{"id":91136,"date":"2018-08-30T11:00:32","date_gmt":"2018-08-30T14:00:32","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=91136"},"modified":"2018-08-29T21:31:34","modified_gmt":"2018-08-30T00:31:34","slug":"qual-e-o-grande-dilema-atual-da-conservacao-da-biodiversidade-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/qual-e-o-grande-dilema-atual-da-conservacao-da-biodiversidade-mundial\/","title":{"rendered":"Qual \u00e9 o grande dilema atual da conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade mundial?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/saguim.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-91138\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/saguim-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/saguim-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/saguim.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Para salvar o m\u00e1ximo de biodiversidade poss\u00edvel do planeta, o que faz mais sentido? Continuar investindo na cria\u00e7\u00e3o de grandes reservas ou \u00e1reas protegidas em regi\u00f5es como a Amaz\u00f4nia, onde grande parte do bioma j\u00e1 se encontra pelo menos em parte protegido no interior de um grande n\u00famero de parques, reservas e \u00e1reas ind\u00edgenas ou valeria mais \u00e0 pena investir na conserva\u00e7\u00e3o de pequenas \u00e1reas com alt\u00edssimo grau de endemismo, locais que guardam esp\u00e9cies \u00fanicas, como \u00e9 o caso da Mata Atl\u00e2ntica?<\/p>\n<p>Um novo estudo que acaba de ser publicado adverte que \u00e9 a qualidade das \u00e1reas protegidas, e n\u00e3o somente a sua quantidade ou maior extens\u00e3o geogr\u00e1fica, o que importa na tarefa de tentar proteger da extin\u00e7\u00e3o ao menos metade das esp\u00e9cies que habitam os continentes do planeta.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 muita discuss\u00e3o sobre como proteger, no m\u00ednimo, metade da biodiversidade do planeta. O desafio \u00e9 saber qual metade devemos proteger?&#8221; diz o americano Stuart Pimm, professor de Ecologia da Conserva\u00e7\u00e3o da Faculdade de Meio Ambiente da Universidade Duke, na Carolina do Norte.<\/p>\n<p>Pimm \u00e9 um dos autores de um trabalho publicado hoje no importante peri\u00f3dico cient\u00edfico\u00a0<a href=\"http:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/4\/8\/eaat2616\" rel=\"noopener\"><em>Science Advances<\/em><\/a>.<\/p>\n<p>&#8220;A predile\u00e7\u00e3o dos governos nacionais \u00e9 proteger \u00e1reas que s\u00e3o &#8216;selvagens&#8217; &#8211; isto \u00e9, tipicamente remotas, frias ou \u00e1ridas&#8221;, disse Pimm. &#8220;Infelizmente, essas \u00e1reas cont\u00eam relativamente poucas esp\u00e9cies. Nossa an\u00e1lise mostra que proteger at\u00e9 metade das grandes \u00e1reas selvagens do mundo n\u00e3o proteger\u00e1 muito mais esp\u00e9cies do que atualmente.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com Pimm, para proteger o maior n\u00famero poss\u00edvel de esp\u00e9cies em risco, especialmente aquelas end\u00eamicas a h\u00e1bitats pequenos, os governos devem expandir seu foco de conserva\u00e7\u00e3o e priorizar a prote\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitats-chave fora das florestas, parques e reservas existentes.<\/p>\n<div id=\"attachment_62678\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-62678\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Vivi.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Vivi.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Vivi-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Vivi-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">A on\u00e7a-parda Vit\u00f3ria, morta no come\u00e7o do ano. Popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 em decl\u00ednio acelerado na Caatinga. Foto: Programa Amigos da On\u00e7a.