong> e a outras forma\u00e7\u00f5es aren\u00edticas mais antigas. Esse aqu\u00edfero \u00e9 respons\u00e1vel pelas \u00e1guas que alimentam a bacia hidrogr\u00e1fica do <strong>Paran\u00e1<\/strong>, al\u00e9m de alguns formadores que vertem para a bacia <strong>Amaz\u00f4nica<\/strong>. Os outros dois s\u00e3o os <strong>aqu\u00edferos Bambu\u00ed<\/strong> e <strong>Urucuia<\/strong>. O primeiro est\u00e1 associado \u00e0s Forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas do Grupo Bambu\u00ed, e o segundo est\u00e1 associado \u00e0 Forma\u00e7\u00e3o aren\u00edtica Urucuia, que em muitos locais est\u00e1 sobreposta \u00e0 Forma\u00e7\u00e3o Bambu\u00ed. Em certos pontos, h\u00e1 at\u00e9 um contato entre os dois aqu\u00edferos, apesar de existir entre ambos uma imensa diferen\u00e7a cronol\u00f3gica. Os aqu\u00edferos Bambu\u00ed e Urucuia s\u00e3o respons\u00e1veis pela forma\u00e7\u00e3o e alimenta\u00e7\u00e3o dos rios que integram a bacia do S\u00e3o Francisco e as sub-bacias hidrogr\u00e1ficas do Tocantins, Araguaia, al\u00e9m de outras situadas na abrang\u00eancia do <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?secao=382\" target=\"_blank\"><strong>Cerrado<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses tr\u00eas grandes aqu\u00edferos, armazenados nos len\u00e7\u00f3is artesianos, intercalam-se na parte central dos chapad\u00f5es do continente sul-americano, formando lagoas conhecidas como \u00e1guas emendadas, que tomam a dire\u00e7\u00e3o norte, sul, leste e oeste do continente. Essa dire\u00e7\u00e3o est\u00e1 condicionada \u00e0 estrutura geomorfol\u00f3gica que caracteriza cada \u00e1rea, definindo e delimitando, dessa forma, as bacias e sub-bacias hidrogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos planaltos do centro da <strong>Am\u00e9rica do Sul<\/strong> brotam \u00e1guas respons\u00e1veis pela grande alimenta\u00e7\u00e3o do rio Amazonas, pela sua margem direita. Das entranhas dos arenitos de idades Mesozoicas brota a grande maioria das \u00e1guas da imponente bacia do Paran\u00e1, que verte para o sul do continente. Do alto da <strong>Serra da Canastra<\/strong>, juntando \u00e1guas oriundas do arenito da Forma\u00e7\u00e3o Urucuia e \u00e1guas retidas nas galerias do calc\u00e1reo Bambu\u00ed de idade Proterozoica, correm em dire\u00e7\u00e3o ao nordeste do Brasil as \u00e1guas do S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<table style=\"width: 222px; height: 146px; margin: 15px;\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\"><img style=\"margin: 1px; vertical-align: bottom;\" src=\"http:\/\/oi58.tinypic.com\/106yrv9.jpg\" alt=\"\" width=\"40\" \/><\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\">\u201cNo in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, encontra-se em suspenso o destino do Cerrado\u201d<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> Bacias hidrogr\u00e1ficas independentes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m dessas imponentes bacias hidrogr\u00e1ficas de dimens\u00f5es continentais, no cerrado, ainda brotam \u00e1guas que d\u00e3o origem a bacias hidrogr\u00e1ficas independentes de grande import\u00e2ncia regional. Algumas s\u00e3o t\u00e3o fenomenais que formam acidentes \u00fanicos. \u00c9 o caso da bacia do Parna\u00edba, que nasce na <strong>Chapada das Mangabeiras<\/strong>, alimentada com \u00e1guas oriundas do arenito Urucuia, situado no cerrado do Jalap\u00e3o, estado do <strong>Tocantins<\/strong>. A bacia do rio Parna\u00edba, apesar de as dimens\u00f5es serem bem menores que as anteriores, est\u00e1 associada a um grande transporte de sedimentos, que s\u00e3o distribu\u00eddos por vasta \u00e1rea do litoral norte do Brasil, formando dunas, lagoas, os len\u00e7\u00f3is maranhenses, os len\u00e7\u00f3is piauienses, estendendo at\u00e9 as dunas de Jericoacoara, no Cear\u00e1. No seu encontro com o oceano Atl\u00e2ntico, forma o <strong>Delta do Parna\u00edba<\/strong>, t\u00e3o complexo e ao mesmo tempo impressionante que est\u00e1 entre os maiores do Planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro exemplo importante refere-se \u00e0 sub-bacia do rio <strong>Gurgeia<\/strong>, oriunda do cerrado piauiense, respons\u00e1vel pela irriga\u00e7\u00e3o de uma vasta \u00e1rea e pela forma\u00e7\u00e3o dos po\u00e7os jorrantes com \u00e1guas que brotam com tanta press\u00e3o que, ao surgirem at\u00e9 a superf\u00edcie, atingem v\u00e1rios metros de altura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Cerrado e os rios do Amazonas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/509099-hidreletricas-no-amazonas-temos-um-exemplo-negativo-no-nosso-quintal-entrevista-especial-com-anderson-bittencourt\" target=\"_blank\"><strong>Bacia Amaz\u00f4nica<\/strong><\/a> \u00e9 considerada a maior rede hidrogr\u00e1fica do Planeta. Para descrev\u00ea-la, um observador, mesmo do espa\u00e7o, \u00e9 incapaz de avaliar sua complexidade em meio a ilhas, furos, paran\u00e1s e igarap\u00e9s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A bacia hidrogr\u00e1fica do <strong>Amazonas<\/strong> tem sua g\u00eanese a partir de tr\u00eas importantes regimes: \u00e1guas de origem glacial, provenientes dos Andes; \u00e1guas de origem pluvial, que alimentam a bacia pela margem esquerda; e \u00e1guas tanto de origem pluvial como de len\u00e7\u00f3is profundos, que a alimentam pela margem direita. Na realidade, s\u00e3o esses rios da margem direita que contribuem para os maiores volumes de \u00e1gua na alimenta\u00e7\u00e3o do Amazonas e tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis pela sua regularidade e sua