{"id":912,"date":"2014-06-07T14:19:50","date_gmt":"2014-06-07T14:19:50","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=912"},"modified":"2014-06-11T11:48:30","modified_gmt":"2014-06-11T11:48:30","slug":"aquecimento-global-a-mentira-premiada-que-ameaca-a-vida-no-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/aquecimento-global-a-mentira-premiada-que-ameaca-a-vida-no-planeta\/","title":{"rendered":"Aquecimento global: a \u201cmentira premiada\u201d que amea\u00e7a a vida no Planeta"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/souza-foto-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-849\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/souza-foto-2.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"128\" \/><\/a>Jos\u00e9 de Souza Silva*<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A humanidade vive mais da mentira que da verdade. A Europa contou sua hist\u00f3ria particular como a hist\u00f3ria universal, mas cada povo tem sua hist\u00f3ria; instituiu 1492 como o ano do descobrimento da Am\u00e9rica, mas a China visitou todos os continentes nos anos 1420, sem inten\u00e7\u00e3o de conquista, reduzindo os \u201cdescobrimentos\u201d posteriores a simples invas\u00f5es; e realizou a classifica\u00e7\u00e3o social da humanidade (civilizados-primitivos) como se existissem ra\u00e7as superiores e inferiores que, cientificamente, n\u00e3o existem. Os Estados Unidos hierarquizam a humanidade em desenvolvidos-subdesenvolvidos como se houvesse um modo de vida superior, o desenvolvimento, e outro inferior, o subdesenvolvimento, mas os povos foram, s\u00e3o e ser\u00e3o sempre diferentes; violam a soberania de outros pa\u00edses para \u201cproteger\u201d a democracia, sem pratic\u00e1-la nos pa\u00edses invadidos; e promovem o terrorismo como o Inimigo P\u00fablico N\u00ba 1 da humanidade, como se o fen\u00f4meno fosse natural, mas ele surge de injusti\u00e7as do mais forte, como a invas\u00e3o do Iraque para controlar seu petr\u00f3leo denunciando armas de destrui\u00e7\u00e3o massiva que nunca existiram. O Banco Mundial prometeu nos anos 1970 o fim da pobreza at\u00e9 o ano 2000, trabalhando s\u00f3 com os pobres, sem enfrentar a opul\u00eancia, fingindo que a pobreza \u00e9 um fen\u00f4meno natural, como se n\u00e3o derivasse do fen\u00f4meno mais amplo e desigual da produ\u00e7\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o da riqueza. A Comiss\u00e3o Brundtland instituiu o \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d como o conceito mais importante do fim do s\u00e9culo XX, que n\u00e3o \u00e9 um conceito, s\u00f3 uma promessa n\u00e3o cumprida: [prometo] atender as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gera\u00e7\u00f5es futuras atenderem suas pr\u00f3prias necessidades. S\u00e3o mentiras t\u00e3o grandes que parecem verdades, como a do aquecimento global.<\/p>\n<p><strong>Mentiras sedutoras<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o cinco s\u00e9culos de mentiras bem contadas. Desde 1492, o objetivo das mentiras globais \u00e9 ocultar o expansionismo inevit\u00e1vel, incontrol\u00e1vel e corrosivo do capitalismo racial, patriarcal, excludente e ecocida cuja fome insaci\u00e1vel devora mercados cativos, mat\u00e9ria prima abundante, m\u00e3o de obra barata, mentes d\u00f3ceis e corpos disciplinados, enquanto viola o humano, o social, o cultural, o ecol\u00f3gico e o \u00e9tico nos territ\u00f3rios usurpados, imagin\u00e1rios destru\u00eddos, saberes silenciados e sonhos abortados. Para evitar que o capitalismo seja visto como o inimigo da vida, as pot\u00eancias ocidentais nos mant\u00e9m ref\u00e9ns de mitos civilizat\u00f3rios, o progresso no passado e o desenvolvimento no presente, ideias vazias e