{"id":92131,"date":"2018-09-15T00:00:06","date_gmt":"2018-09-15T03:00:06","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=92131"},"modified":"2018-09-13T20:46:08","modified_gmt":"2018-09-13T23:46:08","slug":"indigenas-das-americas-se-unem-contra-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/indigenas-das-americas-se-unem-contra-mudancas-climaticas\/","title":{"rendered":"Ind\u00edgenas das Am\u00e9ricas se unem contra mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/p2.trrsf.com\/image\/fget\/cf\/460\/0\/images.terra.com\/2018\/09\/10\/45424342354.jpg\" alt=\"Resultado de imagem para povo yurok,\" width=\"639\" height=\"279\" \/><\/p>\n<p>Recupera\u00e7\u00e3o de rio e manejo sustent\u00e1vel de florestas s\u00e3o prioridades para\u00a0<strong>povo yurok<\/strong>, maior etnia da\u00a0<strong>Calif\u00f3rnia<\/strong>. Em parceria com l\u00edderes da\u00a0<strong>Am\u00e9rica Latina<\/strong>, eles buscam protagonismo no combate \u00e0s\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/573448-as-mudancas-climaticas-sob-o-olhar-indigena\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/a>.<\/p>\n<p>A reportagem foi publicada por\u00a0<strong>Deutsche Welle.<\/strong><\/p>\n<p>Em plena temporada de pesca de salm\u00e3o no\u00a0<strong>rio Klamath<\/strong>, quase n\u00e3o se v\u00ea barco do\u00a0<strong>povo yurok<\/strong>\u00a0em busca do peixe. Nativos dos\u00a0<strong>Estados Unidos<\/strong>, eles s\u00e3o a maior\u00a0<strong>etnia ind\u00edgena<\/strong>\u00a0da\u00a0<strong>Calif\u00f3rnia<\/strong>, com 6 mil membros, e que, por s\u00e9culos, habitam as margens do rio e pescam salm\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cVivemos uma crise. Pelo terceiro ano, a pesca comercial est\u00e1 suspensa. S\u00f3 \u00e9 permitida a de subsist\u00eancia\u201d, explica\u00a0<strong>Amy Cordalis<\/strong>, advogada.<\/p>\n<p>Para os cerca de mil\u00a0<strong>yurok<\/strong>\u00a0que vivem na\u00a0<strong>reserva ind\u00edgena<\/strong>, a expectativa de melhora est\u00e1 na remo\u00e7\u00e3o de quatro barragens rio acima, inauguradas a partir de 1918 para gerar eletricidade.<\/p>\n<p>\u201cA retirada das barragens \u00e9 vital, \u00e9 t\u00e3o importante que mal d\u00e1 pra expressar em palavras. \u00c9 a solu\u00e7\u00e3o-chave para a sobreviv\u00eancia do salm\u00e3o\u201d, afirma\u00a0<strong>Michael Belchik<\/strong>, pesquisador no\u00a0<strong>Departamento de Pesca da Tribo Yurok<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cImposs\u00edvel\u201d, diz\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/186-noticias\/noticias-2017\/566335-funai-sofre-novo-golpe-ruralistas-mineradoras-e-empreiteiros-agradecem\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Dinamam Tux\u00e1<\/a>, lideran\u00e7a ind\u00edgena da Bahia, sobre a possibilidade de retirada de uma\u00a0<strong>barragem<\/strong>\u00a0no\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0para a restaura\u00e7\u00e3o de um rio.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1980, os\u00a0<strong>tux\u00e1s<\/strong>\u00a0foram removidos de suas terras para a constru\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>hidrel\u00e9trica de Itaparica<\/strong>, no rio\u00a0<strong>S\u00e3o Francisco<\/strong>. As ilhas f\u00e9rteis onde plantavam e coletavam foram alagadas. Levados para uma vila, nunca mais tiveram o territ\u00f3rio demarcado.<\/p>\n<p>\u201cNosso modo de vida morreu junto com o barramento do\u00a0<strong>S\u00e3o Francisco<\/strong>\u201d, diz os impactos da remo\u00e7\u00e3o das aldeias tux\u00e1 do territ\u00f3rio tradicional.