{"id":90224,"date":"2018-08-14T13:30:08","date_gmt":"2018-08-14T16:30:08","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=90224"},"modified":"2018-08-14T17:45:39","modified_gmt":"2018-08-14T20:45:39","slug":"transtorno-de-ansiedade-sem-tempo-para-o-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/transtorno-de-ansiedade-sem-tempo-para-o-agora\/","title":{"rendered":"Transtorno de ansiedade: sentimento natural sem tempo para o agora"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ansiedade.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-90225\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ansiedade-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ansiedade-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ansiedade.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Imagine que, em algumas horas, voc\u00ea far\u00e1 a entrevista de emprego para a vaga dos seus sonhos. Enquanto se arruma na frente do espelho, o\u00a0cora\u00e7\u00e3o\u00a0fica acelerado, o est\u00f4mago se remexe todo, a\u00a0pele\u00a0se enche de suor e as pernas bambeiam. Ao mesmo tempo, a cabe\u00e7a \u00e9 inundada por um turbilh\u00e3o de pensamentos e incertezas. \u201cE se a mo\u00e7a do RH n\u00e3o gostar de mim? E se eu falar uma bobagem? E se a conversa for em ingl\u00eas?\u201d Estamos diante de um cl\u00e1ssico epis\u00f3dio de\u00a0<strong>ansiedade<\/strong>, sentimento natural e comum \u00e0s mais variadas esp\u00e9cies de animais, entre elas os seres humanos. Veja: na dose certa, ela \u00e9 proveitosa e garante at\u00e9 hoje a nossa sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cQuando nos preocupamos com algo que pode vir a acontecer, tomamos uma s\u00e9rie de medidas para resolver previamente aquela situa\u00e7\u00e3o\u201d, diz o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, professor titular da\u00a0Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Do mesmo modo que nossos antepassados estocavam comida para n\u00e3o sofrer com a fome nos per\u00edodos de estiagem e um macaco evita certos lugares da floresta por saber que l\u00e1 ficam os predadores que adorariam devor\u00e1-lo, hoje elaboramos eventuais respostas \u00e0s perguntas da entrevista de emprego ou estudamos com afinco antes de uma prova dif\u00edcil. Ao contr\u00e1rio do medo, que \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o a amea\u00e7as concretas, a ansiedade est\u00e1 mais para um mecanismo de antecipa\u00e7\u00e3o dos aborrecimentos futuros.<\/p>\n<p><strong>O transtorno come\u00e7a quando essa emo\u00e7\u00e3o passa do ponto<\/strong>. Em vez de mover para frente, o nervosismo exagerado deixa o indiv\u00edduo travado, impede que ele fa\u00e7a suas tarefas e atrapalha os seus compromissos. \u201cIsso lesa a autonomia e prejudica a realiza\u00e7\u00e3o de atividades simples e corriqueiras\u201d, caracteriza o m\u00e9dico Ant\u00f4nio Geraldo da Silva, diretor da\u00a0Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria.<\/p>\n<p>A\u00ed, sair de casa torna-se um mart\u00edrio. Entregar o trabalho no prazo \u00e9 praticamente miss\u00e3o imposs\u00edvel. Convites para festas e encontros viram alvo de desculpas. A concentra\u00e7\u00e3o some, os l\u00e1pis s\u00e3o mordidos, as unhas, ro\u00eddas\u2026 e a qualidade de vida cai ladeira abaixo.<\/p>\n<p>Em 2017, a\u00a0Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS)\u00a0publicou um documento com estat\u00edsticas dos dist\u00farbios psiqui\u00e1tricos ao redor do globo. Os transtornos de ansiedade atingem um total de 264 milh\u00f5es de indiv\u00edduos \u2013 desses, 18 milh\u00f5es s\u00e3o brasileiros.