{"id":89965,"date":"2018-08-10T09:00:41","date_gmt":"2018-08-10T12:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=89965"},"modified":"2018-08-09T21:44:19","modified_gmt":"2018-08-10T00:44:19","slug":"a-nave-espacial-que-vai-tocar-o-sol-e-deve-marcar-a-historia-da-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-nave-espacial-que-vai-tocar-o-sol-e-deve-marcar-a-historia-da-ciencia\/","title":{"rendered":"A nave espacial que vai &#8216;tocar o Sol&#8217; e deve marcar a hist\u00f3ria da ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sol.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-89966\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sol-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sol-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sol.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Se tudo der certo, s\u00e1bado, dia 11 de agosto de 2018, ser\u00e1 um dia hist\u00f3rico para a aventura do conhecimento humano. Isso porque a Nasa, a ag\u00eancia\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/4fdf1711-6845-4344-98cc-1a382ed91b65\">espacial<\/a>\u00a0americana, deve lan\u00e7ar uma nova miss\u00e3o, com um objetivo nunca antes alcan\u00e7ado pela humanidade: a nave Parker Solar Probe (PSP) ser\u00e1 o primeiro objeto constru\u00eddo por um humano a &#8220;tocar&#8221; o Sol.<\/p>\n<p>O &#8220;tocar&#8221;, aqui e nos cuidadosos comunicados da Nasa, vai sempre entre aspas porque a engenhoca vai, tecnicamente, apenas se aproximar muito da corona solar. Trata-se da parte mais externa da atmosfera do Sol, que come\u00e7a a 2,1 mil quil\u00f4metros da superf\u00edcie da estrela do Sistema Solar &#8211; e n\u00e3o tem um limite preciso. A corona \u00e9 aquela aura, composta de plasma e com temperatura que chega a 2 milh\u00f5es de graus Celsius, que a gente consegue ver quando h\u00e1 um eclipse.<\/p>\n<p>&#8220;Estar\u00e1 mais perto do Sol do que qualquer outra miss\u00e3o anterior&#8221;, diz o astrof\u00edsico Adam Szabo, um dos cientistas que integram a miss\u00e3o, em conversa com a BBC News Brasil. De acordo com o cronograma da ag\u00eancia espacial americana, daqui a sete anos, a PSP estar\u00e1 no ponto mais pr\u00f3ximo da estrela j\u00e1 alcan\u00e7ado por uma espa\u00e7onave terrestre: 6,3 milh\u00f5es de quil\u00f4metros da superf\u00edcie solar.<\/p>\n<p>Se o n\u00famero parece grande, \u00e9 preciso pensar nas escalas astron\u00f4micas. A dist\u00e2ncia entre a Terra e o Sol, por exemplo, \u00e9 de 150 milh\u00f5es de quil\u00f4metros. Merc\u00fario, o planeta mais pr\u00f3ximo do Sol, est\u00e1 a 58 milh\u00f5es de quil\u00f4metros do astro. A atual recordista, a nave Helios 2, chegou, em 1976, a 43,5 milh\u00f5es de quil\u00f4metros do Sol.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Para que servir\u00e1 a miss\u00e3o<\/h2>\n<p>A ousada miss\u00e3o espacial, uma das mais complexas de toda a hist\u00f3ria de seis d\u00e9cadas da Nasa, deve custar cerca de US$ 1,5 bilh\u00e3o e, esperam os cientistas, ajudar a responder uma s\u00e9rie de d\u00favidas astron\u00f4micas.<\/p>\n<p>Com os dados obtidos pela PSP, os pesquisadores querem conseguir compreender melhor a origem do vento solar &#8211; em termos pr\u00e1ticos, essa informa\u00e7\u00e3o pode ajudar a proteger o funcionamento dos nossos sat\u00e9lites artificiais, t\u00e3o afetados por tais fen\u00f4menos. Vento solar \u00e9 o nome que se d\u00e1 para o fluxo de part\u00edculas com carga el\u00e9trica, como pr\u00f3tons, el\u00e9trons e \u00edons, que o Sol irradia pelo Sistema Solar.<\/p>\n<p>&#8220;Esta ser\u00e1 a primeira vez que vamos estudar, de perto, nossa estrela Sol. Entender como funciona a corona e o vento solar vai nos ajudar a proteger nossa civiliza\u00e7\u00e3o, cada vez mais dependente de tecnologia e sat\u00e9lites de comunica\u00e7\u00e3o&#8221;, contextualiza o f\u00edsico e engenheiro brasileiro Ivair Gontijo, cientista da Nasa, \u00e0 BBC News Brasil. &#8220;Varia\u00e7\u00f5es no vento solar podem causar s\u00e9rios danos a esses sat\u00e9lites.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Esperamos com essa miss\u00e3o entender como a corona acelera o vento solar. Quem sabe poderemos no futuro prever quando o vento solar coloca nossos sat\u00e9lites em risco&#8221;, completa Gontijo.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/86A4\/production\/_102886443_aarollscintoacousticscell0141.jpg\" alt=\"Parker Solar Probe\" width=\"640\" height=\"426\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">NASA\/JOHNS HOPKINS APL\/ED WHITMAN<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Membros da equipe levam a nave para um teste<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Os cientistas tamb\u00e9m querem entender por que a corona, mesmo mais distante do n\u00facleo solar, \u00e9 t\u00e3o mais quente do que a superf\u00edcie &#8211; 2 milh\u00f5es de graus Celsius, contra uma varia\u00e7\u00e3o de 3,7 mil a 6,2 mil graus.<\/p>\n<p>A PSP ainda deve trazer avan\u00e7os \u00e0 astrof\u00edsica. Com uma observa\u00e7\u00e3o t\u00e3o pr\u00f3xima do Sol, deseja-se obter dados que ajudem a compreender melhor como as estrelas funcionam.