{"id":89969,"date":"2018-08-10T10:00:06","date_gmt":"2018-08-10T13:00:06","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=89969"},"modified":"2018-08-09T21:48:55","modified_gmt":"2018-08-10T00:48:55","slug":"mudancas-climaticas-poderao-extinguir-10-dos-anfibios-da-mata-atlantica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mudancas-climaticas-poderao-extinguir-10-dos-anfibios-da-mata-atlantica\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas poder\u00e3o extinguir 10% dos anf\u00edbios da Mata Atl\u00e2ntica"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/anfibios.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-89970\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/anfibios-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/anfibios-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/anfibios.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O aquecimento global poder\u00e1 levar \u00e0 extin\u00e7\u00e3o de at\u00e9 10% das esp\u00e9cies de sapos, r\u00e3s e pererecas end\u00eamicas da Mata Atl\u00e2ntica em cerca de 50 anos. Isso porque regimes de temperatura e chuva previstas para ocorrer entre 2050 e 2070 ser\u00e3o fatais para esp\u00e9cies com menor adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 varia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, que habitam pontos espec\u00edficos da Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma das conclus\u00f5es de um estudo que analisa a distribui\u00e7\u00e3o presente e futura de anf\u00edbios (anuros, ou seja, sapos, r\u00e3s e pererecas) na Mata Atl\u00e2ntica e no Cerrado, \u00e0 luz das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em decorr\u00eancia do cont\u00ednuo aquecimento global.<\/p>\n<div id=\"div-gpt-ad-1515694727157-4\" data-google-query-id=\"CLKcvO2g4dwCFY94AQodsWwEYg\"><\/div>\n<p>\u201cO objetivo maior da pesquisa foi fazer um levantamento de todas as esp\u00e9cies de anf\u00edbios do Cerrado e da Mata Atl\u00e2ntica e caracterizar suas prefer\u00eancias clim\u00e1ticas nas diferentes \u00e1reas que habitam. Com os dados em m\u00e3os, buscamos fazer modelagens para poder projetar cen\u00e1rios de aumento ou de redu\u00e7\u00e3o das \u00e1reas clim\u00e1ticas favor\u00e1veis \u00e0s diferentes esp\u00e9cies, em fun\u00e7\u00e3o dos regimes clim\u00e1ticos estimados para 2050 e 2070\u201d, explica\u00a0<a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/14587\/tiago-da-silveira-vasconcelos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tiago da Silveira Vasconcelos<\/a>, principal autor do estudo, da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade Estadual Paulista (Unesp).<\/p>\n<h3>Mata Atl\u00e2ntica X Cerrado<\/h3>\n<p>Conhecem-se atualmente 550 esp\u00e9cies de anf\u00edbios na Mata Atl\u00e2ntica (80% delas, end\u00eamicas) e 209 esp\u00e9cies no Cerrado. Vasconcelos trabalhou com os dados de distribui\u00e7\u00e3o espacial de 350 esp\u00e9cies da Mata Atl\u00e2ntica e 155 do Cerrado, aquelas encontradas em ao menos cinco ocorr\u00eancias espaciais diferentes.<\/p>\n<p>\u201cDesse modo, foi poss\u00edvel identificar as \u00e1reas com maior riqueza de esp\u00e9cies de anf\u00edbios, ou com composi\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies \u00fanicas, tanto no Cerrado como na Mata Atl\u00e2ntica. Uma vez identificadas tais \u00e1reas, avaliamos a comunidade de anf\u00edbios no cen\u00e1rio de clima atual e futuro, de modo a determinar quais s\u00e3o as \u00e1reas de clima favor\u00e1vel para cada uma das 505 esp\u00e9cies analisadas, e se haver\u00e1 expans\u00e3o ou redu\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas em 2050 e 2070, em fun\u00e7\u00e3o do aquecimento global\u201d, diz Vasconcelos.<\/p>\n<h3>Metodologia<\/h3>\n<p>Os dados de distribui\u00e7\u00e3o espacial das 350 esp\u00e9cies da Mata Atl\u00e2ntica e 155 do Cerrado foram aplicados em duas m\u00e9tricas de ecologia de comunidade. A primeira, denominada diversidade alfa, \u00e9 a diversidade local, correspondente ao n\u00famero de esp\u00e9cies em uma pequena \u00e1rea de h\u00e1bitat homog\u00eaneo. A diversidade beta \u00e9 a varia\u00e7\u00e3o na composi\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies entre diferentes h\u00e1bitats e que revela a heterogeneidade da estrutura de toda a comunidade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_57501\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 649px;\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-57501 td-animation-stack-type0-1\" src=\"http:\/\/cdn-cv.r4you.co\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/iStock-874000106.jpg\" sizes=\"(max-width: 1183px) 100vw, 1183px\" srcset=\"http:\/\/cdn-cv.r4you.co\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/iStock-874000106.jpg 1183w, http:\/\/cdn-cv.r4you.co\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/iStock-874000106-300x225.jpg 300w, http:\/\/cdn-cv.r4you.co\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/iStock-874000106-768x576.jpg 