amb\u00edguas, mas sedutoras, que ocultam a natureza do sistema. O saber (ci\u00eancia) \u00e9 subordinado ao poder (pol\u00edtica) para servir ao capital em detrimento da vida (\u00e9tica) numa estrat\u00e9gia cujo sucesso depende da legitimidade da dicotomia superior-inferior que d\u00e1 ao mais forte o direito \u00e0 domina\u00e7\u00e3o e exige do mais d\u00e9bil a obriga\u00e7\u00e3o da obedi\u00eancia. A cumplicidade entre o poder e o saber \u00e9 constatada, por exemplo, na penetra\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do capital na agricultura; antes na coloniza\u00e7\u00e3o imperial, hoje na globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal, para \u201cfazer dinheiro\u201d onde h\u00e1 opul\u00eancia, n\u00e3o para alimentar onde h\u00e1 fome.<\/p>\n<p>A Europa legou muitas das mentiras globais. Entre elas: a coloniza\u00e7\u00e3o como um miss\u00e3o nobre e o progresso como certeza de prosperidade e felicidade para todos. Essas mentiras integraram o modelo de desenvolvimento induzido do Novo Mundo, no qual o \u201cdireito do mais forte\u201d, constitutivo da dicotomia superior-inferior, se ocultou na \u201cideia de progresso\u201d, ou seja, capitalismo, que exige a ado\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, tecnologia e cultura ocidentais. Para legitimar a coloniza\u00e7\u00e3o como uma iniciativa filantr\u00f3pica, na qual os civilizados ajudariam os primitivos a ser como Eles, o poderoso generoso fingiu transferir tecnologia do Velho para o Novo Mundo, mas resultou na institucionaliza\u00e7\u00e3o internacional da desigualdade no desenvolvimento da agricultura tropical, para subordinar o poder transformador das ci\u00eancias agr\u00e1rias ao poder econ\u00f4mico de seu tempo. Desde 1492, os benef\u00edcios de cada avan\u00e7o paradigm\u00e1tico nas ci\u00eancias agr\u00e1rias s\u00e3o apropriados principalmente pelas pot\u00eancias ocidentais atrav\u00e9s de um tipo particular de institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando prevaleceu a Bot\u00e2nica Econ\u00f4mica, que observa, identifica, classifica e compara, mas n\u00e3o transforma, a ci\u00eancia imperial usou Jardins Bot\u00e2nicos para pesquisar, em diferentes latitudes, o comportamento de plantas tropicais \u00fateis \u00e0 economia dos imp\u00e9rios. Em 1800 j\u00e1 existiam 1600 jardins bot\u00e2nicos na \u00c1frica, Am\u00e9rica Latina e \u00c1sia. No Brasil, a cria\u00e7\u00e3o do Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro, originalmente chamado Esta\u00e7\u00e3o de Aclimata\u00e7\u00e3o, foi parte dessa estrat\u00e9gia institucional. Com a emerg\u00eancia da Qu\u00edmica Agr\u00edcola no s\u00e9culo XIX, que interv\u00e9m no desempenho produtivo das plantas com o uso de nutrientes qu\u00edmicos, a ci\u00eancia colonial usou Esta\u00e7\u00f5es Experimentais Agr\u00edcolas para investigar plantas tropicais de interesse da Europa. Em 1900 j\u00e1 existiam 800 esta\u00e7\u00f5es experimentais nos tr\u00f3picos. A cria\u00e7\u00e3o do Instituto Agron\u00f4mico de Campinas (IAC) no Brasil, inicialmente denominado Esta\u00e7\u00e3o Imperial, respondeu a esta estrat\u00e9gia institucional. Com a ascens\u00e3o da Gen\u00e9tica Mendeliana no s\u00e9culo XX, na qual um h\u00edbrido corresponde a uma patente biol\u00f3gica, foram criados Centros Internacionais de Pesquisa Agr\u00edcola (CIPAs) nas regi\u00f5es de origem\/diversidade gen\u00e9tica dos cultivos agr\u00edcolas cr\u00edticos para a humanidade, para que a ci\u00eancia internacional facilitasse o acesso do Norte temperado aos recursos gen\u00e9ticos do Sul tropical. Hoje existem 15 CIPAs. No Brasil, a cria\u00e7\u00e3o da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) n\u00e3o foi aut\u00f3ctone; respondeu \u00e0 estrat\u00e9gia institucional dos Estados Unidos para criar Institutos Nacionais de Investiga\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola (INIAs) que deveriam ser contrapartes dos CIPAs.