{"id":92135,"date":"2018-09-15T00:00:19","date_gmt":"2018-09-15T03:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=92135"},"modified":"2018-09-13T21:33:35","modified_gmt":"2018-09-14T00:33:35","slug":"o-brasil-nao-precisa-mais-derrubar-florestas-para-a-agropecuaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-brasil-nao-precisa-mais-derrubar-florestas-para-a-agropecuaria\/","title":{"rendered":"\u201cO Brasil n\u00e3o precisa mais derrubar florestas para a agropecu\u00e1ria\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Natural de Bom Despacho, regi\u00e3o do Alto S\u00e3o Francisco, e leonino, o agr\u00f4nomo Maur\u00edcio Ant\u00f4nio Lopes tem um grande desafio \u00e0 frente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), entidade vinculada ao Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Mapa): consolidar um modelo de agricultura e pecu\u00e1ria sustent\u00e1veis, respeitando o meio ambiente, para superar as barreiras que limitam a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, fibras e energia no nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para isso, ele defende a ado\u00e7\u00e3o e a dissemina\u00e7\u00e3o de sistemas integrados, que possibilitam o aumento da efici\u00eancia na utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, reduzindo impactos \u00e0 natureza, garantindo a estabilidade da produ\u00e7\u00e3o e mais renda para o produtor. \u201cMigrar para esses sistemas \u00e9 um caminho para fortalecer nossas atividades do ponto de vista de resili\u00eancia e sustentabilidade\u201d, ressalta Lopes, que recentemente esteve na capital mineira para receber a \u201cMedalha do M\u00e9rito Rural\u201d, concedida pela Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Estado de Minas Gerais (Faemg).<\/p>\n<p>Nesta entrevista \u00e0 Ecol\u00f3gico, ele fala tamb\u00e9m sobre a comunica\u00e7\u00e3o transparente e aberta entre o agroneg\u00f3cio e a sociedade, traduzida em maior confiabilidade ao setor, e sobre o pol\u00eamico \u201cPL do Veneno\u201d (Projeto de Lei 6.299), de autoria do atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi, eleito em 2011 para o Senado.<\/p>\n<p>Segundo Maur\u00edcio, a institui\u00e7\u00e3o vem participando ativamente do processo, mas \u201cn\u00e3o entrar\u00e1 no debate das dimens\u00f5es ideol\u00f3gicas\u201d. E destacou que o Brasil ainda precisa \u201caprimorar seus procedimentos e regulamentos para lidar com uma quest\u00e3o t\u00e3o importante e sens\u00edvel quanto a dos pesticidas\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"align_center\" src=\"http:\/\/revistaecologico.com.br\/site\/assets\/files\/1542\/pv-1.579x0-is.png\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"435\" \/><\/p>\n<p>Confira:<\/p>\n<p><strong>\u00c9 preciso desmatar mais florestas para se criar gado no pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 necessidade de o Brasil seguir derrubando florestas para expandir sua agropecu\u00e1ria. Estima-se que j\u00e1 temos entre 50 e 60 milh\u00f5es de hectares de pastagens degradadas. Essas \u00e1reas foram abertas h\u00e1 muito tempo \u2013 duas, tr\u00eas d\u00e9cadas atr\u00e1s \u2013 e foram utilizadas para pecu\u00e1ria extensiva. Isso levou \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o do solo. Se voc\u00ea viajar pelo Brasil, facilmente encontrar\u00e1 essas pastagens. S\u00e3o aquelas que possuem uma grande quantidade de cupins e s\u00e3o muito baixas, um sinal de que o solo est\u00e1 degradado, com pH baixo e muita acidez.<\/p>\n<p><strong>Temos tecnologia para recuperar essas \u00e1reas degradadas?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. E, inclusive, para aumentar a efici\u00eancia delas. Essas \u00e1reas t\u00eam capacidade de suporte muitas vezes inferior a uma cabe\u00e7a de bovino por hectare. Com as tecnologias adequadas, pode-se multiplicar essa capacidade para at\u00e9 seis animais por hectare, aumentando a efici\u00eancia da pecu\u00e1ria e tamb\u00e9m liberando parte das \u00e1reas recuperadas para a expans\u00e3o de lavouras. O Brasil tem uma fronteira enorme para expans\u00e3o de uma agropecu\u00e1ria de alto desempenho considerando apenas a possibilidade de recupera\u00e7\u00e3o de pastos degradados que temos diante de n\u00f3s.