{"id":91288,"date":"2018-08-31T20:17:20","date_gmt":"2018-08-31T23:17:20","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=91288"},"modified":"2018-08-31T20:18:00","modified_gmt":"2018-08-31T23:18:00","slug":"francis-cassol-nos-devemos-um-mundo-vegano-aos-animais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/francis-cassol-nos-devemos-um-mundo-vegano-aos-animais\/","title":{"rendered":"Francis Cassol: \u201cN\u00f3s devemos um mundo vegano aos animais\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"resumo-conteudo\">&#8220;Vamos inspirar cada vez mais pessoas a se sensibilizarem com a dor dos animais&#8221;<\/h2>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/cassol.jpg\" width=\"638\" height=\"425\" \/><\/p>\n<p>Baterista da aclamada banda brasileira de metal\u00a0<a href=\"http:\/\/rageinmyeyes.com\/site\/\">Rage in My Eyes<\/a>\u00a0(antiga Scelerata), que j\u00e1 contou com a participa\u00e7\u00e3o de vocalistas como Paul Di\u2019Anno (ex-Iron Maiden) e Andi Deris (Helloween), o ga\u00facho\u00a0<a href=\"https:\/\/www.franciscassol.com\/\">Francis Cassol<\/a>\u00a0decidiu tornar-se vegano depois de assistir a uma palestra do ativista Gary Yourofsky No YouTube em 25 de junho de 2012. Segundo o m\u00fasico, foi um momento muito marcante em sua vida. \u201cEu n\u00e3o conhecia os detalhes do terror que \u00e9 a ind\u00fastria leiteira, e lembro de desandar a chorar ao final da palestra. Foi o suficiente para eu virar vegano com absoluta convic\u00e7\u00e3o de estar fazendo a coisa certa\u201d, garante.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, Cassol come\u00e7ou a pesquisar e a estudar mais sobre o tema, procurando por livros, palestras e document\u00e1rios. N\u00e3o para convencer a si mesmo de que fez uma boa escolha, mas sim para motivar outras pessoas a seguirem pelo mesmo caminho. \u201cDurante os meus estudos, tamb\u00e9m aprendi sobre o violento impacto ambiental da ind\u00fastria agropecu\u00e1ria e dos benef\u00edcios do veganismo para a sa\u00fade humana\u201d, explica.<\/p>\n<p>Embora a mudan\u00e7a definitiva tenha acontecido em 2012, Francis se recorda que aos oito anos ele decidiu n\u00e3o comer mais animais, por\u00e9m, por influ\u00eancia da fam\u00edlia ele continuou consumindo carne branca por mais alguns anos. \u201cUm dia, visitando uma das minhas av\u00f3s, que morava no campo e tinha cria\u00e7\u00e3o de algumas vacas \u2018de leite\u2019, acabei por conhecer e me afei\u00e7oar a um terneiro. N\u00e3o lembro exatamente dos detalhes, mas eu soube que ele seria morto. \u00a0Sei que ela n\u00e3o fazia disso um neg\u00f3cio, mas ainda assim isso obviamente mexeu muito comigo\u201d, reconhece.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 Vegazeta, Francis Cassol fala um pouco mais da sua hist\u00f3ria com o veganismo e sobre o movimento veggie no metal; al\u00e9m de ativismo em prol dos animais e do trabalho do Rage in My Eyes, que tamb\u00e9m traz na sua forma\u00e7\u00e3o dois membros ovolactovegetarianos.<\/p>\n<p><strong>Francis, pe\u00e7o que voc\u00ea se apresente aos nossos leitores e fale um pouco sobre a sua trajet\u00f3ria.