{"id":90459,"date":"2018-08-18T15:36:17","date_gmt":"2018-08-18T18:36:17","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=90459"},"modified":"2018-08-18T15:36:17","modified_gmt":"2018-08-18T18:36:17","slug":"entrevista-especial-com-daniel-munduruku","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/entrevista-especial-com-daniel-munduruku\/","title":{"rendered":"Entrevista especial com Daniel Munduruku"},"content":{"rendered":"<p>A exist\u00eancia para al\u00e9m do economicismo destrutivo e desenfreado<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/08\/17-08-tambako_the_jaguar-flickr_creativa_commons.jpg\" alt=\"Resultado de imagem para A exist\u00c3\u00aancia para al\u00c3\u00a9m do economicismo destrutivo e desenfreado. Entrevista especial com Daniel Munduruku\" width=\"638\" height=\"213\" \/><\/p>\n<p>O universo \u2013 ou melhor dizendo, o cosmo \u2013\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/573524-a-complexa-leveza-dos-corpos-nas-cosmologias-amerindias-entrevista-especial-com-jose-otavio-catafesto\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">amer\u00edndio<\/a>\u00a0\u00e9 de uma complexidade e multiplicidade t\u00e3o grande que descrev\u00ea-lo foge da possibilidade do real. Esse olhar mira os desafios contempor\u00e2neos na dire\u00e7\u00e3o de propor uma resist\u00eancia baseada, tamb\u00e9m, no questionamento sistem\u00e1tico das<strong>\u00a0formas de vida economicistas<\/strong>. \u201cO que vejo \u00e9 uma\u00a0<strong>crise<\/strong>\u00a0instalada no seio da sociedade ocidental. \u00c9 uma crise que se alastra, sobretudo, por conta dos\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/581406-a-favelizacao-da-amazonia-e-a-necessidade-de-repactuar-o-papel-da-floresta-na-economia-do-seculo-xxi-entrevista-especial-com-danicley-de-aguiar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">impactos ambientais que o desenvolvimento econ\u00f4mico tem causado<\/a>\u00a0em todas as dire\u00e7\u00f5es do globo\u201d, pontua\u00a0<strong>Daniel Munduruku<\/strong>\u00a0em entrevista por e-mail \u00e0\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>. Diante de tal contexto, muitos\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/478\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">povos ind\u00edgenas<\/a>\u00a0produzem tensionamentos \u00e0 l\u00f3gica dominante por seus pr\u00f3prios modos de vida. \u201cVemos essa rea\u00e7\u00e3o nas diferentes formas de resist\u00eancias, seja no grito expressado\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/549446-indigenas-protestam-contra-licenca-de-operacao-de-belo-monte\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">contra a constru\u00e7\u00e3o de barragens e hidrel\u00e9tricas<\/a>, no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/569805-indigenas-de-rondonia-mato-grosso-e-amazonas-repudiam-projetos-de-mineracao-em-territorios-tradicionais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">impedimento da explora\u00e7\u00e3o mineral<\/a>, na luta pela implanta\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>educa\u00e7\u00e3o diferenciada<\/strong>\u00a0ou no\u00a0<strong>tratamento de sa\u00fade<\/strong>\u00a0que leve em conta as particularidades de cada povo\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Com uma vasta forma\u00e7\u00e3o educacional e intelectual,\u00a0<strong>Daniel<\/strong>\u00a0percebe a\u00a0<strong>cultura<\/strong>\u00a0como um organismo vivo \u201cque precisa se alimentar para permanecer vivo. Nesse sentido n\u00e3o d\u00e1 para compreender a ideia muitas vezes repetida de que um povo\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/559827-povos-e-comunidades-tradicionais-ameacados-pelo-governo-temer\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">deixa