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia hoje det\u00e9m o poder de alterar o c\u00f3digo da vida. Com a Biologia moderna reeditando o c\u00f3digo gen\u00e9tico de vegetais, animais e microrganismos, para escrever a gram\u00e1tica econ\u00f4mica das corpora\u00e7\u00f5es transnacionais que exigem uma agricultura transg\u00eanica, foi criada a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) para controlar o conhecimento gerado pela ci\u00eancia comercial que reduz a natureza a servi\u00e7os ambientais privatiz\u00e1veis e bio-commodities mercantiliz\u00e1veis. Essa e outras estrat\u00e9gias para ocultar o capitalismo continuam legitimadas pelos mitos do progresso e do desenvolvimento, dirigindo a aten\u00e7\u00e3o da humanidade \u00e0s causas imediatas de sua vulnerabilidade, vinculando-as a \u201cproblemas de desenvolvimento\u201d, como as emiss\u00f5es de CO2 derivadas da atividade industrial, enquanto a distanciam da causa profunda dos referidos problemas: a natureza do modo de produ\u00e7\u00e3o e consumo da sociedade industrial capitalista.<\/p>\n<p><strong>Mentira premiada = verdade legitimada<\/strong><\/p>\n<p>A mentira \u00e9 a filosofia de negocia\u00e7\u00e3o p\u00fablica dos guardi\u00f5es do capitalismo. Para desviar nossa aten\u00e7\u00e3o da irracionalidade capitalista da acumula\u00e7\u00e3o infinita de riqueza material num Planeta finito, atrav\u00e9s de crescimento econ\u00f4mico ilimitado e do lucro m\u00e1ximo a curto prazo a qualquer custo, pautando a din\u00e2mica capitalista do modo de produ\u00e7\u00e3o e consumo dominante, a \u201ccomunidade internacional\u201d quer convencer-nos de que o capitalismo n\u00e3o \u00e9 o problema, mas o aquecimento global. Trata-se de outra mentira que ganhou o status de verdade com a cumplicidade do Comit\u00ea Nobel noruegu\u00eas, que premiou o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas) e Al Gore com o Nobel da Paz em 2007. Essa manipula\u00e7\u00e3o deu legitimidade cientifica e pol\u00edtica \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da maior mentira da &#8220;comunidade internacional\u201d para exonerar o sistema capitalista da vulnerabilidade da vida na Terra. O Pr\u00eamio legitimou as verdades do 4\u00ba Relat\u00f3rio do IPCC e do document\u00e1rio Uma Verdade Inconveniente de Al Gore. Se toda proposta se inspira em uma premissa (verdade) que \u00e9 a fonte de coer\u00eancia das decis\u00f5es e a\u00e7\u00f5es dela derivadas, investiguemos a verdade que inspira os dois atores premiados, a hip\u00f3tese do aquecimento global: Existe um aquecimento global progressivo, de natureza antropog\u00eanica, resultante das crescentes emiss\u00f5es de CO2, desde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial.<\/p>\n<p>Existem d\u00favidas mais que razo\u00e1veis quanto \u00e0 sustenta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dessa hip\u00f3tese. Por isso, Al Gore ocultou as d\u00favidas cient\u00edficas sobre o aquecimento global, confessando no livro A Terra em Jogo: \u201cposto que continuamos descrevendo a crise [clim\u00e1tica] em termos cient\u00edficos, isso nos faz vulner\u00e1veis frente \u00e0 minoria de investigadores cujos argumentos tendem a negar sua exist\u00eancia. Se, ao introduzir no debate p\u00fablico tudo quanto ainda ignoramos sobre essa amea\u00e7a ao meio ambiente, o apresentamos como um sinal de que a crise poderia n\u00e3o ser real, estaremos socavando os esfor\u00e7os para conseguir apoio p\u00fablico efetivo para as