{"id":91416,"date":"2018-09-02T18:46:51","date_gmt":"2018-09-02T21:46:51","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=91416"},"modified":"2018-09-02T18:50:21","modified_gmt":"2018-09-02T21:50:21","slug":"olhar-ampliado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/olhar-ampliado\/","title":{"rendered":"Olhar ampliado"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/foot-tracks-to-sunshine-on-horizon-PHWSUYP-800x445.jpg\" alt=\"Elements\" width=\"638\" height=\"355\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\"><em>Investimentos sociais de empresas se voltam para o desenvolvimento territorial, com o desafio de operar pela l\u00f3gica do bem comum \u2013 e n\u00e3o s\u00f3 do privado<\/em><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">H\u00e1<\/span><span class=\"s1\">\u00a0uma transforma\u00e7\u00e3o em curso na forma como os investimentos sociais das empresas est\u00e3o sendo executados. Se h\u00e1 menos de duas d\u00e9cadas a maioria das empresas no Brasil mantinha seus investimentos sociais desvinculados dos neg\u00f3cios, independentes das pol\u00edticas p\u00fablicas e desconectados de agendas globais de desenvolvimento, hoje esse cen\u00e1rio est\u00e1 mudando. Com o passar dos anos, a cultura de a\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas foi sendo substitu\u00edda por uma preocupa\u00e7\u00e3o crescente das companhias em buscar novos significados para seus investimentos no campo social \u2013 e isso inclui<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0\u00a0<\/span>estrat\u00e9gias de atua\u00e7\u00e3o social vinculadas ao\u00a0<em>core business<\/em>\u00a0das empresas e, ao mesmo tempo, ao territ\u00f3rio onde est\u00e3o presentes.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\">O alinhamento aos neg\u00f3cios se reflete na concentra\u00e7\u00e3o dos investimentos sociais nas comunidades no entorno dos empreendimentos, com o objetivo de promover o desenvolvimento do territ\u00f3rio, al\u00e9m de mitigar as externalidades geradas pelas atividades econ\u00f4micas. Esse movimento j\u00e1 aparece nas estat\u00edsticas: as duas principais pesquisas nacionais sobre Investimento Social Privado (ISP) apontam para a tend\u00eancia de intensificar a dimens\u00e3o territorial.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\">O\u00a0<i>Benchmarking do Investimento Social Corporativo (Bisc)<\/i>, levantamento anual realizado desde 2008 pela ONG Comunitas, mostra que 75% das organiza\u00e7\u00f5es realizaram projetos sociais corporativos voltados ao desenvolvimento territorial em 2016 \u2013 em 2011, eram 45%. J\u00e1 o Grupo de Institutos, Funda\u00e7\u00f5es e Empresas (Gife) apurou que 48% dos institutos e funda\u00e7\u00f5es empresariais investem em desenvolvimento local, comunit\u00e1rio ou de base, o que configura a \u00e1rea como a quinta na lista de temas priorit\u00e1rios, atr\u00e1s de educa\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o de jovens, cultura e artes, e apoio a organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">O ISP com foco em territ\u00f3rio tamb\u00e9m foi tema de estudo do mais recente ciclo da Iniciativa Empresarial Desenvolvimento Local e Grandes Empreendimentos (ID Local) do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGVces), que tem o prop\u00f3sito de articular o setor empresarial para reflex\u00e3o, troca de experi\u00eancias e constru\u00e7\u00e3o de diretrizes para o desenvolvimento local, especialmente em regi\u00f5es carentes do Brasil.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\">Ao longo de 2017, foram realizados encontros com um universo de 22 empresas participantes da ID Local, que resultou em um conjunto de princ\u00edpios e diretrizes para o chamado ISP Territorial (ISP-T). Eles abrangem desde estrat\u00e9gias de entrada e de sa\u00edda \u2013 ou seja, como iniciar um processo de ISP-T, geralmente come\u00e7ando por um diagn\u00f3stico amplo socioterritorial, e como concluir o ciclo de investimento sem desamparar a localidade \u2013, desenvolvimento de capacidades locais, monitoramento e mensura\u00e7\u00e3o de impactos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">De acordo com L\u00edvia Pagotto, pesquisadora da ID