pereniza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as \u00e1guas pluviais e glaciares da sua margem esquerda e nascentes, apesar de volumosas, possuem regimes irregulares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomando a orienta\u00e7\u00e3o de leste para oeste, pode-se constatar qu\u00e3o extensos e volumosos s\u00e3o os afluentes da margem direita do rio Amazonas, que brotam no cora\u00e7\u00e3o do <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=4234&amp;secao=382\" target=\"_blank\"><strong>cerrado<\/strong><\/a> e cujas vertentes, qual art\u00e9rias interligadas, s\u00e3o bombeadas para irrigar e oxigenar o pai dos rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tocantins ou Araguaia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As sub-bacias do <strong>Tocantins<\/strong> e <strong>Araguaia<\/strong> s\u00e3o t\u00e3o complexas e extensas que n\u00e3o se tem certeza de qual dos dois chega primeiro ao <strong>Amazonas<\/strong>, ao sul de <strong>Maraj\u00f3<\/strong>. Oficialmente \u00e9 o Tocantins, mas \u00e9 ele que des\u00e1gua no<strong> Araguaia<\/strong>, e n\u00e3o o inverso. Por\u00e9m a nomenclatura n\u00e3o \u00e9 um fator relevante. O mais importante \u00e9 a quantidade de \u00e1gua e sedimentos que esses rios levam at\u00e9 a foz do <strong>Amazonas<\/strong>, transformando-a num ecossistema extremamente complexo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tocantins, um rio de v\u00e1rios nomes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong>rio Tocantins<\/strong> bem poderia ser chamado de <strong>rio Uru<\/strong>, que nasce nos contrafortes da <strong>Serra Dourada<\/strong> e segue ao norte, ao passo que seus irm\u00e3os de nascentes tomam rumo oeste em dire\u00e7\u00e3o ao <strong>Araguaia<\/strong> ou rumo sul em dire\u00e7\u00e3o ao <strong>Parana\u00edba<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as pedras, o <strong>Uru<\/strong> \u00e9 <strong>Uru\u00edta<\/strong>, mais abaixo dialoga com <strong>dona Ana<\/strong> e se formou <strong>Uruana<\/strong>. Depois de tanto se encorpar, tornou-se<strong> Urua\u00e7\u00fa<\/strong> ou <strong>Uru-grande<\/strong>, nos voc\u00e1bulos do <strong>Tupi<\/strong>. Ou o <strong>Tocantins<\/strong> seria o <strong>Rio das Almas<\/strong>, proveniente dos <strong>Pirineus<\/strong>, ou <strong>Maranh\u00e3o<\/strong> ou ainda o <strong>Paran\u00e3<\/strong>, que vem do long\u00ednquo lugar onde as \u00e1guas se emendam? O fato \u00e9 que o rio <strong>Tocantins<\/strong> \u00e9 todos eles e muito mais. In\u00fameros afluentes caudalosos o alimentam pela margem direita e pela margem esquerda. Alguns da margem direita t\u00eam suas nascentes emendadas com \u00e1guas que correm para a <strong>bacia do<\/strong> <strong>S\u00e3o Francisco<\/strong>, como \u00e9 o caso das \u00e1guas provenientes do Jalap\u00e3o e as \u00e1guas do Paran\u00e3, oriundas do atual munic\u00edpio de <strong>Formosa<\/strong>, em <strong>Goi\u00e1s<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mesmo fen\u00f4meno acontece em rela\u00e7\u00e3o aos afluentes da margem esquerda, com aqueles da margem direita do Araguaia. S\u00e3o as reentr\u00e2ncias do interfl\u00favio formado pela Serra do Estrondo que os separam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rio Araguaia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong>rio Araguaia<\/strong> nasce em forma\u00e7\u00f5es pertencentes \u00e0 bacia geol\u00f3gica do <strong>Paran\u00e1<\/strong>, mas integra a bacia hidrogr\u00e1fica do <strong>Amazonas<\/strong>. Seu ber\u00e7o e seu curso superior s\u00e3o compostos por \u00e1guas do <strong>Aqu\u00edfero Guarani<\/strong>. No seu nascedouro, esse aqu\u00edfero se encontra nas forma\u00e7\u00f5es <strong>Baur\u00fa<\/strong> e <strong>Botucatu<\/strong>. No mesmo local nascem os <strong>rios Taquari<\/strong>, que corre no sentido oeste integrando a sub-bacia do <strong>rio Paraguai<\/strong> no <strong>Pantanal Mato-grossense<\/strong>, e o <strong>Apor\u00e9<\/strong>, que corre para sudeste, desaguando no <strong>Parana\u00edba<\/strong>, formador do <strong>Paran\u00e1<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto o <strong>Araguaia<\/strong> segue sereno para o norte, recebendo a todo instante portentosos afluentes tanto pela margem direita quanto pela esquerda. Alguns desses afluentes s\u00e3o t\u00e3o extensos e complexos que delimitam, no tempo e no espa\u00e7o, hist\u00f3rias pr\u00f3prias. Esse \u00e9 o caso do <strong>rio das Mortes<\/strong>, cuja nascente brota das reentr\u00e2ncias da <strong>Serra do Roncador<\/strong>, a pouca dist\u00e2ncia, onde ao sul nascem os <strong>rios do Pantanal Norte<\/strong>, sub-bacia do <strong>Paraguai<\/strong>. No seu curso intermedi\u00e1rio, o Araguaia abra\u00e7a a <strong>Ilha do Bananal<\/strong>, a maior ilha fluvial do mundo. Na realidade, trata-se de um grande territ\u00f3rio com rios pr\u00f3prios, lagos e uma diversidade bi\u00f3tica impressionante. Em meio a essa complexidade, segue o <strong>Araguaia<\/strong>, at\u00e9 encontrar-se com o <strong>Tocantins<\/strong> ou vice-versa, como j\u00e1 foi dito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem pr\u00f3ximo \u00e0 nascente do <strong>Rio das Mortes<\/strong>, emergem tamb\u00e9m das reentr\u00e2ncias da <strong>Serra do Roncador<\/strong> os grandes afluentes do <strong>Xingu<\/strong>. A\u00ed tamb\u00e9m se situam as nascentes do caudaloso <strong>Teles Pires<\/strong>. Na borda oeste dessa <strong>Serra<\/strong>, surgem as \u00e1guas do <strong>rio Arinos<\/strong>, que mais abaixo se une com as <strong>\u00e1guas do Juruena<\/strong>, formado por uma complexa rede de nascentes oriundas da borda norte da chapada dos Parecis, toda coberta por cerrado. Teles Pires, Arinos e Juruena se juntam para formar o Tapaj\u00f3s, que des\u00e1gua no Amazonas na cidade de Santar\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guapor\u00e9, Mamor\u00e9 e Madeira t\u00eam suas nascentes situadas nos limites oeste do Cerrado, desde a depress\u00e3o relativa do Pantanal Mato-Grossense at\u00e9 as \u00e1guas provenientes das ilhas de cerrado situadas nos long\u00ednquos planaltos de Alta L\u00eddia, Serra dos Paka\u00e1s-Novos. Da\u00ed, ent\u00e3o, descambam \u00e1guas do Jamar\u00ed que v\u00e3o engrossar o j\u00e1 grandioso Ji-Paran\u00e1, que des\u00e1gua no Madeira.