\u00a0Nosso pa\u00eds, ali\u00e1s, \u00e9 campe\u00e3o nos n\u00fameros dessa desordem, com 9,3% da popula\u00e7\u00e3o afetada. A porcentagem fica bem \u00e0 frente de outras na\u00e7\u00f5es: nas Am\u00e9ricas, quem chega mais perto da gente \u00e9 o Paraguai, com uma taxa de 7,6%. Na Europa, a dianteira fica com Noruega (7,4%) e Holanda (6,4%).<\/p>\n<p>Afinal, o que explicaria dados t\u00e3o inflados em terras brasileiras? \u201cFatores como \u00edndice elevado de desemprego, economia em baixa e falta de seguran\u00e7a p\u00fablica representam uma amea\u00e7a constante\u201d, responde o psiquiatra Pedro Eug\u00eanio Ferreira, da\u00a0Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul. Preocupa\u00e7\u00f5es com a sa\u00fade, not\u00edcias pol\u00edticas e rela\u00e7\u00f5es sociais tamb\u00e9m parecem influenciar por aqui.<\/p>\n<p>Apesar de os achados da OMS assustarem, \u00e9 um erro considerar que estamos na era mais ansiosa da hist\u00f3ria \u2013 muitos estudos sugerem justamente o contr\u00e1rio. Em primeiro lugar, a ansiedade s\u00f3 passou a ser encarada com mais coer\u00eancia a partir dos escritos de Sigmund Freud (1856-1939) e foi aceita nos manuais m\u00e9dicos como um problema de sa\u00fade digno de nota a partir da d\u00e9cada de 1980. Portanto, \u00e9 imposs\u00edvel comparar presente e passado sem uma base de dados confi\u00e1vel.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, com raras exce\u00e7\u00f5es, vivemos um dos momentos mais tranquilos de toda humanidade. H\u00e1 quantas d\u00e9cadas n\u00e3o temos batalhas ou\u00a0epidemias de grandes propor\u00e7\u00f5es? O que acontece hoje \u00e9 uma mudan\u00e7a nos gatilhos: se atualmente nos preocupamos com a imin\u00eancia de um assalto ou de uma demiss\u00e3o, nossos pais se afligiam pela proximidade de uma guerra nuclear entre Estados Unidos e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e nossos av\u00f3s perdiam noites de sono com o avan\u00e7o nazista sobre Fran\u00e7a e Pol\u00f4nia durante a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Existem, por\u00e9m, alguns fatores que s\u00e3o patrocinadores em potencial de ansiedade independentemente do intervalo hist\u00f3rico. A inf\u00e2ncia, por exemplo, \u00e9 fundamental. \u201cCrian\u00e7as\u00a0que passaram por abuso ou neglig\u00eancia t\u00eam um risco duas a tr\u00eas vezes maior de sofrer com transtornos mentais na adolesc\u00eancia ou na fase adulta\u201d, descreve o psiquiatra Giovanni Abrah\u00e3o Salum, da\u00a0Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A gen\u00e9tica e a pr\u00f3pria conviv\u00eancia pr\u00f3xima a um familiar com os nervos \u00e0 flor da pele j\u00e1 elevam a probabilidade de desenvolver a condi\u00e7\u00e3o posteriormente.<\/p>\n<h3>Como saber se eu tenho ansiedade?<\/h3>\n<p>A despeito de existirem tantos ansiosos por a\u00ed, ainda penamos com a demora no diagn\u00f3stico. De acordo com um estudo da americana\u00a0Universidade Harvard, sujeitos com os quadros graves e agudos levam em m\u00e9dia sete anos para buscar o aux\u00edlio de um profissional de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Nos casos em que os sintomas s\u00e3o mais leves e perenes, essa delonga se arrasta por 16 anos. Esse desperd\u00edcio de tempo valioso faz o quadro evoluir para enfermidades ainda mais s\u00e9rias, como o\u00a0alcoolismo\u00a0e a\u00a0depress\u00e3o. Para ter ideia, estima-se que, de cada cinco pacientes depressivos, quatro deles tiveram ansiedade l\u00e1 no in\u00edcio.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, persiste um preconceito com os transtornos mentais na nossa sociedade. Para muitos, o psiquiatra segue como o \u2018m\u00e9dico de loucos&#8217;\u201d, lamenta Nardi. J\u00e1 passou da hora de virar a chavinha, n\u00e9?