Local, o investimento social foi tornando-se mais sofisticado e estrat\u00e9gico por dois principais motivos: a inten\u00e7\u00e3o das empresas de alinhar suas a\u00e7\u00f5es sociais aos neg\u00f3cios e tamb\u00e9m pela necessidade de aproxima\u00e7\u00e3o com as pol\u00edticas p\u00fablicas. \u201cO ISP territorial n\u00e3o deveria ser considerado um tipo de investimento social, mas sim uma abordagem. Usa das capacidades e do protagonismo local\u201d, explica. Outra caracter\u00edstica do ISP-T \u00e9 ser determinado pelas voca\u00e7\u00f5es do lugar, que s\u00e3o sempre \u00fanicas, e esse contexto particular torna a estrat\u00e9gia dif\u00edcil de ser repetida. N\u00e3o h\u00e1 uma \u201creceita de bolo\u201d para o ISP-T.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\">A Funda\u00e7\u00e3o Bunge, que atua com programas de desenvolvimento territorial no Par\u00e1 e Tocantins, sentiu isso na pele. Um dos principais problemas enfrentados pela Bunge, que tem opera\u00e7\u00f5es de log\u00edstica nas cidades paraenses de Barcarena e Itaituba, \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o sexual de crian\u00e7as e adolescentes. Quando a empresa se deparou com a quest\u00e3o, n\u00e3o havia uma rede de enfrentamento do problema e de assist\u00eancia \u00e0s v\u00edtimas nessas localidades \u2013 nem mesmo a percep\u00e7\u00e3o, por parte da popula\u00e7\u00e3o, de que o abuso era uma viola\u00e7\u00e3o de direitos. O trabalho teve de come\u00e7ar da base, pois apenas uma campanha educativa voltada aos colaboradores n\u00e3o resolveria a quest\u00e3o, explica Claudia Calais, diretora-executiva da Funda\u00e7\u00e3o Bunge.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s2\">A a\u00e7\u00e3o foi dividida em tr\u00eas frentes: dentro da empresa, com sensibiliza\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros e aquavi\u00e1rios, que s\u00e3o os profissionais que dirigem embarca\u00e7\u00f5es nas hidrovias que transportam carga na regi\u00e3o. Esses atores foram escolhidos como p\u00fablico-alvo em raz\u00e3o do envolvimento de caminhoneiros com a prostitui\u00e7\u00e3o infantil e para evitar que o mesmo ocorresse entre os operadores das embarca\u00e7\u00f5es; mudan\u00e7as nos contratos com os fornecedores, com cl\u00e1usulas exigindo que monitorassem a quest\u00e3o; e apoio \u00e0 pol\u00edtica p\u00fablica, com um fluxo de trabalho definido com 80 entidades\u00a0<\/span><span class=\"s1\">ao longo de tr\u00eas anos, com cria\u00e7\u00e3o de um banco de dados, aplicativo\u00a0<\/span>para den\u00fancias e apoio \u00e0s institui\u00e7\u00f5es para o acolhimento das crian\u00e7as. As a\u00e7\u00f5es contaram com a parceria da Childhood Brasil, que tem um programa voltado ao combate da prostitui\u00e7\u00e3o infantil nas estradas. \u201cA empresa pode ajudar a sensibilizar, mas n\u00e3o tem o poder de fiscaliza\u00e7\u00e3o. O nosso papel foi fortalecer essa rede\u201d, afirma Calais.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">No Tocantins, os desafios da Bunge eram outros. No munic\u00edpio de Pedro Afonso, onde a empresa construiu uma usina de a\u00e7\u00facar, \u00e1lcool e produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, faltava qualifica\u00e7\u00e3o dos trabalhadores locais, especialmente jovens \u2013 mais de 60% dos jovens at\u00e9 25 anos tinham, no m\u00e1ximo, quatro anos de estudo. A usina come\u00e7ou a operar em 2011 com 60% da m\u00e3o de obra vinda de outros estados, mas investiu, por meio da Funda\u00e7\u00e3o, em um programa de qualifica\u00e7\u00e3o em parceria com a prefeitura. Em dois anos, reverteu o quadro e passou a contar com 63% de m\u00e3o de obra local.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">O mesmo ocorreu com os fornecedores: quando a Bunge chegou ao Tocantins, tinha menos de 1% de fornecedores locais. Dois anos depois, ap\u00f3s um trabalho desenvolvido em parceria com o Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), 27% dos fornecedores passaram a ser da regi\u00e3o, que experimentou mudan\u00e7as na din\u00e2mica econ\u00f4mica local \u2013 mais postos de trabalho, aumento da arrecada\u00e7\u00e3o e diversifica\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio. \u201cTodo projeto de desenvolvimento territorial come\u00e7a com a licen\u00e7a social para operar, mas com o passar dos anos migramos para a gera\u00e7\u00e3o de valor compartilhado. A empresa ganha com isso: quanto mais desenvolvido um territ\u00f3rio, melhor para a companhia\u201d, diz Calais.