<\/p>\n<table style=\"width: 249px; height: 226px; margin: 15px;\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\"><img style=\"margin: 1px; vertical-align: bottom;\" src=\"http:\/\/oi58.tinypic.com\/106yrv9.jpg\" alt=\"\" width=\"40\" \/><\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\">\u201cO que se pode afirmar \u00e9 que enquanto o desejo de explorar o Cerrado tiver ra\u00edzes estrangeiras, a possibilidade de um programa racional de desenvolvimento ser\u00e1 nula\u201d<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Cerrado e a Bacia hidrogr\u00e1fica do S\u00e3o Francisco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/cepat\/cepat-conjuntura\/508127-conjuntura-da-semana-transposicao-do-rio-sao-francisco-um-grande-erro%20\" target=\"_blank\"><strong>rio S\u00e3o Francisco<\/strong><\/a> e toda sua bacia hidrogr\u00e1fica correm por in\u00fameras terras do territ\u00f3rio brasileiro. O S\u00e3o Francisco tem sua nascente situada em \u00e1reas de cerrado, na Serra da Canastra, estado de Minas Gerais. \u00c9 alimentado especialmente pelas \u00e1guas acumuladas no aqu\u00edfero Urucuia e no aqu\u00edfero Bambu\u00ed. Seu regime \u00e9 marcado por diferencia\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas. A grande totalidade dos afluentes da margem direita que recebe suas \u00e1guas principalmente das chuvas sofre influ\u00eancia direta de climas semi\u00e1ridos, conduzidos at\u00e9 o curso m\u00e9dio superior do grande vale, pelos eixos de expans\u00e3o de semiaridez. Esses rios s\u00e3o classificados como rios tempor\u00e1rios, que desaparecem na esta\u00e7\u00e3o seca. Portanto, a pereniza\u00e7\u00e3o do S\u00e3o Francisco est\u00e1 na depend\u00eancia direta dos seus afluentes que o alimentam pela margem esquerda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses rios caudalosos e outrora cristalinos correm encaixados e paralelos na forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica Urucuia. A grande maioria prov\u00e9m dos contrafortes leste da Serra Geral ou Espig\u00e3o Mestre, como \u00e9 o caso dos rios Carinhanha, Pratudinho, Pratud\u00e3o, Formoso, Arrojado, Correntina, do Meio, Guar\u00e1, Santo Antonio, Corrente e Grande.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros que o alimentam na por\u00e7\u00e3o superior t\u00eam suas nascentes nas \u00e1guas emendadas pr\u00f3ximas ao Distrito Federal, como \u00e9 o caso dos rios Preto e Urucuia. Este d\u00e1 nome \u00e0 forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica que abriga o aqu\u00edfero Urucuia, respons\u00e1vel por quase 80% das \u00e1guas que alimentam o S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rio Paracatu \u00e9 o respons\u00e1vel pela jun\u00e7\u00e3o das \u00e1guas dos aqu\u00edferos Bambu\u00ed e Urucuia. E tem suas nascentes situadas numa mancha isolada da forma\u00e7\u00e3o Urucuia. Ainda pela margem direita, o rio das Velhas contribui com o S\u00e3o Francisco, no seu curso superior, com \u00e1guas oriundas, quase em sua totalidade, do aqu\u00edfero Bambu\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00faltima grande nascente ao norte se constitui no nascedouro do rio Preto, afluente do rio Grande. As nascentes do rio Preto est\u00e3o em \u00e1reas aflorantes do arenito Urucuia, na regi\u00e3o do Jalap\u00e3o, um pouco ao sul da nascente do Parna\u00edba, com \u00e1gua quase emendada com o rio do Sono, afluente do Tocantins.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Cerrado e as \u00c1guas do Paran\u00e1<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>Bacia hidrogr\u00e1fica do Paran\u00e1<\/strong> \u00e9 outra formada e alimentada pelas \u00e1guas do Cerrado. Apenas em sua por\u00e7\u00e3o inferior, ap\u00f3s receber o rio Uruguai, esse fen\u00f4meno n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o evidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As \u00e1guas nascentes da <strong>bacia do Paran\u00e1<\/strong> se espalham como um leque a partir do cora\u00e7\u00e3o do Cerrado, correndo em dire\u00e7\u00e3o ao sul do continente. Das escarpas sul da Chapada dos Parecis e das escarpas oeste da <strong>Serra do Roncador<\/strong> fluem as \u00e1guas formadoras da sub-bacia do Paraguai. O rio Paran\u00e1 \u00e9 formado pela jun\u00e7\u00e3o dos <strong>rios Parana\u00edba<\/strong> e <strong>Grande<\/strong>. As \u00e1guas iniciais do <strong>Parana\u00edba<\/strong> s\u00e3o origin\u00e1rias das \u00e1guas emendadas que viajam desde o norte do <strong>Distrito Federal<\/strong>, e se juntam \u00e0s que vertem da <strong>Serra das Divis\u00f5es do Centro-Sul de Goi\u00e1s<\/strong>, at\u00e9 as que v\u00eam das bordas leste e sul da <strong>Serra do Caiap\u00f3<\/strong>. As \u00e1guas do rio Grande se precipitam da borda oeste da <strong>Serra da Mantiqueira<\/strong>, numa \u00e1rea de <strong>Mata Atl\u00e2ntica<\/strong>, mas seu curso maior percorre de leste a oeste o estado de <strong>Minas Gerais<\/strong>, e s\u00e3o as \u00e1guas do <strong>Cerrado mineiro<\/strong> que lhes d\u00e3o corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, representada por uma complexa teia, as \u00e1guas que brotam do Cerrado s\u00e3o as respons\u00e1veis pela alimenta\u00e7\u00e3o e configura\u00e7\u00e3o das grandes bacias hidrogr\u00e1ficas da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<table style=\"width: 298px; height: 289px;\" border=\"0\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img style=\"margin: 15px; float: right;\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_ibwvqHD2i_k\/Sq1l5QSD3pI\/AAAAAAAABB0\/0d-8Gi128v8\/s320\/Mapa+cerrado+caatinga.