de ser tradicional<\/a>quando incorpora elementos da\u00a0<strong>cultura dominante<\/strong>. Quem pensa assim n\u00e3o sabe nada sobre cultura\u201d. Ao pensar o fen\u00f4meno liter\u00e1rio,\u00a0<strong>Daniel Munduruku<\/strong>\u00a0tem uma vis\u00e3o muito clara de que a vis\u00e3o hol\u00edstica do escritor \u00e9 mais importante do que a literatura como objeto pol\u00edtico. \u201cDesconhe\u00e7o qualquer<strong>\u00a0for\u00e7a pol\u00edtica<\/strong>\u00a0na\u00a0<strong>literatura<\/strong>. Literatura \u00e9 reflexo da for\u00e7a pol\u00edtica de quem escreve. A cultura, do qual a literatura faz parte, tem uma for\u00e7a em si, mas a literatura que \u00e9 produto, passa pelas convic\u00e7\u00f5es de quem a produz. Quando penso em for\u00e7a pol\u00edtica penso no compromisso \u00e9tico e est\u00e9tico de quem age a favor da sociedade. Tenho visto muita literatura can\u00f4nica que n\u00e3o tem compromisso com a sociedade. Tenho a tend\u00eancia de ver o escritor como um cidad\u00e3o que se reconhece acima da m\u00e9dia social e por isso muitas vezes assume atitudes contr\u00e1rias \u00e0 pr\u00f3pria sociedade\u201d, analisa.<\/p>\n<div class=\"ihu-small-image-left\">\n<div class=\"news-image-credits\"><img src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2016\/ESCOLHER_A_FOTO.jpg\" alt=\"\" \/><img src=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/08\/17-08-daniel_munduruku_reproducao-facebook.jpg\" alt=\"\" \/>Daniel Munduruku | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Facebook<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Daniel Munduruku<\/strong>\u00a0\u00e9 escritor ind\u00edgena, graduado em Filosofia, tem licenciatura em Hist\u00f3ria e Psicologia, al\u00e9m do doutorado em Educa\u00e7\u00e3o pela Universidade de S\u00e3o Paulo &#8211; USP. Realizou est\u00e1gio p\u00f3s-doutoral em Literatura pela Universidade Federal de S\u00e3o Carlos &#8211; UFSCar. \u00c9 diretor presidente do Instituto UKA &#8211; Casa dos Saberes Ancestrais. Autor de 50 livros para crian\u00e7as, jovens e educadores, \u00e9 Comendador da Ordem do M\u00e9rito Cultural da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica desde 2008. Em 2013 recebeu a mesma honraria na categoria da Gr\u00e3-Cruz, a mais importante honraria oficial a um cidad\u00e3o brasileiro na \u00e1rea da cultura. Membro Fundador da Academia de Letras de Lorena. Recebeu diversos pr\u00eamios no Brasil e Exterior, entre eles o Pr\u00eamio Jabuti, o Pr\u00eamio da Academia Brasileira de Letras, o Pr\u00eamio \u00c9rico Vanucci Mendes (outorgado pelo CNPq) e o Pr\u00eamio Toler\u00e2ncia (outorgado pela Unesco). Muitos de seus livros receberam o selo Altamente Recomend\u00e1vel outorgado pela Funda\u00e7\u00e3o Nacional do Livro Infantil e Juvenil &#8211; FNLIJ.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como os povos ind\u00edgenas, especialmente sua etnia Munduruku, t\u00eam percebido os dilemas que a civiliza\u00e7\u00e3o moderna produziu e na qual a maior parte da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 imersa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Daniel Munduruku \u2013<\/strong>\u00a0N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dar uma resposta definitiva a esta pergunta. Ela esconde uma impossibilidade real quando pensamos em toda a\u00a0<strong>diversidade ind\u00edgena<\/strong>contempor\u00e2nea, os diferentes tempos de contato, o atendimento institucional que recebem, entre outras quest\u00f5es. O fato \u00e9 que n\u00e3o d\u00e1 para estabelecer par\u00e2metros capazes de oferecer uma vis\u00e3o \u00fanica sobre a quest\u00e3o. Posso falar o que eu tenho percebido sobre o tema, mas deixando claro que se trata de uma opini\u00e3o pessoal.