{"id":9053,"date":"2014-10-24T10:00:01","date_gmt":"2014-10-24T10:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=9053"},"modified":"2014-10-24T10:34:35","modified_gmt":"2014-10-24T10:34:35","slug":"publicacao-mapeia-projetos-em-quimica-verde-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/publicacao-mapeia-projetos-em-quimica-verde-no-mundo\/","title":{"rendered":"Publica\u00e7\u00e3o mapeia no mundo projetos em Qu\u00edmica Verde ambientalmente sustent\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/quimica_verde.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-9054\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/quimica_verde.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Em 1952, quando se passou a discutir mais o uso de <a href=\"http:\/\/www.exame.com.br\/topicos\/energia-nuclear\"><strong>energia nuclear<\/strong><\/a> para fins pac\u00edficos, foram apontadas cerca de 110 potenciais <a href=\"http:\/\/www.exame.com.br\/topicos\/tecnologia\"><strong>tecnologias<\/strong><\/a> para produzir energia a partir do \u00e1tomo.<\/p>\n<p>Tr\u00eas anos depois, em 1955, apenas uma d\u00fazia delas foi considerada promissora e somente tr\u00eas tornaram-se vi\u00e1veis industrialmente: as que utilizam reatores de \u00e1gua leve e pesada e a baseada em solu\u00e7\u00f5es g\u00e1s-grafite.<\/p>\n<p>Especialistas na \u00e1rea de \u201cQu\u00edmica Verde\u201d \u2013 como \u00e9 definida a cria\u00e7\u00e3o de produtos e processos qu\u00edmicos ambientalmente sustent\u00e1veis \u2013 estimam que o mesmo processo de \u201csele\u00e7\u00e3o natural\u201d deve acontecer no campo das iniciativas relacionadas ao desenvolvimento de biocombust\u00edveis e materiais renov\u00e1veis baseadas em rotas tecnol\u00f3gicas inovadoras.<\/p>\n<p>\u201cMuitos projetos existentes hoje morrer\u00e3o antes de serem produzidos em escala comercial. S\u00f3 alguns sobreviver\u00e3o por ter o privil\u00e9gio cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico ou a sorte hist\u00f3rica de alcan\u00e7ar o mercado investidor\u201d, disse Jo\u00e3o Furtado, professor da Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e diretor da empresa Elabora Consultoria, \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>A fim de auxiliar os tomadores de decis\u00e3o de investimento a identificar os projetos mais promissores na \u00e1rea, a empresa de consultoria preparou um comp\u00eandio, reunindo 250 iniciativas que est\u00e3o sendo desenvolvidas em diferentes pa\u00edses.<\/p>\n<p>Intitulada World directory of advanced renewable fuels and chemicals, a publica\u00e7\u00e3o, que contou com apoio da FAPESP, foi lan\u00e7ada na segunda-feira (20\/10) durante o 2nd Brazilian BioEnergy Science and Technology Conference (BBEST), que ocorre at\u00e9 sexta-feira (24\/10) em Campos do Jord\u00e3o (SP).<\/p>\n<p>\u201cO objetivo da publica\u00e7\u00e3o \u00e9 oferecer um panorama abrangente das principais iniciativas hoje no mundo, para reduzir o grau de incerteza dos agentes tomadores de decis\u00e3o nos campos cient\u00edfico, tecnol\u00f3gico, industrial e comercial\u201d, afirmou Furtado. \u201cA falta de informa\u00e7\u00e3o de qualidade aumenta o grau de incerteza e, consequentemente, eleva os riscos presumidos e adia a tomada de decis\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com o professor, os 250 projetos listados na publica\u00e7\u00e3o foram anunciados at\u00e9 2012 e t\u00eam origem tanto em grandes empresas como em start-ups, universidades, spin-offs (empresas surgidas em universidades) e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa.<\/p>\n<p>Alguns deles s\u00e3o iniciativas individuais, mas outros contam com uma complexa rede de parcerias formada por empresas de diversos setores, como de biotecnologia, energia e bens de consumo, por exemplo.<\/p>\n<p>\u201cAs iniciativas nessa \u00e1rea se deparam com incerteza na trajet\u00f3ria tecnol\u00f3gica e podem resultar no desenvolvimento tanto de um novo material, como de um biocombust\u00edvel ou um insumo para um bem de consumo\u201d, disse Furtado. \u201cPara isso, precisam reunir apoio de parceiros de diferentes setores, como das ind\u00fastrias de energia e bens de consumo, por exemplo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>De acordo com o professor, os principais crit\u00e9rios para a sele\u00e7\u00e3o dos projetos foram: ser baseado em inova\u00e7\u00e3o radical \u2013 que pode resultar em um produto novo \u2013 e ter uma alta probabilidade de atrair investidores.<\/p>\n<p>\u201cMuitos projetos listados j\u00e1 contam com parcerias com empresas de petr\u00f3leo, energia e automobil\u00edstica\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Sele\u00e7\u00e3o dos projetos<\/strong><\/p>\n<p>Os projetos selecionados foram identificados a partir de fontes p\u00fablicas, como a internet.<\/p>\n<p>Uma equipe t\u00e9cnica da empresa, formada por engenheiros qu\u00edmicos e profissionais de outras \u00e1reas, recolheu e analisou durante dois anos as informa\u00e7\u00f5es para identificar os mais promissores em termos de esfor\u00e7os cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es foram validadas pelos autores da publica\u00e7\u00e3o por meio de pesquisas realizadas com l\u00edderes dos projetos.