{"id":9241,"date":"2014-10-26T15:00:49","date_gmt":"2014-10-26T15:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=9241"},"modified":"2014-10-26T13:03:28","modified_gmt":"2014-10-26T13:03:28","slug":"biologa-americana-pesquisa-demencia-de-caes-gatos-elefantes-ou-golfinhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/biologa-americana-pesquisa-demencia-de-caes-gatos-elefantes-ou-golfinhos\/","title":{"rendered":"Bi\u00f3loga americana pesquisa dem\u00eancia de c\u00e3es, gatos, elefantes ou golfinhos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/loucura_animal.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-9242\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/loucura_animal.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Aos 6 anos, Oliver, um grande c\u00e3o bernese que adorava brincar de esconde-esconde, atirou-se do quarto andar do pr\u00e9dio onde vivia. Ansioso por estar sozinho no apartamento, ele arrancou o aparelho de ar-condicionado da parede, comeu a fia\u00e7\u00e3o, jogou-se pelo buraco e, milagrosamente, sobreviveu. No hospital, olhando os ferimentos de seu c\u00e3o, a bi\u00f3loga Laurel Braitman resolveu entender o que se passava pela cabe\u00e7a de Oliver para chegar a essa atitude extrema.<\/p>\n<p>Procurou veterin\u00e1rios,\u00a0psiquiatras, psic\u00f3logos e neurologistas e passou os \u00faltimos sete anos pesquisando animais que, como o seu bernese, apresentavam transtornos mentais. Encontrou elefantes com ataques de ansiedade, ursos depressivos, gorilas com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), ratos e papagaios com tricotilomania (o impulso de arrancar os pr\u00f3prios cabelos) e golfinhos suicidas.\u00a0\u201cIdentificar e entender a insanidade animal e ajud\u00e1-los a se recuperar diz muito sobre nossa humanidade. Quando estamos ansiosos, raivosos, assustados ou compulsivos mostramos o quanto somos surpreendentemente iguais \u00e0s outras criaturas com quem dividimos o planeta\u201d, diz Laurel.<\/p>\n<p>No livro <em>Animal Madness <\/em>(<em>Loucura Animal<\/em>, sem edi\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas), rec\u00e9m-lan\u00e7ado nos Estados Unidos, a bi\u00f3loga, que tamb\u00e9m \u00e9 especialista em hist\u00f3ria da ci\u00eancia pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), reconstr\u00f3i a hist\u00f3ria da dem\u00eancia animal e conta como transtornos mentais de macacos, ratos, cachorros ou gatos impulsionaram a compreens\u00e3o da mente humana. Foram eles as cobaias para testar os primeiros antidepressivos ou ansiol\u00edticos inventados. E, da mesma maneira que nossa compreens\u00e3o a respeito de dist\u00farbios mentais evoluiu ao longo dos anos, o entendimento do c\u00e9rebro e comportamento animais vem passando por uma revolu\u00e7\u00e3o. De acordo com Laurel, a ci\u00eancia n\u00e3o questiona mais se os animais t\u00eam emo\u00e7\u00f5es, mas se interroga, atualmente, que tipo de emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o essas e de onde v\u00eam.<\/p>\n<p>Nesta entrevista ao site de VEJA, a autora, que esteve no Brasil em outubro para acompanhar a confer\u00eancia TED Global, no Rio de Janeiro, conta como foi sua jornada para desvendar a hist\u00f3ria da dem\u00eancia animal. E explica de que forma essa compreens\u00e3o mudou tamb\u00e9m sua vis\u00e3o a respeito dos seres humanos.<\/p>\n<p><strong>Seu c\u00e3o foi a porta de entrada que a fez descobrir a loucura dos animais. Quando percebeu que ele poderia ter algum dist\u00farbio?\u00a0<\/strong>Adotei o Oliver em 2002 e ele era uma criatura feliz e ador\u00e1vel. Mas, com seis meses de conviv\u00eancia, percebi alguns problemas. Ele n\u00e3o conseguia ficar sozinho e comia qualquer coisa que n\u00e3o fosse comida. Basicamente, ele ficava calmo apenas perto de mim e entrava em p\u00e2nico isolado ou na presen\u00e7a de qualquer outro ser. Seu comportamento era muito distinto de todos os animais que conhecia.<\/p>\n<p><strong>Foi nesse momento que ele recebeu o diagn\u00f3stico de ansiedade?\u00a0<\/strong>Achava apenas que ele era diferente \u2014\u00a0jamais pensei que animais pudessem ter transtornos mentais. Cresci em uma fazenda repleta de bichos e nunca havia visto algum com esse tipo de problema. Para mim, dizer que um animal tinha esses dist\u00farbios era projetar sentimentos e emo\u00e7\u00f5es humanas neles. Mas percebi que meu c\u00e3o era esquisito e, pouco tempo depois, ele se jogou da janela do quarto andar. Assim que se curou dos ferimentos causados pela queda, levei Oliver a um veterin\u00e1rio que receitou para ele Prozac e Valium.<\/p>\n<p><strong>Esses medicamentos s\u00e3o normalmente dados a c\u00e3es? <\/strong>Nunca havia visto isso. Achei muito estranho e fui pesquisar como eles funcionavam nos cachorros. Mas n\u00e3o encontrei muita coisa sobre seu efeito em bichos e nem sobre como eles s\u00e3o usados em cl\u00ednicas veterin\u00e1rias. Como n\u00e3o havia livros, comecei a conversar com treinadores, cientistas e especialistas em comportamento animal para saber se esses medicamentos tinham em c\u00e3es a mesma fun\u00e7\u00e3o que em n\u00f3s e tamb\u00e9m para entender o que estava acontecendo com o Oliver. Aos poucos, fui descobrindo que os animais, como n\u00f3s, tamb\u00e9m t\u00eam transtornos mentais e, sim, tomam os mesmos rem\u00e9dios que n\u00f3s para trat\u00e1-los. Foi a\u00ed que pensei em escrever um livro que pudesse ajudar outras pessoas que passam pelas mesmas dificuldades que vivi.