{"id":90545,"date":"2018-08-19T19:36:07","date_gmt":"2018-08-19T22:36:07","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=90545"},"modified":"2018-08-19T19:44:07","modified_gmt":"2018-08-19T22:44:07","slug":"caminhos-da-serra-do-mar-travessia-mae-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/caminhos-da-serra-do-mar-travessia-mae-do-brasil\/","title":{"rendered":"Caminhos da Serra do Mar, travessia m\u00e3e do Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/MANCHETE-Ft-Ivan-Monteiro-1024x683.jpg\" width=\"638\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p>Por Pedro da Cunha e Menezes e Leandro Goulart*<\/p>\n<p>H\u00e1 200 anos, no dia 8 de setembro de 1818, Johan Manuel Pohl, integrante da Miss\u00e3o Austr\u00edaca que acompanhou a Princesa Leopoldina ao Brasil, iniciou sua jornada pelo interior do pa\u00eds. Pohl come\u00e7ou o p\u00e9riplo pela Praia dos Mineiros, na regi\u00e3o da atual Pra\u00e7a XV, no Rio de Janeiro, onde embarcou em dire\u00e7\u00e3o ao Porto da Estrela, pr\u00f3ximo \u00e0 atual APA de Guapimirim, no fundo da Ba\u00eda de Guanabara.<\/p>\n<p>Na viagem, o bot\u00e2nico percorreu boa parte do tra\u00e7ado dos Caminhos da Serra do Mar, uma das primeiras e, sem sombra de d\u00favida, a mais emblem\u00e1tica de todas as trilhas de longo curso do Brasil.<\/p>\n<p>O naturalista zarpou \u00e0s cinco da tarde, com vento t\u00e3o fraco que o barco precisou da \u201c<i>for\u00e7a muscular de cinco negros para navegar a remo\u201d<\/i>. Sua embarca\u00e7\u00e3o singrou sob \u201cnoite espl\u00eandida, entre belas ilhas, em parte repletas de palmeiras\u201d. Ao chegar na foz do Inhomirim foi necess\u00e1rio esperar que a mar\u00e9 subisse para continuar rio acima.<\/p>\n<p>Dois s\u00e9culos mais tarde, em 1997, quando fizemos esse tra\u00e7ado, em companhia do autor do Guia da Estrada Real para Caminhantes, Raphael Oliv\u00e9, passamos por experi\u00eancia semelhante. Na \u00e9poca, pegamos a barca at\u00e9 Paquet\u00e1, onde trocamos para uma balsa menor. Ao chegar ao Inhomirim a mar\u00e9 estava baixa. Encalhamos pateticamente no lodo depositado na boca do rio. Depois de quase uma hora atolados embaixo de sol quente, foi necess\u00e1rio entrar na \u00e1gua e, chafurdados na lama at\u00e9 as coxas, rebocar o barco por uns 200 metros at\u00e9 entrarmos no rio. A partir da\u00ed foi navegar novamente e admirar a natureza, que pouco mudou daquela que deixou Pohl de olhos arregalados:\u00a0<i>\u201csuas margens s\u00e3o muito pantanosas, mas cheias de palmeiras gigantescas, fetos arborescentes, altos juncos, canas-da-\u00cdndia, e plantas aqu\u00e1ticas que, ante os olhos admirados, exibem as mais variadas formas e folhagens.<\/i>\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_62451\" class=\"wp-caption alignright\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-62451\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/apa-Foto-Viviane-Lund-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/apa-Foto-Viviane-Lund-1.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/apa-Foto-Viviane-Lund-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/apa-Foto-Viviane-Lund-1-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">APA Guapimirim. Foto: Viviane Lund.<\/p>\n<\/div>\n<p>A regi\u00e3o foi revisitada em 2017, em companhia da Analista Ambiental do ICMBio Juliana Fukuda. Na ocasi\u00e3o, navegamos pelos rios e canais da \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental de Guapimirim e da Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica Guanabara. Tamb\u00e9m caminhamos pelas trilhas que margeiam os corpos d\u00b4\u00e1gua. A beleza dos manguezais do fundo da Ba\u00eda segue estonteante, sobretudo quando aliada \u00e0s frequentes revoadas de p\u00e1ssaros dentro do estreito corredor de vegeta\u00e7\u00e3o que delimita as margens dos rios.