<\/p>\n<p>\u00c0s v\u00e9speras da\u00a0<strong>Global Climate Action<\/strong>, confer\u00eancia organizada pelo governo da\u00a0<strong>Calif\u00f3rnia<\/strong>\u00a0para impulsionar medidas contra\u00a0<strong>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong>, entre os dias 12 e 14 de setembro, ind\u00edgenas de todo o mundo se reuniram no territ\u00f3rio independente\u00a0<strong>yurok<\/strong>\u00a0para unificar suas demandas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o importa que falemos l\u00ednguas diferentes. N\u00f3s monitoramos os recursos naturais e vemos como a Terra est\u00e1 reagindo \u00e0s\u00a0<strong>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong>. Acreditamos que o conhecimento tradicional dos\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/eventos\/566831-mudancas-climaticas-comprometem-modo-de-vida-de-povos-indigenas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">povos ind\u00edgenas<\/a>\u00a0\u00e9 parte da solu\u00e7\u00e3o\u201d, afirma\u00a0<strong>Javier Kinney<\/strong>, diretor do governo yurok.<\/p>\n<p>A retirada das\u00a0<strong>barragens<\/strong>\u00a0no\u00a0<strong>Klamath<\/strong>\u00a0est\u00e1 marcada para janeiro de 2021.\u00a0<strong>Yurok<\/strong>, fazendeiros e empresa iniciaram a negocia\u00e7\u00e3o h\u00e1 mais de dez anos, depois da morte de mais de 34 mil peixes, em 2002.<\/p>\n<p>\u201cFoi um chamado que nos mostrou que, se n\u00e3o fiz\u00e9ssemos nada, o salm\u00e3o desapareceria para sempre\u201d, narra\u00a0<strong>Cordalis<\/strong>, que decidiu estudar Direito e defender os\u00a0<strong>yurok<\/strong>\u00a0depois do epis\u00f3dio.<\/p>\n<p>Em menor vaz\u00e3o e mais quente, o\u00a0<strong>Klamath<\/strong>\u00a0deixou de ser um ref\u00fagio para o salm\u00e3o, que precisa de \u00e1guas frias para se reproduzir. \u201cCom o derretimento das geleiras, a temperatura da \u00e1gua subiu e o peixe est\u00e1 sumindo\u201d, diz\u00a0<strong>Belchik<\/strong>.<\/p>\n<p>As milhares de p\u00e1ginas de estudos produzidas pelos\u00a0<strong>yurok<\/strong>\u00a0deram base o acordo. \u201cA ci\u00eancia mostrou que, se remov\u00eassemos as represas e limit\u00e1ssemos a quantidade de \u00e1gua para as fazendas rio acima, a qualidade da \u00e1gua melhoraria, e o peixe ganharia passagem para se reproduzir\u201d, resume\u00a0<strong>Belchik<\/strong>.<\/p>\n<p>O argumento econ\u00f4mico ajudou a convencer a empresa\u00a0<strong>PacifiCorp<\/strong>. \u201cOs custos de modernizar as represas e providenciar passagens de peixes seriam mais altos que tirar as barragens\u201d, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>Para\u00a0<strong>Tuntiak Katan<\/strong>, da\u00a0<strong>Coica<\/strong>\u00a0(<strong>Coordena\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas da Bacia Amaz\u00f4nica<\/strong>), o exemplo \u00e9 surpreendente. \u201cSomos massacrados e mortos por aqueles que roubam nossa madeira e poluem nossos rios\u201d, comenta, sobre a viol\u00eancia contra lideran\u00e7as na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/581677-os-territorios-desapropriados-e-a-mudanca-climatica-colocam-os-povos-indigenas-em-perigo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Am\u00e9rica Latina<\/a>. \u201cOs\u00a0<strong>yurok<\/strong>\u00a0s\u00e3o um modelo de que \u00e9 poss\u00edvel construir uma rela\u00e7\u00e3o de respeito, como fez o governo da\u00a0<strong>Calif\u00f3rnia<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>Reserva Yurok<\/strong>\u00a0foi criada em 1855 ao longo do rio\u00a0<strong>Klamath<\/strong>, \u00e1rea habitada tradicionalmente pelos\u00a0<strong>ind\u00edgenas<\/strong>. A regi\u00e3o \u00e9 formada por montanhas cobertas por florestas, onde a \u00e1rvore