{"id":90855,"date":"2018-08-25T11:00:13","date_gmt":"2018-08-25T14:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=90855"},"modified":"2018-08-25T12:07:51","modified_gmt":"2018-08-25T15:07:51","slug":"a-ciencia-que-investiga-o-mundo-secreto-dos-bebes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-ciencia-que-investiga-o-mundo-secreto-dos-bebes\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a a ci\u00eancia que investiga o mundo secreto dos beb\u00eas"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/bebe.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-90856\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/bebe-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/bebe-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/bebe.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Estou segurando meu beb\u00ea, que n\u00e3o para quieto no colo, enquanto dois cientistas tentam gentilmente remover um capacete futurista da cabe\u00e7a dele. O acess\u00f3rio, que parece uma touca de nata\u00e7\u00e3o coberta por um emaranhado de cabos, \u00e9 parte de uma das ferramentas mais avan\u00e7adas em pesquisa sobre a inf\u00e2ncia &#8211; promete revelar mist\u00e9rios da mente dos beb\u00eas e mudar nosso entendimento sobre a fase inicial do desenvolvimento humano.<\/p>\n<p>Mas, neste momento, meu filho de 11 meses aparentemente n\u00e3o quer ser estudado.<\/p>\n<p>&#8220;Me desculpa, beb\u00ea&#8221;, diz Maheen Siddiqui, estudante de doutorado do Babylab, um dos principais centros mundiais de pesquisa da inf\u00e2ncia, na Universidade de Birkbeck, em Londres.<\/p>\n<p>A pesquisadora est\u00e1 utilizando uma t\u00e9cnica pioneira, chamada espectroscopia funcional em infravermelho pr\u00f3ximo (NIRS, na sigla em ingl\u00eas), para investigar o que acontece dentro das c\u00e9lulas cerebrais dos beb\u00eas enquanto eles olham para rostos, desenhos ou objetos.<\/p>\n<p>Ela observa, em especial, uma enzima da mitoc\u00f4ndria (as min\u00fasculas &#8220;usinas&#8221; presentes em nossas c\u00e9lulas que geram a energia de que precisamos para viver).<\/p>\n<p>O equipamento que ela usa emite radia\u00e7\u00e3o infravermelha no c\u00e9rebro, luz com um comprimento de onda espec\u00edfico que passa pelos ossos e tecidos e \u00e9 absorvida pelo sangue. O aparato foi desenvolvido especialmente para ser confort\u00e1vel para os beb\u00eas.<\/p>\n<p>Infelizmente, o meu prefere brincar com a touca do que deix\u00e1-la na cabe\u00e7a. Siddiqui retira a pe\u00e7a com cuidado. Enquanto isso, Laurel Fish, uma assistente de pesquisa, sopra bolhas de sab\u00e3o no laborat\u00f3rio. Meu filho se anima. E eu come\u00e7o a entender alguns desafios pr\u00e1ticos de se estudar as primeiras semanas e meses de vida de uma crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Como os beb\u00eas assimilam o que se passa no mundo? Pais de primeira viagem, meu marido e eu nos faz\u00edamos sempre essa pergunta. Desde que ele nasceu, parecia um pequeno alien\u00edgena: misterioso e fascinante.<\/p>\n<p>Obviamente, nosso beb\u00ea n\u00e3o fazia ideia do que eram roupas. Ent\u00e3o, ser\u00e1 que ele achava que mud\u00e1vamos de cor o tempo todo? E como n\u00e3o tinha senso de perspectiva, ser\u00e1 que ele pensava que diminu\u00edamos de tamanho ao atravessar de um extremo da sala para o outro?<\/p>\n<p>H\u00e1 um longo hist\u00f3rico de cientistas que se dedicaram a explorar o mundo secreto dos beb\u00eas. Charles Darwin, por exemplo, publicou um di\u00e1rio com observa\u00e7\u00f5es detalhadas sobre seu filho (&#8220;Durante a primeira semana, bocejou e alongou com uma pessoa velha &#8211; em especial os membros superiores. Solu\u00e7ou, espirrou, sugou&#8230;&#8221;).