<\/p>\n<p>Enquanto percorr\u00edamos as unidades de conserva\u00e7\u00e3o, Juliana ia explicando os esfor\u00e7os feitos no sentido de criar oportunidades de turismo de base comunit\u00e1ria na APA. Uma das ideias \u00e9 o desenvolvimento de trilhas aqu\u00e1ticas que podem ser feitas com canoas canadenses, caiaques ou SUPs. A iniciativa, \u00f3tima por sinal, \u00e9 aplicada com muita frequ\u00eancia nos Estados Unidos e no Canad\u00e1 e j\u00e1 foi objeto de capacita\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o Florestal Americano para o ICMBio.<\/p>\n<p>Uma vez posta em pr\u00e1tica, permitir\u00e1 a conex\u00e3o das duas trilhas de longo curso pioneiras do Brasil, a Trilha Transcarioca e os Caminhos da Serra do Mar. Esta \u00faltima, em seu trecho inicial, enquanto sobe a Serra dos \u00d3rg\u00e3os, tamb\u00e9m acompanha a Estrada Real, emprestando \u00e0 Travessia de seis dias um delicioso tempero de Hist\u00f3ria com H mai\u00fasculo.<\/p>\n<p>Porto da Estrela, onde a Estrada Real tinha seu in\u00edcio, ainda existe. Em 1818 era uma\u00a0<i>\u201clocalidade com sessenta casas de madeira, mal constru\u00eddas, que amea\u00e7am ruir, e uma capela sobre um outeiro de granito&#8230;Cada casa tem uma venda, sendo o lugar uma esp\u00e9cie de emp\u00f3rio para mercadorias vindas das Minas Gerais e das regi\u00f5es do nordeste do Reino e que aqui s\u00e3o embarcadas para o Rio de Janeiro. Aqui se encontra toler\u00e1vel estalagem, na qual se consegue, por bom dinheiro, um quarto de dormir com uma arma\u00e7\u00e3o de cama, sem len\u00e7\u00f3is, um prato de feij\u00e3o com carne-seca e, no m\u00e1ximo, uma galinha com arroz<\/i>\u201d. \u00a0Hoje \u00e9 um amontoado de ru\u00ednas que, se estiv\u00e9ssemos em outro pa\u00eds, seria administrado como um museu a c\u00e9u aberto.<\/p>\n<div id=\"attachment_62453\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-62453\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/apa-1-4-Foto-Viviane-Lund-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/apa-1-4-Foto-Viviane-Lund-1.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/apa-1-4-Foto-Viviane-Lund-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/apa-1-4-Foto-Viviane-Lund-1-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Siga rumo \u00e0s montanhas. Foto: Viviane Lund.<\/p>\n<\/div>\n<p>Da\u00ed, que \u00e9 uma das op\u00e7\u00f5es de come\u00e7o dos Caminhos da Serra do Mar, at\u00e9 Petr\u00f3polis, \u00e9 preciso atravessar o asfalto at\u00e9 a Raiz da Serra onde encontramos razoavelmente preservada a trilha hist\u00f3rica usada pelos naturalistas. Trata-se de uma estrada constru\u00edda por Bernardo Proen\u00e7a em 1723, toda em p\u00e9-de-moleque.<\/p>\n<p>A descri\u00e7\u00e3o que Pohl fez do trajeto ainda \u00e9 atual: \u201c<i>Estrada cal\u00e7ada com pedras, cheia de curvas, de tr\u00eas bra\u00e7as de largura e uma l\u00e9gua de comprimento [<\/i>Em 1818 uma l\u00e9gua terrestre portuguesa equivalia a 6,6 km],<i>\u00a0a qual em raz\u00e3o de suas escarpas, nunca poder\u00e1 ser trafegada por carros. Com fresco vento de leste, come\u00e7amos a viagem montanha acima. O caminho \u00e9 bastante cansativo; entre o zunir de incont\u00e1veis colibris, o esvoa\u00e7ar de variegadas borboletas e a inc\u00f4moda gritaria de multid\u00f5es de papagaios, passa-se atrav\u00e9s de r\u00e9xias arb\u00f3reas com grandes flores lilases, entre belos pinheiros brasileiros (arauc\u00e1ria imbricata), \u00e1gaves e milhares de outras plantas, cujas flores mudam com as esta\u00e7\u00f5es e que subiam para os calvos picos gran\u00edticos da serra. Ali, grandioso panorama compensa o esfor\u00e7o da ascens\u00e3o. Longe, sobre a terra, sobre a encantadora ba\u00eda do Rio de Janeiro e suas ilhas, at\u00e9 a imensur\u00e1vel superf\u00edcie do oceano, o olhar voa entontecido e, nessa multiplicidade de encantos, n\u00e3o sabe onde primeiro deve pousar e deter-se<\/i>.