<\/p>\n<p><strong>Em um artigo recente sobre a integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria-floresta, o senhor mencionou que esse conceito j\u00e1 foi implantado em 11 milh\u00f5es de hectares.<\/strong><\/p>\n<p>Na verdade, esse n\u00famero foi levantado em uma pesquisa que fizemos em 2015 e 2016. Hoje, provavelmente, n\u00f3s j\u00e1 temos uma \u00e1rea muito maior: entre 13 e 14 milh\u00f5es de hectares de sistemas mistos integrados (lavoura-pecu\u00e1ria, lavoura-pecu\u00e1ria-floresta, pecu\u00e1ria-floresta). Eles s\u00e3o muito vantajosos e permitem fazer uma agricultura de baixa emiss\u00e3o de carbono. Quando voc\u00ea integra sistemas, a quantidade de carbono emitida \u00e9 menor do que a incorporada. E as \u00e1rvores s\u00e3o essenciais nesse processo, porque elas fixam o carbono do ar na forma de mat\u00e9ria org\u00e2nica.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o, os sistemas integrados s\u00e3o o pr\u00f3ximo paradigma de produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n<p>Estamos certos disso. Principalmente para as regi\u00f5es tropicais, onde h\u00e1 temperatura, luminosidade e distribui\u00e7\u00e3o de chuvas adequadas. Migrar para esses sistemas \u00e9 um caminho para fortalecer nossas atividades do ponto de vista de resili\u00eancia e sustentabilidade.<\/p>\n<p><strong>Qual a sua opini\u00e3o sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR)?<\/strong><\/p>\n<p>Temos feito um trabalho na Embrapa de avaliar o impacto do CAR. O Brasil tem uma pol\u00edtica p\u00fablica que \u00e9 in\u00e9dita (C\u00f3digo Florestal). E ela torna obrigat\u00f3ria a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, de floresta nativa, nas propriedades privadas, possibilitando aos produtores rurais protegerem suas nascentes, leitos de rios e manterem suas Reservas Legais (RL). Al\u00e9m de todos os parques nacionais e reservas p\u00fablicas, temos uma \u00e1rea muito grande de espa\u00e7os preservados nas propriedades rurais. Com isso, o Brasil tem hoje apenas 7,6% de seu territ\u00f3rio composto de lavouras, aproximadamente 64 milh\u00f5es de hectares. Esse dado foi confirmado pela Ag\u00eancia Espacial Norte-Americana (Nasa), que recentemente fez um grande levantamento global e chegou a um n\u00famero aproximado do nosso [7,8%, sendo que o percentual de 0,2% se d\u00e1 em raz\u00e3o da diferen\u00e7a de metodologia aplicada]. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds que se destaca muito na preserva\u00e7\u00e3o de sua biodiversidade, apesar do que a imprensa internacional publica, afirmando que a agricultura brasileira \u00e9 predat\u00f3ria e n\u00e3o sustent\u00e1vel. N\u00e3o h\u00e1 pa\u00eds como o nosso, com uma quantidade t\u00e3o significativa de \u00e1reas cobertas de floresta nativa (unidades de conserva\u00e7\u00e3o nacionais, estaduais e municipais, \u00e1reas ind\u00edgenas e propriedades privadas). S\u00e3o nada menos que 66,3% de todo o nosso territ\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Boa parte das grandes nascentes das regi\u00f5es de mata nativa est\u00e1 em propriedades rurais, sob a prote\u00e7\u00e3o dos agricultores. Desses 66,3%, quantos se referem a essas \u00e1reas particulares?<\/strong><\/p>\n<p>Em torno de 20,5%. As Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o ficam com 13,1%. J\u00e1 as terras ind\u00edgenas, 13,8%. Nas \u00e1reas ocupadas por cidades e infraestrutura, como estradas, 3,5%. Outros 18,9% s\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa em \u00e1reas n\u00e3o cadastradas no CAR, que n\u00e3o s\u00e3o pr\u00f3prias para agricultura, como as de minera\u00e7\u00e3o, etc. Sem d\u00favida, o agricultor brasileiro \u00e9 muito consciente da necessidade de se preservar os recursos naturais. O Brasil j\u00e1 apanhou muito em fun\u00e7\u00e3o disso. Recentemente, tivemos toda essa discuss\u00e3o relativa \u00e0 Amaz\u00f4nia e ao Cerrado, mas o pa\u00eds foi corajoso ao criar uma pol\u00edtica p\u00fablica para obrigar a conserva\u00e7\u00e3o em \u00e1reas privadas, uma vez que o agricultor n\u00e3o \u00e9 recompensado por isso.