<\/p>\n<p>Sua prole contribuiu, assim, para o desenvolvimento de sua teoria sobre a evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas o passado tamb\u00e9m est\u00e1 repleto de mal-entendidos extraordin\u00e1rios, talvez porque os beb\u00eas n\u00e3o consigam nos dizer o que pensam e sentem. Nos s\u00e9culos 19 e 20, muitos cientistas ainda acreditavam que nen\u00e9ns n\u00e3o sentiam dor.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4E16\/production\/_100809991_p062gt6k-1.jpg\" alt=\"Beb\u00ea brincando\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Diversos cientistas se dedicaram a explorar o mundo secreto dos beb\u00eas<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Pesquisadores dos tempos modernos, por outro lado, descrevem os beb\u00eas como atentos, sens\u00edveis e inteligentes. Em nossos primeiros anos de vida, mais de um milh\u00e3o de novas conex\u00f5es neurais s\u00e3o formadas a cada segundo. E grande parte do funcionamento deste c\u00e9rebro t\u00e3o ocupado \u00e9 desconhecido.<\/p>\n<p>Nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, no entanto, os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos ajudaram os cientistas a fazerem novas descobertas.<\/p>\n<p>&#8220;Essa \u00e9 a mistura perfeita entre filosofia e ci\u00eancia. Voc\u00ea est\u00e1, na verdade, se perguntando sobre quest\u00f5es como a origem do conhecimento, o in\u00edcio do pensamento e como a aprendizagem se desenvolve&#8221;, diz Natasha Kirkham, especialista em desenvolvimento infantil e pesquisadora do Babylab.<\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 2000, grande parte da pesquisa da inf\u00e2ncia envolvia monitorar os movimentos dos beb\u00eas e analisar os resultados quadro a quadro em laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>&#8220;Mas, agora, \u00e9 incr\u00edvel o que podemos fazer. A tecnologia neurocient\u00edfica avan\u00e7ou a passos largos&#8221;, comemora Kirkham.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 tantas coisas que voc\u00ea pode fazer com um beb\u00ea. E tanto a aprender sobre o que est\u00e3o pensando sem que eles tenham que te dizer.&#8221;<\/p>\n<p>Exceto, \u00e9 claro, quando eles n\u00e3o querem cooperar.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/14D43\/production\/_103151358_1aee3cf1-2b1e-4e1e-bc1a-a0646de7b454.jpg\" alt=\"Beb\u00ea usa apacete de apar\u00eancia futurista\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">THE BRIGHT PROJECT<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Capacete de apar\u00eancia futurista permite aos cientistas darem uma &#8216;espiada&#8217; nos c\u00e9rebros dos beb\u00eas<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Ap\u00f3s rejeitar o capacete futurista, meu filho agora est\u00e1 vendo uma mulher recitar versos infantis na televis\u00e3o \u00e0 sua frente &#8211; e nitidamente mais satisfeito com essa parte do experimento. Apesar da calma exterior, seu c\u00e9rebro est\u00e1 agora tremendamente ocupado, especialmente a \u00e1rea localizada logo atr\u00e1s da orelha. Essa regi\u00e3o, conhecida como sulco temporal superior (STS), faz parte do nosso &#8220;c\u00e9rebro social&#8221;. \u00c9 onde processamos os encontros com outras pessoas.<\/p>\n<p>Nos adultos, o &#8220;c\u00e9rebro social&#8221; j\u00e1 foi bastante pesquisado. Mas em beb\u00eas, costumava ser completamente inacess\u00edvel, uma vez que eles simplesmente n\u00e3o ficam parados tempo suficiente enquanto est\u00e3o acordados para serem examinados por aparelhos convencionais, como de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que entra a espectroscopia em infravermelho. Siddiqui utiliza um novo prot\u00f3tipo que consegue medir a atividade a n\u00edvel celular, dentro da mitoc\u00f4ndria. Existem algumas evid\u00eancias de que as diferen\u00e7as na fun\u00e7\u00e3o mitocondrial podem estar ligadas ao autismo. At\u00e9 agora, as pesquisas s\u00e3o baseadas na an\u00e1lise p\u00f3s-morte de tecido cerebral.