<\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">O que vejo \u00e9 uma crise instalada no seio da sociedade ocidental &#8211;\u00a0Daniel Munduruku<\/p>\n<p><a class=\"button-tweet-intent tweet-intent\" href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?text=O%20que%20vejo%20%C3%A9%20uma%20crise%20instalada%20no%20seio%20da%20sociedade%20ocidental%20-%C2%A0Daniel%20Munduruku%20http%3A%2F%2Fwww.ihu.unisinos.br%2F581945-a-existencia-para-alem-do-economicismo-destrutivo-e-desenfreado-entrevista-especial-com-daniel-munduruku+via+%40_ihu\"><i class=\"fa fa-twitter tweet-intent\"><\/i>\u00a0Tweet<\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>O que vejo \u00e9 uma crise instalada no seio da\u00a0<strong>sociedade ocidental<\/strong>. \u00c9 uma crise que se alastra, sobretudo, por conta dos\u00a0<strong>impactos ambientais<\/strong>\u00a0que o\u00a0<strong>desenvolvimento econ\u00f4mico<\/strong>\u00a0tem causado em todas as dire\u00e7\u00f5es do globo. Tais impactos repercutem em todos os setores da sociedade, especialmente no que tange \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o da tecnologia que ainda precisa explorar o meio ambiente para a fabrica\u00e7\u00e3o de insumos necess\u00e1rios para a confec\u00e7\u00e3o de equipamentos. Isso\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/546118-o-desenvolvimento-e-o-fim-da-cosmovisao-indigena-entrevista-especial-com-bruno-caporrino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">afeta diretamente os povos ind\u00edgenas<\/a>\u00a0e todos os segmentos sociais que utilizam a natureza como fonte de vida. Os ind\u00edgenas j\u00e1 percebem claramente este impacto e t\u00eam buscado solu\u00e7\u00f5es para que esta explora\u00e7\u00e3o desenfreada n\u00e3o continue. A constru\u00e7\u00e3o dessa consci\u00eancia passa pelos diferentes graus de contato a que eu me referia anteriormente, porque alguns grupos j\u00e1 conseguem perceber os malef\u00edcios do progresso que chega \u00e0s suas bases. Vemos essa rea\u00e7\u00e3o nas\u00a0<strong>diferentes formas de resist\u00eancias<\/strong>, seja no grito expressado contra a\u00a0<strong>constru\u00e7\u00e3o de barragens e hidrel\u00e9tricas<\/strong>, no impedimento da<strong>explora\u00e7\u00e3o mineral<\/strong>, na luta pela implanta\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>educa\u00e7\u00e3o diferenciada<\/strong>\u00a0ou no\u00a0<strong>tratamento de sa\u00fade<\/strong>\u00a0que leve em conta as particularidades de cada povo.<\/p>\n<p>A\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/577276-aguas-de-marco-lutas-e-resistencias-dos-povos-indigenas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">resist\u00eancia dos povos ind\u00edgenas<\/a>\u00a0tem questionado a sociedade economicista e tem mostrado que h\u00e1 outras possibilidades de exist\u00eancia que n\u00e3o passem pela destrui\u00e7\u00e3o desenfreada de nosso bem comum mais precioso: a natureza.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Diante dos claros sinais de esgotamento do modelo de civiliza\u00e7\u00e3o moderno-extrativista, como os povos amer\u00edndios podem contribuir com suas cosmovis\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Daniel Munduruku \u2013<\/strong>\u00a0Como disse anteriormente, os\u00a0<strong>povos ind\u00edgenas<\/strong>\u00a0j\u00e1 contribuem muito. Eu diria at\u00e9 que contribuem sem fazer esfor\u00e7o extraordin\u00e1rio. Basta que se mantenham vivos e n\u00e3o percam de vista sua no\u00e7\u00e3o de pertencimento. No que isso implica? Implica na constru\u00e7\u00e3o de um embate entre diferentes\u00a0<strong>modelos de desenvolvimento<\/strong>. Para o\u00a0<strong>ocidental<\/strong>\u00a0m\u00e9dio crescer \u00e9 destruir; para um\u00a0<strong>ind\u00edgena<\/strong>\u00a0\u00e9 interagir, \u00e9 pertencer; \u00e9 colocar-se numa atitude de respeito e considera\u00e7\u00e3o; \u00e9 desenvolver a ideia de que somos frutos de uma mesma c\u00e9lula e o que fizermos contra a natureza estaremos fazendo contra n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como a publica\u00e7\u00e3o de textos e autores dos diferentes povos amer\u00edndios do Brasil tem contribu\u00eddo para a causa ind\u00edgena?