\u201d Subir esse trecho dos Caminhos da Serra do Mar acompanhado de um guia da regi\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia \u00fanica, pois seus olhos calejados nos chamam aten\u00e7\u00e3o para detalhes escondidos dessa rica Hist\u00f3ria, ao tempo em que nos aponta com destreza plantas escondidas e animais furtivos.<\/p>\n<p>O primeiro dia, embora curto, \u00e9 \u00edngreme. Quando o terminamos, j\u00e1 junto \u00e0 rua Teresa em Petr\u00f3polis, a fome bate forte. Felizmente n\u00e3o h\u00e1 falta de restaurantes ou lanchonetes na regi\u00e3o, permitindo saciar a fome antes de buscarmos um colch\u00e3o macio para passar a noite.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Foto_Leonardo-Gomes-6-1024x229.jpg\" width=\"636\" height=\"142\" \/><\/p>\n<div id=\"attachment_62455\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 648px;\">\n<p>Foto: Leonardo Gomes.<\/p>\n<\/div>\n<p>No segundo dia, ap\u00f3s um caf\u00e9 da manh\u00e3 bem fornido na Cidade Imperial de Petr\u00f3polis, retomamos os Caminhos da Serra do Mar caminhando na bel\u00edssima travessia Cobi\u00e7ado-Ventania, que recentemente teve sua sinaliza\u00e7\u00e3o refeita pela equipe do Parque Nacional da Serra dos \u00d3rg\u00e3os. A cabritada de 12 km \u00e9 pesada: demora sete horas; sete horas de puro deslumbramento. Enquanto, na v\u00e9spera, o passeio era em meio \u00e0 mata, com direito ao som calmante dos ribeir\u00f5es, hoje o percurso \u00e9 na crista das montanhas que dividem Petr\u00f3polis de Mag\u00e9, com vistas cont\u00ednuas para ambos os lados. No trajeto, passamos pelo Pico dos V\u00e2ndalos, que \u00e9 ponto culminante do trecho, com 1742 m de altitude e um panorama de cair o queixo.<\/p>\n<p>No dia seguinte, iniciamos a jornada seguindo as pegadas amarelas e pretas que s\u00e3o a marca registrada do Sistema Brasileiro de Trilhas, mas que t\u00eam uma identidade pr\u00f3pria nos Caminhos da Serra do Mar, cuja bela pegada valoriza a inconfund\u00edvel silhueta do Dedo de Deus. Progredimos em meio a pequenas propriedades rurais no bairro de Caxambu. O caminho rural est\u00e1 inserido na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental de Petr\u00f3polis, que \u00e9 uma das categorias de unidades de conserva\u00e7\u00e3o definidas pela legisla\u00e7\u00e3o brasileira. Logo chegamos \u00e0 beira da floresta onde est\u00e1 a placa de entrada da Trilha Uricanal. \u00a0Agora voltamos a caminhar no meio da mata. Inicialmente a trilha, que est\u00e1 bem sinalizada, desce e sobe at\u00e9 chegar a uma gruta com a placa dos Caminhos da Serra do Mar. Tire sua foto junto \u00e0 placa para assegurar o carimbo no seu passaporte dos Caminhos. Da\u00ed para a frente a trilha avan\u00e7a suavemente at\u00e9 sair novamente da mata e seguir um pequeno trecho em \u00e1rea rural at\u00e9 a entrada do Parque Nacional da Serra dos \u00d3rg\u00e3os.<\/p>\n<div id=\"attachment_62446\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-62446\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Foto_Leonardo-Gomes-1-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Foto_Leonardo-Gomes-1-1.