<\/p>\n<p>Ela espera conseguir finalmente testar a hip\u00f3tese em beb\u00eas vivos.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Era da informa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>O projeto de Siddiqui \u00e9 uma das pe\u00e7as de um amplo quebra-cabe\u00e7a cient\u00edfico que vem sendo cuidadosamente montado no Babylab. Pesquisadores est\u00e3o reunindo ainda informa\u00e7\u00f5es de exames de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica de beb\u00eas dormindo, de rastreamento ocular, de eletroencefalogramas que medem a atividade el\u00e9trica no c\u00e9rebro e at\u00e9 mesmo de monitoramento card\u00edaco.<\/p>\n<p>Um objetivo comum \u00e9 entender como acontece o desenvolvimento infantil padr\u00e3o e, em seguida, investigar por que e como alguns beb\u00eas se desenvolvem de maneira diferente. Isso envolve estudar n\u00e3o s\u00f3 suas mentes, mas o ambiente a seu redor.<\/p>\n<p>Kirkham, por exemplo, est\u00e1 interessada em saber como os beb\u00eas conseguem distinguir as informa\u00e7\u00f5es importantes das insignificantes, especialmente em ambientes desorganizados.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9C36\/production\/_100809993_p062gt9g-1.jpg\" alt=\"Pai segura o filho no colo\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Previsibilidade e coer\u00eancia, especialmente no que se refere ao comportamento das pessoas ao redor da crian\u00e7a, s\u00e3o fundamentais para o desenvolvimento infantil<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Os beb\u00eas aprendem observando o mundo, tentando identificar padr\u00f5es e prever o que vem adiante. Mas isso pode ser dif\u00edcil se o ambiente em que est\u00e3o inseridos for ca\u00f3tico ou se as pessoas a sua volta se comportarem de maneira imprevis\u00edvel.<\/p>\n<p>&#8220;Uma das piores coisas que acontece na vida de um beb\u00ea e que pode causar infinitos danos \u00e9 n\u00e3o poder prever as rea\u00e7\u00f5es de outras pessoas&#8221;, afirma Kirkham.<\/p>\n<p>&#8220;Esse tipo de ciclo de neglig\u00eancia-abuso, em que n\u00e3o se sabe o que vai acontecer quando algu\u00e9m chega em casa (ou o que v\u00e3o fazer), causa um dano enorme, porque n\u00e3o ser capaz de prever \u00e9 assustador&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos fatores individuais envolvidos na pesquisa para que os cientistas do Babylab possam dar conselhos espec\u00edficos sobre como criar filhos, mas as pesquisas que eles est\u00e3o conduzindo permitem que os pais tomem algumas decis\u00f5es mais conscientes.<\/p>\n<p>E n\u00e3o apenas porque enfatizam a import\u00e2ncia do cuidado e carinho constantes. Por exemplo, um estudo sobre o efeito das telas\u00a0<i>touchscreen<\/i>\u00a0(sens\u00edveis ao toque) em beb\u00eas e crian\u00e7as pequenas revelou que seu uso est\u00e1 associado a menos sono, mas tamb\u00e9m ao desenvolvimento precoce de coordena\u00e7\u00e3o motora fina.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17453\/production\/_103151359_b495a37f-56b8-4af2-8239-69e926dfbfbd.jpg\" alt=\"Mulher segura beb\u00ea com capacete futurista\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">THE BRIGHT PROJECT<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Um dos objetivos do Babylab \u00e9 entender por que alguns beb\u00eas se desenvolvem de maneira diferente<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Uma ferramenta que se mostrou particularmente completa para esse tipo de descoberta \u00e9 a espectroscopia em infravermelho pr\u00f3ximo. Irradiar essa luz atrav\u00e9s do cr\u00e2nio permite aos pesquisadores medir os n\u00edveis de oxig\u00eanio no sangue que circula no c\u00e9rebro. Isso, por sua vez, fornece uma imagem da atividade cerebral, j\u00e1 que o sangue rico em oxig\u00eanio flui para as \u00e1reas ativas.