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><b>Sintonia<\/b><\/p>\n<p class=\"p4\">Os n\u00fameros do\u00a0<i>Bisc 2017<\/i>\u00a0refor\u00e7am a aproxima\u00e7\u00e3o das empresas com as principais for\u00e7as operantes nos territ\u00f3rios. Em 2016, 81% das empresas afirmaram assegurar canais de di\u00e1logo com as comunidades (eram 64% em 2011); 69% participam da formula\u00e7\u00e3o e\/ou execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas locais (eram 55% em 2011) e 69% est\u00e3o articulando com outras companhias para promover o desenvolvimento do territ\u00f3rio (59% em 2011). \u201cQuando a empresa aproxima o investimento social dos neg\u00f3cios, o entorno fica mais importante. Uma das motiva\u00e7\u00f5es \u00e9 deixar um legado onde elas est\u00e3o\u201d, afirma a soci\u00f3loga Anna Peliano, coordenadora do\u00a0<i>Bisc<\/i>.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Ela ressalta, contudo, que a prefer\u00eancia por estrat\u00e9gias de desenvolvimento territorial n\u00e3o exclui o investimento social nas causas que as empresas e seus bra\u00e7os sociais julgam importantes. Tanto \u00e9 que, segundo dados do levantamento, a educa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 o setor que recebe mais investimentos das companhias: dos R$i2,4 bilh\u00f5es destinados a projetos sociais no Brasil em 2016, 41% foram para educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\">\u201cN\u00e3o houve uma ruptura com as causas, e sim um caminhar na dire\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias com foco nos territ\u00f3rios\u201d, diz Peliano. Al\u00e9m disso, as empresas est\u00e3o mais expostas \u00e0s demandas da sociedade e hoje s\u00e3o cobradas em m\u00faltiplos canais, como as m\u00eddias sociais \u2013 ent\u00e3o, \u00e9 natural que elas se aproximem de temas que s\u00e3o caros \u00e0s comunidades.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Ao desenvolver suas estrat\u00e9gias de atua\u00e7\u00e3o social, o Instituto Lina Galvani, bra\u00e7o social da Galvani, empresa de minera\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de fertilizantes, deparou-se com a necessidade de se entrosar com a realidade das comunidades no entorno das f\u00e1bricas do grupo. Ap\u00f3s realizar um diagn\u00f3stico no povoado de Angico dos Dias, na cidade de Campo Alegre de Lourdes (BA), onde a empresa tem atividades de minera\u00e7\u00e3o, o Instituto levantou algumas das principais demandas dos cerca de 1 mil moradores, que inclu\u00edam preocupa\u00e7\u00f5es com o acesso \u00e0 \u00e1gua e com a mitiga\u00e7\u00e3o dos impactos da atividade mineradora, especialmente a poeira.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\">Localizado no Pol\u00edgono das Secas e com baixo IDH, o povoado tamb\u00e9m sofria com a falta de mobiliza\u00e7\u00e3o dos moradores na busca por melhorias para a regi\u00e3o. O Instituto montou uma rede de articula\u00e7\u00e3o social envolvendo os moradores, apoiando a comunidade na luta por melhorias em educa\u00e7\u00e3o, acesso a cisternas e fomento \u00e0 economia de base, por meio da cria\u00e7\u00e3o de arranjos produtivos, com hortas comunit\u00e1rias e venda dos\u00a0<span class=\"s1\">produtos, aumentando a renda dos moradores.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Estrat\u00e9gia semelhante foi desenhada para Serra do Salitre (MG), munic\u00edpio do Tri\u00e2ngulo Mineiro com economia baseada na agricultura e que recebeu um empreendimento mineral e industrial da Galvani em 2016. O diagn\u00f3stico apontou para uma grande expectativa com a chegada da empresa ao munic\u00edpio, preocupa\u00e7\u00f5es com a falta de perspectivas para a juventude (estariam capacitados para trabalhar na empresa?)<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0\u00a0<\/span>e verificou-se tamb\u00e9m um potencial tur\u00edstico ainda pouco explorado na regi\u00e3o, com cachoeiras e cen\u00e1rios rurais.