{"id":91475,"date":"2018-09-03T17:44:03","date_gmt":"2018-09-03T20:44:03","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=91475"},"modified":"2018-09-03T17:45:02","modified_gmt":"2018-09-03T20:45:02","slug":"pesquisadores-desvendam-fases-no-desenvolvimento-da-cana-de-acucar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisadores-desvendam-fases-no-desenvolvimento-da-cana-de-acucar\/","title":{"rendered":"Pesquisadores desvendam fases no desenvolvimento da cana-de-a\u00e7\u00facar"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/cana_acucar.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-91476\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/cana_acucar-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/cana_acucar-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/cana_acucar.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A capacidade da cana-de-a\u00e7\u00facar de acumular altos n\u00edveis de biomassa e de sacarose no colmo ao longo de seu desenvolvimento tornou a planta a mais usada para obter a\u00e7\u00facar e a segunda maior mat\u00e9ria-prima para produ\u00e7\u00e3o de etanol no mundo.<\/p>\n<p>J\u00e1 se sabia que a acumula\u00e7\u00e3o de biomassa e de sacarose pela planta est\u00e1 relacionada ao uso de metab\u00f3litos, como carboidratos n\u00e3o estruturais (NSCs), produzidos pelo processo de fotoss\u00edntese durante o dia. N\u00e3o estava claro como as condi\u00e7\u00f5es ambientais e os est\u00e1gios de desenvolvimento da cana influenciam a produ\u00e7\u00e3o de NSCs e afetam o crescimento da planta.<\/p>\n<p>Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (IB-USP), publicado na revista\u00a0<i>Functional Plant Biology<\/i>, ajudou a esclarecer essa quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Os resultados do estudo, feito no \u00e2mbito do\u00a0<b><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/97251\/inct-2014-instituto-nacional-de-ciencia-e-tecnologia-do-bioetanol\/\" target=\"_blank\">Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia do Bioetanol<\/a><\/b>\u00a0\u2013 um dos\u00a0<b><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/174\/cnpq-institutos-nacionais-de-ciencia-e-tecnologia-incts\/\" target=\"_blank\">INCTs<\/a><\/b>\u00a0apoiados pela FAPESP em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) no Estado de S\u00e3o Paulo \u2013, podem contribuir para o desenvolvimento de estrat\u00e9gias voltadas a aumentar a produ\u00e7\u00e3o de biomassa pela cana.<\/p>\n<p>\u201cDescrevemos, pela primeira vez, o comportamento diuturno da cana, no campo, durante todo um ciclo de desenvolvimento. Com isso, fizemos algumas descobertas interessantes e estrat\u00e9gicas na dire\u00e7\u00e3o do nosso objetivo de produzir uma \u2018supercana\u2019 [capaz de acumular biomassa e altos teores de fibra rapidamente]\u201d, disse\u00a0<b><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/284\" target=\"_blank\">Marcos Buckeridge<\/a><\/b>, professor do IB-USP e um dos autores do estudo, \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>Os pesquisadores acompanharam um ciclo completo de crescimento da cana, de 12 meses, em campo, 24 horas por dia, em uma fazenda em Piracicaba, no interior de S\u00e3o Paulo. Eles analisaram par\u00e2metros, como as trocas gasosas pelas folhas e a acumula\u00e7\u00e3o de NSCs durante diferentes est\u00e1gios de desenvolvimento da planta.<\/p>\n<p>Os resultados das an\u00e1lises dos dados indicaram que a cana apresenta uma transi\u00e7\u00e3o entre tr\u00eas e seis meses de desenvolvimento, em que passa de um \u201cmodo\u201d de crescimento para outro de armazenamento.<\/p>\n<p>At\u00e9 os tr\u00eas a quatro meses de desenvolvimento, em que s\u00e3o registradas as maiores taxas de fotoss\u00edntese, a cana forma uma copa operacional, com um determinado n\u00famero de folhas. Ap\u00f3s atingir esse est\u00e1gio e at\u00e9 os seis meses de desenvolvimento, a cada folha produzida pela planta outra folha \u2013 geralmente da parte mais abaixo da copa \u2013 come\u00e7a a envelhecer. Dessa forma, a cana mant\u00e9m um determinado n\u00famero de folhas.<\/p>\n<p>A partir dos seis meses, a planta come\u00e7a a armazenar sacarose, no colmo e nas ra\u00edzes, e amido nas folhas at\u00e9 os 12 meses. Nessa fase, a cana-de-a\u00e7\u00facar praticamente deixa de fazer fotoss\u00edntese e est\u00e1 pronta para ser cortada e usada para produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar e etanol.