{"id":90563,"date":"2018-08-20T10:08:35","date_gmt":"2018-08-20T13:08:35","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=90563"},"modified":"2018-08-20T10:10:01","modified_gmt":"2018-08-20T13:10:01","slug":"oleo-de-palma-agora-ameaca-primatas-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/oleo-de-palma-agora-ameaca-primatas-na-africa\/","title":{"rendered":"Indigesto? \u00d3leo de palma agora amea\u00e7a primatas na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/macaco.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-90565\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/macaco-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/macaco-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/macaco.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Talvez voc\u00ea n\u00e3o tenha reparado, mas\u00a0o \u00f3leo de palma est\u00e1 presente em uma variedade de produtos do cotidiano, de alimentos processados a\u00a0detergentes, cosm\u00e9ticos e produtos de higiene pessoal. Mas essa quase \u201conipresen\u00e7a\u201d sai caro para o\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/noticias-sobre\/meio-ambiente\" target=\"_blank\">meio ambiente<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>Nos dois principais pa\u00edses produtores de \u00f3leo de palma \u2013 Indon\u00e9sia e Mal\u00e1sia, que respondem por mais de 80% da produ\u00e7\u00e3o global \u2013 o cultivo da\u00a0palmeira de dend\u00ea acontece, historicamente, \u00e0s custas do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/noticias-sobre\/desmatamento\" target=\"_blank\">desmatamento<\/a><\/strong>\u00a0de florestas tropicais, o que gera conflitos com comunidades tradicionais e preju\u00edzos \u00e0\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/noticias-sobre\/biodiversidade\/\" target=\"_blank\">biodiversidade<\/a>\u00a0<\/strong>da regi\u00e3o.\u00a0Na ilha de Born\u00e9u, a popula\u00e7\u00e3o de orangotangos, animais amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o,\u00a0<a class=\"css-1g7m0tk\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2017\/04\/25\/world\/asia\/indonesia-borneo-orangutans-palm-oil.html\">diminuiu em 80%<\/a>\u00a0nos \u00faltimos 75 anos.<\/p>\n<p>Atentos \u00e0\u00a0demanda global do produto e \u00e0s press\u00f5es crescentes nos pa\u00edses produtores, as ind\u00fastrias do setor voltam seus olhos para a \u00c1frica. Com suas terras tropicais adapt\u00e1veis ao cultivo de dend\u00ea, o continente surge como uma oportunidade para governos, ind\u00fastria e pequenos produtores gerarem renda.<\/p>\n<p>Mas as li\u00e7\u00f5es do Sudeste Asi\u00e1tico levaram uma equipe internacional de pesquisadores a avaliar recentemente o impacto potencial da expans\u00e3o do cultivo de dendezeiros sobre os primatas que habitam o continente africano.<\/p>\n<p>Composta por pesquisadores do CIRAD (Centro\u00a0de coopera\u00e7\u00e3o internacional em\u00a0pesquisa\u00a0agron\u00f4mica para o desenvolvimento) e do Centro de Pesquisa Conjunta da Comiss\u00e3o Europeia, a equipe combinou dados sobre processos de convers\u00e3o da terra para esta cultura com dados sobre a distribui\u00e7\u00e3o, diversidade e o estado de vulnerabilidade dos animais.<\/p>\n<p>A meta dos cientistas era identificar zonas onde o cultivo de dendezeiros seria o mais produtivo e que, ao mesmo tempo, teria um baixo impacto sobre os primatas.<\/p>\n<p>Eles concluem que conciliar o desenvolvimento do dendezeiro na \u00c1frica e a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade ser\u00e1 muito dif\u00edcil: apenas 3,3 milh\u00f5es de hectares (Mha) foram consideradas adequados para o cultivo com baixo impacto para os animais, n\u00famero que cai para 0,13 Mha se consideradas apenas terras de alto rendimento.<\/p>\n<p>Para agravar o quadro, esses valores de 3,3 Mha e 0,13 Mha correspondem respectivamente a 6,2% e 0,2% dos 53 Mha de terra necess\u00e1rios para atender o aumento da demanda por \u00f3leo de palma estimado para 2050.