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Foto_Leonardo-Gomes-1-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Foto_Leonardo-Gomes-1-1-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Pegada amarela e preta com a silhueta inconfund\u00edvel do Dedo de Deus. Foto: Leonardo Gomes.<\/p>\n<\/div>\n<p>O quarto dia marca o in\u00edcio da Travessia Petr\u00f4 x Ter\u00ea, trilha mais famosa do Brasil. Segundo o maior historiador do montanhismo brasileiro, Waldecy Mathias, o percurso foi desbravado pela primeira vez, entre os dias 24 a 28 de mar\u00e7o de 1932 por uma equipe do Centro Excursionista Brasileiro. Alguns anos depois, em 1939, foi criado o Parque Nacional da Serra dos \u00d3rg\u00e3os. Seu primeiro diretor, Gil Sobral Pinto, logo se p\u00f4s a trabalhar para transformar a Travessia em uma trilha compar\u00e1vel aos caminhos de montanhismo ent\u00e3o existentes na Fran\u00e7a, Su\u00ed\u00e7a e Estados Unidos. \u00a0A picada \u00edngreme e muito erodida que existia at\u00e9 a Pedra do Sino foi substitu\u00edda por uma trilha bem planejada, respeitando as curvas de n\u00edvel de forma a facilitar o acesso e a minimizar os impactos da eros\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m seguindo o exemplo da Europa, foram constru\u00eddos quatro abrigos de montanha no decorrer da d\u00e9cada de 1940. \u00a0Desde ent\u00e3o a Travessia Petr\u00f4 x Ter\u00ea tem sido considerada a vedete das travessias brasileiras. Ela tamb\u00e9m \u00e9 a segunda metade do atual tra\u00e7ado dos Caminhos da Serra do Mar. Mozart Cat\u00e3o, lenda do montanhismo brasileiro, fazia a travessia inteira de um s\u00f3 f\u00f4lego. Algumas pessoas percorrem sua extens\u00e3o em dois dias. O mais prazeroso, contudo, \u00e9 completar a travessia em tr\u00eas dias com pernoites nos abrigos do A\u00e7u e do Sino.<\/p>\n<p>Apesar de estar sinalizada, n\u00e3o se trata de travessia para inexperientes. Recomenda-se vivamente a contrata\u00e7\u00e3o de um guia. No primeiro dia, a subida at\u00e9 o A\u00e7u \u00e9 bem \u00edngreme e desgastante, embora haja diversos pontos de parada, onde \u00e9 poss\u00edvel parar e recuperar o f\u00f4lego enquanto se tem uma bela vista para apreciar. \u00a0No segundo dia, a caminhada \u00e9 de uma beleza \u00edmpar, passando por campos de altitude, vegeta\u00e7\u00e3o rup\u00edcola e trechos de rocha nua. A etapa tem alguns locais, como o conhecido por Cavalinho, que exigem bastante t\u00e9cnica para serem transpostos. Quem for acompanhado de um guia ter\u00e1 mais seguran\u00e7a para vencer esses obst\u00e1culos perigosos.<\/p>\n<div id=\"attachment_62448\" class=\"wp-caption alignright\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-62448\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Travessia-Petro-Tere-_-foto_-Bruno-Nepomuceno-3.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Travessia-Petro-Tere-_-foto_-Bruno-Nepomuceno-3.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Travessia-Petro-Tere-_-foto_-Bruno-Nepomuceno-3-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Travessia-Petro-Tere-_-foto_-Bruno-Nepomuceno-3-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">E tome subida na travessia. Foto: Bruno Nepomuceno.<\/p>\n<\/div>\n<p>Na parte superior da serra as neblinas s\u00e3o recorrentes, j\u00e1 tendo sido respons\u00e1veis por que muita gente se perdesse, n\u00e3o alcan\u00e7ando os abrigos com luz do dia. Nessa hora a sinaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 grande amiga, tanto do caminhante que tem nela uma ajuda para encontrar a rota certa, quanto para o meio ambiente, pois a sinaliza\u00e7\u00e3o induz o uso de uma \u00fanica trilha, evitando o pisoteio indiscriminado e aleat\u00f3rio, cuja consequ\u00eancia \u00e9 o impacto desnecess\u00e1rio do solo e da fr\u00e1gil vegeta\u00e7\u00e3o do topo da montanha.