<\/p>\n<p>\u201cSab\u00edamos que a cana acumula a\u00e7\u00facares durante a fase de desenvolvimento de seis a 12 meses, mas constatamos, agora, que isso acontece ao mesmo tempo em que diminui gradativamente a fotoss\u00edntese nas folhas, onde h\u00e1 um ac\u00famulo muito grande de amido aos 12 meses\u201d, disse\u00a0<b><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/14528\" target=\"_blank\">Amanda Pereira de Souza<\/a><\/b>, que fez p\u00f3s-doutorado no IB-USP com\u00a0<b><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/126010\/efeito-do-alto-co2-e-do-estresse-hidrico-sobre-o-metabolismo-e-a-fisiologia-da-cana-de-acucar-uma-a\/\" target=\"_blank\">Bolsa da FAPESP<\/a><\/b>\u00a0e \u00e9 primeira autora do estudo.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m observaram que os a\u00e7\u00facares que ficam guardados na raiz da cana cortada e mantida no solo ap\u00f3s a soca para rebrotar e iniciar um novo ciclo ajudam a regenerar a parte inicial do desenvolvimento da nova planta.<\/p>\n<p><b>Mais sacarose e amido<\/b><\/p>\n<p>Outra descoberta foi a de que as folhas da cana abrem seus est\u00f4matos (estruturas celulares que t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de realizar trocas gasosas entre a planta e o meio ambiente) para absorver \u00e1gua durante a madrugada, em que a umidade \u00e9 mais alta, entre seis e nove meses de desenvolvimento, quando a planta passa por um per\u00edodo de seca e faz menos fotoss\u00edntese.<\/p>\n<p>\u201cAchamos que isso pode estar relacionado com um mecanismo fisiol\u00f3gico de prote\u00e7\u00e3o da planta contra a seca\u201d, disse Buckeridge.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do pesquisador, a detec\u00e7\u00e3o do ponto de transi\u00e7\u00e3o da cana entre tr\u00eas e seis meses de desenvolvimento, em que passa da fase de crescimento para a de armazenamento de sacarose, abre a perspectiva de ativar e desativar genes que determinam o processo de ac\u00famulo de a\u00e7\u00facares em diferentes partes da planta.<\/p>\n<p>\u201cO entendimento de como cada \u00f3rg\u00e3o controla o ac\u00famulo de a\u00e7\u00facares na mesma planta abre caminho para o desenvolvimento tanto de uma cana com mais sacarose nas folhas ou uma cana com mais amido no colmo. Ambas as estrat\u00e9gias podem ser interessantes em diferentes situa\u00e7\u00f5es\u201d, disse Buckeridge.<\/p>\n<p>J\u00e1 a descoberta de que as folhas da cana abrem seus est\u00f4matos para absorver \u00e1gua na madrugada durante o per\u00edodo de seca pode possibilitar a identifica\u00e7\u00e3o de variedades mais tolerantes ao estresse h\u00eddrico.<\/p>\n<p>\u201cIsso abre um leque de novas oportunidades para entendermos o efeito da seca sobre a cana, inclusive aspectos relacionados \u00e0s suas respostas \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Diurnal variation in gas exchange and nonstructural carbohydrates throughout sugarcane development<\/i>\u00a0(doi: 10.1071\/FP17268), de Amanda P. De Souza, Adriana Grandis, Bruna C. Arenque-Musa e Marcos S. Buckeridge, pode ser lido na revista\u00a0<i>Functional Plant Biology<\/i>\u00a0em\u00a0<b><a href=\"http:\/\/www.publish.csiro.au\/FP\/FP17268\" target=\"_blank\">www.publish.csiro.au\/FP\/FP17268<\/a><\/b><a>.\u00a0<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A capacidade da cana-de-a\u00e7\u00facar de acumular altos n\u00edveis de biomassa e de sacarose no colmo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":91476,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/cana_acucar.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/cana_acucar-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/cana_acucar-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/cana_acucar.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/cana_acucar.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/cana_acucar.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/cana_acucar.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/cana_acucar.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/cana_acucar.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/cana_acucar.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A capacidade da cana-de-a\u00e7\u00facar de acumular altos n\u00edveis de biomassa e de sacarose no colmo","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91475"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=91475"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91475\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/91476"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91475"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=91475"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91475"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}