<\/p>\n<p>Quando Sarah Lloyd-Fox, pesquisadora do Babylab, come\u00e7ou h\u00e1 mais de 10 anos a trabalhar com a tecnologia, ela j\u00e1 era usada para estudar c\u00e9rebros adultos.<\/p>\n<p>Para aplicar em beb\u00eas, ela aperfei\u00e7oou o m\u00e9todo em parceria com pesquisadores da University College London (UCL). Atualmente, Lloyd-Fox desenvolve o &#8220;capacete&#8221; padr\u00e3o &#8211; uma larga faixa preta com cabos acoplados &#8211; para outros laborat\u00f3rios, al\u00e9m de conduzir sua pr\u00f3pria pesquisa.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/DAC1\/production\/_100810065_p062gtlw-1.jpg\" alt=\"Crian\u00e7a brincando\" width=\"642\" height=\"361\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Nos primeiros anos de vida, mais de um milh\u00e3o de novas conex\u00f5es neurais s\u00e3o formadas a cada segundo<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Acho que sou uma das pioneiras&#8221;, diz ela, enquanto nos sentamos na sala de espera do laborat\u00f3rio, um espa\u00e7o que lembra uma creche: alegre e repleto de brinquedos.<\/p>\n<p>Meu filho parece ter esquecido de vez o chap\u00e9u engra\u00e7ado. Ele tenta subir no colo de Lloyd-Fox. Ela aponta para a \u00e1rea atr\u00e1s da orelha dele, que provavelmente neste momento est\u00e1 sendo inundada de sangue rico em oxig\u00eanio &#8211; seu &#8220;c\u00e9rebro social&#8221; est\u00e1 trabalhando intensamente.<\/p>\n<p>As pesquisas dela geraram uma s\u00e9rie de avan\u00e7os. Um dos estudos mostrou, por exemplo, que rec\u00e9m-nascidos com at\u00e9 um dia de vida ativam seu &#8220;c\u00e9rebro social&#8221; em resposta a imagens de uma mulher brincando de esconde-esconde.<\/p>\n<p>Outro levantamento indicou que os c\u00e9rebros de beb\u00eas de quatro a seis meses com alto risco de autismo respondem com menos intensidade aos est\u00edmulos sociais se comparados a um grupo de baixo risco. Ningu\u00e9m tinha sido capaz de demonstrar isso em crian\u00e7as t\u00e3o pequenas antes.<\/p>\n<p>De uma maneira geral, a tecnologia aumenta a probabilidade da descoberta precoce de toda uma s\u00e9rie de diferen\u00e7as neurol\u00f3gicas, ajudando as crian\u00e7as a obterem o apoio adequado muito antes do aparecimento de qualquer sintoma externo.<\/p>\n<p>&#8220;Do ponto de vista comportamental, voc\u00ea n\u00e3o vai ser capaz de identificar se o beb\u00ea tem autismo ou uma les\u00e3o cerebral quando \u00e9 prematuro, possivelmente at\u00e9 ele completar dois ou tr\u00eas anos de vida&#8221;, diz Lloyd-Fox.<\/p>\n<p>&#8220;Mas voc\u00ea pode identificar se h\u00e1 uma resposta cerebral antes de o beb\u00ea ser capaz de reagir de maneira comportamental&#8221;, completa.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Inspira\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Como o equipamento de NIRS \u00e9 port\u00e1til e mais barato do que um aparelho de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, ele tamb\u00e9m pode revolucionar as pesquisas infantis em pa\u00edses mais pobres.<\/p>\n<p>Em 2012, uma cl\u00ednica na G\u00e2mbia entrou em contato com o Babylab &#8211; eles estavam interessados em usar a tecnologia para estudar beb\u00eas da regi\u00e3o. Lloyd-Fox transportou ent\u00e3o todo seu aparato por meio de estradas esburacadas at\u00e9 uma base rural do pa\u00eds africano, onde foi capaz de replicar suas descobertas.