<\/p>\n<p><strong>Em outros pa\u00edses, isso \u00e9 diferente?<\/strong><\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, por exemplo, \u00e9 o contr\u00e1rio. Quase 70% do seu territ\u00f3rio est\u00e1 aberto, sem vegeta\u00e7\u00e3o nativa, dispon\u00edvel para agricultura e outras atividades econ\u00f4micas. O Brasil vem fazendo o seu dever de casa e cumprindo bem o seu papel de preservar a natureza e responder aos crit\u00e9rios definidos em termos de cuidado com as florestas e a \u00e1gua. Tenho certeza de que avan\u00e7aremos ainda mais com a incorpora\u00e7\u00e3o dos sistemas integrados, que s\u00e3o modelos de produ\u00e7\u00e3o capazes de ajudar ainda mais o Brasil a garantir a sustentabilidade de sua pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>O setor de minera\u00e7\u00e3o enfrenta dificuldades hist\u00f3ricas para se comunicar com a sociedade. Qual \u00e9 a \u201creceita\u201d que voc\u00eas, do agroneg\u00f3cio, v\u00eam utilizando para formar e informar o cidad\u00e3o sobre a import\u00e2ncia do setor, desde que sustent\u00e1vel, para o pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>Estamos trabalhando com transpar\u00eancia e informa\u00e7\u00f5es qualificadas. Vivemos um momento complicado, do ponto de vista da comunica\u00e7\u00e3o. Veja o caso dos defensivos agr\u00edcolas, por exemplo. A quantidade de informa\u00e7\u00e3o distorcida, absurda, que vem saindo na imprensa \u00e9 grande. Por isso, \u00e9 preciso sempre buscarmos aprimorar a narrativa de como chegar aos cora\u00e7\u00f5es e mentes da sociedade, principalmente a urbana. Ela ainda precisa compreender melhor a import\u00e2ncia da produ\u00e7\u00e3o de alimentos, de um setor que ajuda o Brasil a crescer. Se nessa \u00faltima crise n\u00e3o tiv\u00e9ssemos um agroneg\u00f3cio consolidado, o pa\u00eds teria passado uma dificuldade muito maior. Refor\u00e7o que comunicar bem \u00e9 um imperativo e \u00e9 essencial trabalhar bem isso. A minera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 um segmento bastante combatido, criticado, e que tem de mostrar ainda mais seu o lado positivo, seu esfor\u00e7o de superar limita\u00e7\u00f5es e passivos. E, assim, avan\u00e7ar.<\/p>\n<p><strong>O que o senhor tem a dizer sobre o \u201cPL do Veneno\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>A Embrapa participou ativamente dessa discuss\u00e3o. A nossa posi\u00e7\u00e3o [leia mais na p\u00e1gina 22] \u00e9 t\u00e9cnica, cient\u00edfica. N\u00e3o entramos no debate das dimens\u00f5es ideol\u00f3gicas, de uma rea\u00e7\u00e3o pouco sustentada em conhecimento e ci\u00eancia. O pa\u00eds precisa aprimorar seus procedimentos, regulamentos para lidar com uma quest\u00e3o t\u00e3o importante e sens\u00edvel quanto a dos pesticidas.<\/p>\n<p><strong>Recentemente, o senhor ressaltou em uma palestra que a pesquisa p\u00fablica est\u00e1 seriamente amea\u00e7ada no pa\u00eds. Em que sentido?<\/strong><\/p>\n<p>Estamos passando por um momento de dificuldade, com recursos escassos. H\u00e1 passivos grandes no Brasil, como de seguran\u00e7a p\u00fablica, educa\u00e7\u00e3o e infraestrutura. Quanto h\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o de crise, a ci\u00eancia costuma n\u00e3o ser priorit\u00e1ria e perde apoio. Isso \u00e9 fatal para um pa\u00eds que vive um momento assim, pois ela \u00e9 um motor do desenvolvimento. Pa\u00edses que n\u00e3o mant\u00eam financiamento e apoio continuado a institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguir\u00e3o se adequar ou resistir \u00e0 realidade do mundo complexo e competitivo que vem emergindo. Por isso, a pesquisa p\u00fablica \u00e9 importante e a agropecu\u00e1ria \u00e9 um exemplo. O Brasil soube desenvolver um modelo forte e cientificamente embasado, com investimento feito no \u00e2mbito p\u00fablico, nas universidades e organiza\u00e7\u00f5es estaduais de pesquisa.<\/p>\n<p><strong>Sem ci\u00eancia o futuro fica comprometido?