{"id":89728,"date":"2018-08-05T13:05:36","date_gmt":"2018-08-05T16:05:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=89728"},"modified":"2018-08-05T13:05:36","modified_gmt":"2018-08-05T16:05:36","slug":"vinhos-do-cerrado-regiao-conta-com-uma-prospera-producao-da-bebida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/vinhos-do-cerrado-regiao-conta-com-uma-prospera-producao-da-bebida\/","title":{"rendered":"Vinhos do Cerrado: regi\u00e3o conta com uma pr\u00f3spera produ\u00e7\u00e3o da bebida"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/uvas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-89729\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/uvas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/uvas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/uvas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Na virada do mil\u00eanio, a iniciativa de um coronel da reserva do Ex\u00e9rcito colocou Goi\u00e1s no mapa da produ\u00e7\u00e3o de bebidas. Jos\u00e9 Antonio Pires Gon\u00e7alves abandonou a cria\u00e7\u00e3o de gado numa fazenda em Planaltina de Goi\u00e1s, cidade a 50 quil\u00f4metros de Bras\u00edlia. O ga\u00facho resolveu aventurar-se na fabrica\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a, que logo foi reconhecida como uma das melhores do pa\u00eds. Em seguida, para agradar \u00e0 mulher, decidiu criar um rum. O Bar\u00e3o do Cerrado foi considerado o segundo melhor do mundo num importante concurso internacional. Depois disso, o militar cismou que seria capaz de fazer vinho de alta qualidade em pleno Planalto Central brasileiro, valendo-se do clima seco, quente de dia e frio \u00e0 noite, prop\u00edcio para a produ\u00e7\u00e3o da bebida.<\/p>\n<p>Mandou trazer mudas de uvas da Fran\u00e7a. Fez testes com pinot noir, cabernet sauvignon, syrah e sauvignon blanc e come\u00e7ou o vinhedo. Plantou 5 mil parreiras. Pires Gon\u00e7alves espalhava que fizera em sua fazenda uma imita\u00e7\u00e3o do solo da Borgonha com brita, baga\u00e7o de cana, esterco de gado e entulho. O resto, dizia, ficava nas m\u00e3os de Deus. N\u00e3o queria uma produ\u00e7\u00e3o comum. Contratou o en\u00f3logo Marcos Vian, considerado um dos melhores do pa\u00eds, e prop\u00f4s um desafio. Desejava cultivar as uvas da forma mais natural poss\u00edvel: sem enxertos nas plantas \u2014 pr\u00e1tica comum para deixar a videira resistente \u2014 e sem defensivos agr\u00edcolas. Pretendia controlar pragas de maneira natural, apenas com infus\u00e3o de ervas.<\/p>\n<p>Uma trag\u00e9dia pessoal fez com que o militar abandonasse seus planos vin\u00edcolas. A morte precoce de uma filha levou-o a voltar com a fam\u00edlia para o Rio de Janeiro. As poucas garrafas produzidas na primeira safra n\u00e3o chegaram ao mercado. \u201cNingu\u00e9m sabe que gosto tinha esse vinho. S\u00f3 posso dizer que o rum dele era um espet\u00e1culo\u201d, contou Vian, que n\u00e3o provou uma gota sequer do vinho do coronel.<\/p>\n<p>Algumas pessoas at\u00e9 chegaram perto de degustar o vinho, mas ficaram na promessa. Foi o caso do diretor da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sommeliers do Distrito Federal (ABS-DF), S\u00e9rgio Pires. Ele foi convidado pelo pr\u00f3prio Pires Gon\u00e7alves para experimentar a bebida num encontro no apartamento de cobertura do coronel na capital federal. Mas o militar de quase 80 anos o esperou com uma arma sobre a mesa.<\/p>\n<p>At\u00f4nito, o sommelier falou rapidamente sobre os fatores importantes num vinho de alt\u00edssima qualidade. Foi o suficiente para o militar mudar de ideia e se recusar a oferecer um c\u00e1lice.\u201cEle disse que sommelier era muito chato e que n\u00e3o queria mais que eu provasse. Com uma arma na m\u00e3o, eu que n\u00e3o iria insistir\u201d, lembrou S\u00e9rgio Pires, em meio a risadas. \u201cNingu\u00e9m nunca vai saber se era bom mesmo o primeiro vinho goiano.\u201d<\/p>\n<p>Pires Gon\u00e7alves faleceu tempos depois, e seu vinho virou uma lenda em Bras\u00edlia. Passados 20 anos, a qualidade da bebida do Cerrado finalmente come\u00e7a a ser conhecida, gra\u00e7as \u00e0 paix\u00e3o do m\u00e9dico goiano Marcelo de Souza. Em 1997, ao voltar para Goi\u00e2nia de uma especializa\u00e7\u00e3o em otorrinolaringologia em S\u00e3o Paulo, Souza resolveu usar a bagagem en\u00f3fila adquirida na capital paulista para difundir o consumo de vinho entre os conterr\u00e2neos. Trocou tamb\u00e9m os livros de medicina pelos t\u00edtulos de gastronomia e de agronomia. Ap\u00f3s muita pesquisa, chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que o clima seco e a amplitude t\u00e9rmica da serra de Goi\u00e1s eram perfeitos para produzir uvas que amadurecem at\u00e9 o ponto ideal para a produ\u00e7\u00e3o de vinhos premiados.