{"id":9237,"date":"2014-10-26T14:00:09","date_gmt":"2014-10-26T14:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=9237"},"modified":"2014-10-26T12:35:44","modified_gmt":"2014-10-26T12:35:44","slug":"como-o-acai-sai-da-floresta-amazonica-e-chega-a-tigela-gerando-emprego-e-renda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-o-acai-sai-da-floresta-amazonica-e-chega-a-tigela-gerando-emprego-e-renda\/","title":{"rendered":"Como o a\u00e7a\u00ed sai da floresta Amaz\u00f4nica e chega \u00e0 tigela, gerando emprego e renda"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/acai.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-9238\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/acai.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Da coleta das palmeiras at\u00e9 a mesa do paraense ou at\u00e9 as sobremesas do sul e sudeste, o a\u00e7a\u00ed percorre um longo caminho que envolve muitas pessoas em diversas fun\u00e7\u00f5es. O produto \u00e9 um exemplo de como a floresta pode gerar, de forma sustent\u00e1vel, emprego e renda para v\u00e1rias comunidades na floresta e nas regi\u00f5es urbanas. Para ver isso, basta seguir o caminho do fruto da palmeira at\u00e9 a mesa.<\/p>\n<p>Nas beiras de rios e igarap\u00e9s, s\u00f3 d\u00e1 eles. Todas as ilhas da Baia do Guajar\u00e1, no Par\u00e1, s\u00e3o cobertas por a\u00e7aizais, em sua maioria nativos e selvagens. As palmeiras de a\u00e7a\u00ed convivem com diversas outras esp\u00e9cies de plantas e fazem a festa das aves que tomam seu caf\u00e9 da manh\u00e3 por ali. Depois delas, \u00e9 a vez dos homens retirarem sua parte. Antes do sol do meio dia, os coletores de a\u00e7a\u00ed, ou \u201cpeconheiros\u201d, como s\u00e3o conhecidos por conta do acess\u00f3rio que amarram nos p\u00e9s para subir nas \u00e1rvores, j\u00e1 coletaram os frutos maduros do dia.<\/p>\n<p>Eles enchem rasas e mais rasas, cestas de vime ou palha que comportam cerca de 28 quilos dos pequenos cocos. A cada \u00e1rvore, \u00e9 a mesma coisa: o homem, em geral jovem, amarra a peconha nos p\u00e9s, coloca as luvas nas m\u00e3os e o fac\u00e3o na cintura, sobe muitos metros escalando a palmeira, corta os cachos e volta com eles escorregando pelo tronco. \u00c0s vezes puxa galhos de outras palmeiras vizinhas para aproveitar a viagem. A seguran\u00e7a \u00e9 pouca, mas \u00e9 ainda o melhor jeito de se fazer a colheita. As palmeiras, mais lucrativas em p\u00e9, s\u00f3 s\u00e3o derrubadas quando esgotam sua produ\u00e7\u00e3o, o que ocorre em cerca de 10 anos. Seu tronco vira palmito, adubo e material para artesanato. Depois, em solo firme, mas n\u00e3o tanto (j\u00e1 que o a\u00e7a\u00ed se d\u00e1 melhor em terrenos alagadi\u00e7os), \u00e9 hora de debulhar os grandes cachos enchendo as rasas. Talvez seja a \u00fanica tarefa que eventualmente pode ser executada por mulheres. De resto, o a\u00e7a\u00ed \u00e9 um produto bastante masculino.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, as rasas cheias de cocos podem ter dois caminhos. Um deles \u00e9 o da m\u00e9dia e grande ind\u00fastria, que compra diretamente do produtor, recolhendo a colheita de cada dia para fazer o processamento para ser usado como alimento, cosm\u00e9tico e enviado paras as regi\u00f5es Sul e Sudeste e para fora do Brasil. O outro \u00e9 a venda de m\u00e3o em m\u00e3o at\u00e9 o consumidor local. Nos barcos, no in\u00edcio da tarde, os produtores levam suas rasas para os portos regionais, ou quando n\u00e3o t\u00eam barcos, vendem para atravessadores que passam negociando o fruto. No porto, \u00e9 poss\u00edvel que uma parte ainda v\u00e1 para a ind\u00fastria, mas a maior fra\u00e7\u00e3o \u00e9 coletada por cooperativas que se encarregam de transportar e vender o a\u00e7a\u00ed em Bel\u00e9m, em quatro mercados de alimentos nos portos da cidade, entre eles o tradicional Ver-o-Peso.