{"id":92438,"date":"2018-09-20T10:00:27","date_gmt":"2018-09-20T13:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=92438"},"modified":"2018-09-19T20:48:31","modified_gmt":"2018-09-19T23:48:31","slug":"paz-ameaca-biodiversidade-na-colombia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/paz-ameaca-biodiversidade-na-colombia\/","title":{"rendered":"Paz amea\u00e7a biodiversidade na Col\u00f4mbia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/colombia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-92439\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/colombia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/colombia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/colombia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Depois de d\u00e9cadas sob conflito armado, pesquisadores colombianos e de institui\u00e7\u00f5es americanas chamam a aten\u00e7\u00e3o para os riscos para a biodiversidade e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, representados pela retomada de regi\u00f5es antes desabitadas devido a presen\u00e7a das For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (Farc). S\u00e3o regi\u00f5es rurais e de florestas que permaneceram praticamente intocadas durante d\u00e9cadas e que, com a entrega das armas por parte da guerrilha, agora est\u00e3o acess\u00edveis.<\/p>\n<p>Em um artigo publicado esta semana na Frontiers in Ecology and the environment (FiEE), o grupo liderado pelo bioengenheiro Alejandro Salazar-Villegas, da Universidade de Purdue, Indiana, Estados Unidos, tra\u00e7a os desafios da Col\u00f4mbia para proteger a biodiversidade e atingir metas apresentadas \u00e0 comunidade internacional no corte de emiss\u00f5es de gases, em tempos de paz.<\/p>\n<p>Cinco d\u00e9cadas de conflitos com a guerrilha, que deixaram mais 220 mil mortos entre cerca de 8 milh\u00f5es de v\u00edtimas, mantiveram as pessoas e as atividades econ\u00f4micas afastadas de habitats que preservaram 51 mil tipos diferentes de plantas e animais, segundo os pesquisadores. Com o acordo de paz, assinado em novembro de 2016, a tend\u00eancia \u00e9 que essas \u00e1reas voltem a ser ocupadas.<\/p>\n<p>\u201cO acordo de paz \u00e9 obviamente bom para o pa\u00eds\u201d, afirmou Daniel Ruiz Carrascal, coautor do artigo e pesquisador da Universidade de Columbia, Estados Unidos, em entrevista ao Earth Institute at Columbia University. \u201cAs decis\u00f5es tomadas nesse momento v\u00e3o certamente reverberar atrav\u00e9s da vida presente e de gera\u00e7\u00f5es futuras de colombianos e v\u00e3o ter consequ\u00eancias ecol\u00f3gicas, clim\u00e1ticas e biogeoqu\u00edmicas com impactos globais\u201d, completa.<\/p>\n<p>Carrascal e outros pesquisadores lan\u00e7aram a Plataforma de Estudos e An\u00e1lises sobre Col\u00f4mbia e seus Ecossistemas (Peace), para compartilhar informa\u00e7\u00f5es sobre o monitoramento da regi\u00e3o. A rede vai combinar informa\u00e7\u00f5es de sat\u00e9lites, com dados de campo e tecnologias de sensoriamento, para monitorar os ecossistemas do pa\u00eds. Entre as institui\u00e7\u00f5es que j\u00e1 aderiram est\u00e3o o Instituto de Pesquisas de Recursos Biol\u00f3gicos Alexander von Humboldt, e \u00a0Instituto Max Planck de Biogeoqu\u00edmica da Alemanha.<\/p>\n<p><strong>Biodiversidade amea\u00e7ada por tr\u00eas fatores<\/strong><\/p>\n<p>A Col\u00f4mbia \u00e9 o segundo pa\u00eds mais biodiverso do mundo, segundo os pesquisadores, com paisagens que incluem florestas amaz\u00f4nicas \u00famidas e de altitude, savanas abertas e montanhas andinas. O pa\u00eds abriga cerca de 10% de todas as esp\u00e9cies de planetas, incluindo centenas de animais que n\u00e3o s\u00e3o encontrados em nenhum outro lugar.<\/p>\n<div id=\"attachment_63149\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-63149\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Mapa-Colombia.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Mapa-Colombia.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Mapa-Colombia-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Mapa-Colombia-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">O mapa mostra (esquerda) minas em opera\u00e7\u00e3o na Col\u00f4mbia e (direita) requisi\u00e7\u00f5es feitas desde 2009. Fim do conflito pode abrir \u00e1reas para a minera\u00e7\u00e3o, mas por outro lado pode ajudar a reduzir o garimpo ilegal. Cr\u00e9dito: Salazar et al., 2018.