{"id":9103,"date":"2014-10-24T16:00:03","date_gmt":"2014-10-24T16:00:03","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=9103"},"modified":"2014-10-24T10:39:53","modified_gmt":"2014-10-24T10:39:53","slug":"caju-em-cores-do-grafite-ao-rosa-no-tingimento-de-fios-de-la-e-algodao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/caju-em-cores-do-grafite-ao-rosa-no-tingimento-de-fios-de-la-e-algodao\/","title":{"rendered":"Caju em cores, do grafite ao rosa, no tingimento de fios de l\u00e3 e algod\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/caju_casca.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-9104\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/caju_casca.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Por Liana John*<\/p>\n<p>Os cajueiros \u2013 essas extraordin\u00e1rias esp\u00e9cies do g\u00eanero Anacardium, nativas das regi\u00f5es mais quentes do Brasil \u2013 j\u00e1 frequentaram o nosso Biodiversa mais vezes do qualquer outra planta. Mais at\u00e9 do que a carna\u00faba (Copernicia prunifera), chamada pelos nordestinos de \u201c\u00e1rvore da provid\u00eancia\u201d. J\u00e1 falamos do caju em gel contra placa bacteriana, como corante aliment\u00edcio amarelo, como embalagem comest\u00edvel, como biomassa para a constru\u00e7\u00e3o civil e at\u00e9 como agente redutor de nanossistemas. Ainda assim encontramos outros usos, como o das cascas de cajueiro para tingimento de fios de l\u00e3 e algod\u00e3o ou pe\u00e7as j\u00e1 prontas de tecidos naturais. E n\u00e3o \u00e9 para produzir uma cor s\u00f3, n\u00e3o: \u00e9 para obter desde um rosa envelhecido at\u00e9 tons de grafite beirando o preto!<\/p>\n<p>O cajueiro comum (Anacardium occidentale) hoje tem sua \u00e1rea de distribui\u00e7\u00e3o original confundida com a \u00e1rea de cultivo, conforme observa a analista ambiental Vanja Maria Xaud Lucena. Ela fez a caracteriza\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica dos cajueiros de Roraima em seu mestrado em Recursos Naturais pela Universidade Federal de Roraima (UFRR). Os cajueiros nativos, segundo sua tese, t\u00eam como centro prim\u00e1rio de diversidade gen\u00e9tica os cerrados, as matas de galeria e as florestas \u00famidas da Amaz\u00f4nia, enquanto o centro secund\u00e1rio est\u00e1 nos cerrados de Mato Grosso, Goi\u00e1s e no Nordeste. Ela menciona, inclusive, uma das tr\u00eas hip\u00f3teses etimol\u00f3gicas da palavra ind\u00edgena Roraima, que deu nome ao estado: a contra\u00e7\u00e3o do termo roro = caju e im\u00e3 = monte ou serra. Ou seja, Roraima em bom portugu\u00eas seria a Serra do Caju.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o Descobrimento, navegadores portugueses e espanh\u00f3is foram respons\u00e1veis pela dissemina\u00e7\u00e3o dos cajueiros pelo mundo. E atualmente 26 pa\u00edses se dedicam \u00e0 produ\u00e7\u00e3o comercial da castanha, com destaque para \u00cdndia, Vietn\u00e3, Tanz\u00e2nia, Indon\u00e9sia, Mo\u00e7ambique e Guin\u00e9-Bissau, al\u00e9m do Brasil. O cultivo \u00e9 f\u00e1cil, desde que feito na zona tropical, pois o cajueiro n\u00e3o tolera nadinha de frio. As \u00e1rvores chegam a 12 metros de altura e sustentam copas de grandes dimens\u00f5es, oferecendo sombra farta debaixo de suas folhas largas. A copa do maior cajueiro do mundo, famoso como o \u201cCajueiro de Pirangi\u201d (RN), tem cerca de 8.500 metros quadrados! \u00c9 copa suficiente para sombrear, sozinha, at\u00e9 um estacionamento de shopping!!<\/p>\n<p>Essa facilidade de crescimento \u00e9 uma vantagem para confec\u00e7\u00f5es e tecel\u00f5es interessados no tingimento de fios ou tecidos de l\u00e3 e algod\u00e3o. As lascas de cascas utilizadas como corantes podem ser retiradas dos galhos maiores, sem matar a \u00e1rvore, conferindo mais sustentabilidade a essa pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Rodrigo Monteiro, de Penedo (RJ) \u00e9 tecel\u00e3o por hobby desde 1984 e de profiss\u00e3o desde 1992. Usa todo tipo de fibra natural em suas pe\u00e7as: algod\u00e3o, l\u00e3, seda, juta, sisal, rami, buriti, taboa, palhas, cip\u00f3s, gravetos. Mas s\u00f3 faz o tingimento pessoalmente em sisal para a confec\u00e7\u00e3o de pain\u00e9is decorativos. Com base em suas observa\u00e7\u00f5es de todos esses anos de tecelagem, reconhece que \u201ca durabilidade do tingimento natural \u00e9 bem menor que a do qu\u00edmico. N\u00e3o somente por se tratar de material org\u00e2nico e naturalmente perec\u00edvel, mas tamb\u00e9m por influ\u00eancia dos diferentes fixadores (ou mordentes) usados nas diferentes t\u00e9cnicas\u201d. Ele j\u00e1 viu tingimentos naturais que desbotaram em quest\u00e3o de meses, no entanto tamb\u00e9m viu outros que duraram alguns anos, mesmo expostos \u00e0 luz.