{"id":90972,"date":"2018-08-27T09:31:42","date_gmt":"2018-08-27T12:31:42","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=90972"},"modified":"2018-08-27T09:31:42","modified_gmt":"2018-08-27T12:31:42","slug":"jararacas-gigantes-sao-mais-frequentes-neste-parque-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/jararacas-gigantes-sao-mais-frequentes-neste-parque-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Jararacas \u201cgigantes\u201d s\u00e3o mais frequentes neste parque de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/jararaca-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-90973\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/jararaca-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/jararaca-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/jararaca-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em\u00a0<a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/noiticias-sobre\/sao-paulo\"><strong>S\u00e3o Paulo<\/strong><\/a>, \u00e9 mais f\u00e1cil encontrar jararacas (Bothrops jararaca) \u201cgigantes\u201d no pequeno fragmento de Mata Atl\u00e2ntica existente no Parque do Estado do que em uma \u00e1rea bem maior, como no Parque Estadual da Cantareira, apesar de haver mais alimento dispon\u00edvel para elas nessa \u00faltima \u00e1rea.<\/p>\n<p>Um novo estudo indica que a explica\u00e7\u00e3o para essa diferen\u00e7a est\u00e1 na quantidade de predadores existentes no h\u00e1bitat e n\u00e3o na disponibilidade de alimento, como se pensava no in\u00edcio do trabalho.<\/p>\n<p>Os resultados foram descritos no\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.bioone.org\/doi\/full\/10.1670\/17-021\" target=\"_blank\">Journal of Herpetology<\/a><\/em>, em artigo originado do trabalho de mestrado de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/676510\/lucas-henrique-carvalho-siqueira\" target=\"_blank\">Lucas Henrique Carvalho Siqueira<\/a>\u00a0no Instituto de Bioci\u00eancias, Letras e Ci\u00eancias Exatas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto. O estudo teve bolsa da FAPESP e orienta\u00e7\u00e3o do pesquisador do Laborat\u00f3rio de Ecologia e Evolu\u00e7\u00e3o do Instituto Butantan,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/8606\/otavio-augusto-vuolo-marques\" target=\"_blank\">Otavio Augusto Vuolo Marques<\/a>.<\/p>\n<p>Foram comparadas serpentes do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga \u2013 conhecido popularmente como Parque do Estado e que fica na Zona Sul de S\u00e3o Paulo, onde est\u00e3o os jardins Zool\u00f3gico e Bot\u00e2nico \u2013 com as do Parque Estadual da Cantareira, situado na Zona Norte e cujo clima e vegeta\u00e7\u00e3o s\u00e3o semelhantes ao primeiro, mas n\u00e3o \u00e9 isolado como o Parque do Estado, que tem \u00e1rea 16 vezes menor.<\/p>\n<p>Essas jararacas s\u00e3o chamadas de \u201cgigantes\u201d por serem bem maiores do que a m\u00e9dia. Por\u00e9m, isso n\u00e3o significa que haja um gigantismo nessa popula\u00e7\u00e3o. O que ocorre \u00e9 que existe uma maior abund\u00e2ncia de esp\u00e9cimes muito grandes (em torno de 1,5 metro de comprimento) no Parque de Estado.<\/p>\n<p>O tamanho dessas jararacas coletadas no parque foi o que chamou a aten\u00e7\u00e3o de Marques. \u201cRecebemos muitas jararacas no Butantan e algumas apresentavam tamanho acima da m\u00e9dia. Quando chec\u00e1vamos a proced\u00eancia, constat\u00e1vamos que vinham do Parque do Estado\u201d, disse.<\/p>\n<p>Estudos anteriores mostraram que serpentes de grande porte, em geral, s\u00e3o encontradas em ilhas. Segundo Marques, o isolamento de popula\u00e7\u00f5es oferece bons exemplos de diverg\u00eancias morfol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>\u201cO Parque do Estado n\u00e3o tem conex\u00e3o com outras \u00e1reas de mata. \u00c9 como uma ilha, s\u00f3 que em vez de rodeada de \u00e1gua, est\u00e1 isolada pela cidade\u201d, disse Marques \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP. Trata-se de uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o de 540 hectares, coberta por um remanescente da Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>\u201cResolvemos verificar se essas serpentes estavam ficando maiores do que outras popula\u00e7\u00f5es e estudar algumas vari\u00e1veis que seriam respostas para explicar essa diferen\u00e7a de tamanho: a oferta de recurso alimentar e a presen\u00e7a de predadores\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para entender o fen\u00f4meno, Siqueira utilizou dados morfol\u00f3gicos sobre jararacas existentes em pesquisas publicadas, em serpentes preservadas na cole\u00e7\u00e3o do Instituto Butantan que eram provenientes desses dois lugares e foi a campo para coletar dados originais.