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Meu nome \u00e9 Francis Cassol, sou m\u00fasico e educador musical. Me interessei por tocar um instrumento aos 12 anos de idade ap\u00f3s assistir pela televis\u00e3o a apresenta\u00e7\u00e3o do Guns N\u2019 Roses no Rock in Rio 2. Escolhi a bateria como o meu instrumento. Hoje tenho tr\u00eas discos lan\u00e7ados mundialmente com a banda Scelerata (que tem 16 anos de hist\u00f3ria e recentemente mudou de nome para Rage In My Eyes), sendo que o terceiro disco, \u201cThe Sniper\u201d, teve grande repercuss\u00e3o internacional e sess\u00f5es de bateria gravadas na Alemanha. Com o Scelerata como banda de apoio, tamb\u00e9m fui o baterista oficial do Paul Di\u2019Anno (ex-Iron Maiden) de 2009 a 2014, quando ele foi for\u00e7ado a dar uma pausa na carreira por quest\u00f5es de sa\u00fade. Em 2017, me formei como educador musical e me mudei para Los Angeles. Em LA, gravei o disco da banda Rage In My Eyes, toquei com a vencedora do concurso America\u2019s Got Talent, Bianca Ryan, e tenho me apresentado semanalmente com diversos artistas. Ganhei duas bolsas de estudo para o programa de Performance em Bateria no Musicians Institute (MI), situado em Hollywood, e recentemente me formei sempre com nota A nas disciplinas. H\u00e1 dois meses fechei contrato de endorsement com a Paiste Cymbals, uma das maiores marcas de pratos do mundo. Tamb\u00e9m tenho o apoio das marcas Urbann Boards Drummer Shoes e das Baquetas C. Iba\u00f1ez.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea \u00e9 o vegano da banda e tem tamb\u00e9m dois membros do Rage in My Eyes que n\u00e3o consomem nenhum tipo de carne. Isso de alguma forma tem influenciado em algum aspecto a imagem da banda e a mensagem que voc\u00eas pretendem passar?<\/strong><\/p>\n<p>Quem segue as minhas m\u00eddias sociais sabe que falo abertamente sobre veganismo. Em geral, recebo muito apoio, tanto de veganos quanto de n\u00e3o veganos, mas logicamente cr\u00edticas tamb\u00e9m. Acredito que n\u00e3o existe nenhum outro assunto t\u00e3o urgente como esse. A humanidade tem que resolver essa quest\u00e3o mal resolvida com os animais emergencialmente. Com certeza no momento de escrever letras, a quest\u00e3o animal est\u00e1 presente, mesmo que n\u00e3o explicitamente. As letras do Rage In My Eyes fazem duras cr\u00edticas a uma s\u00e9rie de coisas. Uma delas \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o fria e de indiferen\u00e7a que temos com os problemas alheios. Nesse contexto est\u00e3o tamb\u00e9m os animais. As nossas letras est\u00e3o abertas \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o, mas posso te adiantar o trecho de uma letra de uma m\u00fasica nova que se encaixa muito bem na quest\u00e3o da busca pelos direitos dos animais, mesmo que n\u00e3o trate especificamente sobre isso:<\/p>\n<p><em>Programmed to die,<\/em><\/p>\n<p><em>No place to hide,<\/em><\/p>\n<p><em>The flesh is killing the soul.<\/em><\/p>\n<p><em>Is there some light<\/em><\/p>\n<p><em>Behind those eyes?<\/em><\/p>\n<p><em>No one\u2019s guilty of this crime.<\/em><\/p>\n<p>Eu gostaria de, nos pr\u00f3ximos discos, trazer esse tema de uma forma um pouco mais expl\u00edcita.<\/p>\n<p><strong>Quem assina as m\u00fasicas da banda?<\/strong><\/p>\n<p>Funciona basicamente da seguinte forma. Algum membro da banda apresenta a m\u00fasica ou alguma ideia para os demais, a gente vai pro est\u00fadio e trabalha a m\u00fasica at\u00e9 ela ficar lapidada e bonita. A gente faz quest\u00e3o de tocar as m\u00fasicas juntos, ensaiar, trabalhar detalhes e arranjos juntos, antes de gravar. Incrivelmente esse \u00e9 um processo raro hoje em dia entre as bandas de metal.<\/p>\n<p>O processo todo \u00e9 bem democr\u00e1tico, temos composi\u00e7\u00f5es de todos os integrantes. Todos t\u00eam a liberdade de sugerir e opinar sobre a m\u00fasica do outro, deixando assim o ego de lado. Esse disco vai trazer pela primeira vez uma composi\u00e7\u00e3o minha, ent\u00e3o estou bastante animado. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s letras, temos tr\u00eas letristas: eu, o Jonathas Pozo (V) e o Leo Nunes (G).<\/p>\n<p><strong>Quais temas s\u00e3o priorit\u00e1rios na hora de escrever as letras?<\/strong><\/p>\n<p>Esse disco traz temas bastante filos\u00f3ficos, por\u00e9m posso resumir da seguinte forma. Ele tem como conceito principal a frieza, gan\u00e2ncia, cegueira e invers\u00e3o de valores que v\u00eam crescendo e se mostrando cada vez mais presente, de forma geral, na humanidade. Hoje em dia tudo est\u00e1 \u00e0 venda: as nossas vidas, os nossos sonhos, nossa dignidade, etc. \u00c9 o lado obscuro do homem que vem florescendo lentamente.<\/p>\n<p><strong>A forma\u00e7\u00e3o atual \u00e9 fixa? Quem s\u00e3o os membros mais recentes do Rage in My Eyes?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, a forma\u00e7\u00e3o atual conta com Jonathas Pozo (V), Magnus Wichmann (G), Leo Nunes (G), Pedro Fauth (B) e Francis Cassol (B). Eu e o Magnus participamos de todos os discos do Scelerata, portanto somos os veteranos na banda. O Pozo entrou na banda em 2013 e o Leo e o Pedro em 2015. A entrada desses tr\u00eas m\u00fasicos fant\u00e1sticos foi outro fator que nos levou a modificar\/atualizar o nome da banda de Scelerata para Rage In My Eyes.<\/p>\n<p><strong>Mille Petrozza disse h\u00e1 algum tempo que o movimento veggie no metal est\u00e1 crescendo cada vez mais. Na sua perspectiva, o que tem contribu\u00eddo pra essa preocupa\u00e7\u00e3o maior com os animais e at\u00e9 mesmo com o meio ambiente no cen\u00e1rio do metal?<\/strong><\/p>\n<p>Isso me chama muito a aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. Existem muitos \u2013 e cada vez mais \u2013 m\u00fasicos veganos no heavy metal. Acredito que os m\u00fasicos em geral t\u00eam uma sensibilidade diferenciada, e isso se estende \u00e0 compaix\u00e3o e empatia com os animais. E o mais legal \u00e9 que o pessoal n\u00e3o tem medo de expor esse lado, muitas vezes fazendo quest\u00e3o de postar fotos com os seus companheiros peludos, mostrando que ajudam animais resgatados, etc. Acredito que a informa\u00e7\u00e3o que chega a n\u00f3s \u2013 atrav\u00e9s de v\u00eddeos reais que denunciam o horror da ind\u00fastria de explora\u00e7\u00e3o de animais, pesquisas e estat\u00edsticas que comprovam que a pecu\u00e1ria \u00e9 a grande inimiga do meio ambiente, e cada vez mais estudos feitos por profissionais s\u00e9rios mostrando que a alimenta\u00e7\u00e3o vegana \u00e9 a mais saud\u00e1vel \u2013 n\u00e3o passa desapercebida por esses m\u00fasicos.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea considera importante um m\u00fasico vegano se posicionar em rela\u00e7\u00e3o ao veganismo quando tem a oportunidade, quero dizer, usar a sua visibilidade para chamar a aten\u00e7\u00e3o para a causa animal?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que o m\u00fasico tem at\u00e9 a obriga\u00e7\u00e3o de fazer isso. Quem ama e se preocupa de verdade com os animais tem o dever de ajudar da forma que puder. As m\u00eddias sociais t\u00eam tido um papel fundamental na divulga\u00e7\u00e3o do veganismo e na busca pelos direitos dos animais porque pela primeira vez na hist\u00f3ria n\u00e3o existem filtros da grande imprensa. Os ativistas pelos direitos dos animais n\u00e3o est\u00e3o fazendo isso por autopromo\u00e7\u00e3o ou dinheiro, eles fazem por amor e porque realmente acreditam que o mundo pode mudar. E dessa forma a verdade est\u00e1 chegando mais facilmente \u00e0s pessoas. Se um m\u00fasico tem o poder de influenciar positivamente, chamando a aten\u00e7\u00e3o dos seus f\u00e3s para o horror que \u00e9 a ind\u00fastria da explora\u00e7\u00e3o animal, ele deve sim faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 f\u00e1cil excursionar sendo vegano? Nunca enfrentou nenhuma dificuldade para encontrar comida de qualidade na estrada? \u00c9 preciso preparar alguns alimentos quando sai em turn\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma excelente pergunta. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil encontrar o que comer na estrada, n\u00e3o. Quando a banda est\u00e1 na cidade, facilita um pouco porque as op\u00e7\u00f5es de restaurantes aumentam. Preparar alimentos antes \u00e9 praticamente imposs\u00edvel em uma tour um pouco mais longa porque podem estragar, mas \u00e9 poss\u00edvel levar algumas barrinhas, nozes, frutas, etc. em casos de emerg\u00eancia. Aqui nos EUA existe um Subway a cada esquina, ent\u00e3o numa emerg\u00eancia sempre \u00e9 poss\u00edvel recorrer ao p\u00e3o italiano e pedir para os funcion\u00e1rios trocarem as luvas no momento de preparar o sandu\u00edche vegano.<\/p>\n<p><strong>Como foi a experi\u00eancia de gravar o \u00e1lbum \u201cThe Sniper\u201d no est\u00fadio do Blind Guardian na Alemanha? Com as participa\u00e7\u00f5es especiais do Paul Di\u2019Anno e do Andi Deris. Encontrou algum vegano ou vegetariano por l\u00e1 nessa \u00e9poca?<\/strong><\/p>\n<p>Essa foi uma das experi\u00eancias mais legais que j\u00e1 tive. \u00c9 muito legal ver como cada produtor tem a sua maneira de trabalhar, \u00e9 sempre um grande aprendizado. Eu gravei com o produtor Charlie Bauerfeind, que tem no curr\u00edculo trabalho com bandas como o pr\u00f3prio Blind Guardian, Helloween, Mot\u00f6rhead, Hammerfall, Halford, Angra, entre muitas outras. Essa grava\u00e7\u00e3o ocorreu em 2011, portanto eu era ovolactovegetariano na \u00e9poca. A gente n\u00e3o teve tempo de sair para fazer turismo ou conhecer pessoas, portanto n\u00e3o cheguei a conhecer nenhum veggie por l\u00e1. Por\u00e9m lembro que o Burger King j\u00e1 trazia a op\u00e7\u00e3o de lanche vegano, que eu pedi algumas vezes. Infelizmente, sendo minoria, muitas vezes temos que aceitar ir em lugares como esse, mesmo a contragosto.<\/p>\n<p><strong>O \u00e1lbum mais recente do Rage in My Eyes foi gravado parcialmente em Los Angeles e parcialmente em Porto Alegre, como foi essa experi\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>A raz\u00e3o de termos gravado parcialmente o disco em Los Angeles chama-se Adair Daufembach. Adair \u00e9 um produtor brasileiro, de Crici\u00fama-SC, que \u00e9 simplesmente um dos maiores produtores de metal do mundo. Fazia anos que eu queria trabalhar com ele, e quando esse momento chegou, ele havia se mudado para Los Angeles para abrir o seu est\u00fadio. Resolvemos ent\u00e3o ir atr\u00e1s dele para gravar as baterias pro disco. O Adair sabe tudo sobre grava\u00e7\u00e3o de bateria, por isso fizemos quest\u00e3o de trabalhar com ele. O restante foi gravado em Porto Alegre, sob a produ\u00e7\u00e3o do guitarrista do Rage In My Eyes, Magnus Wichmann. O Adair Daufembach tamb\u00e9m mixou e masterizou o trabalho. O disco est\u00e1 100% finalizado e no momento estamos negociando o lan\u00e7amento.<\/p>\n<p><strong>Como o veganismo est\u00e1 inserido hoje na sua vida? Voc\u00ea gosta de estimular as pessoas a seguirem por esse caminho?