duras medidas que breve teremos que tomar\u201d. O IPCC \u00e9 constitu\u00eddo por cientistas, mas n\u00e3o \u00e9 um painel cient\u00edfico; n\u00e3o faz pesquisas cient\u00edficas para sustentar suas afirma\u00e7\u00f5es, revisa a bibliografia de pesquisas cient\u00edficas feitas por cientistas que n\u00e3o integram o Painel. \u00c9 um painel intergovernamental, pol\u00edtico. Assume o aquecimento global como um fato irrefut\u00e1vel e reduz o debate \u00e0 natureza antropog\u00eanica ou natural do fen\u00f4meno. Por que o IPCC n\u00e3o testa a hip\u00f3tese rival, de que o aquecimento global iniciado ao redor de 1978 representa um fen\u00f3meno natural c\u00edclico? Uma hip\u00f3tese antecipa a explica\u00e7\u00e3o de um fen\u00f4meno, exigindo evid\u00eancias emp\u00edricas e eventualmente hist\u00f3ricas para confirm\u00e1-la ou neg\u00e1-la. Por exemplo, se uma hip\u00f3tese estabelece que todos os ursos s\u00e3o pretos, a exist\u00eancia de um urso de outra cor destr\u00f3i essa hip\u00f3tese. Segundo a hip\u00f3tese do IPCC, a temperatura m\u00e9dia global da Terra aumenta com o aumento das emiss\u00f5es de CO2 desde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. Como n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias emp\u00edricas de pausa nas emiss\u00f5es de CO2, que crescem exponencialmente com o aumento da atividade industrial, a exist\u00eancia de evid\u00eancias emp\u00edricas de um hiato no aumento da temperatura m\u00e9dia global da Terra, como nos \u00faltimos 15 anos, desqualifica essa hip\u00f3tese. Por\u00e9m, essa verdade teve sua import\u00e2ncia seriamente diminu\u00edda.<\/p>\n<p><strong>Verdades silenciadas<\/strong><\/p>\n<p>O planeta j\u00e1 deixou de esquentar e vai come\u00e7ar a esfriar. Ao contr\u00e1rio do que prop\u00f5e o IPCC, este hiato \u00e9 a transi\u00e7\u00e3o para outro ciclo de esfriamento que atingir\u00e1 seu auge nos anos 2030, segundo a hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es Terra-Sol. A hip\u00f3tese do IPCC ignora que a Terra pertence ao Sistema Solar e, portanto, a din\u00e2mica de seu clima global responde \u00e0 din\u00e2mica do Sol que \u00e9 o Rei do nosso sistema planet\u00e1rio. A hist\u00f3ria do clima global da Terra \u00e9 mais antiga do que a presen\u00e7a humana no Planeta. Ciclos de aquecimentos e esfriamentos ocorreram muito antes da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e continuar\u00e3o a ocorrer enquanto durar essa hist\u00f3ria que j\u00e1 tem 4.5 bilh\u00f5es de anos. Por um lado, nos \u00faltimos 10 mil anos, ocorreram per\u00edodos quentes significativos, como no \u00d3timo Clim\u00e1tico do Holoceno h\u00e1 7 ou 8 mil anos, na Idade do Bronze h\u00e1 3.5 mil anos e no Per\u00edodo Quente Medieval entre 900 e 1200 d.C. Por outro lado, nos \u00faltimos 130 anos, as temperaturas estiveram mais elevadas que as atuais nos anos 1930-1940. Frente a evid\u00eancias hist\u00f3ricas e emp\u00edricas que contradizem sua hip\u00f3tese, o IPCC tem a obriga\u00e7\u00e3o moral de testar a hip\u00f3tese rival para encontrar (ou n\u00e3o) raz\u00f5es cient\u00edficas para mudar sua interpreta\u00e7\u00e3o da causa profunda das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. As evid\u00eancias confirmam que o CO2 n\u00e3o controla o clima global do Planeta, que varia com as varia\u00e7\u00f5es na din\u00e2mica do Sol. Uma coisa \u00e9 o clima global (global climate), outra coisa \u00e9 o clima local (local weather). A a\u00e7\u00e3o humana n\u00e3o altera o clima global, mas destr\u00f3i os climas locais. Portanto, o fato do atual aquecimento global ser natural, c\u00edclico, n\u00e3o \u00e9 uma licen\u00e7a cient\u00edfica para que continuemos cultivando o modo de produ\u00e7\u00e3o