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m colocamos armadilhas para analisar a disponibilidade de recurso alimentar nas duas \u00e1reas. As jararacas adultas se alimentam de pequenos roedores\u201d, disse Siqueira.<\/p>\n<p>Os autores do estudo se basearam em duas hip\u00f3teses. A primeira era de que as jararacas do Parque do Estado eram maiores porque l\u00e1 provavelmente haveria maior oferta de recurso alimentar. Em estudos feitos por pesquisadores do Instituto Butantan em Alcatrazes, litoral norte de S\u00e3o Paulo, constatou-se que as jararacas que habitam o continente e se alimentam de roedores s\u00e3o maiores do que as presentes na ilha, que n\u00e3o t\u00eam este tipo de presa.<\/p>\n<p>Em Alcatrazes, as jararacas se alimentam de pequenos sapos, lagartos e lacraias, animais de baixo valor cal\u00f3rico. S\u00e3o chamadas de an\u00e3s, por atingirem no m\u00e1ximo meio metro.<\/p>\n<p>\u201cRelacionamos o tamanho pequeno com uma alimenta\u00e7\u00e3o cal\u00f3rica restrita, ent\u00e3o, no caso do estudo em S\u00e3o Paulo, era natural pensar em uma grande oferta de recurso alimentar e fazia sentido pensar nos ratos urbanos, j\u00e1 que o Parque do Estado est\u00e1 em uma \u00e1rea urbana alterada\u201d, disse Marques.<\/p>\n<p>Segundo Siqueira, por\u00e9m, n\u00e3o houve diferen\u00e7a na m\u00e9dia do tamanho entre as duas popula\u00e7\u00f5es de jararacas presentes em ambos os parques. \u201cMas observamos uma propor\u00e7\u00e3o maior de f\u00eameas gigantes no Parque do Estado em compara\u00e7\u00e3o com o Parque da Cantareira\u201d, disse. As jararacas f\u00eameas alcan\u00e7am porte maior do que os machos.<\/p>\n<p>O bi\u00f3logo montou armadilhas para capturar algumas das presas. \u201cTamb\u00e9m surpreendeu a disponibilidade de alimento, que n\u00e3o era maior do que na Cantareira. Capturamos menos ratinhos no Parque do Estado e n\u00e3o confirmamos a presen\u00e7a de ratos urbanos, s\u00f3 de ratos silvestres durante o tempo do estudo\u201d, disse Siqueira.<\/p>\n<h3>Ataques em massa<\/h3>\n<p>Diante da inesperada constata\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o era a disponibilidade maior de alimento que explicava ser mais frequente a presen\u00e7a de jararacas \u201cgigantes\u201d no Parque do Estado do que no Parque da Cantareira, restou investigar a segunda hip\u00f3tese, relacionada \u00e0 presen\u00e7a de predadores. \u201cNo Parque do Estado, registramos menos da metade de ataques em compara\u00e7\u00e3o aos observados na Cantareira\u201d, disse Siqueira.<\/p>\n<p>Esse foi outro desafio do estudo: como observar e ter indicador sobre os ataques de predadores. Isso foi resolvido com o uso de modelos feitos em massa de modelar, como as usadas por crian\u00e7as para brincar. Com essa estrat\u00e9gia, Siqueira p\u00f4de verificar quais s\u00e3o os predadores e a frequ\u00eancia de ataques que as cobras sofrem em ambos os parques.<\/p>\n<p>\u201cConfeccionamos 1.440 r\u00e9plicas de indiv\u00edduos adultos de jararaca, usando uma cor parecida com a da cobra e evitando qualquer tipo de mancha para n\u00e3o haver nenhum vi\u00e9s nos resultados\u201d, disse.<\/p>\n<p>Em cada um dos parques foram usadas 720 r\u00e9plicas \u2013 60 utilizadas mensalmente \u2013, que ficaram por dois dias em cada localidade. As marcas dos ataques dos predadores ficaram impressas na massa de modelar.<\/p>\n<p>\u201cSaber o n\u00famero absoluto de predadores de jararaca existentes iria requerer uma c\u00e2mera em cada uma das r\u00e9plicas, o que n\u00e3o era vi\u00e1vel. Mas conseguimos quantificar a frequ\u00eancia de ataque e dizer se o predador era ave ou mam\u00edfero\u201d, disse.