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\u00a0<em><span style=\"font-size: xx-small;\">Foto: gpsdoagronegocio.blogspot.com.br<\/span><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; O senhor associa a recente crise de abastecimento de \u00e1gua em S\u00e3o Paulo \u00e0 condi\u00e7\u00e3o ambiental do Cerrado?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Altair Sales Barbosa &#8211;<\/strong> Para entender este assunto, \u00e9 necess\u00e1rio compreender que um aqu\u00edfero possui sua \u00e1rea de descarga e de recarga. A \u00e1rea de recarga de um aqu\u00edfero se situa nos chapad\u00f5es ou em suas \u00e1reas mais planas. Quem exerce a fun\u00e7\u00e3o de alimentar os len\u00e7\u00f3is profundos \u00e9 a vegeta\u00e7\u00e3o, especialmente a vegeta\u00e7\u00e3o nativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso espec\u00edfico das plantas do cerrado, estas possuem um sistema radicular extremamente profundo e complexo. Estas plantas existiam at\u00e9 bem pouco tempo, nas \u00e1reas de recargas do <strong>aqu\u00edfero Guarani<\/strong>, respons\u00e1veis pelas \u00e1guas da <strong>bacia do Paran\u00e1<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a introdu\u00e7\u00e3o da monocultura, essas plantas foram substitu\u00eddas por vegetais com ra\u00edzes subsuperficiais que n\u00e3o sugam as \u00e1guas como as plantas nativas. A consequ\u00eancia \u00e9 que com o passar dos tempos as \u00e1guas dos aqu\u00edferos v\u00e3o diminuindo. Num primeiro momento ocorre o fen\u00f4meno denominado migra\u00e7\u00e3o de nascentes das partes mais elevadas para as partes mais baixas. Num segundo momento os cursos d\u2019\u00e1guas menores iniciam um processo de desaparecimento e assim por diante, s\u00e3o veias menores que deixam de irrigar as maiores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso espec\u00edfico das crises de abastecimento de \u00e1gua que afetam o <strong>Estado de S\u00e3o Paulo<\/strong>, por exemplo, o problema jamais ser\u00e1 solucionado em sua totalidade. Isto porque a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 intimamente ligada a dois problemas: o primeiro \u00e9 a estiagem prolongada provocada por fatores que independem da a\u00e7\u00e3o humana, como el Ni\u00f1o, por exemplo. O segundo \u00e9 a vaz\u00e3o dos rios alimentadores das represas, que n\u00e3o ostentam mais a quantidade de \u00e1gua de tempos atr\u00e1s. Consequ\u00eancia: com a normaliza\u00e7\u00e3o da precipita\u00e7\u00e3o pluviom\u00e9trica depois de certo tempo (uns quatro anos), os n\u00edveis das represas podem atingir a plenitude. Entretanto, com o advento de outra estiagem c\u00edclica, a situa\u00e7\u00e3o voltar\u00e1 a se repetir. O <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/535834-cantareira-bate-novo-recorde-negativo-e-opera-com-66-de-sua-capacidade\" target=\"_blank\"><strong>Sistema Cantareira<\/strong><\/a> \u00e9 abastecido principalmente pelo rio Piracicaba, afluente do <strong>rio Doce<\/strong>, que aparentemente nada tem a ver com a bacia do Paran\u00e1. Entretanto, se penetrarmos al\u00e9m das apar\u00eancias, iremos constatar que al\u00e9m das \u00e1guas que fluem da <strong>Serra do Mar<\/strong>, as \u00e1guas do aqu\u00edfero Guarani s\u00e3o as respons\u00e1veis pela alimenta\u00e7\u00e3o das nascentes da represa, basta ver a geotecnia das nascentes do rio Piracicaba, bacia do rio Doce, e suas rela\u00e7\u00f5es com as nascentes do ribeir\u00e3o Bagua\u00e7u, proveniente do aqu\u00edfero Guarani e pertencente \u00e0 Bacia do Paran\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Qual \u00e9 a atual situa\u00e7\u00e3o dos rios que nascem no Cerrado? \u00c9 poss\u00edvel constatar alguma mudan\u00e7a no fluxo da \u00e1gua deles ao longo dos \u00faltimos anos? O senhor mencionou recentemente que dez pequenos rios do Cerrado desaparecem a cada ano. \u00c9 poss\u00edvel estimar quantos pequenos rios j\u00e1 desapareceram e o que isso significa num quadro geral acerca dos recursos h\u00eddricos do cerrado?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Altair Sales Barbosa &#8211;<\/strong> A partir de 1970, uma nova matriz territorial foi implantada na \u00e1rea do Cerrado. Essa matriz tem ra\u00edzes e consequ\u00eancias predat\u00f3rias. A partir desse momento foi s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo para que os problemas ambientais viessem a aparecer e se agravarem com o tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o atual do desaparecimento dos pequenos cursos d\u2019\u00e1gua, alimentadores dos maiores, \u00e9 apenas a ponta de um <strong>\u201ciceberg\u201d<\/strong> que tende a se tornar cada vez mais evidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; \u00c9 poss\u00edvel avaliar qual a situa\u00e7\u00e3o ambiental do Aqu\u00edfero Guarani?