<\/p>\n<p>Esse tipo de \u00a0sinaliza\u00e7\u00e3o, como bem explicado no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/images\/stories\/comunicacao\/publicacoes\/publicacoes-diversas\/manual_de_sinalizacao_de_trilhas_ICMBio_2018.pdf\">manual de Sinaliza\u00e7\u00e3o de Trilhas do ICMBio<\/a>\u00a0visa a proteger os recursos naturais do Parque. N\u00e3o \u00e9, entretanto, a \u00fanica a\u00e7\u00e3o de manejo feita pela equipe de monitores de trilhas do PARNASO. Com efeito, sob a lideran\u00e7a do Analista Ambiental Leonardo Gomes e do t\u00e9cnico de trilhas Pheterson Godinho, o ICMBio est\u00e1 recuperando as trilhas que formam os Caminhos da Serra do Mar, retificando tra\u00e7ados, melhorando sua drenagem e reduzindo os impactos do pisoteio sobre as zonas \u00famidas. \u00c0 medida em que o trabalho for progredindo, ser\u00e1 drasticamente reduzida a quantidade de pegadas amarelas e pretas usadas como recurso de manejo, restando apenas aquelas cujo objetivo \u00e9 orientar o caminhante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dire\u00e7\u00e3o a ser seguida.<\/p>\n<p>O pernoite desse trecho \u00e9 feito no Abrigo do Sino, onde um bom banho quente, acompanhado de uma refei\u00e7\u00e3o saborosa e de uma cama macia, ajudam a recuperar as for\u00e7as para a descida at\u00e9 o port\u00e3o do Parque no \u00faltimo dia dos Caminhos, que n\u00e3o precisam terminar na barragem. Uma vez chegando ali, recomenda-se emendar a s\u00e9rie de trilhas da parte baixa do Parque, com destaque para a Mozart Cat\u00e3o e a Cart\u00e3o Postal que foram recentemente abertas pela equipe do Parque e levam o caminhante a mirantes excepcionais.<\/p>\n<div id=\"attachment_62449\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-62449\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sem-autor.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sem-autor.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sem-autor-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sem-autor-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Sinaliza\u00e7\u00e3o da trilha. Foto: Leonardo Gomes.<\/p>\n<\/div>\n<p>Se chegar ao port\u00e3o do Parque com gostinho de quero mais, n\u00e3o desanime. Ao idealizar, em 2012, a cria\u00e7\u00e3o dos Caminhos da Serra do Mar, o Chefe do Parque Nacional da Serra dos \u00d3rg\u00e3os, Leandro Goulart, j\u00e1 vislumbrava sua extens\u00e3o at\u00e9 Vit\u00f3ria, passando pelo\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/parnaserradosorgaos\/destaques\/95-caminhos-da-serra-do-mar-entrevista-com-leandro-goulart.html\">Parque Estadual dos Tr\u00eas Picos e Casimiro de Abreu<\/a>. Hoje, com a implementa\u00e7\u00e3o da Trilha Oiapoque x Chu\u00ed pelo ICMBio e parceiros, o sonho de Leandro (e da grande maioria da comunidade montanhista brasileira) come\u00e7a a ganhar contornos de realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*Leandro Goulart \u00e9 analista ambiental e chefe do Parque Nacional da Serra dos \u00d3rg\u00e3os.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Pedro da Cunha e Menezes e Leandro Goulart* H\u00e1 200 anos, no dia 8<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Pedro da Cunha e Menezes e Leandro Goulart* H\u00e1 200 anos, no dia 8","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90545"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90545"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90545\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90545"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90545"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90545"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}