<\/p>\n<\/div>\n<p>&#8220;Se quisermos proteger a maioria das esp\u00e9cies da extin\u00e7\u00e3o, temos que proteger os lugares certos \u2012 lugares especiais \u2012 n\u00e3o apenas mais \u00e1reas, ou reservas maiores localizadas em locais distantes e desabitados do planeta, como o \u00c1rtico e os desertos,&#8221; disse em entrevista a ((o))eco o segundo autor do trabalho, o ec\u00f3logo americano Clinton Jenkins, radicado no Brasil, e que leciona e pesquisa no IP\u00ca (Instituto de Pesquisas Ecol\u00f3gicas), em Nazar\u00e9 Paulista, S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O estudo de Jenkins e Pimm parte da an\u00e1lise geoespacial de todos os continentes, buscando entender de que forma o atual sistema global de \u00e1reas protegidas se sobrep\u00f5e aos milhares de h\u00e1bitats onde vivem quase 20.000 esp\u00e9cies de mam\u00edferos, aves e anf\u00edbios, aquelas melhor conhecidas da ci\u00eancia. O trabalho abarca 5.311 esp\u00e9cies de mam\u00edferos terrestres, 10.079 esp\u00e9cies de aves terrestres, 6.397 esp\u00e9cies de anf\u00edbios.<\/p>\n<p>&#8220;O grupo dos chamados r\u00e9pteis, como cobras, tartarugas, lagartos e crocodilos n\u00e3o foi inclu\u00eddo devido \u00e0 falta de uma grande base de dados mundial confi\u00e1vel de todas as esp\u00e9cies de r\u00e9pteis e sua localiza\u00e7\u00e3o, o que j\u00e1 existe no caso de mam\u00edferos, aves e anf\u00edbios,&#8221; explica Jenkins.<\/p>\n<p>&#8220;Combinadas, as cerca de 20.000 esp\u00e9cies de aves, mam\u00edferos e anf\u00edbios que entraram no estudo representam cerca de 1% dos 2 milh\u00f5es de esp\u00e9cies descritas pelos taxonomistas,&#8221; l\u00ea-se no trabalho. &#8220;Por sua vez, estas 2 milh\u00f5es de esp\u00e9cies descritas podem significar apenas 10% do total de esp\u00e9cies do planeta.<\/p>\n<p>&#8220;Por que n\u00e3o h\u00e1 an\u00e1lises para insetos, j\u00e1 que eles constituem 90% de todas as esp\u00e9cies? Simplesmente, n\u00e3o h\u00e1 dados adequados. J\u00e1 no caso das plantas, que tamb\u00e9m n\u00e3o entraram no estudo, estima-se que 15% do total de esp\u00e9cies ainda \u00e9 desconhecido, e os dados de distribui\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies conhecidas ainda s\u00e3o muito grosseiros para estimar sobreposi\u00e7\u00f5es com \u00e1reas protegidas e \u00e1reas selvagens.&#8221;<\/p>\n<div id=\"attachment_62676\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-62676\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/REBIO_Po%C3%A7o_das_antas.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/REBIO_Po\u00e7o_das_antas.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/REBIO_Po\u00e7o_das_antas-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/REBIO_Po\u00e7o_das_antas-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Reserva Biol\u00f3gica Po\u00e7o das Antas, que abriga a maior popula\u00e7\u00e3o nativa de micos-le\u00f5es-dourados. Foto: Luis Paulo Ferraz\/Wikiparques.<\/p>\n<\/div>\n<p>Ao realizar este grande levantamento, os pesquisadores descobriram que os esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o global aumentaram a prote\u00e7\u00e3o de muitas esp\u00e9cies. &#8220;Por exemplo, quase metade das esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros que t\u00eam as menores \u00e1reas de distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica t\u00eam agora pelo menos parte de seus h\u00e1bitats protegidos \u2012 mas ainda existem lacunas cr\u00edticas,&#8221; revela Jenkins.<\/p>\n<p>O estudo revela que tais lacunas continuar\u00e3o a persistir, mesmo que os governos protejam at\u00e9 metade das \u00e1reas selvagens remanescentes no mundo. Isto porque todo o esfor\u00e7o mundial de conserva\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 ineficiente.