<\/p>\n<p>\u201cConseguimos reunir informa\u00e7\u00f5es muito espec\u00edficas de cada um dos projetos relacionados, como a capacidade da planta, total do investimento, patentes e a descri\u00e7\u00e3o da rota tecnol\u00f3gica utilizada, o principal ponto de focaliza\u00e7\u00e3o dos esfor\u00e7os cient\u00edficos\u201d, disse Guilherme de Oliveira Marques, s\u00f3cio da Elabora Consultoria e coordenador da equipe t\u00e9cnica do projeto.<\/p>\n<p>Projetos de 38 pa\u00edses foram inclu\u00eddos na publica\u00e7\u00e3o. Os Estados Unidos, com 94 projetos, s\u00e3o o pa\u00eds com o maior n\u00famero de iniciativas relacionadas ao desenvolvimento de tecnologias de pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o em combust\u00edveis avan\u00e7ados realizados em seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Os outros s\u00e3o Brasil (33), Alemanha (14), Holanda (12), Reino Unido (7) e Canad\u00e1 (7).<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a dos Estados Unidos na \u00e1rea est\u00e1 relacionada ao grande n\u00famero e \u00e0 diversidade de pol\u00edticas adotadas nos \u00faltimos anos para fomentar o avan\u00e7o da bioenergia no pa\u00eds por meio do financiamento de projetos voltados ao desenvolvimento de novas fontes de energia.<\/p>\n<p>O pa\u00eds norte-americano vem colocando \u00eanfase no financiamento de projetos voltados a encontrar novas rotas de produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edvel, como etanol biodiesel e butanol.<\/p>\n<p>\u201cA pol\u00edtica norte-americana de bioenergia nos motivou a fazer a compara\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio desse setor em outros pa\u00edses\u201d, disse Furtado.<\/p>\n<p>No caso do Brasil, os autores da publica\u00e7\u00e3o creditam a vice-lideran\u00e7a do pa\u00eds na \u00e1rea \u00e0s iniciativas de produ\u00e7\u00e3o de etanol de cana-de-a\u00e7\u00facar com tecnologia de ponta.<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o da experi\u00eancia adquirida com o desenvolvimento e a integra\u00e7\u00e3o de programas de produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis, o Brasil apresenta um grande potencial para desenvolver produtos bioqu\u00edmicos e biocombust\u00edveis nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>Atualmente, as maiores institui\u00e7\u00f5es de apoio ao desenvolvimento de bioprodutos no pa\u00eds s\u00e3o o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a FAPESP, apontam os autores da publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cUm dos m\u00e9rito da publica\u00e7\u00e3o \u00e9 mostrar que o Brasil n\u00e3o \u00e9 somente um celeiro de recursos renov\u00e1veis, como tamb\u00e9m de capacidade cient\u00edfica e de vontade pol\u00edtica\u201d, avaliou Marques.<\/p>\n<p>Segundo o especialista, al\u00e9m dos casos de sucesso, o comp\u00eandio tamb\u00e9m re\u00fane projetos que fracassaram porque n\u00e3o conseguiram se tornar vi\u00e1veis industrial e comercialmente.<\/p>\n<p>Algumas das raz\u00f5es para estarem na publica\u00e7\u00e3o \u00e9 porque ilustram o grau de incerteza de sucesso no setor e porque podem servir de li\u00e7\u00e3o para quem est\u00e1 disposto a entrar e investir nessa seara, disse Marques.<\/p>\n<p>\u201cTalvez seja poss\u00edvel aprender muito mais com o casos de fracasso do que com os de sucesso, at\u00e9 mesmo porque os casos de sucesso, propriamente ditos, s\u00e3o muito poucos\u201d, estimou.<\/p>\n<p><strong>Novos lan\u00e7amentos<\/strong><\/p>\n<p>Durante o BBEST tamb\u00e9m foram lan\u00e7ados os livros Production of etanol from sugarcane in Brazil, de M\u00e1rcia Azanha Ferraz Dias de Moraes, professora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP (Esalq-USP), e David Zilberman, professor da University of California em Berkeley, nos Estados Unidos, e Roadmap for sustainable aviation biofuels for Brazil \u2013 a Flightpath to aviation biofuels in Brazil.<\/p>\n<p>Editado por Lu\u00eds Augusto Barbosa Cortez, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o livro \u00e9 resultado de um projeto financiado conjuntamente pela FAPESP, Boeing e Embraer, com o objetivo de estimular a pesquisa e o desenvolvimento de biocombust\u00edveis para avia\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>Cortez tamb\u00e9m \u00e9 o presidente da Bioenergy Society (SBE), lan\u00e7ada oficialmente durante o evento.<\/p>\n<p>O objetivo da entidade \u00e9 promover a implanta\u00e7\u00e3o de bioenergia sustent\u00e1vel no Brasil e em outros pa\u00edses e estimular a forma\u00e7\u00e3o de pesquisadores na \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u201cQueremos contar com a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores internacionais de renome na \u00e1rea na constru\u00e7\u00e3o da SBE\u201d, disse Cortez, durante a apresenta\u00e7\u00e3o dos objetivos da entidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1952, quando se passou a discutir mais o uso de energia nuclear para 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