<\/strong><\/p>\n<p>O veganismo sem d\u00favida \u00e9 uma das coisas mais importantes na minha vida e tem um papel fundamental na defini\u00e7\u00e3o da minha personalidade e nas minhas a\u00e7\u00f5es di\u00e1rias. Eu estou constantemente pensando nos animais e no que eles est\u00e3o passando. \u00a0Durante esses seis anos de veganismo, fui aprendendo a forma mais eficaz de abordar o tema. A minha indigna\u00e7\u00e3o nos primeiros meses era t\u00e3o grande, eu sentia aquela necessidade de mostrar a verdade, que \u00e0s vezes eu usava palavras agressivas quando n\u00e3o tinha uma resposta positiva por parte das pessoas, o que \u00e9 sempre muito frustrante. Aprendi a trazer informa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o agredir as pessoas, de vez em quando postar fotos de comida, etc. Um ativismo mais passivo, eu diria. \u00c9 um pouco de psicologia: ningu\u00e9m gosta de ouvir que est\u00e1 agindo errado e que est\u00e1 causando tanto mal, mesmo que de forma indireta. Ent\u00e3o \u00e9 preciso ter cuidado com a maneira como o assunto \u00e9 introduzido, para que as pessoas ou\u00e7am e entendam ao inv\u00e9s de implicar com os veganos e com o veganismo. \u00a0Por\u00e9m, incrivelmente, na maior parte das vezes em que esse assunto surge, foi por iniciativa de outra pessoa. Ent\u00e3o procuro aproveitar essas oportunidades em que a pessoa demonstra interesse no tema e em aprender mais. A parte mais dif\u00edcil de ser vegano sequer envolve comida, mas sim ver a indiferen\u00e7a de algumas pessoas que eu sei que s\u00e3o boas, que jamais poderiam matar um animal, mas que n\u00e3o tomam uma atitude a respeito por mera conveni\u00eancia. Mas n\u00e3o podemos desistir dessas pessoas.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 teve alguma experi\u00eancia ruim com algu\u00e9m por ser vegano?<\/strong><\/p>\n<p>Como parei de comer carne quando crian\u00e7a, sempre fui o diferente. Imagine passar a adolesc\u00eancia inteira sendo o diferente, aquele que n\u00e3o come churrasco, cachorro quente, etc. Ent\u00e3o criei um escudo e n\u00e3o deixo qualquer coisa me afetar. Percebo que de uns anos pra c\u00e1, em geral, as pessoas s\u00e3o muito mais respeitosas, e penso que isso se deve ao fato de que no fundo elas sabem que os veganos est\u00e3o certos. Por sorte n\u00e3o tive nenhum problema mais s\u00e9rio com algu\u00e9m em fun\u00e7\u00e3o do meu veganismo.<\/p>\n<p><strong>A proposta de misturar heavy metal com prog metal e elementos de milonga continua ou vem alguma mudan\u00e7a pela frente?<\/strong><\/p>\n<p>Os dois primeiros discos do Scelerata j\u00e1 traziam m\u00fasicas com essa mescla. O talentos\u00edssimo acordeonista Renato Borghetti gravou a m\u00fasica \u201cEndless\u201d no disco Darkness &amp; Light, de 2006, e o n\u00e3o menos incr\u00edvel Mateus Kl\u00e9ber gravou acordeon em duas faixas no disco \u201cSkeletons Domination\u201d, de 2008, incluindo a faixa \u201cForever &amp; Ever\u201d, que \u00e9 uma das minhas preferidas. Temos sim a inten\u00e7\u00e3o de manter essa mescla nos discos futuros, mostrando esse lado do Brasil menos conhecido. Esse lado do Pampa, do Sul que faz frio e que se diferencia do Brasil do carnaval, das praias e do samba. Por\u00e9m n\u00e3o queremos que isso esteja presente em todas as m\u00fasicas. Temos tamb\u00e9m outros elementos a mostrar que \u00e0s vezes n\u00e3o soam t\u00e3o bem com esses instrumentos um tanto quanto inusitados. Cada composi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria e temos que respeit\u00e1-la.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tem alguma hist\u00f3ria para compartilhar, alguma experi\u00eancia que viveu e que merece ser contada envolvendo o veganismo ou os animais?