<\/p>\n<p>Os pesquisadores apontam a exist\u00eancia de lacunas importantes em todo o mundo, locais que merecem prote\u00e7\u00e3o dado o seu elevado grau de biodiversidade, mas que permanecem desprotegidos, como grande parte dos Andes, a Mata Atl\u00e2ntica e o sudoeste da China.<\/p>\n<p>&#8220;Certamente h\u00e1 boas raz\u00f5es para proteger grandes \u00e1reas selvagens, pois elas fornecem servi\u00e7os ambientais. Um exemplo \u00f3bvio \u00e9 a Amaz\u00f4nia, onde a perda da floresta pode causar mudan\u00e7as severas no clima,&#8221; diz Pimm. &#8220;Para salvar o m\u00e1ximo de biodiversidade poss\u00edvel, temos em primeiro lugar que identificar quais s\u00e3o as esp\u00e9cies que se encontram pouco ou mal protegidas. Em seguida, devemos identificar quais s\u00e3o as regi\u00f5es que elas habitam. S\u00f3 assim ser\u00e1 poss\u00edvel iniciar a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e efetivas de prote\u00e7\u00e3o que abarquem o maior n\u00famero de esp\u00e9cies poss\u00edvel.&#8221;<\/p>\n<p>Mas proteger grandes por\u00e7\u00f5es da Amaz\u00f4nia n\u00e3o altera o resultado da complicada equa\u00e7\u00e3o que \u00e9 proteger a maior parte da diversidade do planeta. &#8220;A Amaz\u00f4nia j\u00e1 tem grande parte da sua extens\u00e3o geogr\u00e1fica protegida em reservas e em terras ind\u00edgenas,&#8221; diz Jenkins. &#8220;Mas para salvar o m\u00e1ximo de esp\u00e9cies poss\u00edvel, faz muito mais sentido que o governo brasileiro passe a priorizar agora a cria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas protegidas na Mata Atl\u00e2ntica, um bioma tropical riqu\u00edssimo que foi quase totalmente devastado.&#8221;<\/p>\n<div id=\"attachment_62675\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-62675\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Antas-17.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Antas-17.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Antas-17-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Antas-17-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Uma pequena \u00e1rea n\u00e3o atingida forma uma ilha em meio a destrui\u00e7\u00e3o do inc\u00eandio que atingiu a Reserva po\u00e7o das Antas, em fevereiro de 2014. Foto: Luiz Paulo Ferraz\/AMLD.<\/p>\n<\/div>\n<p>&#8220;O pouco que ainda resta de Mata Atl\u00e2ntica est\u00e1 confinado em \u00e1reas relativamente pequenas, por\u00e9m com alt\u00edssima biodiversidade. Um \u00fanico vale isolado de Mata Atl\u00e2ntica, por exemplo, cont\u00e9m in\u00fameras esp\u00e9cies end\u00eamicas de anf\u00edbios ou plantas, criaturas que vivem ali. Assim, preservar regi\u00f5es com elevado endemismo, confinado em \u00e1reas pequenas, geralmente com menos de 10 mil km<sup>2<\/sup>, ir\u00e1 salvar um n\u00famero imenso de esp\u00e9cies.&#8221;<\/p>\n<p>Pimm e Jenkins lideram uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental chamada\u00a0<a href=\"https:\/\/www.savingspecies.org\/\" rel=\"noopener\">SavingSpecies<\/a>, cujo objetivo \u00e9 justamente redefinir as a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. &#8220;Nossa miss\u00e3o \u00e9 ajudar esp\u00e9cies end\u00eamicas e amea\u00e7adas a se recuperar de circunst\u00e2ncias que prejudicam sua sobreviv\u00eancia a longo prazo,&#8221; afirma Jenkins.<\/p>\n<p>&#8220;Concentramos nossos esfor\u00e7os em lugares onde a riqueza da biodiversidade do planeta est\u00e1 em perigo extremo. Usamos mapas de distribui\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e modelos de extin\u00e7\u00e3o desenvolvidos para definir prioridades de conserva\u00e7\u00e3o,&#8221; diz Jenkins.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para salvar o m\u00e1ximo de biodiversidade poss\u00edvel do planeta, o que faz mais sentido? 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