768w, http:\/\/cdn-cv.r4you.co\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/iStock-874000106-1024x768.jpg 1024w, http:\/\/cdn-cv.r4you.co\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/iStock-874000106-80x60.jpg 80w, http:\/\/cdn-cv.r4you.co\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/iStock-874000106-265x198.jpg 265w, http:\/\/cdn-cv.r4you.co\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/iStock-874000106-696x522.jpg 696w, http:\/\/cdn-cv.r4you.co\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/iStock-874000106-1068x801.jpg 1068w, http:\/\/cdn-cv.r4you.co\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/iStock-874000106-560x420.jpg 560w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"479\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Hypsiboas polytaenius no Litoral Norte de S\u00e3o Paulo. Foto: iStock by GettyImages<\/figcaption><\/figure>\n<p>Vasconcelos conta que o passo seguinte foi usar os dados de clima para fazer a modelagem de nicho clim\u00e1tico. Foram usados quatro algoritmos diferentes baseados nas caracter\u00edsticas de clima favor\u00e1vel a cada esp\u00e9cie. Trata-se de algoritmos de modelo linear generalizado, de \u00e1rvore de regress\u00e3o, de floresta aleat\u00f3ria e de m\u00e1quina de vetores de suporte.<\/p>\n<p>Os algoritmos serviram para determinar, na Mata Atl\u00e2ntica e no Cerrado, quais s\u00e3o as \u00e1reas de climas semelhantes, gerando um mapa da distribui\u00e7\u00e3o das \u00e1reas atuais onde cada esp\u00e9cie pode sobreviver.<\/p>\n<p>A seguir foi a vez de calibrar os mesmos algoritmos com os cen\u00e1rios de clima futuro, a partir das estimativas feitas dispon\u00edveis no portal\u00a0<a href=\"http:\/\/www.worldclim.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">WorldClim<\/a>.<\/p>\n<h3>Resultados<\/h3>\n<p>\u201cPara cada cen\u00e1rio futuro, em 2050 e 2070, utilizamos dois cen\u00e1rios de emiss\u00e3o de g\u00e1s carb\u00f4nico na atmosfera, um cen\u00e1rio mais otimista, com menor aquecimento global, e outro pessimista e mais quente. Tamb\u00e9m usamos tr\u00eas modelos de circula\u00e7\u00e3o global atmosf\u00e9rica e oce\u00e2nica\u201d, disse Vasconcelos. Os dados s\u00e3o do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC).<\/p>\n<p>\u201cPara cada uma das 505 esp\u00e9cies analisadas geramos 24 mapas de distribui\u00e7\u00e3o [quatro algoritmos x dois cen\u00e1rios de emiss\u00f5es de CO2\u00a0x 3 modelos de circula\u00e7\u00e3o global]. Ao todo, foram mais de 12 mil mapas\u201d, disse.<\/p>\n<p>A partir dos resultados dos 24 mapas de distribui\u00e7\u00e3o para cada esp\u00e9cie, foi gerado um mapa consensual e, ent\u00e3o, uma matriz de presen\u00e7a e aus\u00eancia de esp\u00e9cies, determinando a ocorr\u00eancia prevista de cada esp\u00e9cie em 2050 e 2070.<\/p>\n<p>\u201cO primeiro impacto esperado da mudan\u00e7a clim\u00e1tica nos anf\u00edbios da Mata Atl\u00e2ntica e Cerrado \u00e9 a extin\u00e7\u00e3o de 42 esp\u00e9cies por meio da perda completa de suas \u00e1reas climaticamente favor\u00e1veis entre 2050 e 2070\u201d, disse Vasconcelos.<\/p>\n<p>Os dados apontam para a extin\u00e7\u00e3o de 37 esp\u00e9cies na Mata Atl\u00e2ntica (ou 10,6% do total) e cinco no Cerrado. Das 42 esp\u00e9cies, apenas cinco s\u00e3o atualmente consideradas como em risco de extin\u00e7\u00e3o pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente. O artigo foi publicado\u00a0<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1002\/ece3.4357?campaign=wolearlyview&amp;\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>aqui<\/strong><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O aquecimento global poder\u00e1 levar \u00e0 extin\u00e7\u00e3o de at\u00e9 10% das esp\u00e9cies de sapos, r\u00e3s<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":89970,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/anfibios.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/anfibios-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/anfibios-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/anfibios.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/anfibios.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/anfibios.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/anfibios.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/anfibios.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/anfibios.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/anfibios.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O aquecimento global poder\u00e1 levar \u00e0 extin\u00e7\u00e3o de at\u00e9 10% das esp\u00e9cies de sapos, r\u00e3s","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89969"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89969"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89969\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89970"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}