<\/p>\n<p>As doen\u00e7as que abalam a mente devem ser abordadas com o mesmo respeito e seriedade de\u00a0diabetes, c\u00e2ncer ou qualquer outra mol\u00e9stia do corpo. Se voc\u00ea sentir altera\u00e7\u00f5es de humor ou se estiver de alguma maneira incomodado com pensamentos que n\u00e3o saem da sua cabe\u00e7a, procure um profissional. A avalia\u00e7\u00e3o com base em um question\u00e1rio respondido no consult\u00f3rio j\u00e1 ajuda a flagrar a ansiedade e nortear a abordagem terap\u00eautica.<\/p>\n<div class=\"widget-news widget-box no-margin no-border\"><\/div>\n<h3>Como a ansiedade surge e de que forma afeta o organismo<\/h3>\n<p><strong>1.<\/strong>\u00a0A todo momento, nosso\u00a0c\u00e9rebro\u00a0analisa o ambiente e identifica poss\u00edveis amea\u00e7as. \u00c1reas como o hipocampo e a am\u00edgdala s\u00e3o respons\u00e1veis por fazer essa varredura.<\/p>\n<p><strong>2.<\/strong>\u00a0Diante de um prov\u00e1vel risco, o sistema nervoso dispara uma s\u00e9rie de rea\u00e7\u00f5es. As gl\u00e2ndulas suprarrenais, que ficam acima dos rins, liberam doses extras dos horm\u00f4nios adrenalina e cortisol.<\/p>\n<p><strong>3.<\/strong>\u00a0Essa dupla de subst\u00e2ncias dilata os vasos sangu\u00edneos, faz o cora\u00e7\u00e3o bater mais r\u00e1pido e prepara os m\u00fasculos para a a\u00e7\u00e3o. \u00c9 da\u00ed que v\u00eam taquicardia, suor, tremedeira, falta de ar\u2026<\/p>\n<p><strong>4.<\/strong>\u00a0Adrenalina e cortisol alcan\u00e7am o c\u00e9rebro, onde estimulam a produ\u00e7\u00e3o de neurotransmissores que deixam certas regi\u00f5es da massa cinzenta em estado de alerta.<\/p>\n<p><strong>5.<\/strong>\u00a0No transtorno de ansiedade, uma ou mais etapas desse processo funcionam de modo exagerado. Qualquer est\u00edmulo \u00e9 considerado um perigo e gera respostas de forma desnecess\u00e1ria.<\/p>\n<h3>Os seis principais tipos de ansiedade<\/h3>\n<p><strong>Fobia social:<\/strong>\u00a0Medo exacerbado e irracional de participar de festas, aulas, reuni\u00f5es e eventos com pessoas desconhecidas. O grande receio \u00e9 ser avaliado, julgado, ridicularizado ou criticado por esses estranhos. Falar em p\u00fablico \u00e9 motivo para travar, suar em bicas, ter taquicardia e at\u00e9 sentir a mem\u00f3ria falhar.<\/p>\n<p><strong>Fobia:<\/strong>\u00a0Temor cr\u00f4nico e paralisante de objetos, animais ou situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, como medo de buracos, de aranhas ou de lugares altos. Esse sentimento pode surgir a partir de uma experi\u00eancia real ou se principiar por meio de um pensamento particular e at\u00e9 uma not\u00edcia marcante. J\u00e1 foram descritas mais de 500 vers\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Ataque de p\u00e2nico:<\/strong>\u00a0Sem nenhuma raz\u00e3o, o indiv\u00edduo sente que vai morrer: o cora\u00e7\u00e3o dispara, o corpo estremece, surgem n\u00e1useas e v\u00f4mitos. Muitas vezes, ele corre para o pronto-socorro por acreditar que est\u00e1 sofrendo um\u00a0infarto\u00a0e sai do hospital sem diagn\u00f3stico. Depois de alguns minutos aflitivos, tudo volta ao normal.<\/p>\n<p><strong>TAG:<\/strong>\u00a0Sigla para\u00a0<strong>transtorno de ansiedade generalizada<\/strong>. H\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda e persistente de que algo vai dar errado a qualquer minuto e a vida vai fugir de sua dire\u00e7\u00e3o quando menos se espera. Nesse ciclo de preocupa\u00e7\u00f5es sucessivas, os problemas s\u00e3o muito valorizados, enquanto a pr\u00f3pria capacidade de resolv\u00ea-los \u00e9 subestimada.<\/p>\n<p><strong>TOC:\u00a0<\/strong>O transtorno obsessivo-compulsivo \u00e9 marcado por pensamentos invasivos que somente s\u00e3o aliviados quando se repete um comportamento padronizado sem sentido l\u00f3gico. \u00c9 o exemplo do sujeito que precisa acender e apagar o interruptor tr\u00eas vezes sen\u00e3o um parente vai morrer ou aquele que lava as m\u00e3os v\u00e1rias vezes seguidas.