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">O trabalho na regi\u00e3o teve como ponto central, ent\u00e3o, o aporte financeiro a projetos que fomentassem o protagonismo dos jovens e o turismo local, por meio da realiza\u00e7\u00e3o de um edital, explica Ricardo Mastroti, diretor executivo do Instituto Lina Galvani. \u201cO investimento social evoluiu de um patamar em que n\u00e3o basta o assistencialismo, \u00e9 preciso pensar em solu\u00e7\u00f5es sintonizadas com as demandas contempor\u00e2neas, como o est\u00edmulo ao empreendedorismo, aos neg\u00f3cios sociais, \u00e0s articula\u00e7\u00f5es que trazem autonomia para as comunidades\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><b>M\u00e9tricas de avalia\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">As evid\u00eancias apontam que o ISP-T est\u00e1 se consolidando no Brasil<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0\u00a0<\/span>e, n\u00e3o obstante a melhora na qualidade dos projetos, os desafios ainda s\u00e3o grandes. Para 73% das empresas, a maior dificuldade \u00e9 mensurar os resultados dos projetos de desenvolvimento territorial, segundo o\u00a0<i>Bisc 2017<\/i>. Algumas organiza\u00e7\u00f5es t\u00eam investido pesado em m\u00e9tricas de avalia\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso do Instituto Votorantim, que apoia projetos nas \u00e1reas de educa\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o p\u00fablica, neg\u00f3cios inclusivos e inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, e entre 2010 e 2012 passou por uma revis\u00e3o estrat\u00e9gica, com o objetivo de aproximar os objetivos do neg\u00f3cio e as demandas sociais identificadas nos territ\u00f3rios onde as empresas do grupo Votorantim operam \u2013 n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas tamb\u00e9m no Peru, na Col\u00f4mbia e na Argentina.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\">\u201cTemos investido muito no processo de monitoramento das metas e na elabora\u00e7\u00e3o de ferramentas e m\u00e9tricas que capturem esses resultados\u201d, diz Ana Bonimani, gerente de gest\u00e3o de programas do Instituto Votorantim. Segundo ela, o instituto acompanhou mais de 150 projetos, que tiveram suas metas alcan\u00e7adas em 95%. E n\u00e3o se trata apenas de objetivos corporativos. \u201cEstamos falando de metas relacionadas ao fortalecimento do ambiente de neg\u00f3cios nos munic\u00edpios, melhoria da economia local, avan\u00e7o nos indicadores de gest\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o e no poder p\u00fablico em geral\u201d, afirma. Em 2017, os investimentos sociais da Votorantim somaram cerca de R$ 127 milh\u00f5es em 144 munic\u00edpios dos quatro pa\u00edses.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Outro desafio para o amadurecimento do ISP-T \u00e9 conseguir separar o prop\u00f3sito de gerar o bem comum, relacionado \u00e0 atua\u00e7\u00e3o social, das demandas inerentes ao neg\u00f3cio, como a busca por certifica\u00e7\u00f5es socioambientais ou mesmo o cumprimento de Termo de Ajustamento de Conduta. H\u00e1 casos em que as empresas tra\u00e7am uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento local para cumprir alguns requisitos exigidos por certifica\u00e7\u00f5es como ISO 14000 e 9000, que nas \u00faltimas revis\u00f5es aumentaram as exig\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o a mapear as expectativas das comunidades do entorno. Tamb\u00e9m \u00e9 o caso do selo florestal FSC, que traz cada vez mais implica\u00e7\u00f5es sociais.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s2\">\u201cTodos esses atores for\u00e7am as empresas a atentar para seus temas de materialidade, por isso as estrat\u00e9gias sociais acabando encontrando os neg\u00f3cios\u201d, diz Vinicius Precioso, s\u00f3cio da consultoria Avesso Sustentabilidade, que j\u00e1 realizou trabalhos de desenvolvimento territorial para empresas como Suzano e Fiat. L\u00edvia Pagotto, do FGVces, alerta para a poss\u00edvel captura do sentido p\u00fablico do ISP-T pela l\u00f3gica privada. \u201cO investimento social n\u00e3o pode se confundir com uma \u00e1rea de neg\u00f3cios da empresa, sen\u00e3o perde credibilidade. Esse \u00e9 um ponto ao qual as empresas precisam estar alertas\u201d, conclui.