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Daniel Munduruku \u2013<\/strong>\u00a0A\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/570809-o-incomparavel-olhar-yanomami-de-davi-kopenawa-entrevista-especial-com-jose-antonio-kelly-luciani\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">literatura ind\u00edgena<\/a>\u00a0\u00e9 uma realidade que j\u00e1 se faz presente no\u00a0<strong>Brasil<\/strong>, isso \u00e9 fato. Ela se estabeleceu assim desde que houve a abertura democr\u00e1tica no pa\u00eds. Vale lembrar que at\u00e9 1988 os\u00a0<strong>povos ind\u00edgenas<\/strong>\u00a0eram vistos como grupos que estavam em processo de \u201cciviliza\u00e7\u00e3o\u201d e que, portanto, teriam que ser enquadrados dentro da l\u00f3gica ocidental. Felizmente essa realidade mudou ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/artigo\/7228-a-constituicao-contra-o-estado-e-a-permanente-luta-pelos-direitos-indigenas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Constitui\u00e7\u00e3o<\/a>. L\u00e1 est\u00e1 garantido o direito de os ind\u00edgenas permanecerem ind\u00edgenas. Ou seja, pela primeira vez na hist\u00f3ria o\u00a0<strong>Estado brasileiro r<\/strong>econheceu que estes povos j\u00e1 s\u00e3o completos em sua cultura, em suas experi\u00eancias humanas e que n\u00e3o precisam passar pelo sofrimento de ter que esquecer ou abandonar seu jeito pr\u00f3prio de ser e estar no mundo. Isso foi muito importante para que os povos ind\u00edgenas pudessem participar mais efetivamente da constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Sabemos, no entanto, que n\u00e3o bastam leis para que as coisas mudem. \u00c9 preciso a\u00e7\u00e3o efetiva para que as mudan\u00e7as ocorram de fato. Foi por isso que o\u00a0<strong>movimento ind\u00edgena<\/strong>se articulou para que os direitos garantidos pudessem repercutir na sociedade como um todo. Surgiram, assim, as lutas pela\u00a0<strong>educa\u00e7\u00e3o diferenciada<\/strong>,\u00a0<strong>tratamento de sa\u00fade<\/strong>que respeitassem as tradi\u00e7\u00f5es,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/579490-cotas-foram-revolucao-silenciosa-no-brasil-afirma-especialista\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">cotas nas universidades<\/a>\u00a0e, especialmente, uma \u201climpeza\u201d na ideologia dominante que sempre colocou estas popula\u00e7\u00f5es como seres inferiores. Para isso foi criada e aprovada a lei 11.645\/08 [1], que obrigou que o sistema educacional brasileiro \u2013 principal aparelho ideol\u00f3gico do Estado \u2013 trabalhasse a tem\u00e1tica ind\u00edgena de forma diferenciada do que vinha acontecendo e que alimentava estere\u00f3tipos, equ\u00edvocos, preconceitos. Por for\u00e7a da lei o Estado teve que se mobilizar para produzir material que ajudasse na forma\u00e7\u00e3o dos educadores e que pudesse chegar \u00e0s salas de aula. Ato cont\u00ednuo, foram surgindo os editais para compra de livros que ajudassem nessa mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 neste contexto que a\u00a0<strong>literatura ind\u00edgena<\/strong>\u00a0aparece de forma mais sist\u00eamica, real. As institui\u00e7\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o podiam dizer que