<\/p>\n<p><strong>Estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico:<\/strong>\u00a0Muito corriqueiro em soldados que retornam da guerra e em v\u00edtimas de atentados ou desastres naturais, o transtorno de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico faz com que a experi\u00eancia ruim n\u00e3o saia da mente e volte a atormentar por meio de flashbacks. Junto com as lembran\u00e7as, manifestam-se\u00a0ins\u00f4nia, irritabilidade e p\u00e2nico.<\/p>\n<h3>Como \u00e9 feito o tratamento<\/h3>\n<p>A primeira coisa que voc\u00ea deve saber \u00e9 que as op\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis s\u00e3o seguras e ajudam a melhorar e controlar a situa\u00e7\u00e3o. Existem dois grandes pilares nessa \u00e1rea: a psicoterapia e os medicamentos. \u201cN\u00f3s avaliamos cada caso e lan\u00e7amos m\u00e3o de um m\u00e9todo ou outro, ou at\u00e9 mesmo eles em conjunto, a depender do tipo de ansiedade e do seu grau\u201d, explica a psic\u00f3loga Michelle Levitan, do\u00a0Instituto de Psiquiatria da UFRJ.<\/p>\n<p>O ataque de p\u00e2nico grave, por exemplo, exige a prescri\u00e7\u00e3o de alguns f\u00e1rmacos logo de cara. J\u00e1 uma TAG moderada responde bem a sess\u00f5es de terapia. Quem vai bater o martelo sobre o caminho ideal \u00e9 o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Entre as abordagens psicol\u00f3gicas, aquela que mais se destaca em efic\u00e1cia pelo n\u00famero de evid\u00eancias cient\u00edficas \u00e9 a terapia cognitivo-comportamental. \u201cNosso objetivo \u00e9 identificar a cren\u00e7a que est\u00e1 atrapalhando o indiv\u00edduo e, a partir da\u00ed, transform\u00e1-la em um pensamento novo, que mude suas atitudes e a forma como ele enxerga a vida\u201d, descreve o terapeuta Juan Carlos Picasso, diretor da\u00a0Rituaali, cl\u00ednica e spa no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>\u00c9 um processo de dentro para fora: por meio da conversa, o profissional de sa\u00fade faz o paciente refletir sobre alguns de seus temores para, assim, conseguir modific\u00e1-los com o passar do tempo.<\/p>\n<p>Entre os medicamentos, os mais prescritos s\u00e3o os inibidores seletivos de recapta\u00e7\u00e3o de serotonina\/noradrenalina. Receitados tamb\u00e9m contra a depress\u00e3o, esses comprimidos reequilibram a qu\u00edmica cerebral e afastam o risco de crises ou reca\u00eddas. Seu ponto fraco \u00e9 a demora para aparecerem os resultados. Isso pode levar semanas, at\u00e9 meses.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que entra outro grupo medicamentoso: os benzodiazep\u00ednicos, calmantes por natureza que j\u00e1 mostram servi\u00e7o ap\u00f3s um ou dois dias. Mas eles s\u00e3o utilizados com bastante crit\u00e9rio e somente em algumas situa\u00e7\u00f5es, pois est\u00e3o relacionados a efeitos colaterais e\u00a0depend\u00eancia\u00a0se tomados em longo prazo. N\u00e3o custa refor\u00e7ar: \u00e9 vital obedecer direitinho as recomenda\u00e7\u00f5es de tempo e dosagem definidas pelo especialista.<\/p>\n<p>Por fim, h\u00e1 medica\u00e7\u00f5es de apoio que atuam sobre sintomas espec\u00edficos. Os betabloqueadores diminuem os epis\u00f3dios de taquicardia. F\u00e1rmacos para a\u00a0tireoide\u00a0corrigem desvios do metabolismo \u2013 se essa gl\u00e2ndula est\u00e1 bagun\u00e7ada, pintam cansa\u00e7o, prostra\u00e7\u00e3o e at\u00e9 queixas de ansiedade. Mulheres que entram na menopausa precisam fazer um checkup dos horm\u00f4nios para ver se eles n\u00e3o est\u00e3o impactando o bem-estar\u2026<\/p>\n<h3>Reforma do estilo de vida<\/h3>\n<p>De nada adianta sentar no div\u00e3 ou tomar comprimidos se alguns h\u00e1bitos e pensamentos n\u00e3o forem modificados. Aposte numa\u00a0alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada e variada. Invista em noites de\u00a0sono\u00a0tranquilas e reparadoras. E, principalmente, comece j\u00e1 uma rotina de exerc\u00edcios.