<\/span><\/p>\n<p><strong>BOX<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cNas metr\u00f3poles, pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o chegam de forma igual a todas as regi\u00f5es\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O Investimento Social Privado voltado aos territ\u00f3rios \u00e9 uma realidade que se consolida no interior do Brasil, especialmente no entorno de grandes empresas e empreendimentos de infraestrutura. Mas ainda n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o disseminado nas metr\u00f3poles e por funda\u00e7\u00f5es e institutos comandados por fam\u00edlias. Para que o conceito se expanda, ser\u00e1 preciso ampliar o olhar do investidor social, na avalia\u00e7\u00e3o de Paula Galeano, superintendente da Funda\u00e7\u00e3o Tide Setubal.<\/p>\n<p>H\u00e1 doze anos atuando no extremo da Zona Leste de S\u00e3o Paulo, em S\u00e3o Miguel Paulista, a funda\u00e7\u00e3o \u2013 ligada \u00e0 tradicional fam\u00edlia fundadora do banco Ita\u00fa \u2013, comandada pela soci\u00f3loga Maria Alice (Neca) Setubal, prop\u00f5e-se a levar o debate sobre territ\u00f3rios para o Investimento Social Privado.<\/p>\n<p>A funda\u00e7\u00e3o come\u00e7ou seu trabalho no bairro como uma organiza\u00e7\u00e3o tradicional do Terceiro Setor: aproximou-se de lideran\u00e7as locais, ajudou a trazer equipamentos p\u00fablicos e realizou atividades culturais e esportivas. Depois, voltou-se para uma maior oferta de servi\u00e7os \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, interven\u00e7\u00f5es em escolas p\u00fablicas e forma\u00e7\u00e3o de professores com metodologias pr\u00f3prias. A partir de 2011, passou a atuar de forma mais intensa na articula\u00e7\u00e3o e na amplia\u00e7\u00e3o de parcerias com agentes locais, institui\u00e7\u00f5es privadas e poder p\u00fablico.<\/p>\n<p>Mesmo seguindo por essa trilha at\u00e9 hoje, a organiza\u00e7\u00e3o ampliou o foco e hoje trabalha com o combate \u00e0s desigualdades sociais nas grandes metr\u00f3poles com base no olhar das periferias. Para Galeano, o territ\u00f3rio importa porque as pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o chegam de forma igualit\u00e1ria a todas as regi\u00f5es. No caso dos grandes centros urbanos, s\u00e3o as periferias que mais sofrem com o descaso. \u201cOs servi\u00e7os prestados na periferia s\u00e3o de pior qualidade \u2013 desde o professor que tem mais alunos por classe em compara\u00e7\u00e3o a um bairro de classe m\u00e9dia, at\u00e9 o posto de sa\u00fade que t\u00eam mais atendimentos por m\u00e9dico\u201d, diz a superintendente. \u201cO poder p\u00fablico tem de olhar para os territ\u00f3rios de forma diferenciada, para que as pol\u00edticas sejam universais\u201d.<\/p>\n<p>Por isso, explica, a Funda\u00e7\u00e3o Tide Setubal opera em duas frentes: em pol\u00edticas urbanas, utilizando o or\u00e7amento p\u00fablico como uma ferramenta de participa\u00e7\u00e3o social; e na busca por novos territ\u00f3rios para atuar, com a identifica\u00e7\u00e3o de projetos que tenham uma vis\u00e3o mais contempor\u00e2nea e menos estigmatizada das periferias. Para isso iniciou um mapeamento em cinco cidades, em parceria com o Instituto Update, que deve ficar pronto no segundo semestre de 2018. O objetivo \u00e9 sintonizar a funda\u00e7\u00e3o com o que as periferias pensam, as inova\u00e7\u00f5es que surgem delas e as novas lideran\u00e7as em destaque.\u00a0<strong>(AV)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Investimentos sociais de empresas se voltam para o desenvolvimento territorial, com o desafio de operar<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Investimentos sociais de empresas se voltam para o desenvolvimento territorial, com o desafio de operar","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91416"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=91416"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91416\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91416"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=91416"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91416"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}