<\/p>\n<p>Todos esses mercados funcionam durante a madrugada e s\u00e3o como uma bolsa de valores do a\u00e7a\u00ed: o pre\u00e7o varia conforme a oferta e a procura, como nas feiras livres. L\u00e1, a medida j\u00e1 \u00e9 outra. Os frutos s\u00e3o vendidos por lata, que na verdade s\u00e3o as cestas de vime menores, com 14 quilos cada. \u00c0s seis da manh\u00e3, j\u00e1 \u00e9 quase hora da xepa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos vendedores e compradores, trabalham por ali os ensacadores, que colocam os frutos comprados em sacas parecidas com as de caf\u00e9, ou a\u00e7\u00facar. Os carregadores transportam para l\u00e1 e para c\u00e1 as sacas em seus carrinhos de madeira (tanto ensacadores quanto carregadores recebem cerca de R$ 2 por volume). As pessoas que levam as latas e rasas de volta para os barcos (e por cada cesto carregado recebem R$ 1). Al\u00e9m deles, h\u00e1 os vendedores de caf\u00e9, tapioca e churrasco que alimentam os trabalhadores. Em uma conta feita por alto, cerca de 500 pessoas trabalham s\u00f3 na feira do a\u00e7a\u00ed que ocorre no porto ao lado do Ver-o-Peso.<\/p>\n<p>Os clientes ou compradores desses mercados da madrugada s\u00e3o os batedores de a\u00e7a\u00ed. Estima-se que existam 4 mil deles s\u00f3 em Bel\u00e9m. S\u00e3o eles que higienizam e colocam o fruto de molho na \u00e1gua para depois bater e transform\u00e1-lo na polpa, ou vinho, que pode ser grossa, m\u00e9dia ou \u201cpopular\u201d, a mais dilu\u00edda, com 18% de a\u00e7a\u00ed e o resto de \u00e1gua. Bem diferente da doce mistura com xarope de guaran\u00e1 e frutas consumida no sul do pa\u00eds, \u00e9 o a\u00e7a\u00ed batido no dia. Ele \u00e9 fresco, s\u00f3 com \u00e1gua que chega na mesa do paraense como refor\u00e7o da alimenta\u00e7\u00e3o e \u00e9 comido salgado, junto com o arroz, feij\u00e3o, a farinha e o peixe. Ele \u00e9 comprado como o p\u00e3ozinho quente para o caf\u00e9\u00a0 da manh\u00e3, em portinhas que se espalham pelas ruas da cidade com placas simples: \u201ca\u00e7a\u00ed\u201d.<\/p>\n<p>Os pre\u00e7os variam de acordo com a regi\u00e3o da cidade, mas o litro do vinho popular, na safra, pode ser encontrado por R$ 6. S\u00e3o 470 mil litros di\u00e1rios nos meses de julho a dezembro, quando uma fam\u00edllia de quatro pessoas consome em m\u00e9dia dois litros por dia. E cada uma tem seu batedor de confian\u00e7a que, muitas vezes, anota as despesas em uma caderneta para os clientes fieis acertarem tudo no final do m\u00eas. A\u00e7a\u00ed, no Par\u00e1, \u00e9\u00a0 quest\u00e3o de confian\u00e7a. De ponta a ponta, a estimativa do governo do Estado do Par\u00e1 que 300 mil pessoas dependam do a\u00e7a\u00ed para sobreviver. Ele \u00e9 a principal fonte de renda para 70% da popula\u00e7\u00e3o ribeirinha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da coleta das palmeiras at\u00e9 a mesa do paraense ou at\u00e9 as sobremesas do sul<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":9238,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/acai.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/acai.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/acai.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/acai.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/acai.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/acai.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/acai.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/acai.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/acai.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/acai.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Da coleta das palmeiras at\u00e9 a mesa do paraense ou at\u00e9 as sobremesas do sul","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9237"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9237"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9237\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9238"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9237"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9237"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9237"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}