faltava material para trabalhar a tem\u00e1tica na escola, porque agora, al\u00e9m de toda a produ\u00e7\u00e3o editorial que j\u00e1 existia, havia uma voz que nascia de dentro dos<strong>\u00a0povos ind\u00edgenas<\/strong>\u00a0e uma voz gritada com compet\u00eancia e arte. Neste sentido \u00e9 que esta literatura se estabeleceu como uma voz, como um grito, como um suspiro de resist\u00eancia. \u00c9 assim que a vejo contribuindo para diminuir o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/575550-awa-guarani-terra-roxa-e-guaira-racismo-preconceito-e-exterminio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">preconceito<\/a>contra nossos\u00a0<strong>povos ancestrais<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como as cosmologias dos povos amer\u00edndios t\u00eam constru\u00eddo, ainda que marginalmente, novos modelos de conviv\u00eancia e de rela\u00e7\u00e3o com o mundo?<\/strong><\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">N\u00e3o d\u00e1 para compreender a ideia muitas vezes repetida de que um povo deixa de ser tradicional quando incorpora elementos da cultura dominante &#8211;\u00a0Daniel Munduruku<\/p>\n<p><a class=\"button-tweet-intent tweet-intent\" href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?text=N%C3%A3o%20d%C3%A1%20para%20compreender%20a%20ideia%20muitas%20vezes%20repetida%20de%20que%20um%20povo%20deixa%20de%20ser%20tradicional%20quando%20incorpora%20elementos%20da%20cultura%20dominante%20-%C2%A0Daniel%20Munduruku%20http%3A%2F%2Fwww.ihu.unisinos.br%2F581945-a-existencia-para-alem-do-economicismo-destrutivo-e-desenfreado-entrevista-especial-com-daniel-munduruku+via+%40_ihu\"><i class=\"fa fa-twitter tweet-intent\"><\/i>\u00a0Tweet<\/a><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Daniel Munduruku \u2013<\/strong>\u00a0Creio que \u00e9 importante lembrar que a\u00a0<strong>cultura humana<\/strong>\u00e9 din\u00e2mica. Ela est\u00e1 viva porque se alimenta da inventividade humana. Vejo a\u00a0<strong>cultura<\/strong>como um organismo vivo que precisa se alimentar para permanecer vivo. Nesse sentido n\u00e3o d\u00e1 para compreender a ideia muitas vezes repetida de que um\u00a0<strong>povo deixa de ser tradicional<\/strong>\u00a0quando incorpora elementos da\u00a0<strong>cultura dominante<\/strong>. Quem pensa assim n\u00e3o sabe nada sobre cultura. Neste sentido basta permanecer atentos para ver como os ind\u00edgenas s\u00e3o fi\u00e9is \u00e0 cultura de seus antigos: eles est\u00e3o atualizando sua participa\u00e7\u00e3o dentro da sociedade. Fazem isso quando conseguem \u201cmanipular\u201d os equipamentos que s\u00e3o frutos da inventividade humana a seu favor e a favor de seus povos. A escrita \u00e9 um desses equipamentos. O v\u00eddeo \u00e9 outro. A m\u00fasica tamb\u00e9m o \u00e9. A arte est\u00e1 a\u00ed para mostrar sua gra\u00e7a. \u00c9 disso que estou falando quando afirmo que sobreviver \u00e9 nossa maneira de resistir.\u00a0<strong>Resistir<\/strong>\u00a0\u00e9 nossa maneira de nos apossarmos dos equipamentos para garantir que \u201cpodemos ser quem voc\u00ea \u00e9 sem deixar de sermos o que somos\u201d, como afirmava o\u00a0<strong>movimento ind\u00edgena<\/strong>\u00a0nos anos 1980. Simples assim.