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1F59\/production\/_103152080_904993e3-dc05-4ced-95e4-cb35a0698eb4.jpg\" alt=\"Beb\u00ea usa apacete de apar\u00eancia futurista\" width=\"638\" height=\"359\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">THE BRIGHT PROJECT<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Pesquisadores do Babylab usam a espectroscopia em infravermelho para estudar os efeitos da desnutri\u00e7\u00e3o no c\u00e9rebro dos beb\u00eas na G\u00e2mbia<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>O procedimento n\u00e3o foi in\u00e9dito apenas na G\u00e2mbia, mas em toda a \u00c1frica: nunca tinha sido registrada uma imagem do c\u00e9rebro infantil daquela maneira no continente. A colabora\u00e7\u00e3o agora se transformou em um estudo mais amplo sobre o desenvolvimento infantil na G\u00e2mbia e no Reino Unido.<\/p>\n<p>Um dos enfoques da pesquisa \u00e9 o impacto da desnutri\u00e7\u00e3o, uma vez que 25% das crian\u00e7as do pa\u00eds africano est\u00e3o gravemente subnutridas.<\/p>\n<p>&#8220;Uma das principais perguntas \u00e9: como a desnutri\u00e7\u00e3o afeta o c\u00e9rebro?&#8221;, diz a pesquisadora.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo em pesquisas com adultos, eles n\u00e3o fizeram isso, ent\u00e3o estamos de certa forma voando \u00e0s cegas nesse campo. Na verdade, n\u00e3o sabemos exatamente que \u00e1reas do c\u00e9rebro s\u00e3o afetadas em qualquer pessoa, n\u00e3o apenas em beb\u00eas.&#8221;<\/p>\n<p>Enquanto isso, em Londres, o Babylab est\u00e1 sendo ampliado. Nos pr\u00f3ximos anos, vai inaugurar um laborat\u00f3rio para crian\u00e7as pequenas com uma caverna de realidade virtual, que promete uma perspectiva completamente nova em rela\u00e7\u00e3o a esse est\u00e1gio crucial do desenvolvimento humano.<\/p>\n<p>No fim da minha visita, meu filho adormece. Hoje foi mais um dia emocionante para ele, cheio de novidades.<\/p>\n<p>Eu reflito sobre o que a experi\u00eancia me ensinou como m\u00e3e. Foi reconfortante ouvir que os beb\u00eas realmente nos observam e respondem muito antes de conseguirem se expressar. Tamb\u00e9m foi gratificante saber que muito do que os pais fazem instintivamente &#8211; como o afago e os ru\u00eddos engra\u00e7ados &#8211; tem s\u00f3lido respaldo cient\u00edfico e proporciona o melhor ambiente para o c\u00e9rebro deles se desenvolver.<\/p>\n<p>E ser\u00e1 que os rec\u00e9m-nascidos acham que realmente mudamos de cor e tamanho o tempo todo? Segundo Kirkham, especialista em desenvolvimento infantil, essa \u00e9 uma pergunta brilhante. E ela responde que sim, \u00e9 poss\u00edvel que meu filho tenha pensado que mudamos de cor. Mas, muito provavelmente, ele simplesmente ignorou as roupas e se concentrou no que realmente importava para ele: os rostos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estou segurando meu beb\u00ea, que n\u00e3o para quieto no colo, enquanto dois cientistas tentam gentilmente<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":90856,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/bebe.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/bebe-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/bebe-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/bebe.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/bebe.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/bebe.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/bebe.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/bebe.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/bebe.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/bebe.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Estou segurando meu beb\u00ea, que n\u00e3o para quieto no colo, enquanto dois cientistas tentam gentilmente","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90855"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90855"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90855\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90856"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90855"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90855"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90855"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}