e consumo dominante que destr\u00f3i as vari\u00e1veis f\u00edsicas, qu\u00edmicas e biol\u00f3gicas, assim como as cren\u00e7as culturais e pr\u00e1ticas sociais, constitutivas dos climas locais, alterando os ecossistemas regionais do Planeta. As cat\u00e1strofes naturais que o IPCC usa para demonstrar sua hip\u00f3tese derivam de rupturas de padr\u00f5es clim\u00e1ticos regionais, resultantes da destrui\u00e7\u00e3o de climas locais e dos correspondentes ecossistemas regionais, e n\u00e3o do aumento da temperatura m\u00e9dia global da Terra. A \u201ctemperatura mais alta de todos os tempos\u201d, registrada em qualquer lugar, ocorre em metr\u00f3poles de asfalto e concreto onde as popula\u00e7\u00f5es vivem em \u201cilhas de calor\u201d urbanas, nunca numa \u00e1rea com vegeta\u00e7\u00e3o onde a \u00e1gua se infiltra e, com ela, o calor do Sol.<\/p>\n<p>Nas rela\u00e7\u00f5es Terra-Sol, o protagonista \u00e9 o Sol. No que concerne aos pequenos esfriamentos e aquecimentos da Terra, nosso planeta se comunica com o Sol atrav\u00e9s dos oceanos, principalmente do maior deles, o Oceano Pac\u00edfico, cuja din\u00e2mica tem uma oscila\u00e7\u00e3o decadal, conhecida como Oscila\u00e7\u00e3o Decadal do Pac\u00edfico (ODP), uma fria de 25-30 anos e outra quente de 25-30 anos, respondendo \u00e0 varia\u00e7\u00e3o da din\u00e2mica do Sol. Por exemplo, entre 1925 e 1946, o Pac\u00edfico entrou em sua ODP quente, respondendo a uma maior atividade solar, produzindo um pequeno aquecimento global, e entre 1947 e 1976 entrou em sua ODP fria, respondendo a uma menor atividade solar, produzindo um pequeno esfriamento global. O reflexo dessa din\u00e2mica na temperatura m\u00e9dia global da Terra foi insignificante. Entre 1920 e 1946, a temperatura m\u00e9dia global aumentou 0,4\u00baC, quando as emiss\u00f5es de CO2 correspondiam apenas a cerca de 20% das atuais, enquanto entre 1947 e 1976 a temperatura m\u00e9dia global diminuiu 0,2\u00baC, quando as emiss\u00f5es de CO2 haviam aumentado velozmente depois da Segunda Guerra Mundial, o que contradiz a hip\u00f3tese do IPCC no que se refere \u00e0 rela\u00e7\u00e3o direta entre a concentra\u00e7\u00e3o de CO2 e o clima global da Terra. Em conclus\u00e3o, o CO2 n\u00e3o controla o clima global da Terra; o Sol est\u00e1 no comando. Por isso, frente \u00e0 irrefutabilidade dos ciclos de aquecimento e esfriamento no s\u00e9culo XX e do hiato no aumento da temperatura m\u00e9dia global da Terra nos \u00faltimos 15 anos, a nova estrat\u00e9gia dos ide\u00f3logos do \u201cdesenvolvimento\u201d, ou seja, do capitalismo, \u00e9 falar menos de aquecimento global e mais de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, porque estas existem, de fato, e podem ser constatadas em suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>Mentiras assustadoras<\/strong><\/p>\n<p>Frente ao ceticismo crescente sobre o tema, o IPCC apela para o medo. Sem confiar no poder de convencimento de sua hip\u00f3tese, porque n\u00e3o demonstra a causa do aquecimento global, o Painel agora tenta assustar a humanidade. As cat\u00e1strofes naturais contempor\u00e2neas s\u00e3o exploradas como evid\u00eancias (esp\u00farias) do fen\u00f4meno e terr\u00edveis cat\u00e1strofes s\u00e3o projetadas para o futuro se as emiss\u00f5es de CO2 n\u00e3o s\u00e3o reduzidas. Por exemplo, o IPCC anuncia em seu 4\u00ba Relat\u00f3rio que o n\u00edvel m\u00e9dio dos mares pode subir 60 cent\u00edmetro at\u00e9 2100, enquanto Al Gore diz em seu document\u00e1rio que o n\u00edvel do mar vai subir 6 metros, apesar de comprar por USD 9.000.000 uma mans\u00e3o em Montecito, Calif\u00f3rnia, no n\u00edvel do mar. Por\u00e9m, o n\u00edvel m\u00e9dio dos mares subiu apenas 2,7 mm\/ano entre 