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m de elevar o \u00e2nimo, a atividade f\u00edsica atua na capacidade cerebral, aprimorando a comunica\u00e7\u00e3o entre os neur\u00f4nios\u201d, justifica Nardi.\u00a0Medita\u00e7\u00e3o, relaxamento e aten\u00e7\u00e3o plena \u2013 o popular\u00a0mindfulness\u00a0\u2013 tamb\u00e9m s\u00e3o uma m\u00e3o na roda: pesquisas demonstram o seu papel de peso contra a ansiedade.<\/p>\n<p>No final das contas, \u00e0s vezes vale se perguntar sobre a necessidade de entrar num tratamento. Ora, se eu tenho medo de bichos e moro em S\u00e3o Paulo, qual o real dano que essa fobia me traz? \u201cO segredo est\u00e1 em fazer um bom exame da pessoa, de seu contexto e do preju\u00edzo envolvido\u201d, afirma o psiquiatra Jos\u00e9 Alexandre Crippa, da\u00a0Universidade de S\u00e3o Paulo, em Ribeir\u00e3o Preto.<\/p>\n<p>Desse modo, d\u00e1 pra evitar que sentimentos absolutamente normais sejam encarados como doen\u00e7as e tratados com rem\u00e9dios. Contudo, a medicaliza\u00e7\u00e3o da vida, tema que suscita debates na Europa e na Am\u00e9rica do Norte, est\u00e1 longe de ser realidade no Brasil, onde se estima que s\u00f3 30% dos pacientes com transtornos mentais recebam uma terapia adequada.<\/p>\n<div class=\"widget-news widget-box no-margin no-border\"><\/div>\n<p>Em uma palestra inspiradora para o TEDx, conjunto de semin\u00e1rios que ocorre em v\u00e1rias cidades do mundo, a psiquiatra Olivia Remes, da\u00a0Universidade de Cambridge, na Inglaterra, exp\u00f4s sua experi\u00eancia na \u00e1rea da ansiedade. Segundo seu relato, mulheres que moram em \u00e1reas pobres apresentam maior risco de desenvolver o transtorno do que aquelas que vivem nos bairros ricos. At\u00e9 a\u00ed, nenhuma novidade. Mas em seu trabalho de observa\u00e7\u00e3o, a cientista descobriu que existem\u00a0<strong>tr\u00eas atitudes certeiras para lidar melhor com a agonia excessiva<\/strong>.<\/p>\n<p>A primeira delas envolve colocar a m\u00e3o na massa. \u201cVoc\u00ea se pega adiando o in\u00edcio de algo simplesmente por n\u00e3o sentir que est\u00e1 preparado o suficiente para aquela tarefa? Voc\u00ea tende a gastar muito tempo decidindo o que fazer e, na pr\u00e1tica, n\u00e3o acontece nada?\u201d, pergunta Olivia, no\u00a0v\u00eddeo de sua palestra, dispon\u00edvel no YouTube. Para quebrar esse ciclo, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 criar coragem e fazer aquilo que voc\u00ea precisa, mesmo que da primeira vez o resultado n\u00e3o seja l\u00e1 um primor. O aprendizado com os erros e com os acertos nas diversas tentativas \u00e9 que faz a gente ser bom em algo. \u201cEssa estrat\u00e9gia apressa nossa tomada de decis\u00f5es e nos empurra para a a\u00e7\u00e3o, o que nos coloca de volta no controle de nossas vidas\u201d, declara.<\/p>\n<p>O segundo passo \u00e9 se perdoar por qualquer erro que tenha cometido no passado. Pessoas ansiosas ficam remoendo suas pr\u00f3prias gafes e mancadas, de modo que n\u00e3o conseguem focar em outras coisas realmente relevantes que est\u00e3o \u00e0 sua frente.<\/p>\n<p>N\u00e3o coloque tanta \u00eanfase nos seus defeitos e incapacidades. No lugar disso, pense naquilo em que voc\u00ea \u00e9 craque \u2013 e, assim, reverta esse seu ponto forte em algo de bom para a comunidade. \u201cVoc\u00ea faz pelo menos uma coisa pensando no pr\u00f3ximo? Pode ser um trabalho volunt\u00e1rio, ou compartilhar um conhecimento adquirido. Dividir com os outros vai melhorar pra valer a sua sa\u00fade mental\u201d, finaliza a psiquiatra brit\u00e2nica.