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Altair Sales Barbosa &#8211;<\/strong> \u00c9 muito dif\u00edcil precisar esta situa\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da aus\u00eancia de pesquisas. Entretanto, se projetarmos as consequ\u00eancias advindas da degrada\u00e7\u00e3o, podemos afirmar que se n\u00e3o houver uma solu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica capaz de aumentar a recarga deste aqu\u00edfero, num tempo muito mais curto que possamos imaginar, suas reservas desaparecer\u00e3o quase que por completo. Veja o que j\u00e1 est\u00e1 acontecendo com o rio <strong>S\u00e3o Francisco<\/strong>, alimentado pelos aqu\u00edferos Urucuia e Bambu\u00ed, que est\u00e3o passando pelo mesmo processo de degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Com a crise de abastecimento em S\u00e3o Paulo, fala-se em poss\u00edveis riscos de desertifica\u00e7\u00e3o, como de exterm\u00ednio das reservas h\u00eddricas existentes no subsolo. Esse risco existe de fato? Em que propor\u00e7\u00e3o no atual momento? Se o Cerrado j\u00e1 est\u00e1 extinto, como reverter a crise h\u00eddrica? Por quais raz\u00f5es n\u00e3o se trata e n\u00e3o se menciona a import\u00e2ncia do Cerrado nas discuss\u00f5es acerca da crise de abastecimento da \u00e1gua?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Altair Sales Barbosa &#8211;<\/strong> O potencial agr\u00edcola que o cerrado tem demonstrado o transformou em uma das \u00faltimas reservas da terra capazes de suportar, de modo imediato, a produ\u00e7\u00e3o de cereais e a forma\u00e7\u00e3o de pastagens. E o desenvolvimento das t\u00e9cnicas modernas de cultivo tem atra\u00eddo, recentemente, grandes investimentos e criado modifica\u00e7\u00f5es significativas do ponto de vista da infraestrutura de suporte. O fato da n\u00e3o exist\u00eancia de uma pol\u00edtica global para agricultura tem provocado o \u00eaxodo rural e o crescimento desordenado dos n\u00facleos urbanos. Todos esses fatores, no seu conjunto, t\u00eam provocado situa\u00e7\u00f5es nocivas ao meio ambiente, com perspectivas preocupantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De todos os grandes <strong>Dom\u00ednios Morfoclim\u00e1ticos e Fitogeogr\u00e1ficos Brasileiros<\/strong>, para usar a linguagem do <strong>Prof. Ab\u2019Saber<\/strong>, ou <strong>Sistemas Biogeogr\u00e1ficos<\/strong>, o <strong>Cerrado<\/strong> tem sido o que mais transforma\u00e7\u00f5es vem sofrendo nos \u00faltimos anos. Por\u00e9m, n\u00e3o s\u00f3 transforma\u00e7\u00f5es das t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o, mas outras muito mais profundas, isto \u00e9, transforma\u00e7\u00f5es culturais, que t\u00eam afetado o pr\u00f3prio modo de vida das popula\u00e7\u00f5es, desestruturando os valores e, muitas vezes, provocando um vazio, n\u00e3o repondo algo que venha a preencher o espa\u00e7o deixado pelos elementos que foram ou est\u00e3o sendo subtra\u00eddos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os antigos n\u00facleos urbanos, quase todos originados em torno de atividades mineradoras, principalmente os do in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII, veem-se de repente transformados em polos regionais de inova\u00e7\u00f5es e agenciadores de \u201cmudan\u00e7as radicais\u201d nos sistemas de rela\u00e7\u00f5es, com seus in\u00fameros servi\u00e7os, quase todos voltados para atividades agroindustriais e com preocupa\u00e7\u00f5es imediatistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cria\u00e7\u00e3o de <strong>Goi\u00e2nia<\/strong>, posteriormente <strong>Bras\u00edlia<\/strong>, juntamente com o desenvolvimento do sistema vi\u00e1rio e o processo de moderniza\u00e7\u00e3o da agricultura, veio contribuir com certa radicaliza\u00e7\u00e3o nas modifica\u00e7\u00f5es dos fatores at\u00e9 ent\u00e3o estruturados, rompendo em estilha\u00e7os seus tra\u00e7os mais tradicionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 bem pouco tempo, as \u00e1reas do <strong>Sistema Biogeogr\u00e1fico do Cerrado<\/strong> n\u00e3o eram muito valorizadas, nem procuradas para implanta\u00e7\u00e3o de grandes atividades agropastoris. As suas partes mais intensamente ocupadas eram restritas ao Subsistema de Matas, ou seja, \u00e1reas florestadas que existem dentro do Sistema e que est\u00e3o sempre associadas a solos de boa fertilidade natural. Por isso essas \u00e1reas, tamb\u00e9m denominadas de \u201cterras de cultura\u201d, foram as primeiras a receber o impacto de uma degrada\u00e7\u00e3o maior. Ao seu lado, em escala menor, podem ser citadas as \u00e1reas que comp\u00f5em o <strong>Subsistema Cerrad\u00e3o<\/strong> e as <strong>Matas-Galerias<\/strong>.<\/p>\n<table style=\"width: 551px; height: 139px; margin-left: auto; margin-right: auto;\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\"><img style=\"margin: 1px; vertical-align: bottom;\" src=\"http:\/\/oi58.tinypic.com\/106yrv9.jpg\" alt=\"\" width=\"40\" \/><\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\">\u201cN\u00e3o se mede a degrada\u00e7\u00e3o ambiental apenas pela ocorr\u00eancia de uma ou outra planta. H\u00e1 de se considerar comunidades, tanto vegetais como animais, incluindo insetos polinizadores, \u00e1gua, etc., tudo isto j\u00e1 n\u00e3o existe no cerrado de forma cont\u00ednua. O que h\u00e1 s\u00e3o fragmentos que n\u00e3o representam 10% da \u00e1rea total\u201d<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">As demais \u00e1reas, que constituem as maiores superf\u00edcies do Sistema, como os Subsistemas do <strong>Cerrado<\/strong>, do Campo, das <strong>Veredas e Ambientes Alagadi\u00e7os<\/strong>, em virtude