<\/p>\n<p>Seja qual for a durabilidade, a vantagem \u00e9 que \u201cas pe\u00e7as e os fios tingidos naturalmente n\u00e3o despejam, na natureza, componentes t\u00f3xicos ou nocivos, no processo de enxague ou nas lavagens\u201d, diz. Mas \u00e9 preciso ter cuidado com a preserva\u00e7\u00e3o das plantas tint\u00f3rias, por meio do \u201creplantio das esp\u00e9cies cultiv\u00e1veis e do extrativismo consciente das esp\u00e9cies espont\u00e2neas ou nativas\u201d. Ou seja: deve-se colher apenas a quantidade necess\u00e1ria das plantas ou partes delas, deixando matrizes suficientes para sua regenera\u00e7\u00e3o e prolifera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O tingimento com caju \u00e9 usado tanto no artesanato regional \u2013 de redes, tapetes e toalhas de mesa \u2013 como em pe\u00e7as de roupas para exporta\u00e7\u00e3o, feitas com algod\u00e3o org\u00e2nico. As tonalidades variadas de grafite, ferrugem, vermelho ou rosa s\u00e3o obtidas com diferentes concentra\u00e7\u00f5es da casca na \u00e1gua, combinadas ao tempo de fervura e \u00e0 forma de utilizar o mordedor da tintura \u2013 que vem a ser a subst\u00e2ncia fixadora da cor. O mordedor mais utilizado \u00e9 o lim\u00e3o.<\/p>\n<p>Quem quiser saber detalhes sobre todo o processo ou procurar dicas de outras cores obtidas com corantes da natureza brasileira pode fazer uma visita ao site mantido pelo Rodrigo, O Tecel\u00e3o, como \u00e9 mais conhecido Ali est\u00e3o reproduzidas algumas p\u00e1ginas do livro A Tecelagem Manual no Tri\u00e2ngulo Mineiro, com os passos do tingimento natural, e uma rela\u00e7\u00e3o de plantas nativas e cultivadas, usadas para produzir as diferentes cores. Caju inclusive.<\/p>\n<p>De acordo com as instru\u00e7\u00f5es publicadas, o preparo para tingimento come\u00e7a com a lavagem e a organiza\u00e7\u00e3o das meadas. Para uma tintura homog\u00eanea, os fios devem estar desembara\u00e7ados e livres de amarras; limpos de gorduras e poeira e homogeneamente \u00famidos. As pe\u00e7as de roupas j\u00e1 confeccionadas, em especial, precisam ser movimentadas constantemente para dar uniformidade no tingimento, evitando manchas mais escuras ou mais claras. Como diz Francisca Vieira, da Natural Cotton Color, de Jo\u00e3o Pessoa (PB): \u201c\u00c9 s\u00f3 ter cozimento, paci\u00eancia e quantidade de casca\u201d!<\/p>\n<p>Foto: Liana John (Fios de algod\u00e3o tingido e cascas de caju usadas no tingimento)<\/p>\n<blockquote><p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/planetasustentavel.abril.com.br\/img\/img-perfil-liana.jpg\" alt=\"\" width=\"120\" height=\"120\" \/> *<strong>LIANA JOHN <\/strong>\u00e9 jornalista ambiental. Escreve sobre conserva\u00e7\u00e3o, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, ci\u00eancia e uso racional de recursos naturais h\u00e1 quase 30 anos, nas principais revistas e jornais do pa\u00eds. Ao somar entrevistas e observa\u00e7\u00f5es, constatou o quanto somos todos dependentes da biodiversidade. Mesmo o mais urbano dos habitantes das grandes metr\u00f3poles tem alguma esp\u00e9cie nativa em sua rotina di\u00e1ria, seja como fonte de alimento ou bem-estar, seja como inspira\u00e7\u00e3o ou base para novas tecnologias. \u00c9 disso que trata esse blog: de como a biodiversidade entra na sua vida. E como suas op\u00e7\u00f5es, eventualmente, protegem a biodiversidade.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Liana John* Os cajueiros \u2013 essas extraordin\u00e1rias esp\u00e9cies do g\u00eanero Anacardium, nativas das regi\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":9104,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/caju_casca.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/caju_casca.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/caju_casca.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/caju_casca.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/caju_casca.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/caju_casca.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/caju_casca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/caju_casca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/caju_casca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/caju_casca.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Liana John* Os cajueiros \u2013 essas extraordin\u00e1rias esp\u00e9cies do g\u00eanero Anacardium, nativas das regi\u00f5es","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9103"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9103"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9103\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9104"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9103"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9103"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9103"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}