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. \u00c9 a pesquisa p\u00fablica que abra\u00e7a os desafios de longo prazo e alto risco que normalmente o setor privado n\u00e3o enfrenta. Precisa-se ter uma rela\u00e7\u00e3o harmoniosa entre a pesquisa p\u00fablica e a privada. Preocupa-nos o fato de que a p\u00fablica vem perdendo apoio e a sociedade ainda n\u00e3o compreende a import\u00e2ncia dela para seu futuro e da sua pr\u00f3pria sustentabilidade.<\/p>\n<p><strong>Em que aspectos?<\/strong><\/p>\n<p>Os pa\u00edses desenvolvidos s\u00f3 conquistaram esse status porque acreditaram no conhecimento, na ci\u00eancia e t\u00eam suas pesquisas p\u00fablica e privada fortalecidas. N\u00e3o podemos perder isso de vista no Brasil, principalmente porque os neg\u00f3cios v\u00eam mudando com rapidez e quem est\u00e1 \u00e0 frente vai avan\u00e7ar no mesmo ritmo. Quem ficar para atr\u00e1s, l\u00e1 ficar\u00e1. Recuperar o tempo perdido \u00e9 muito caro. O Brasil n\u00e3o pode descuidar de seu desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico, do fortalecimento de suas universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa. Nem dos est\u00edmulos para que o setor privado siga fazendo a sua parte, investindo mais em ci\u00eancia e inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A humanidade ter\u00e1 tempo de se salvar e salvar o planeta?<\/strong><\/p>\n<p>Sou otimista. \u00c9 s\u00f3 olharmos o passado para nos conscientizar. Max Roser, professor da Universidade de Oxford (Reino Unido), mant\u00e9m um site na internet que se chama Our World In Data (\u201cNosso Mundo em Dados\u201d), em que mostra os avan\u00e7os extraordin\u00e1rios que a sociedade moderna alcan\u00e7ou. H\u00e1 140 anos, t\u00ednhamos uma mortalidade infantil assustadora e a idade m\u00e9dia das pessoas era inferior \u00e0 de hoje. H\u00e1 30 anos, a pobreza extrema era muito maior. Em todas as m\u00e9tricas que voc\u00ea buscar no site, perceber\u00e1 que a humanidade avan\u00e7ou.<\/p>\n<p><strong>Que mundo vislumbra para o futuro?<\/strong><\/p>\n<p>Olhando para frente, quando vemos por exemplo os \u201c17 Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel\u201d da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), percebemos que temos uma agenda de sustentabilidade para o futuro. Muitas vezes as not\u00edcias ruins prevalecem e prendem a aten\u00e7\u00e3o das pessoas. Mas \u00e9 preciso ver a trajet\u00f3ria humana em uma l\u00f3gica de m\u00e9dio e longo prazos, voltando 100 anos no tempo. Voltar ao in\u00edcio de quando nascemos, quando tudo era mais prec\u00e1rio, como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Apesar de o presente nos mostrar muitos desafios e produzir alguma perplexidade, sou otimista e acredito que o mundo vai seguir uma boa dire\u00e7\u00e3o, em que prevalecer\u00e1 a educa\u00e7\u00e3o, a inclus\u00e3o e o bom senso. O que estamos buscando \u00e9 uma agenda de supera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Posicionamento sobre o PL 6.299<\/strong><\/p>\n<p>Em 21 de maio, a Embrapa divulgou uma nota t\u00e9cnica se posicionando sobre o Projeto de Lei n\u00ba 6.299, que trata da Pol\u00edtica de Defensivos Fitossanit\u00e1rios e de Produtos de Controle Ambiental. Confira, a seguir, alguns trechos do documento:<\/p>\n<p>\u201cA agricultura brasileira apresenta uma din\u00e2mica intensa, muitas vezes n\u00e3o observada em outros pa\u00edses, que exige um constante desenvolvimento tecnol\u00f3gico, principalmente no que se refere aos aspectos fitossanit\u00e1rios. \u00c9 fato not\u00f3rio que o processo de registro de agrot\u00f3xicos no Brasil \u00e9 extremamente moroso e precisa de maior celeridade.\u201d<\/p>\n<p>\u201cT\u00e3o importante quanto evitar ou at\u00e9 proibir tecnologias que podem causar danos ou trazer riscos, \u00e9 permitir o acesso r\u00e1pido a tecnologias que, \u00e0 luz do melhor conhecimento dispon\u00edvel, sejam consideradas \u00fateis e seguras.