<\/p>\n<\/div>\n<p>Mas as taxas de desmatamento no pa\u00eds v\u00eam aumentando nos \u00faltimos anos e j\u00e1 chegou a 2,3 mil quil\u00f4metros quadrados por ano (na Amaz\u00f4nia Brasileira passou de 6,6 mil em 2017). \u201cInfelizmente, n\u00f3s vemos um significante aumento das taxas de desmatamento de \u00e1reas intocadas ou remotas, que eram controladas pelos rebeldes das FARC\u201d, afirma Ruiz-Carrascal. \u201cEst\u00e1 come\u00e7ando a afetar locais com a maior biodiversidade na Col\u00f4mbia.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m do desmatamento, os pesquisadores chamam a aten\u00e7\u00e3o para outras duas amea\u00e7as \u00e0 biodiversidade colombiana: mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e minera\u00e7\u00e3o. Eles explicam que ecossistemas de montanhas, como encontrados nos Andes, s\u00e3o particularmente vulner\u00e1veis ao aumento da temperatura global.<\/p>\n<p>Segundo eles, as geleiras no alto dos Andes Colombianos est\u00e3o diminuindo, o que coloca em risco o abastecimento de \u00e1gua para comunidades das montanhas e \u00e1reas pr\u00f3ximas. O aumento da temperatura afeta tamb\u00e9m esp\u00e9cies de animais, que podem ser for\u00e7adas a procurar regi\u00f5es mais frias em \u00e1reas mais altas. Eventualmente, podem n\u00e3o encontrar essas \u00e1reas.<\/p>\n<p>O estudo cita modelos clim\u00e1ticos que preveem um aumento de entre 3 e 4 graus Celsius na temperatura m\u00e9dia do pa\u00eds at\u00e9 2050, ao mesmo tempo em que pode ocorrer a redu\u00e7\u00e3o de chuvas em algumas \u00e1reas. Esses fatores clim\u00e1ticos, lembram os autores do artigo, podem impactar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e capacidade dos ecossistemas estocarem carbono.<\/p>\n<p><strong>Minera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A minera\u00e7\u00e3o, em busca de produtos como ouro e esmeralda, \u00e9 importante na economia colombiana, conforme lembram os autores do artigo. Mas eles advertem que a atividade carrega uma s\u00e9rie de problemas, como o desmatamento para abertura de estradas ou o nivelamento de montanhas. Al\u00e9m disso, a minera\u00e7\u00e3o ilegal pode contaminar a \u00e1gua, al\u00e9m de despejar merc\u00fario e outros metais t\u00f3xicos no ambiente.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m das taxas de desmatamento, que est\u00e3o superando o que tem sido registrado na Am\u00e9rica Latina, voc\u00ea tem o aquecimento global, e voc\u00ea tem aqueles t\u00edtulos que permitem empresas de minera\u00e7\u00e3o explorarem nossos recursos naturais\u201d, diz Ruiz-Carrascal. \u201cIsto vai ser uma quest\u00e3o cr\u00edtica pelas d\u00e9cadas que vir\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Os pesquisadores destacam a import\u00e2ncia das florestas, que fornecem madeira, alimenta\u00e7\u00e3o e rem\u00e9dios para popula\u00e7\u00f5es locais, al\u00e9m de atrair turistas, equilibrar a oferta de \u00e1gua da e absorver carbono., madeira e rem\u00e9dios para a popula\u00e7\u00e3o local. Ela atrai turistas e ajuda a equilibrar a oferta de \u00e1gua e absor\u00e7\u00e3o de carbono. E lembram de compromissos internacionais assumidos pelo pa\u00eds, que pretendem atingir o desmatamento zero at\u00e9 2020, al\u00e9m de cortar em 20% as emiss\u00f5es at\u00e9 2030.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de d\u00e9cadas sob conflito armado, pesquisadores colombianos e de institui\u00e7\u00f5es americanas chamam a aten\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":92439,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/colombia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/colombia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/colombia-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/colombia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/colombia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/colombia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/colombia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/colombia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/colombia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/colombia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Depois de d\u00e9cadas sob conflito armado, pesquisadores colombianos e de institui\u00e7\u00f5es americanas chamam a aten\u00e7\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92438"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92438"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92438\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92438"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92438"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92438"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}