das caracter\u00edsticas dos seus solos, n\u00e3o favorecem de imediato uma ocupa\u00e7\u00e3o intensiva, n\u00e3o tiveram tanto impacto no in\u00edcio maci\u00e7o da ocupa\u00e7\u00e3o humana. Essas \u00e1reas, outrora ocupadas pelo criat\u00f3rio extensivo, tinham como suporte uma pastagem nativa, cujo teor aliment\u00edcio estava condicionado \u00e0 sazonalidade clim\u00e1tica, fato que obrigava os rebanhos a migra\u00e7\u00f5es longas. E durante a esta\u00e7\u00e3o seca eram conduzidos para as \u201cveredas\u201d, onde a umidade mantinha o capim verdejante, mesmo no auge da seca. Entretanto, essas \u00e1reas de veredas n\u00e3o ocupam grande extens\u00e3o e, na \u00e9poca da esta\u00e7\u00e3o chuvosa, em fun\u00e7\u00e3o de muitos fatores, n\u00e3o \u00e9 prop\u00edcia a sua ocupa\u00e7\u00e3o por rebanhos. Nessa \u00e9poca chuvosa, o rebanho pode ser transportado para as \u00e1reas mais elevadas (campos e cerrado). Esse fator das migra\u00e7\u00f5es sazon\u00e1rias \u00e9 respons\u00e1vel por um sistema pastoril que exige grandes extens\u00f5es de terras, que poderiam ser compradas, arrendadas ou simplesmente ocupadas na forma de posse ou \u201cfechos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A utiliza\u00e7\u00e3o do calc\u00e1rio para a corre\u00e7\u00e3o da acidez do solo e do adubo para aumento da sua fertilidade, a introdu\u00e7\u00e3o do arado e de sistemas mec\u00e2nicos de desmatamento e a facilidade de irriga\u00e7\u00e3o transformaram essas \u00e1reas, anteriormente impr\u00f3prias para atividades agr\u00edcolas, em terras produtivas. Outrossim, a substitui\u00e7\u00e3o das pastagens nativas por esp\u00e9cies estrangeiras modificou radicalmente o quadro pastoril.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os impactos causados sobre o ambiente por esse novo modelo de ocupa\u00e7\u00e3o s\u00e3o vis\u00edveis e podem ser caracterizados pelos itens seguintes:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>empobrecimento gen\u00e9tico;<\/li>\n<li>empobrecimento dos ecossistemas;<\/li>\n<li>destrui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa;<\/li>\n<li>propaga\u00e7\u00e3o de ervas ex\u00f3ticas;<\/li>\n<li>extin\u00e7\u00e3o da fauna nativa;<\/li>\n<li>diminui\u00e7\u00e3o e polui\u00e7\u00e3o dos mananciais h\u00eddricos;<\/li>\n<li>compacta\u00e7\u00e3o e eros\u00e3o dos solos;<\/li>\n<li>contamina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica das \u00e1guas e da biota;<\/li>\n<li>prolifera\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as desconhecidas, etc.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Explora\u00e7\u00e3o do cerrado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses fatores em conjunto geram in\u00fameros outros que, por sua vez, funcionam como agentes de atra\u00e7\u00e3o populacional e de modifica\u00e7\u00f5es significativas do ambiente. Como exemplo, podemos citar a demanda de energia que exige a forma\u00e7\u00e3o de grandes reservat\u00f3rios e usinas geradoras que criam in\u00fameras frentes de trabalho, diretas e indiretas, acarretando entropias de grande alcance natural e social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim \u00e9 que, no in\u00edcio do <strong>s\u00e9culo XXI<\/strong>, encontra-se em suspenso o destino do <strong>Cerrado<\/strong>. Se as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas trar\u00e3o sua ru\u00edna ou salva\u00e7\u00e3o, ainda n\u00e3o se pode dizer. Embora sejam grandes as lacunas no nosso conhecimento, dispomos de informa\u00e7\u00f5es suficientes para impedirmos que ocorra uma degrada\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que se pode afirmar \u00e9 que enquanto o desejo de explorar o <strong>Cerrado<\/strong> tiver ra\u00edzes estrangeiras, a possibilidade de um programa racional de desenvolvimento ser\u00e1 nula.<br \/>\nO cerrado est\u00e1 inclu\u00eddo no <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/528393-brasil-precisa-romper-com-a-dependencia-externa-de-um-modelo-agroexportador-entrevista-especial-com-guilherme-delgado\" target=\"_blank\"><strong>Planejamento Pol\u00edtico Brasileiro<\/strong><\/a> como regi\u00e3o de expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola, orientada por pr\u00e1ticas predat\u00f3rias, causando um cen\u00e1rio estarrecedor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A retirada total da cobertura vegetal afetar\u00e1, de forma decisiva, a j\u00e1 reduzida recarga dos aqu\u00edferos, cujas reservas chegar\u00e3o a um n\u00edvel cr\u00edtico, pois as \u00e1guas pluviais que conseguirem penetrar atrav\u00e9s do solo ser\u00e3o de imediato absorvidas por estes, dado seus estados de aridez em fun\u00e7\u00e3o da insola\u00e7\u00e3o. A pouca umidade retida se evaporar\u00e1 de forma r\u00e1pida pelas mesmas causas. No in\u00edcio, os problemas oriundos dessa situa\u00e7\u00e3o tentar\u00e3o ser contornados com a constru\u00e7\u00e3o de barramentos, atrav\u00e9s de curvas de n\u00edveis e pequenos a\u00e7udes, para reter as \u00e1guas das chuvas. Entretanto, os ambientes que surgem desse processo t\u00eam car\u00e1ter b\u00eantico, fato que origina a argilicifica\u00e7\u00e3o e a consequente impermeabiliza\u00e7\u00e3o do fundo dos po\u00e7os, que, associada \u00e0 forte insola\u00e7\u00e3o, resultar\u00e1 numa a\u00e7\u00e3o de nula efic\u00e1cia.<\/p>\n<table border=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img style=\"margin: 15px; float: right;\" src=\"http:\/\/cmbbc.cpac.embrapa.br\/imagens\/mapa%20rec.%20hidricos.