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 A produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de autores ind\u00edgenas passa a circular no Brasil a partir dos anos 1990. O que aconteceu em termos editoriais desde ent\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Daniel Munduruku \u2013<\/strong>\u00a0Acho que tudo come\u00e7ou com o desejo de se comunicar com a sociedade de forma escrita e de maneira qualificada. Isso levou alguns estudantes a frequentarem as universidades e com isso aprenderem a lidar com<strong>\u00a0conceitos e paradigmas ocidentais<\/strong>. Creio que estas primeiras experi\u00eancias de universit\u00e1rios gerou um desejo de conversar, de dialogar com a sociedade usando os mesmos par\u00e2metros te\u00f3ricos. Realmente n\u00e3o acredito que foi algo planejado, mas espont\u00e2neo que foi acontecendo e se estabelecendo como um movimento dentro do movimento. \u00c9 real tamb\u00e9m que os primeiros<strong>\u00a0escritores reconhecidos<\/strong>\u00a0como tal pela sociedade tiveram passagem pela universidade. Alguns poucos foram al\u00e7ados \u00e0 literatura ainda que n\u00e3o tenham a t\u00e9cnica da escrita porque n\u00e3o frequentaram a escola da cidade, mas foram educados pela tradi\u00e7\u00e3o. Particularmente n\u00e3o fa\u00e7o distin\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 preciso mostrar que isso \u00e9 uma realidade que paira sobre n\u00f3s.<\/p>\n<p>Acho que \u00e9 muito importante que\u00a0<strong>novos escritores ind\u00edgenas<\/strong>\u00a0apare\u00e7am e mostrem suas\u00a0<strong>culturas<\/strong>. H\u00e1 muito o que ser dito ainda. H\u00e1 um caminho a ser pisado pela frente e penso que as novas gera\u00e7\u00f5es de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/568946-adolescentes-e-jovens-indigenas-denunciam-na-camara-violacao-de-direitos-contra-os-guarani-kaiowa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">jovens ind\u00edgenas<\/a>\u00a0saber\u00e3o responder com criatividade \u00e0s novas demandas que surgir\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Qual a for\u00e7a pol\u00edtica da literatura? Como escrever se transformou, tamb\u00e9m, numa forma de resist\u00eancia dos povos ind\u00edgenas?<\/strong><\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">Tenho a tend\u00eancia de ver o escritor como um cidad\u00e3o que se reconhece acima da m\u00e9dia social e por isso muitas vezes assume atitudes contr\u00e1rias \u00e0 pr\u00f3pria sociedade &#8211;\u00a0Daniel Munduruku<\/p>\n<p><a class=\"button-tweet-intent tweet-intent\" href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?text=Tenho%20a%20tend%C3%AAncia%20de%20ver%20o%20escritor%20como%20um%20cidad%C3%A3o%20que%20se%20reconhece%20acima%20da%20m%C3%A9dia%20social%20e%20por%20isso%20muitas%20vezes%20assume%20atitudes%20contr%C3%A1rias%20%C3%A0%20pr%C3%B3pria%20sociedade%20-%C2%A0Daniel%20Munduruku%20http%3A%2F%2Fwww.ihu.unisinos.br%2F581945-a-existencia-para-alem-do-economicismo-destrutivo-e-desenfreado-entrevista-especial-com-daniel-munduruku+via+%40_ihu\"><i class=\"fa fa-twitter tweet-intent\"><\/i>\u00a0Tweet<\/a><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Daniel Munduruku \u2013<\/strong>\u00a0Desconhe\u00e7o qualquer\u00a0<strong>for\u00e7a pol\u00edtica<\/strong>\u00a0na\u00a0<strong>literatura<\/strong>. Literatura \u00e9 reflexo da for\u00e7a pol\u00edtica de quem escreve. A\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/559913-a-falta-que-faz-o-saber-indigena\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">cultura<\/a>, do qual a literatura faz parte, tem uma for\u00e7a em si, mas a literatura que \u00e9 produto, passa pelas convic\u00e7\u00f5es de quem a produz. Quando penso em for\u00e7a pol\u00edtica penso no compromisso \u00e9tico e est\u00e9tico de quem age a favor da sociedade. Tenho visto muita\u00a0<strong>literatura can\u00f4nica<\/strong>\u00a0que n\u00e3o tem compromisso com a sociedade. Tenho a tend\u00eancia de ver o escritor como um cidad\u00e3o que se reconhece acima da m\u00e9dia social e por isso muitas vezes assume atitudes contr\u00e1rias \u00e0 pr\u00f3pria sociedade. N\u00e3o se trata de um ju\u00edzo de valor, mas de uma constata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, olhando