{"id":90361,"date":"2018-08-16T12:37:53","date_gmt":"2018-08-16T15:37:53","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=90361"},"modified":"2018-08-16T12:37:53","modified_gmt":"2018-08-16T15:37:53","slug":"estudo-cientifico-aponta-fraudes-em-planos-de-manejo-florestal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-cientifico-aponta-fraudes-em-planos-de-manejo-florestal\/","title":{"rendered":"Estudo cient\u00edfico aponta fraudes em Planos de Manejo Florestal"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/toras_madeira.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-90362\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/toras_madeira-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/toras_madeira-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/toras_madeira.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Nos tocos deixados em \u00e1reas concedidas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o madeireiras, o bi\u00f3logo Saulo de Souza encontrou a confirma\u00e7\u00e3o da fraude. Al\u00e9m dele, a equipe tinha outros especialistas com experi\u00eancia na identifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de \u00e1rvores, que ap\u00f3s as an\u00e1lises conclu\u00edram: quase 40% das \u00e1rvores identificadas no invent\u00e1rio como ip\u00ea, uma variedade de alto valor, eram na verdade \u00e1rvores com valor comercial bem menor.<\/p>\n<p>\u201cA gente presume que eles usavam os cr\u00e9ditos de ip\u00ea para esquentar madeira retirada de outro lugar\u201d, explica Saulo de Souza. \u201cAl\u00e9m disso, mais de 30% das amostras estavam com di\u00e2metro superestimado (o que tamb\u00e9m pode gerar cr\u00e9dito em rela\u00e7\u00e3o ao volume de madeira)\u201d, completa o pesquisador, que realizou os trabalhos de campo em outubro do ano passado, acompanhado por outros pesquisadores e pela For\u00e7a Nacional, Ibama, Pol\u00edcia Militar do Par\u00e1 e Greenpeace.<\/p>\n<p>As visitas buscavam confirmar as evid\u00eancias da fraude obtidas por uma equipe de pesquisadores, liderados por Pedro Brancalion, da Escola Superior de Agricultura \u2018Luiz de Queiroz\u2019 da Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq\/USP). Eles haviam detectados que invent\u00e1rios florestais de \u00e1reas concedidas a explora\u00e7\u00e3o madeireira indicam, em regra, uma quantidade maior de \u00e1rvores de alto valor, com o ip\u00ea, do que indicavam os dados do RADAM, um grande estudo sobre o territ\u00f3rio brasileiro feito na d\u00e9cada de 1970 e que usou radares colocados em aeronaves. Os resultados dos estudos foram publicados nesta quarta-feira, na Science Advances.\u00a0Eles foram financiados Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp), Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) e Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes).<\/p>\n<div id=\"attachment_62378\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-62378\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ipe1.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ipe1.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ipe1-300x225.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Foto: Oregon State University.<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 simplesmente o fato de a gente ter encontrado discrep\u00e2ncia no volume de madeira registrado no plano de madeira e os dados do Projeto Radam, a quest\u00e3o foi que essa discrep\u00e2ncia foi no geral sempre pra cima, sempre mais madeira dos planos de manejo, e que esse vi\u00e9s de aumento foi conforme o pre\u00e7o da madeira\u201d, explica Pedro Brancalion.<\/p>\n<p>A partir dessa compara\u00e7\u00e3o entre dados de invent\u00e1rios florestais e RADAM, os pesquisadores descobriram que um pequeno grupo de engenheiros florestais eram respons\u00e1veis t\u00e9cnicos pela maioria dos planos de manejo em que essas distor\u00e7\u00f5es foram encontradas. Isso levantou a suspeita, que segundo os pesquisadores precisa ser checada pelas autoridades, de que existem engenheiros no mercado que vendem invent\u00e1rios superestimando a quantidade de madeira, para gerar cr\u00e9ditos e esquentar o produto extra\u00eddo de forma ilegal.<\/p>\n<p>Entre as esp\u00e9cies identificadas erroneamente est\u00e1 a tanibuca ou tanimbuca, que segundo Saulo de Souza \u00e9 conhecida tamb\u00e9m como ip\u00ea de pobre. \u201cMadeireiros quando v\u00e3o fazer a entrega de um lote de ip\u00ea, que \u00e9 muito valioso, eles pegam madeira de tanibuca porque \u00e9 muito parecida. Ela n\u00e3o tem o mesmo valor porque n\u00e3o tem a mesma resist\u00eancia, apodrece mais r\u00e1pido, tem uma densidade inferior tamb\u00e9m, \u00e9 mais leve. Por\u00e9m as caracter\u00edsticas de cor s\u00e3o muito semelhantes. Isso \u00e9 um truque conhecido\u201d, completa.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a, conforme explica o bi\u00f3logo est\u00e1 na cor da serragem. Quando o ip\u00ea \u00e9 cortado, a p\u00f3 da madeira tem uma cor esverdeada ou amarelada, bastante caracter\u00edstica. Os pesquisadores usam tamb\u00e9m lupas para analisar a estrutura da madeira. No trabalho, al\u00e9m das an\u00e1lises em campo, eles coletaram amostras para a confirma\u00e7\u00e3o em laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Extin\u00e7\u00e3o oculta<\/strong><\/p>\n<div class=\"olho-esquerda\">\u201cPara o professor da Esalq, Edson Vidal, um dos autores do estudo, os resultados indicam uma situa\u00e7\u00e3o grave, porque pode estar ocorrendo a extin\u00e7\u00e3o oculta de esp\u00e9cies valiosas, sem que a sociedade se d\u00ea conta.