1993-2010, totalizando cerca de 5 cent\u00edmetros, naturais e normais, devido ao ciclo lunar de 18,6 anos. As cat\u00e1strofes naturais sempre existiram, mas n\u00e3o disp\u00fanhamos de televis\u00e3o para transform\u00e1-las em espet\u00e1culos. Nos Estados Unidos, quando as emiss\u00f5es de CO2 ainda eram baixas, uma onda de calor em 1896 matou mais de 3 mil habitantes, somente em Nova York, e em 1900 ocorreu o mais mort\u00edfero furac\u00e3o (Galvestone, Texas) que matou mais de 10 mil pessoas. Em 1877-79, uma seca matou mais de 500 mil pessoas no Nordeste do Brasil e mais de 5 milh\u00f5es de asi\u00e1ticos. Por que o IPCC n\u00e3o se refere a grandes cat\u00e1strofes passadas? Por que governos e lideran\u00e7as de distintas geografias, ideologias e religi\u00f5es n\u00e3o enxergam a hipocrisia global organizada em nome do \u201cdesenvolvimento\u201d?<\/p>\n<p>Ver bem n\u00e3o \u00e9 ver tudo; \u00e9 ver o que a maioria n\u00e3o v\u00ea. Se a maioria olha para onde lhe mandam olhar, negligenciando \u00e2ngulos ocultos daquilo que necessita compreender para aceitar, rejeitar ou transformar, olhemos para onde a maioria n\u00e3o est\u00e1 olhando. A observa\u00e7\u00e3o de \u00e2ngulos invis\u00edveis para a maioria revela mitos a derrubar (progresso, desenvolvimento) e rela\u00e7\u00f5es, significados e pr\u00e1ticas a cultivar para restaurar a resili\u00eancia do Planeta e resgatar a sustentabilidade dos modos de vida humana e n\u00e3o humana. No caso em quest\u00e3o, descolonizemos o pensamento hegem\u00f4nico e revisemos as premissas (ontol\u00f3gicas, epistemol\u00f3gicas, metodol\u00f3gicas e axiol\u00f3gicas) do discurso sobre o fen\u00f4meno; elas s\u00e3o falsas verdades que inspiram falsas promessas e solu\u00e7\u00f5es inadequadas.<\/p>\n<p>Como surgiu, legitimou-se e \u00e9 reproduzida a mentira nesse caso? Respondamos \u00e0s perguntas: (a) quem enunciou a verdade da exist\u00eancia de um aquecimento global progressivo e antropog\u00eanico?; (b) onde essa verdade foi institucionalizada?; (c) em que momento hist\u00f3rico foi enunciada?; (d) qual a inten\u00e7\u00e3o de sua inven\u00e7\u00e3o?; (e) quem a legitimou?; e (f) que institui\u00e7\u00f5es a reproduzem entre as sociedades? Confirmando a cumplicidade hist\u00f3rica entre o saber e o poder, o IPCC, com sua autoridade do argumento cient\u00edfico, e Al Gore, com seu argumento da autoridade pol\u00edtica, s\u00e3o os atores vis\u00edveis do espet\u00e1culo fabricado para chocar o mundo anunciando o aquecimento global como o mais grave problema da humanidade no s\u00e9culo XXI. O Quarto Relat\u00f3rio do IPCC e o document\u00e1rio de Al Gore s\u00e3o as \u201cfontes fidedignas\u201d da verdade enunciada. O momento hist\u00f3rico da legitima\u00e7\u00e3o da premissa, com a entrega do Pr\u00eamio Nobel da Paz em 2007, \u00e9 a primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, quando a crise estrutural do capitalismo chegou ao Norte e se instalou no cora\u00e7\u00e3o do sistema. A inten\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-ideol\u00f3gica \u00e9 desviar a nossa aten\u00e7\u00e3o da causa profunda da atual crise civilizat\u00f3ria, para n\u00e3o reconhecer que a natureza capitalista do modo de produ\u00e7\u00e3o e consumo da sociedade industrial amea\u00e7a a vida na Terra, apresentando o \u201cbode expiat\u00f3rio\u201d a combater: as emiss\u00f5es industriais de CO2. Desde a question\u00e1vel premia\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Nobel noruegu\u00eas ao IPCC e Al Gore, a institucionalidade dependente das Na\u00e7\u00f5es Unidas usa os sistemas globais e locais de coopera\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o para reproduzir a \u201cmentira premiada\u201d. Por exemplo, a televis\u00e3o mostra geleiras \u201cderretendo\u201d, mas o que vemos s\u00e3o partes de geleiras \u2018desmoronando\u2019. Desmoronar \u00e9 natural, c\u00edclico e diferente de derreter. No pr\u00f3ximo esfriamento as geleiras se recompor\u00e3o, se pararmos de destruir os climas locais.