<\/p>\n<p>&#8220;De forma mais geral, entendendo o Sol, estaremos tamb\u00e9m entendendo como funcionam as outras estrelas&#8221;, ressalta Gontijo. &#8220;Por isso esta miss\u00e3o trar\u00e1 resultados tanto pr\u00e1ticos, para protegermos nossos sat\u00e9lites, quanto cient\u00edficos, na \u00e1rea de astrof\u00edsica estelar.&#8221;<\/p>\n<p>Objetivamente, conforme enfatiza o astrof\u00edsico Szabo, s\u00e3o tr\u00eas as quest\u00f5es que a miss\u00e3o deve responder. &#8220;Um: por que a corona \u00e9 significativamente mais quente do que a superf\u00edcie do Sol. Dois: por que o vento solar se afasta do sol a velocidades supers\u00f4nicas. Tr\u00eas: como as part\u00edculas energ\u00e9ticas do sol se aceleram \u00e0 velocidade pr\u00f3xima \u00e0 da luz&#8221;, pontua.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Como funcionar\u00e1 a aproxima\u00e7\u00e3o do Sol<\/h2>\n<p>&#8220;A miss\u00e3o Parker Solar vai se aproximar do Sol como nenhuma outra antes e um escudo protetor de quase 12 cent\u00edmetros de espessura, feito de composto de carbono, vai proteg\u00ea-la do intenso calor e da radia\u00e7\u00e3o presente&#8221;, explica o f\u00edsico brasileiro.<\/p>\n<p>De acordo com informa\u00e7\u00f5es da Nasa, a nave PSP pesa 612 quilos e mede 3 metros de comprimento por 2,3 metros de largura. O tal escudo t\u00e9rmico mede 1,3 cent\u00edmetro de espessura e foi feito com um composto de alt\u00edssima tecnologia. E, de acordo com o cientista Szabo, o desenvolvimento dessa prote\u00e7\u00e3o foi um dos pontos mais dif\u00edceis de todo o projeto. A nave ser\u00e1 lan\u00e7ada pelo foguete Delta IV Heavy.<\/p>\n<p>O segredo da aproxima\u00e7\u00e3o solar da PSP est\u00e1 em V\u00eanus. Na realidade, segundo o projeto dos cientistas, \u00e9 a gravidade do planeta vizinho que ir\u00e1 &#8220;arremessar&#8221; a nave, que deve desenvolver uma \u00f3rbita em espiral, aproximando-se cada vez mais do Sol.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/149F4\/production\/_102886448_5d1_6772.jpg\" alt=\"Parker Solar Probe (PSP)\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">NASA\/JHUAPL\/ED WHITMAN<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">A nave \u00e9 colocada numa c\u00e2mara de v\u00e1cuo termal para simular as condi\u00e7\u00f5es que enfrentar\u00e1<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Esse primeiro empurr\u00e3ozinho de V\u00eanus ir\u00e1 ocorrer em 2 de outubro, quando a PSP se aproximar do planeta. Ent\u00e3o, no dia 5 de novembro, a nave vai realizar a primeira aproxima\u00e7\u00e3o do Sol: estar\u00e1 a 24 milh\u00f5es de quil\u00f4metros do astro, ou seja, j\u00e1 ter\u00e1 batido o recorde de artefato humano que mais se acercou do Sol em toda a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Essas \u00f3rbitas v\u00e3o se tornar recorrentes. E, ent\u00e3o, conforme o cronograma desenvolvido pelos cientistas da Nasa, entre dezembro de 2024 e junho de 2025, em suas \u00faltimas voltas ao redor do Sol, \u00e9 que a nave chegar\u00e1 aos pontos de maior aproxima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E vai bater ainda outro recorde: ter\u00e1 embalado a 700 mil quil\u00f4metros por hora e, nesta velocidade incr\u00edvel, se tornar\u00e1 o objeto mais r\u00e1pido j\u00e1 fabricado pelo ser humano &#8211; para efeitos de compara\u00e7\u00e3o, o planeta Terra viaja a 1 milh\u00e3o de quil\u00f4metros por hora.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">O nome da nave<\/h2>\n<p>A Parker Solar Probe recebeu esse nome em homenagem ao astrof\u00edsico americano Eugene Parker, hoje com 91 anos. Ele foi o primeiro cientista a prever a exist\u00eancia do vento solar.<\/p>\n<p>Em 1958, ele apresentou uma teoria mostrando como as altas temperaturas da corona solar acabavam disseminando part\u00edculas energ\u00e9ticas, formando o fen\u00f4meno, depois comprovado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se tudo der certo, s\u00e1bado, dia 11 de agosto de 2018, ser\u00e1 um dia hist\u00f3rico<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":89966,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sol.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sol-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sol-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sol.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sol.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sol.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sol.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sol.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sol.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/sol.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Se tudo der certo, s\u00e1bado, dia 11 de agosto de 2018, ser\u00e1 um dia hist\u00f3rico","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89965"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89965"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89965\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89966"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89965"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89965"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89965"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}