a\u00a0<strong>literatura ind\u00edgena<\/strong>, vejo que h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o melhor por este compromisso pol\u00edtico. Neste caso n\u00e3o se trata apenas de uma atua\u00e7\u00e3o pessoal, mas social. A grande maioria dos\u00a0<strong>escritores ind\u00edgenas<\/strong>\u00a0t\u00eam um comprometimento com a causa dos povos ind\u00edgenas justamente porque apresentam diferentes olhares sobre sua gente. Acho importante que muitos jovens escritores compreendam que a literatura \u00e9 um exerc\u00edcio est\u00e9tico porque apresenta a realidade tal como ela \u00e9, mas tamb\u00e9m como podemos transform\u00e1-la. Isso vira um compromisso \u00e9tico.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como a quest\u00e3o da demarca\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas, apesar de ser uma garantia constitucional, continua sendo uma miragem no universo pol\u00edtico brasileiro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Daniel Munduruku \u2013<\/strong>\u00a0Temos uma\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/571618-ataque-da-bancada-ruralista-aos-povos-indigenas-e-estruturado-diz-coordenadora-do-isa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bancada ruralista<\/a>\u00a0muito forte. Temos interesses\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/575914-mpf-descobre-leilao-ilegal-de-terras-indigenas-por-madeireiros-em-rondonia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">madeireiros<\/a>\u00a0muito consistentes; temos\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/544409-lei-da-mineracao-em-terras-indigenas-uma-nova-tentativa-de-tutelar-os-indigenas-entrevista-especial-com-carlos-bittencourt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">empresas mineradoras<\/a>\u00a0muito ricas; temos institui\u00e7\u00f5es cobi\u00e7osas muito atentas \u00e0s riquezas ambientais. Elas se juntam, compram ou formam pol\u00edticos para defenderem seus interesses. Elas se unem contra o\u00a0<strong>patrim\u00f4nio nacional<\/strong>, criando a falsa ilus\u00e3o de que o crescimento passa pela\u00a0<strong>explora\u00e7\u00e3o ambiental<\/strong>. A sociedade pouco consciente compra essa mensagem e os pol\u00edticos aprovam leis que alimentam a gan\u00e2ncia dos seus financiadores. \u00c9 muito f\u00e1cil imaginar que contra essa matem\u00e1tica n\u00e3o tem literatura que sobreviva. N\u00e3o haver\u00e1, portanto, floresta que se mantenha em p\u00e9; rios que continuem correndo; terras que se consiga demarcar.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<p class=\"tweet-quote\">O pensamento economicista tem sido a desgra\u00e7a do nosso pa\u00eds &#8211;\u00a0Daniel Munduruku<\/p>\n<p><a class=\"button-tweet-intent tweet-intent\" href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?text=O%20pensamento%20economicista%20tem%20sido%20a%20desgra%C3%A7a%20do%20nosso%20pa%C3%ADs%20-%C2%A0Daniel%20Munduruku%20http%3A%2F%2Fwww.ihu.unisinos.br%2F581945-a-existencia-para-alem-do-economicismo-destrutivo-e-desenfreado-entrevista-especial-com-daniel-munduruku+via+%40_ihu\"><i class=\"fa fa-twitter tweet-intent\"><\/i>\u00a0Tweet<\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>O\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/575966-demarcacao-de-terras-indigenas-x-latifundios-a-grande-tramoia-brasileira-entrevista-especial-com-vincent-carelli\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pensamento economicista<\/a>\u00a0tem sido a desgra\u00e7a do nosso pa\u00eds. Ou melhor, a desgra\u00e7a da identidade de nosso pa\u00eds. Este olhar nos ilude porque alimenta nas pessoas equ\u00edvocos narcisistas ou refor\u00e7a nosso\u00a0<strong>complexo de vira-lata<\/strong>. Tenho convic\u00e7\u00e3o de que o que torna o\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0um pa\u00eds \u00fanico \u00e9 sua diversidade, \u00e9 sua gente, \u00e9 sua natureza. Infelizmente temos uma\u00a0<strong>elite<\/strong>\u00a0que est\u00e1 de costas para nossa realidade porque tamb\u00e9m ela tem a ilus\u00e3o de que pode ser igual \u00e0 do primeiro mundo. Sinto informar que, quando perceberem estes equ\u00edvocos, j\u00e1 ser\u00e1 tarde demais.