{"id":89774,"date":"2018-08-06T09:50:14","date_gmt":"2018-08-06T12:50:14","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=89774"},"modified":"2018-08-06T10:03:24","modified_gmt":"2018-08-06T13:03:24","slug":"este-passaro-australiano-sabe-que-tem-perigo-por-perto-so-de-ouvir-seus-amigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/este-passaro-australiano-sabe-que-tem-perigo-por-perto-so-de-ouvir-seus-amigos\/","title":{"rendered":"Este p\u00e1ssaro australiano sabe que tem perigo por perto s\u00f3 de ouvir seus amigos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/passaro-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-89775\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/passaro-2-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/passaro-2-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/passaro-2.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Se voc\u00ea ouvisse um rugido de urso pela primeira vez, mas n\u00e3o visse a fera rosnando, o que voc\u00ea pensaria? Voc\u00ea ficaria com medo? Talvez, mas talvez n\u00e3o \u2014 a floresta est\u00e1 cheia de ru\u00eddos estranhos. Mas e se, ao mesmo tempo, um de seus amigos dissesse: \u201cDroga, eu sei tudo sobre aquele monstro com garras e precisamos entrar no carro\u201d?<\/p>\n<p>\u00c9 mais ou menos assim que uma esp\u00e9cie australiana de p\u00e1ssaro, o\u00a0<em>Malurus cyaneu<\/em>s, parece descobrir sobre amea\u00e7as, segundo uma nova pesquisa\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.cub.2018.06.013\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">publicada nesta quinta-feira (2) no\u00a0<em>Current Biology<\/em><\/a>. Essa descoberta seria in\u00e9dita em nossa compreens\u00e3o sobre a intelig\u00eancia avi\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 a primeira vez que estamos vendo evid\u00eancias de que os p\u00e1ssaros podem aprender indiretamente \u2014 o que chamamos de aprendizagem social \u2014 a associar sons com um significado\u201d, disse Dominique Potvin, ecologista de animais da Universidade de Sunshine Coast, na Austr\u00e1lia, em entrevista ao Gizmodo. \u201cIsso significa que um p\u00e1ssaro pode aprender que um novo som significa que tem um predador por perto, simplesmente por escut\u00e1-lo associado com outros sons que eles j\u00e1 sabem que significam \u201cpredador\u201d. \u00c9 um mecanismo de aprendizagem mais sofisticado que \u00e9 bastante impressionante para um animal t\u00e3o pequeno!\u201d<\/p>\n<p>Os p\u00e1ssaros s\u00e3o geralmente mais inteligentes do que os humanos pensam, e cientistas j\u00e1 descobriram que esses\u00a0<em>Malurus cyaneus<\/em>\u00a0reconhecem chamados amea\u00e7adores de outros animais. Mas como eles aprendem esses chamados? E se eles ouvem o chamado de um p\u00e1ssaro predat\u00f3rio pela primeira vez sem ver o predador?<\/p>\n<p>Os cientistas tocaram chamados de alerta em alto-falantes para 16 p\u00e1ssaros na natureza. Primeiro, eles reproduziram dois sons que os p\u00e1ssaros nunca teriam ouvido antes: um gerado por computador e outro de uma esp\u00e9cie com a qual os\u00a0<em>Malurus cyaneus<\/em>\u00a0nunca interagiriam.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/tracks\/480204477&amp;color=%23ff5500&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false&amp;show_teaser=true&amp;visual=true\" width=\"100%\" height=\"300\" frameborder=\"no\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>Inicialmente, os p\u00e1ssaros n\u00e3o responderam aos chamados. Ent\u00e3o, durante tr\u00eas dias, eles tocaram um dos chamados junto com chamados de alerta da pr\u00f3pria esp\u00e9cie que haviam sido gravados (al\u00e9m de outros chamados de p\u00e1ssaros familiares). No fim do per\u00edodo de treinamento, os p\u00e1ssaros fugiam em resposta ao som que havia sido combinado com os chamados de alerta dos\u00a0<em>Malurus cyaneus<\/em>, segundo o artigo publicado nesta quinta.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-254696\" src=\"https:\/\/gizmodo.uol.com.br\/wp-content\/blogs.dir\/8\/files\/2018\/08\/ggpm08cothpttchiotje-970x647.jpg\" sizes=\"(max-width: 970px) 100vw, 970px\" srcset=\"https:\/\/gizmodo.uol.com.br\/wp-content\/blogs.dir\/8\/files\/2018\/08\/ggpm08cothpttchiotje-970x647.jpg 970w, https:\/\/gizmodo.uol.com.br\/wp-content\/blogs.dir\/8\/files\/2018\/08\/ggpm08cothpttchiotje-270x180.jpg 270w, https:\/\/gizmodo.uol.com.br\/wp-content\/blogs.dir\/8\/files\/2018\/08\/ggpm08cothpttchiotje-300x200.jpg 300w, https:\/\/gizmodo.uol.com.br\/wp-content\/blogs.dir\/8\/files\/2018\/08\/ggpm08cothpttchiotje-768x512.