<\/p>\n<p><strong>Contra o desenvolvimento e pela vida<\/strong><\/p>\n<p>Que verdade inc\u00f4moda se oculta na mentira conveniente do aquecimento global? Historicamente, o capitalismo supera suas crises recorrentes ocupando novos espa\u00e7os de acumula\u00e7\u00e3o com o apoio de inova\u00e7\u00f5es, como reconhece, para o momento atual, o maior banco alem\u00e3o: \u201cInvista no futuro, com produtos sustent\u00e1veis do Deutsche Bank. Quando examinamos a economia global, faz-se vis\u00edvel a amplitude das oportunidades de neg\u00f3cios no setor da mudan\u00e7a clim\u00e1tica [&#8230;] as empresas e os investidores est\u00e3o se dando conta que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 meramente um assunto social, pol\u00edtico ou moral, mas tamb\u00e9m um assunto econ\u00f4mico e de neg\u00f3cios\u201d. Corpora\u00e7\u00f5es transnacionais se preparam para realizar o maior assalto aos tesouros naturais da Terra. Reduzindo a natureza a servi\u00e7os ambientais e bio-commodities, a \u201ceconomia verde\u201d foi lan\u00e7ada na Rio+20 como a solu\u00e7\u00e3o para a crise do desenvolvimento sustent\u00e1vel e a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza, mas n\u00e3o passa do novo disfarce do desenvolvimento, ou seja, do capitalismo. A economia verde \u00e9 o lobo \u2014 o capital \u2014 vestido com uma pele da cor da ovelha \u2014 a natureza \u2014 que quer devorar. A natureza \u00e9 a \u00faltima fronteira do saqueio hist\u00f3rico de \u201crecursos naturais\u201d para alimentar a fome insaci\u00e1vel do capitalismo disfar\u00e7ado de desenvolvimento. Os que mais contaminam s\u00e3o os que mais precisam da mentira do IPCC. Conscientes de que o CO2 n\u00e3o controla o clima global, os pa\u00edses industrializados e os que pretendem industrializar-se necessitam dessa mentira para continuarem destruindo os climas locais. Eles ser\u00e3o servidos por tecnologias convenientemente promovidas como verdes, limpas.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o se fala de natureza, s\u00f3 de servi\u00e7os ambientais (biodiversidade, ciclo hidrol\u00f3gico, poliniza\u00e7\u00e3o&#8230;, energias renov\u00e1veis, genes, alimentos, fibras&#8230;, beleza c\u00eanica, paisagens&#8230;, valores hist\u00f3ricos, culturais, religiosos, espirituais&#8230;) e bio-mercados (carbono, \u00e1gua, biomassa&#8230;). A apropria\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica da natureza ser\u00e1 facilitada por inova\u00e7\u00f5es promovidas como a panaceia para esfriar o Planeta de um aquecimento global antropog\u00eanico que n\u00e3o existe. Para colocar um pre\u00e7o na natureza, o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) prov\u00ea a metodologia The Economics of Ecosystems and Biodiversity (TEEB), da qual resulta, por exemplo, o Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais (PSA). Entre as inova\u00e7\u00f5es para viabilizar o maior neg\u00f3cio do futuro se encontram, por exemplo, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), Certificado de Emiss\u00f5es Reduzidas (CER), Redu\u00e7\u00e3o de Emiss\u00f5es por Desflorestamento e Degrada\u00e7\u00e3o (REDD) e a Bioenergia com Captura e Estocagem de Carbono (BECCS, em Ingl\u00eas), que n\u00e3o cumprem as promessas feitas em nome delas. Ao contr\u00e1rio, permitem a continuidade da atividade industrial contaminante por parte dos que podem pagar por elas.