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como o povo Munduruku tem encarado os desafios do mundo contempor\u00e2neo? Para onde vai a humanidade e a vida no planeta?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Daniel Munduruku \u2013<\/strong>\u00a0O\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/578317-para-garantir-a-demarcacao-povo-munduruku-lanca-o-mapa-da-vida\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">povo Munduruku<\/a>\u00a0resiste bravamente desde sempre. \u00c9 um povo guerreiro que olha para si sem deixar de olhar para a realidade que o cerca. Tem criado alternativas para que sua\u00a0<strong>cultura<\/strong>\u00a0seja mantida atrav\u00e9s de permanentes assembleias, ocupa\u00e7\u00f5es, di\u00e1logos com a sociedade envolvente e desenvolvimento de projetos sociais. Al\u00e9m disso, o principal munic\u00edpio que abriga o maior n\u00famero de\u00a0<strong>Munduruku<\/strong>\u00a0no\u00a0<strong>Par\u00e1<\/strong>\u00a0\u2013\u00a0<strong>Jacareacanga<\/strong>\u00a0\u2013 tem sempre um vice-prefeito que \u00e9 nativo e v\u00e1rias cadeiras da c\u00e2mara municipal ocupadas por representantes da comunidade. Isso n\u00e3o tem diminu\u00eddo as tens\u00f5es que por l\u00e1 ocorrem. Os\u00a0<strong>interesses econ\u00f4micos<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m est\u00e3o presentes por ali, mas esta presen\u00e7a efetiva alimenta a esperan\u00e7a de dias melhores, porque n\u00e3o passa despercebido dos olhares atentos de nossa gente. Conste-se tamb\u00e9m que muitos\u00a0<strong>jovens Munduruku<\/strong>\u00a0est\u00e3o na universidade, se preparando para os embates futuros. Um ponto a mais na nossa resist\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00e3o sou um profeta do apocalipse. N\u00e3o fui criado para ser um homem do futuro. Sou apenas do presente. Se fa\u00e7o, no entanto, um exerc\u00edcio de pensar no que vem pela frente, confesso que me entriste\u00e7o. Quero crer que o\u00a0<strong>planeta<\/strong>\u00a0ainda vai dar umas chacoalhadas para tentar escapar da\u00a0<strong>sina gananciosa<\/strong>\u00a0dos seres humanos. Isso n\u00e3o me preocupa. S\u00f3 sei ser hoje. Fim.<\/p>\n<p><strong>Nota:<\/strong><\/p>\n<p><strong>[1]\u00a0<\/strong>A Lei 11.645\/2008 altera a Lei 9.394\/1996, modificada pela Lei 10.639\/2003, a qual estabelece as diretrizes e bases da educa\u00e7\u00e3o nacional, para incluir no curr\u00edculo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da tem\u00e1tica \u201cHist\u00f3ria e cultura afro-brasileira e ind\u00edgena\u201d. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A exist\u00eancia para al\u00e9m do economicismo destrutivo e desenfreado O universo \u2013 ou melhor dizendo,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A exist\u00eancia para al\u00e9m do economicismo destrutivo e desenfreado O universo \u2013 ou melhor dizendo,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90459"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90459"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90459\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90459"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90459"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90459"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}