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" data-id=\"254696\" \/><\/p>\n<p><em>Um Malurus cyaneus f\u00eamea em um fio. Foto: Jessica McLachlan<\/em><\/p>\n<p>\u201cIsso sugere que o treinamento n\u00e3o apenas os tornou mais cautelosos, mas tamb\u00e9m que eles aprenderam o significado do chamado de alarme que combinamos com um chamado conhecido\u201d, disse Andy Radford, professor de Ecologia Comportamental na Universidade de Bristol, no Reino Unido, em entrevista ao Gizmodo.<\/p>\n<p>E a diferen\u00e7a \u00e9 impressionante. Segundo o estudo, depois do treinamento, os p\u00e1ssaros fugiram em resposta a 81% dos sons rec\u00e9m-treinados no primeiro dia e a 78% daqueles do segundo dia. O grupo de controle de p\u00e1ssaros, que ouviu um som gravado n\u00e3o combinado com nenhum chamado de alerta, fugiu em resposta a 38% dos sons que ouviu no primeiro dia e a 19% dos que ouviu no segundo dia.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a abaixo um dos refr\u00f5es de sons de alerta misturados com os do\u00a0<em>Malurus cyaneus\u00a0<\/em>e de outros p\u00e1ssaros:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/tracks\/480204300&amp;color=%23ff5500&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false&amp;show_teaser=true&amp;visual=true\" width=\"100%\" height=\"300\" frameborder=\"no\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>As aves em si n\u00e3o emitem sons de alarme quando fogem, de acordo com o estudo, ent\u00e3o ainda h\u00e1 trabalho a ser feito para entender como esse aprendizado acontece fora do ambiente experimental.<\/p>\n<p>Esse experimento se destaca em um lugar em que outras pesquisas com animais s\u00e3o muitas vezes imperfeitas \u2014 ele estudou animais selvagens em seus habitats naturais, em vez de em um laborat\u00f3rio, onde seu comportamento pode ser significativamente alterado pelo ambiente n\u00e3o natural. Mas ainda h\u00e1 limita\u00e7\u00f5es a serem apontadas. Potvin observou que os pesquisadores n\u00e3o conseguiram controlar a a\u00e7\u00e3o de outras aves vizinhas que n\u00e3o fazem parte do estudo, que, por sua vez, poderiam ter influenciado os resultados. \u201cN\u00f3s tentamos e nos certificamos de que sab\u00edamos quais os outros indiv\u00edduos que estavam por perto e suas rea\u00e7\u00f5es ao processo experimental\u201d, ela disse.<\/p>\n<p>A seguir, os cientistas esperam estudar como essa aprendizagem social pode mudar baseada no ambiente e se existem certos barulhos mais propensos a alertar os p\u00e1ssaros. E as aves que imitam outras? Poderiam p\u00e1ssaros que imitam outras esp\u00e9cies predat\u00f3rias (como gaios-azuis) ensinar os outros sobre em quais sons ficar de olho?<\/p>\n<p>E os\u00a0<em>Malurus cyaneus\u00a0<\/em>n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos aprendizes sociais por a\u00ed. \u201cOs\u00a0<em>Malurus cyaneus\u00a0<\/em>s\u00e3o espertos, mas eles definitivamente n\u00e3o s\u00e3o a esp\u00e9cie de p\u00e1ssaro mais inteligente que existe\u201d, disse Potvin. \u201cPortanto, acho que poder\u00edamos generalizar com seguran\u00e7a esses resultados para outros p\u00e1ssaros, especialmente outros p\u00e1ssaros canoros\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea ouvisse um rugido de urso pela primeira vez, mas n\u00e3o visse a fera<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":89775,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/passaro-2.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/passaro-2-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/passaro-2-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/passaro-2.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/passaro-2.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/passaro-2.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/passaro-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/passaro-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/passaro-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/passaro-2.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Se voc\u00ea ouvisse um rugido de urso pela primeira vez, mas n\u00e3o visse a fera","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89774"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89774"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89774\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89775"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89774"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89774"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89774"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}