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\u00a0<em><span style=\"font-size: xx-small;\">Foto: cmbbc.cpac.embrapa.br<\/span><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aqu\u00edferos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro aqu\u00edfero a ter suas reservas diminu\u00eddas ser\u00e1 o <strong>Urucuia<\/strong>, at\u00e9 o quase total desaparecimento, seguido do <strong>aqu\u00edfero Bambu\u00ed<\/strong> e do <strong>aqu\u00edfero Guarani<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o desaparecimento do len\u00e7ol fre\u00e1tico, seguido da diminui\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica da reserva dos aqu\u00edferos, os rios iniciar\u00e3o um processo de diminui\u00e7\u00e3o da perenidade, oscilando sempre para menos, entre uma esta\u00e7\u00e3o chuvosa e outra, e desaparecendo quase por completo na esta\u00e7\u00e3o seca. Esse fato afetar\u00e1 primeiro os pequenos cursos d\u2019\u00e1gua, depois os de m\u00e9dio porte e, em seguida, os grandes rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os fen\u00f4menos ocorridos nos chapad\u00f5es centrais do <strong>Brasil<\/strong>, em fun\u00e7\u00e3o do desaparecimento do cerrado, afetar\u00e3o, de forma direta, v\u00e1rias partes do continente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A parte sul da calha do <strong>rio Amazonas<\/strong>, representada pelos baixos chapad\u00f5es, ter\u00e1 uma rede de drenagem insignificante no que diz respeito ao volume d\u2019\u00e1gua, uma vez que os grandes afluentes da margem direita, que t\u00eam suas nascentes e seus alimentadores situados no cerrado, deixar\u00e3o de existir ou ter\u00e3o seus volumes diminu\u00eddos de forma significativa nos cursos superiores e m\u00e9dios. Os grandes afluentes do <strong>rio Amazonas<\/strong>, pela sua margem direita, ser\u00e3o alimentados apenas nos seus cursos inferiores, fato que reduzir\u00e1 em mais de 80% suas vaz\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A floresta equatorial deixar\u00e1 de existir na sua configura\u00e7\u00e3o original, sendo paulatinamente substitu\u00edda por uma vegeta\u00e7\u00e3o rala do tipo caatinga, salpicada em alguns locais por esp\u00e9cies de plantas adaptadas a um ambiente mais seco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O vale do <strong>Parna\u00edba<\/strong>, englobando a bacia geol\u00f3gica<strong> Parna\u00edba-Maranh\u00e3o<\/strong>, ser\u00e1 invadido na dire\u00e7\u00e3o sul\/norte por dunas arenosas secas provenientes da <strong>Forma\u00e7\u00e3o Urucuia<\/strong>, existentes no <strong>Jalap\u00e3o<\/strong> e na <strong>Chapada das Mangabeiras<\/strong>. E, na dire\u00e7\u00e3o norte\/sul, ser\u00e1 invadido por sedimentos arenosos litor\u00e2neos que caracterizam os <strong>Len\u00e7\u00f3is Maranhenses<\/strong> e<strong> Piauienses<\/strong>, que, em virtude de condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis, ter\u00e3o facilidade de transporte e\u00f3lico em dire\u00e7\u00e3o ao interior. Os atuais po\u00e7os jorrantes do vale do <strong>Gurgueia<\/strong> deixar\u00e3o de ser fluentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o desaparecimento dos principais afluentes do rio <strong>S\u00e3o Francisco<\/strong>, pela sua margem esquerda, que cortam o arenito <strong>Urucuia<\/strong>, a aus\u00eancia de alimenta\u00e7\u00e3o constante e o assoreamento contribuir\u00e3o para o desaparecimento do grande rio, nos seus aspectos originais. Permanecer\u00e3o algumas lagoas e cacimbas, onde o terreno tiver caracter\u00edstica argilosa, ou outra rocha impermeabilizante origin\u00e1ria da metaformose do calc\u00e1rio <strong>Bambu\u00ed<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>Caatinga<\/strong>, que j\u00e1 caracteriza parte do curso inferior do rio <strong>S\u00e3o Francisco<\/strong>, avan\u00e7ar\u00e1 um pouco mais em dire\u00e7\u00e3o ao norte, transicionando paulatinamente para a forma\u00e7\u00e3o de uma grande \u00e1rea des\u00e9rtica que certamente abranger\u00e1 o centro, o oeste, o sul da <strong>Bahia<\/strong> e norte e centro de <strong>Minas Gerais<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A regi\u00e3o da <strong>Serra da Canastra<\/strong> permanecer\u00e1 com alguns elementos originais, como uma esp\u00e9cie de enclave geoecol\u00f3gico, com clima sub\u00famido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas \u00e1reas correspondentes aos formadores e \u00e0s bordas da<strong> Bacia Hidrogr\u00e1fica do Paran\u00e1<\/strong>, as desintegra\u00e7\u00f5es intensas dos arenitos <strong>Botucatu <\/strong>e<strong> Bauru<\/strong> \u2013 que j\u00e1 formaram na regi\u00e3o, durante os per\u00edodos <strong>Tri\u00e1ssico <\/strong>e<strong> Cret\u00e1ceo<\/strong>, grandes desertos, acordar\u00e3o de um sono profundo, expandindo seus gr\u00e3os de areia em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es, provocando eros\u00f5es colossais, assoreamento e ac\u00famulos de sedimentos na configura\u00e7\u00e3o de dunas. Do curso m\u00e9dio da Bacia do Paran\u00e1 at\u00e9 a parte superior de seus afluentes, haver\u00e1 muitas \u00e1reas des\u00e9rticas separadas por forma\u00e7\u00f5es rochosas ostentando vegeta\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas \u00e1ridas e semi\u00e1ridas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sub-bacia do <strong>rio Paraguai<\/strong>, alimentada pelo <strong>aqu\u00edfero Guarani<\/strong>, sofrer\u00e1 as mesmas consequ\u00eancias das demais regi\u00f5es hidrogr\u00e1ficas do <strong>Cerrado<\/strong>, transformando o atual<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3551&amp;secao=345\" target=\"_blank\"><strong> Pantanal Mato-Grossense<\/strong><\/a> numa \u00e1rea de desertos arenosos, tal como j\u00e1 ocorreu na regi\u00e3o durante o <strong>Pleistoceno Superior<\/strong>, onde ali existia o deserto do <strong>Grande Pantanal<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo ap\u00f3s o desaparecimento por completo das comunidades vegetais nativas, a agroind\u00fastria ter\u00e1 seus dias de grande apogeu em termos de produtividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Grave processo de modifica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os n\u00facleos urbanos criados ou dinamizados como suportes dessas atividades atingir\u00e3o tamb\u00e9m seu apogeu em termos de aumento demogr\u00e1fico e em termos de ofertas e oportunidades de servi\u00e7os de natureza diversa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passado certo tempo, contado em alguns poucos anos, essa realidade experimentar\u00e1 um grave processo de modifica\u00e7\u00e3o. A produtividade agr\u00edcola come\u00e7ar\u00e1 a diminuir assustadoramente, causando ondas de demiss\u00f5es nas empresas estabelecidas. Isso acontecer\u00e1 porque a \u00e1gua dos len\u00e7\u00f3is subterr\u00e2neos n\u00e3o ser\u00e1 mais suficiente para sustentar a produ\u00e7\u00e3o no sistema de rotatividade de antes. N\u00e3o haver\u00e1 \u00e1gua para fazer funcionarem os piv\u00f4s centrais. A atividade agr\u00edcola sobrevivente se restringir\u00e1 \u00e0 \u00e9poca da esta\u00e7\u00e3o chuvosa, que j\u00e1 se manifestar\u00e1 com instabilidades sazonais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os solos, outrora preparados intensivamente para os cultivos, ser\u00e3o ocupados em pequenas parcelas, deixando exposta uma grande superf\u00edcie desnudada. Da mesma forma as pastagens que sustentavam a pecu\u00e1ria ser\u00e3o afetadas, provocando a redu\u00e7\u00e3o paulatina dos rebanhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ar\u00e1 a refletir de forma vis\u00edvel nos polos urbanos. Haver\u00e1 <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/528388-agua-a-cronica-da-falta-de-bom-senso\" target=\"_blank\"><strong>racionamento de \u00e1gua<\/strong><\/a>, em fun\u00e7\u00e3o da diminui\u00e7\u00e3o da vaz\u00e3o dos rios, que, por sua vez, provocar\u00e1 a redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel dos reservat\u00f3rios. O racionamento de energia el\u00e9trica tamb\u00e9m ser\u00e1 imposto pelas mesmas causas. O desemprego e os servi\u00e7os, antes fartos e variados, afundar\u00e3o numa crise sem precedentes.<\/p>\n<table style=\"width: 250px; height: 69px; margin: 15px;\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\"><img style=\"margin: 1px; vertical-align: bottom;\" src=\"http:\/\/oi58.tinypic.com\/106yrv9.jpg\" alt=\"\" width=\"40\" \/><\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\">\u201cO cerrado est\u00e1 inclu\u00eddo no Planejamento Pol\u00edtico Brasileiro como regi\u00e3o de expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola, orientada por pr\u00e1ticas predat\u00f3rias, causando um cen\u00e1rio estarrecedor\u201d<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Isso provocar\u00e1 o aumento de pessoas ociosas e vadias nas cidades, situa\u00e7\u00e3o que criar\u00e1 enormes embara\u00e7os sociais desagrad\u00e1veis. Haver\u00e1 a intensifica\u00e7\u00e3o da criminalidade de todas as esp\u00e9cies, desde pequenos furtos, saques, assaltos e assassinatos. A prostitui\u00e7\u00e3o se generalizar\u00e1, trazendo consequ\u00eancias consider\u00e1veis para a sa\u00fade p\u00fablica, que se apresenta cada vez mais decadente. Os servi\u00e7os p\u00fablicos, incluindo a educa\u00e7\u00e3o, por falta de arrecada\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o, come\u00e7ar\u00e3o a beirar o caos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de certo tempo a aus\u00eancia de \u00e1gua nos rios criar\u00e1 uma paisagem desoladora. \u00c1reas outrora ocupadas pelas lavouras ser\u00e3o caracterizadas por formas vegetacionais rasteiras e ex\u00f3ticas, t\u00edpicas de forma\u00e7\u00f5es des\u00e9rticas, com um ciclo vegetativo muito curto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Grande parte dos campos agr\u00edcolas abandonados, sem a cobertura vegetal necess\u00e1ria para fixar o solo, passar\u00e1, durante algumas \u00e9pocas do ano, a ser assolada por ventos e tempestades fortes, que criar\u00e3o uma atmosfera escura carregada de gr\u00e3os finos de poeira em extens\u00f5es quilom\u00e9tricas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os polos urbanos ser\u00e3o assolados por diversas epidemias, que provocar\u00e3o \u00edndices alarmantes de mortalidade. A maioria da popula\u00e7\u00e3o sucumbir\u00e1 diante da mis\u00e9ria crescente.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>(Patricia Fachin)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Fonte: IHU On-Line<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista especial com Altair Sales Barbosa \u201cA quest\u00e3o atual do desaparecimento dos pequenos cursos d\u2019\u00e1gua,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Entrevista especial com Altair Sales Barbosa \u201cA quest\u00e3o atual do desaparecimento dos pequenos cursos d\u2019\u00e1gua,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9259"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9259"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9259\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9259"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9259"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9259"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}