<\/p>\n<p><strong>E que tipo de dist\u00farbios os animais podem ter?\u00a0<\/strong>Assim como em humanos, muitas das doen\u00e7as mentais dos animais t\u00eam a ver com rea\u00e7\u00f5es inapropriadas ao medo e \u00e0 ansiedade. Isso acontece porque essas respostas s\u00e3o coordenadas pelas regi\u00f5es mais primitivas do c\u00e9rebro, compartilhadas pela maior parte dos vertebrados. Assim como n\u00f3s, os animais sentem medo ou ansiedade em ocasi\u00f5es desnecess\u00e1rias e desenvolvem compuls\u00f5es como Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e v\u00e1rias outras formas de dist\u00farbios mentais como ataques de ansiedade ou depress\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Ou seja, se a base para o medo \u00e9 a mesma, provavelmente elas tamb\u00e9m podem funcionar de maneira inadequada em animais, assim como acontece conosco.\u00a0<\/strong>Exatamente. Por isso, os primeiros tratamentos e medicamentos para doen\u00e7as mentais foram estudadas em animais. H\u00e1 mais de um s\u00e9culo, o m\u00e9dico russo Ivan Pavlov [1849-1936]\u00a0estimulava conflitos psicol\u00f3gicos em c\u00e3es e gatos para entender seu mecanismo. Durante a II Guerra Mundial, muitos m\u00e9dicos perceberam os mesmos sintomas daqueles animais nos soldados, no que viria a ser o stress p\u00f3s-traum\u00e1tico. Nos anos 1930, as primeiras lobotomias foram feitas em dois chimpanz\u00e9s agressivos e ansiosos e, na mesma \u00e9poca, outras criaturas foram cobaias para o desenvolvimento dos eletrochoques para tratar convuls\u00f5es da esquizofrenia. At\u00e9 hoje, novos medicamentos para doen\u00e7as mentais s\u00e3o testados inicialmente em animais: ratos, porcos e gorilas ajudaram a entender os dist\u00farbios humanos e, agora, n\u00f3s estamos usando nossos rem\u00e9dios neles.<\/p>\n<p><strong>No entanto, os homens s\u00e3o capazes de responder emocionalmente ao medo. Os animais tamb\u00e9m? <\/strong>Tive uma conversa muito interessante com\u00a0a cientista Lori Marino, que trabalha na Universidade Emory, nos Estados Unidos, e durante anos pesquisou a\u00a0cogni\u00e7\u00e3o em golfinhos. Ela me explicou que as emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma das partes mais antigas da psicolgia, presente nos primeiros animais. Sem elas, um indiv\u00edduo n\u00e3o consegue agir ou ter decis\u00f5es que s\u00e3o chave para a sobreviv\u00eancia. Elas s\u00e3o selecionadas, algumas s\u00e3o mais simples, outras mais complexas, mas todos os animais t\u00eam emo\u00e7\u00f5es.<b>\u00a0<\/b>Homens, grandes macacos, golfinhos e elefantes, que possuem um c\u00e9rebro mais desenvolvido, podem elaborar estrat\u00e9gias para lidar com o medo ou a ansiedade. Mas,\u00a0como a estrutura para as emo\u00e7\u00f5es \u00e9 semelhante, a experi\u00eancia emocional pode ser similar em todas as esp\u00e9cies, apesar da intelig\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>V\u00e1rios estudos recentes t\u00eam sido publicados sobre o que seriam as emo\u00e7\u00f5es animais. H\u00e1 pesquisas sobre\u00a0suas dores\u00a0emocionais ou\u00a0mentais?<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Nos \u00faltimos anos, diversas pesquisas t\u00eam mostrado que os animais sofrem traumas emocionais. A discuss\u00e3o cient\u00edfica est\u00e1 mudando e deixou de ser \u2018ser\u00e1 que os animais t\u00eam emo\u00e7\u00f5es\u2019, para \u2018quais s\u00e3o elas e de onde v\u00eam?\u2019. Achamos que \u00e9 uma novidade colocar c\u00e3es em aparelhos de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional (fMRI) e pesquisar a neuroci\u00eancia das emo\u00e7\u00f5es animais \u2014\u00a0mas a inova\u00e7\u00e3o s\u00e3o as t\u00e9cnicas, que conseguem medi-las com bastante precis\u00e3o. Mas quem trabalha com os bichos est\u00e1 acostumado com isso e n\u00e3o acha surpreendente que os animais tenham uma vida emocional rica e complicada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 6 anos, Oliver, um grande c\u00e3o bernese que adorava brincar de esconde-esconde, atirou-se do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":9242,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/loucura_animal.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/loucura_animal.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/loucura_animal.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/loucura_animal.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/loucura_animal.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/loucura_animal.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/loucura_animal.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/loucura_animal.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/loucura_animal.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/loucura_animal.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Aos 6 anos, Oliver, um grande c\u00e3o bernese que adorava brincar de esconde-esconde, atirou-se do","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9241"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9241"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9241\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9242"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9241"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9241"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}