<\/p>\n<p>Povos do mundo, uni-vos contra o \u201cdesenvolvimento\u201d, ou seja, o capitalismo. Segundo o World Protests 2006-2013, elaborado pela Initiative for Policy Dialogue, Universidade de Columbia, em conjunto com Friedrich Ebert Stiftung, escrit\u00f3rio de Nova York, o mundo entra no s\u00e9culo XXI convulsionado pela maior onda de protestos da hist\u00f3ria da humanidade. Foram 843 protestos em 87 pa\u00edses s\u00f3 nos \u00faltimos 8 anos. Mas, toda essa energia foi pulverizada em torno de quatro causas imediatas da insatisfa\u00e7\u00e3o generalizada: justi\u00e7a econ\u00f4mica e anti-medidas de austeridade, falhas dos sistemas pol\u00edticos e da democracia representativa, justi\u00e7a global e direitos dos povos. Por que n\u00e3o dirigir essa energia (desperdi\u00e7ada, j\u00e1 que n\u00e3o superou os problemas denunciados) contra a causa profunda da desigualdade e vulnerabilidade globais? Depois de s\u00e9culos de progresso (capitalismo) e d\u00e9cadas de desenvolvimento (capitalismo), a humanidade est\u00e1 mais desigual e o Planeta mais vulner\u00e1vel. Como o aquecimento global antropog\u00eanico n\u00e3o existe e a Terra vai esfriar depois do hiato no aumento da temperatura m\u00e9dia global, a ades\u00e3o \u00e0 \u201cmentira premiada\u201d esteriliza a possibilidade de uma agenda de iniciativas pol\u00edticas, econ\u00f4micas, culturais, tecnol\u00f3gicas, institucionais, para transformar a natureza e din\u00e2mica do modo de produ\u00e7\u00e3o e consumo da sociedade industrial capitalista.<\/p>\n<p>A ades\u00e3o \u00e0 \u201cmentira premiada\u201d posp\u00f5e a constru\u00e7\u00e3o do dia depois do desenvolvimento, que exige rejeitar a meta universal para todos os povos, ser\u00a0 desenvolvidos, a dicotomia superior-inferior (desenvolvidos-subdesenvolvidos), e a sociedade industrial capitalista como modelo a emular. O fim para os povos \u00e9 ser felizes com modos de vida sustent\u00e1veis. Se eu soubesse agora que o mundo acabaria amanh\u00e3, n\u00e3o dormiria hoje plantando sementes prenhes de indigna\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a, para que germinem em mentes cr\u00edticas e cora\u00e7\u00f5es solid\u00e1rios, como nos movimentos sociais, para que estes desordenem o mundo do desenvolvimento e o reorientem para \u2018a vida\u2019. Se n\u00e3o nos indignamos com a \u201cmentira premiada\u201d e n\u00e3o cultivamos a esperan\u00e7a no dia depois do desenvolvimento, perpetuaremos o capitalismo que amea\u00e7a a vida na Terra. At\u00e9 quando? A que custo?<\/p>\n<p>*Pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) em Campina Grande-PB. (josedesouzasilva@gmail.com)<\/p>\n<p>Confira, logo abaixo, dois artigos de Luiz Carlos Baldicero Moli\u00f3n (Universidade Federal de Alagoas-UFAL) que ratificam tudo o que Jos\u00e9 de Souza afirmou em seu artigo (e muito mais) e que cont\u00eam cita\u00e7\u00f5es bibliogr\u00e1ficas de investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. Luiz Carlos Baldicero Moli\u00f3n, al\u00e9m de ter doutorado no tema, \u00e9 o diretor para Am\u00e9rica do Sul da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Meteorologia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Molion-Aquecimento-global-fatos-e-fic\u00e7\u00e3o.pdf\" target=\"_blank\">ARTIGO 1 &#8211; AQUECIMENTO GLOBAL: FATOS E MITOS<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Molion-Mitos-do-aquecimento-global.pdf\" target=\"_blank\">ARTIGO 2 &#8211; MITOS DO AQUECIMENTO GLOBAL<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0 Espa\u00e7o Ecol\u00f3gico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 de Souza Silva* Introdu\u00e7\u00e3o A humanidade vive mais da mentira que da verdade. 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