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO sistema regulat\u00f3rio de agrot\u00f3xicos deve ser \u00e1gil, funcional e cientificamente embasado para que a agricultura se desenvolva de modo sustent\u00e1vel e preserve sua competitividade internacional e seu papel social no pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA primeira constata\u00e7\u00e3o da proposta \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o do termo agrot\u00f3xico pelo termo produto fitossanit\u00e1rio, o que representa uma mudan\u00e7a positiva, uma vez que o uso do termo agrot\u00f3xico \u00e9 bastante question\u00e1vel do ponto de vista toxicol\u00f3gico.\u201d<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 mportante salientar que a atua\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os de sa\u00fade e de meio ambiente no processo regulat\u00f3rio \u00e9 essencial para garantir a seguran\u00e7a do uso desses produtos para a sa\u00fade humana e o meio ambiente. Assim, \u00e9 importante que se busque um equil\u00edbrio institucional visando ao mesmo tempo maior efici\u00eancia processual, que pode ser alcan\u00e7ada com a coordena\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio de Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Mapa). E tamb\u00e9m assegurando que todos os aspectos toxicol\u00f3gicos e ambientais sejam considerados ao integrar de forma adequada o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) e a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) a esta nova estrutura proposta no projeto de lei.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA proposta tamb\u00e9m apresenta avan\u00e7os quando prop\u00f5e a ado\u00e7\u00e3o da metodologia da an\u00e1lise de risco em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 an\u00e1lise de perigo, atualmente utilizada nas avalia\u00e7\u00f5es regulat\u00f3rias. A an\u00e1lise de risco, utilizada pela maioria dos pa\u00edses desenvolvidos, caracteriza-se por considerar tamb\u00e9m a exposi\u00e7\u00e3o ao pesticida e n\u00e3o somente suas caracter\u00edsticas intr\u00ednsecas. Cabe aqui destacar, entretanto, que nesta proposta de PL elimina-se qualquer crit\u00e9rio baseado no perigo, como a carcinogenecidade e mutagenicidade. Este \u00e9 um ponto fundamental da proposta e que merece ser debatido em profundidade, haja vista que n\u00e3o h\u00e1 um consenso mundial sobre o tema.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO Brasil disp\u00f5e de uma rede estruturada de empresas privadas de tecnologia voltadas a atender as demandas para gera\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es toxicol\u00f3gicas, ambientais e f\u00edsico-qu\u00edmicas de pesticidas e suas formula\u00e7\u00f5es para fins regulat\u00f3rios. Tamb\u00e9m tem universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa p\u00fablicas e privadas com estrutura e capacita\u00e7\u00e3o suficientes para a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os com tais prop\u00f3sitos.\u201d<\/p>\n<p>\u201cObserva-se que no PL n\u00e3o s\u00e3o estabelecidos prazos de reavalia\u00e7\u00e3o dos produtos fitossanit\u00e1rios registrados. Esta \u00e9 uma medida que vem sendo utilizada pela maioria dos pa\u00edses desenvolvidos e que tem um robusto sistema regulat\u00f3rio. Com esta medida, busca-se trazer maior seguran\u00e7a \u00e0 sa\u00fade humana e ao meio ambiente, pois revisa periodicamente as informa\u00e7\u00f5es toxicol\u00f3gicas e ambientais geradas ap\u00f3s o registro do pesticida.\u201d<\/p>\n<p>EM TEMPO: para ler o documento na \u00edntegra, acesse\u00a0<a href=\"http:\/\/goo.gl\/zNCFFf\" target=\"_blank\">goo.gl\/zNCFFf<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Natural de Bom Despacho, regi\u00e3o do Alto S\u00e3o Francisco, e leonino, o agr\u00f4nomo Maur\u00edcio Ant\u00f4nio<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Natural de Bom Despacho, regi\u00e3o do Alto S\u00e3o Francisco, e leonino, o agr\u00f4nomo Maur\u00edcio Ant\u00f4nio","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92135"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92135"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92135\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92135"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92135"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92135"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}