\u201d<\/div>\n<p>Para o professor da Esalq, Edson Vidal, um dos autores do estudo, os resultados indicam uma situa\u00e7\u00e3o grave, porque pode estar ocorrendo a extin\u00e7\u00e3o oculta de esp\u00e9cies valiosas, sem que a sociedade se d\u00ea conta. Um problema que pode ser resolvido com uma fiscaliza\u00e7\u00e3o bem realizada.<\/p>\n<p>\u201cEles dizem que na \u00e1rea tem uma determinada quantidade inexistente, que eles retiram de outros lugares\u201d, explica o professor. \u201cA pr\u00f3pria lei sugere que sejam respeitadas algumas regras, como deixar alguns indiv\u00edduos como as matrizes, mas nada disso \u00e9 respeitado, e n\u00e3o deixam condi\u00e7\u00f5es para aquela esp\u00e9cie se recuperar na \u00e1rea\u201d, completa.<\/p>\n<p>As visitas de campo tamb\u00e9m indicaram que foram cortadas \u00e1rvores em \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente, o que \u00e9 irregular, al\u00e9m de sementeiras (\u00e1rvores deixadas para garantir a presen\u00e7a e reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie) mortas. O professor destaca que a tend\u00eancia de estimativas exageradas em invent\u00e1rios florestais atinge principalmente 11 variedades consideradas mais valiosas, sendo que o Ip\u00ea \u00e9 a que tem maior valor comercial.<\/p>\n<p>Vidal defende que as esp\u00e9cies de ip\u00ea recebem tratamento diferenciado e sejam inclu\u00eddas no Anexo II da Conven\u00e7\u00e3o sobre Com\u00e9rcio Internacional de Esp\u00e9cies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extin\u00e7\u00e3o (Cites), onde est\u00e3o esp\u00e9cies n\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, mas que devem ter o com\u00e9rcio controlado. Com isso, o ip\u00ea teria o mesmo tratamento do mogno, que passou mais de uma d\u00e9cada sob morat\u00f3ria.<\/p>\n<p>O professor lembra estudos anteriores, de que ele participou, que estimaram o tempo de crescimento de tr\u00eas \u00e1rvores de interesse comercial, ip\u00ea, ma\u00e7aranduba e jatob\u00e1. Com base em dados obtidos ao longo de 10 anos sobre o crescimento das \u00e1rvores, os pesquisadores estimaram quanto tempo elas levariam para se recuperar.<\/p>\n<div id=\"attachment_62387\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-62387\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ipe2.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ipe2.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ipe2-284x300.jpg 284w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"423\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Ip\u00ea. Foto: Oregon State University.<\/p>\n<\/div>\n<p>O ip\u00ea tem o crescimento mais lento entre as tr\u00eas, levando 120 anos para recuperar apenas 18% de seu estoque. Em 30 anos, essa recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 de apenas 4%. A \u00fanica que conseguiria se recuperar totalmente em 120 anos \u00e9 o jatob\u00e1. \u201cPor isso, a gente tem defendido que o manejo seja feito com base em grupos de esp\u00e9cies, para separar as que se recuperam mais lentamente daquelas que se recuperam mais r\u00e1pido\u201d, defende o professor.<\/p>\n<p>Os pesquisadores sugerem no artigo o uso de novas tecnologias na fiscaliza\u00e7\u00e3o. Pedro Brancalion diz que poderia ser utilizado um sistema semelhante ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), para se listar as esp\u00e9cies a serem exploradas. Os volumes declarados poderiam, ent\u00e3o, ser confrontados automaticamente a dados do RADAM ou outra fonte. A partir dessas informa\u00e7\u00f5es, as equipes podem priorizar as a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o, dando mais aten\u00e7\u00e3o aos locais onde existem ind\u00edcios de irregularidades.<\/p>\n<p>Outra alternativa, segundo Brancalion, seria o governo assumir que n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de garantir a origem da madeira. A garantia de legalidade seria dada aos consumidores pelos sistemas de certifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos tocos deixados em \u00e1reas concedidas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o madeireiras, o bi\u00f3logo Saulo de Souza encontrou<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":90362,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/toras_madeira.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/toras_madeira-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/toras_madeira-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/toras_madeira.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/toras_madeira.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/toras_madeira.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/toras_madeira.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/toras_madeira.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/toras_madeira.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/toras_madeira.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Nos tocos deixados em \u00e1reas concedidas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o madeireiras, o bi\u00f3logo Saulo de Souza encontrou","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90361"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90361"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90361\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90362"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90361"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90361"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90361"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}