<\/p>\n<div class=\"content-image alignnone wp-caption\">\n<div class=\"image\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-3045719\" title=\"oleopalma-congo\" src=\"https:\/\/abrilexame.files.wordpress.com\/2018\/08\/oleopalma-congo.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;strip=info\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" srcset=\"https:\/\/abrilexame.files.wordpress.com\/2018\/08\/oleopalma-congo.jpg?quality=70&amp;strip=info 680w, https:\/\/abrilexame.files.wordpress.com\/2018\/08\/oleopalma-congo.jpg?quality=70&amp;strip=info 150w, https:\/\/abrilexame.files.wordpress.com\/2018\/08\/oleopalma-congo.jpg?quality=70&amp;strip=info 300w\" alt=\"\" width=\"680\" height=\"453\" border=\"0\" data-image-title=\"oleopalma-congo\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"\u00a9 Andreas Brink \/ CIRAD\" data-image-caption=\"Planta\u00e7\u00e3o de \u00f3leo de palma na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.\" \/>\u00a0Planta\u00e7\u00e3o de \u00f3leo de palma na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.<\/div>\n<p class=\"caption\">Planta\u00e7\u00e3o de \u00f3leo de palma na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.\u00a0(\u00a9 Andreas Brink \/ CIRAD\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Mudan\u00e7as no campo e \u00e0 mesa<\/strong><\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m analisou poss\u00edveis\u00a0cen\u00e1rios de mitiga\u00e7\u00e3o. Um caminho seria identificar trajet\u00f3rias para a expans\u00e3o do cultivo de dend\u00ea com base em crit\u00e9rios para minimizar e retardar ao m\u00e1ximo poss\u00edvel a perda de habitat natural dos primatas.<\/p>\n<p>Para isso, os pesquisadores compararam quatro cen\u00e1rios: dois cen\u00e1rios de expans\u00e3o de \u00f3leo de palma para otimizar a receita e dois outros cen\u00e1rios para otimizar a conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para cen\u00e1rios que maximizam a receita, as terras mais produtivas e acess\u00edveis seriam as primeiras convertidas em planta\u00e7\u00f5es de dend\u00ea.<\/p>\n<p>Para cen\u00e1rios que maximizam a conserva\u00e7\u00e3o, \u00e1reas florestadas com baixo estoque de carbono e baixa vulnerabilidade dos primatas seriam convertidas primeiro.<\/p>\n<p>Mas o resultado n\u00e3o foi t\u00e3o animador: mesmo em um cen\u00e1rio que busca minimizar o impacto sobre os primatas, cinco esp\u00e9cies perderiam em m\u00e9dia 1 hectare de habitat quando 1 hectare de terra for convertido para o cultivo de dendezeiro.<\/p>\n<p>Uma segunda estrat\u00e9gia estudada pelos cientistas \u00e9 aumentar os rendimentos das planta\u00e7\u00f5es atuais atrav\u00e9s do uso de \u00f3leo de semente de alta produtividade e da ado\u00e7\u00e3o de melhores pr\u00e1ticas agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Iniciativas como a Mesa Redonda do \u00d3leo de Palma Sustent\u00e1vel (RSPO, na sigla em ingl\u00eas), que apoia a produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de \u00f3leo de palma e fortalece processos de certifica\u00e7\u00e3o ambiental, tamb\u00e9m foram citadas\u00a0como ben\u00e9ficas pelos autores da pesquisa.<\/p>\n<p>Outra solu\u00e7\u00e3o, essa do lado do consumidor, \u00e9 reduzir a demanda futura de \u00f3leo de palma nos pa\u00edses, atrav\u00e9s de um consumo mais respons\u00e1vel e da busca de alternativas ao biodiesel.<\/p>\n<p>H\u00e1 tempos, grandes marcas globais como a Nestl\u00e9, Unilever e Mondelez se comprometeram a deixar de usar \u00f3leo de palma sem origem sustent\u00e1vel at\u00e9 2020, mas os ambientalistas dizem que as empresas n\u00e3o est\u00e3o se movendo r\u00e1pido o suficiente para conter um desastre irrevers\u00edvel para os animais.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.pnas.org\/content\/early\/2018\/08\/07\/1804775115\" target=\"_blank\">Os resultados foram publicados na revista americana PNAS.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Talvez voc\u00ea n\u00e3o tenha reparado, mas\u00a0o \u00f3leo de palma est\u00e1 presente em uma variedade 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