<\/p>\n<p>No Parque da Cantareira, aproximadamente 12% das massinhas foram atacadas, um valor alto se comparado com trabalhos relacionados a serpentes feitos anteriormente. No Parque do Estado, cerca de 5% dos modelos foram atacados. \u201cRegistramos mais do que o dobro de ataques na Cantareira\u201d, disse Siqueira \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Mas qual a rela\u00e7\u00e3o entre ter menos predadores e o tamanho das cobras? Segundo Marques, as serpentes crescem a vida toda, apesar de a taxa de crescimento ser muito baixa nos indiv\u00edduos mais velhos.<\/p>\n<p>\u201cPara que possam crescer muito, precisam ter uma longevidade grande, viver muito tempo. Como h\u00e1 menos ataques de predadores no Parque do Estado do que no Cantareira, ent\u00e3o temos uma explica\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel para a exist\u00eancia mais frequente de serpentes gigantes por l\u00e1. A atenua\u00e7\u00e3o da preda\u00e7\u00e3o permite que elas cres\u00e7am\u201d, disse Marques.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, o estudo \u00e9 mais uma contribui\u00e7\u00e3o na busca pela preserva\u00e7\u00e3o de fragmentos florestais como o do Parque do Estado. \u201cEstudos como esse possibilitam entender melhor a din\u00e2mica desses fragmentos florestais, o que pode auxiliar \u2013 por exemplo \u2013 em a\u00e7\u00f5es de manejo para sua conserva\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia do mestrado, Siqueira agora est\u00e1 estudando no doutorado m\u00e9todos e formas para estimar a idade de jararacas e cascav\u00e9is. O procedimento comum \u00e9 fazer cortes nos ossos da cobra, onde existem marcas de crescimento, \u00e0 semelhan\u00e7a do que ocorre com os an\u00e9is dos troncos das \u00e1rvores.<\/p>\n<p>\u201cTemos uma popula\u00e7\u00e3o senil de jararacas e precisamos saber suas idades, conhecer melhor as taxas de crescimento\u201d, concluem os autores do estudo.<\/p>\n<p>O artigo Effects of Urbanization on Bothrops jararaca Populations in S\u00e3o Paulo Municipality, Southeastern Brazil (doi:\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1670\/17-021\">https:\/\/doi.org\/10.1670\/17-021<\/a>), de Lucas Henrique Carvalho Siqueira e Otavio Augusto Vuolo Marques, pode ser lido por assinantes do Journal of Herpetology em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bioone.org\/doi\/full\/10.1670\/17-021\" target=\"_blank\">www.bioone.org\/doi\/full\/10.1670\/17-021<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em\u00a0S\u00e3o Paulo, \u00e9 mais f\u00e1cil encontrar jararacas (Bothrops jararaca) \u201cgigantes\u201d no pequeno fragmento de Mata<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":90973,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/jararaca-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/jararaca-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/jararaca-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/jararaca-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/jararaca-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/jararaca-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/jararaca-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/jararaca-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/jararaca-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/jararaca-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em\u00a0S\u00e3o Paulo, \u00e9 mais f\u00e1cil encontrar jararacas (Bothrops jararaca) \u201cgigantes\u201d no pequeno fragmento de Mata","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90972"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90972"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90972\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90973"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90972"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90972"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90972"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}