<\/p>\n<p>Outro passo fundamental \u00e9 nunca fugir daquilo que o aflige. \u201cA ansiedade faz com que vejamos um mundo extremamente amea\u00e7ador e isso leva a uma inibi\u00e7\u00e3o comportamental\u201d, destaca a psicobi\u00f3loga Milena de Barros Viana, da\u00a0Universidade Federal de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Se medos e temores s\u00e3o evitados, alimentamos esse fantasma at\u00e9 o ponto em que ele se torna um obst\u00e1culo intranspon\u00edvel, que impede a promo\u00e7\u00e3o no trabalho ou o primeiro encontro com o amor das nossas vidas. \u201cPara sair desse estado de hesita\u00e7\u00e3o, enfrente esses inc\u00f4modos\u201d, orienta Milena.<\/p>\n<h3>O copo meio cheio<\/h3>\n<p>Domar a ansiedade pode at\u00e9 aumentar nossa produtividade no servi\u00e7o ou garantir uma rotina mais organizada \u2013 que tal adotar uma agenda para anotar todos os compromissos, projetos, afli\u00e7\u00f5es e quest\u00f5es existenciais? Lembra que no come\u00e7o da reportagem dissemos que essa sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 natural e nos livra de enrascadas?<\/p>\n<p>\u201cAo prever as possibilidades, podemos usar e abusar de nosso lado criativo na busca por solu\u00e7\u00f5es inovadoras e eficazes para os problemas que se apresentam\u201d, sugere a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, autora do livro\u00a0<em>Mentes Ansiosas<\/em>\u00a0(Editora Principium\/Globo). Quem sabe a pr\u00f3xima ideia que vai revolucionar o mundo n\u00e3o saia de uma inquieta\u00e7\u00e3o de sua cabe\u00e7a?<\/p>\n<div id=\"aalb-8525065080-BR-v0858-20-ProductGrid\" class=\"aalb-pg-ad-unit\"><\/div>\n<p>Por fim, acabe de vez com a no\u00e7\u00e3o de que um dia voc\u00ea vai se livrar desse sentimento. Encare-o mais como uma ferramenta essencial para sua sobreviv\u00eancia. \u201cTemos que aceit\u00e1-lo como um pre\u00e7o que pagamos para conseguirmos passar no vestibular, paquerar, enfim, vivermos de acordo com nossos valores\u201d, raciocina o m\u00e9dico M\u00e1rcio Bernik, do\u00a0Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl\u00ednicas\u00a0de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Chega de arrancar cabelos, roer unhas ou comer o l\u00e1pis: os traumas passados e as preocupa\u00e7\u00f5es futuras fazem parte da biografia de qualquer um. Aceit\u00e1-los \u00e9 o primeiro passo para ter uma vida completa, feliz\u2026 E com a ansiedade sob controle.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine que, em algumas horas, voc\u00ea far\u00e1 a entrevista de emprego para a vaga dos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":90225,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ansiedade.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ansiedade-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ansiedade-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ansiedade.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ansiedade.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ansiedade.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ansiedade.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ansiedade.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ansiedade.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ansiedade.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Imagine que, em algumas horas, voc\u00ea far\u00e1 a entrevista de emprego para a vaga dos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90224"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=90224"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/90224\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90225"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90224"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=90224"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90224"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}