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, gostaria de contar sobre o t\u00eanis sem nada de origem animal que a Urbann Boards Drummer Shoes desenvolveu a partir de um pedido meu. A Urbann Boards \u00e9 uma empresa surgida em 2006 em Novo Hamburgo\/RS, e que desenvolveu uma linha de t\u00eanis voltada exclusivamente aos bateristas. Por\u00e9m todos os modelos utilizavam material de origem animal. Em 2015, o meu amigo Rodrigo Castilhos, dono da empresa, me procurou oferecendo uma parceria. Eu levei alguns dias para retornar, pensando na melhor resposta, porque n\u00e3o queria que ele tivesse a ideia errada. Disse a ele que eu n\u00e3o uso couro e que por isso n\u00e3o me sentiria confort\u00e1vel utilizando o t\u00eanis da empresa. A resposta dele foi surpreendentemente positiva. Ele me respondeu dizendo que desenvolveria um modelo para mim, sem nada de origem animal, e que colocaria no mercado para venda, j\u00e1 que ele conhecia muitos outros bateras veganos. O modelo desenvolvido se chama BLAST e hoje \u00e9 o mais vendido da empresa. Tenho muito orgulho por ter feito parte dessa mudan\u00e7a. A Urbann Boards trabalha com alguns dos maiores nomes da bateria mundial, como Neil Peart, Virgil Donati e Aquiles Priester. Tamb\u00e9m gostaria de citar um projeto que tenho muita vontade de fazer com os m\u00fasicos e amigos Alisson Martinho e Fabr\u00edcio Ara\u00fajo, dois m\u00fasicos veganos que me convidaram para gravar algumas m\u00fasicas para o seu projeto, que abordar\u00e1 exclusivamente temas animalistas e ter\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o exclusiva de m\u00fasicos veganos. N\u00f3s estamos falando sobre isso h\u00e1 mais de ano e j\u00e1 temos seis m\u00fasicas prontas, por\u00e9m estamos com dificuldade de conciliar as nossas agendas para grava\u00e7\u00e3o. Mas vai sair, pode ter certeza!<\/p>\n<p><strong>Francis, h\u00e1 m\u00fasicos na cena do metal que te inspiram como vegano? Ou at\u00e9 mesmo refer\u00eancias que n\u00e3o est\u00e3o relacionadas especificamente com o metal.<\/strong><\/p>\n<p>Sim, a Alissa White-Gluz, vocalista do Arch Enemy, tem feito um bonito trabalho na divulga\u00e7\u00e3o do veganismo. Outro m\u00fasico cujo ativismo sou f\u00e3 \u00e9 o Moby. Fora da m\u00fasica, sou um grande f\u00e3 do ativista australiano James Aspey e da ativista-celebridade brasileira Luisa Mell.<\/p>\n<p><strong>Para finalizar, voc\u00ea acredita na possibilidade de um mundo vegano?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s veganos n\u00e3o temos outra escolha. N\u00f3s devemos um mundo vegano aos animais. N\u00f3s n\u00e3o podemos nunca deixar de lutar por eles, e se n\u00f3s acreditarmos de verdade que o mundo pode ser vegano, vamos inspirar cada vez mais pessoas a se sensibilizarem com a dor dos animais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Vamos inspirar cada vez mais pessoas a se sensibilizarem com a dor dos animais&#8221; Baterista<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"&#8220;Vamos inspirar cada vez mais pessoas a se sensibilizarem com a dor dos animais&#8221; Baterista","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91288"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=91288"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/91288\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91288"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=91288"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91288"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}