s\u00edmbolo da etnia, a gigante sequoia sempervirens, ocupa atualmente pequenas por\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pressionada pela corrida do ouro na bacia do\u00a0<strong>Klamath<\/strong>, no fim do s\u00e9culo 19, parte da reserva foi ocupada e, d\u00e9cadas depois, madeireiras se instalaram no local. Brigas na\u00a0<strong>Justi\u00e7a<\/strong>\u00a0garantiram aos\u00a0<strong>yurok<\/strong>\u00a0o direito de manter a reserva \u2013 o foco dos l\u00edderes \u00e9 readquirir territ\u00f3rios perdidos e frear a\u00a0<strong>degrada\u00e7\u00e3o ambiental<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 pelos menos 20 anos, n\u00f3s assistimos aos impactos das mudan\u00e7as nos padr\u00f5es do clima: nas \u00e1guas no\u00a0<strong>Klamath<\/strong>, no aumento da temperatura da \u00e1gua, nos riachos secos, nos inc\u00eandios florestais\u201d, pontua\u00a0<strong>Javier Kinney<\/strong>.<\/p>\n<p>Em 2011, os\u00a0<strong>yurok<\/strong>\u00a0se tornaram os primeiros ind\u00edgenas a fazer parte de um programa do\u00a0<strong>governo da Calif\u00f3rnia<\/strong>\u00a0criado para diminuir as\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/576099-remocao-de-subsidios-para-combustiveis-fosseis-nao-reduzira-as-emissoes-de-co2-tanto-quanto-esperado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">emiss\u00f5es de CO2<\/a>, principal causador das\u00a0<strong>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong>.<\/p>\n<p>O programa estabeleceu um mercado de venda e compra de carbono: as ind\u00fastrias que emitem mais\u00a0<strong>CO2<\/strong>\u00a0que o permitido poderiam \u201cabater\u201d o excesso comprando de quem tem carbono guardado. Um desses estoques est\u00e1 nas florestas dos\u00a0<strong>yurok<\/strong>, que se transformaram em cr\u00e9dito.<\/p>\n<p><strong>Jim Woods<\/strong>, deputado estadual e membro da\u00a0<strong>Associa\u00e7\u00e3o de Cientistas Profissionais (CAPS)<\/strong>, destaca ainda o ganho ambiental. \u201cAs sequoias em algumas das \u00e1reas dos\u00a0<strong>yurok<\/strong>\u00a0capturam mais carbono do que qualquer outra \u00e1rvores no planeta\u201d, comenta resultados de estudos cient\u00edficos. Desde ent\u00e3o, as florestas conservadas dos yurok renderam, em cr\u00e9ditos de carbono, dinheiro suficiente para comprar 200 km2 das antigas terras.<\/p>\n<p>Os dias com os\u00a0<strong>yurok<\/strong>\u00a0mostraram a\u00a0<strong>Val\u00e9ria Paye<\/strong>, da\u00a0<strong>Apib<\/strong>\u00a0(<strong>Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil<\/strong>), as dificuldades comuns. \u201cTantos eles como n\u00f3s temos a preocupa\u00e7\u00e3o de manter nossas florestas, demarcar nossos territ\u00f3rios. Estamos unidos para mostrar para o mundo que, ao fazer isso, ajudamos a combater as\u00a0<strong>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong>\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recupera\u00e7\u00e3o de rio e manejo sustent\u00e1vel de florestas s\u00e3o prioridades para\u00a0povo yurok, maior etnia da\u00a0Calif\u00f3rnia.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Recupera\u00e7\u00e3o de rio e manejo sustent\u00e1vel de florestas s\u00e3o prioridades para\u00a0povo yurok, maior etnia da\u00a0Calif\u00f3rnia.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92131"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92131"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92131\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92131"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92131"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92131"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}