<\/p>\n<p>Para provar que estava certo, Souza investiu na compra de um terreno em um vale pr\u00f3ximo \u00e0 cidade de Cocalzinho, distante 50 quil\u00f4metros de Bras\u00edlia, para fazer um vinhedo. A terra \u00e9 uma das paix\u00f5es do m\u00e9dico goiano e tamb\u00e9m uma draga de suas economias. Al\u00e9m do que gastou para compr\u00e1-la, parte de sua poupan\u00e7a foi usada na constru\u00e7\u00e3o de uma represa para armazenar \u00e1gua da chuva e manter a irriga\u00e7\u00e3o constante dos p\u00e9s de uva. Souza procurou enxertos resistentes \u00e0s pragas para encaixar as parreiras mais sens\u00edveis de uvas syrah e barbera.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou a plantar em 2008. Passou a realizar poda dupla, para mudar o ciclo natural da planta e fazer com que ela amadure\u00e7a no inverno. Assim, as videiras produzem duas vezes por ano e a efici\u00eancia do neg\u00f3cio aumenta. A tecnologia \u00e9 um trunfo, aliado ao clima do Cerrado. Sem chuva, a uva pode ficar no p\u00e9 por mais tempo. O amadurecimento perfeito d\u00e1 mais explos\u00e3o aos sabores e cheiros de um vinho \u201cultrapremium\u201d. \u201cFui tachado de louco, mas Goi\u00e1s tem condi\u00e7\u00f5es de sobra para produzir vinhos melhores que Chile, Fran\u00e7a e Argentina\u201d, disse o m\u00e9dico, sem medo de pol\u00eamicas. Maluquice mesmo, para Souza, \u00e9 produzir vinho no Rio Grande do Sul. Ele argumentou que l\u00e1 chove demais e que n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para a uva amadurecer at\u00e9 o ponto ideal.<\/p>\n<div id=\"pub-retangulo-2\" class=\"arroba publicidade clearfix\" data-google-query-id=\"CNGdzYmk1twCFQSPswodbcgIgA\">\n<p>Ele n\u00e3o esperava, mas o reconhecimento foi instant\u00e2neo. Logo na primeira safra, o r\u00f3tulo Bandeiras, da uva italiana barbera, ganhou medalha de ouro na Grande Prova do Anu\u00e1rio vinhos do Brasil de 2013, feito pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e pela revista Baco. O pr\u00eamio \u00e9 considerado por especialistas um dos maiores do pa\u00eds. O vinho goiano foi escolhido pelos jurados o melhor da categoria Outras Castas Tintas. Souza gosta de frisar que esse Bandeiras venceu r\u00f3tulos tradicionais, como os da conceituada vin\u00edcola argentina Catena, em desafios \u00e0s cegas.<\/p>\n<\/div>\n<p>Sofisticar a produ\u00e7\u00e3o passou a ser uma meta. Souza recorreu ao mesmo en\u00f3logo que orientou o coronel Pires Gon\u00e7alves no passado. Vian ganhou a miss\u00e3o de finalizar os vinhos, que ainda eram considerados r\u00fasticos e precisavam de um acabamento mais elegante para encantar paladares mais exigentes. \u201cAs amostras me impressionaram. O que me chamou a aten\u00e7\u00e3o no material que chegou \u00e9 que ele s\u00f3 poderia ter vindo de uvas bem maduras e sofisticadas\u201d, relatou o especialista.<\/p>\n<div class=\"foto\">\n<figure><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/22936723-c3a-6c3\/FT1086A\/420\/x77333990_BSBBrasiliaBrasil14-06-2018EpocaVINHOS-GOIANOSO-empresario-Sergio-Resend.jpg.pagespeed.ic.f3Qbgk8EFi.jpg\" width=\"640\" height=\"384\" \/><figcaption>O empres\u00e1rio S\u00e9rgio Resende em seu vinhedo. Ele trocou as noitadas pela lavoura<b>\u00a0&#8211; Givaldo Barbosa \/ Ag\u00eancia O Globo<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Segundo Vian, os vinhos goianos se parecem mais com r\u00f3tulos do Chile e da Argentina do que os produzidos no Sul do Brasil. T\u00eam car\u00e1ter forte e mostram o terroir \u2014 no jarg\u00e3o do mundo do vinho, isso significa que revelam a terra onde a uva foi plantada e as condi\u00e7\u00f5es ambientais. O clima seco ajuda as uvas a ficar mais doces e o teor alco\u00f3lico no ponto, sem necessidade de outros recursos para atingir a gradua\u00e7\u00e3o desejada. O en\u00f3logo concorda que Goi\u00e1s tem um grande potencial para a produ\u00e7\u00e3o de vinho, mas se esquiva de entrar na pol\u00eamica sobre se poderia produzir vinhos de t\u00e3o alta qualidade como os mais tradicionais franceses. \u201cNosso filho \u00e9 sempre mais bonito que os outros, mas \u00e9 dif\u00edcil comparar qual regi\u00e3o \u00e9 melhor ou pior\u201d, salientou o en\u00f3logo. \u201cGoi\u00e1s tem vinhos de qualidade e de muita personalidade. E com um alto n\u00edvel de dificuldade, que n\u00e3o d\u00e1 para fazer em qualquer lugar.\u201d<\/p>\n<p>Hoje, o vale de Marcelo de Souza est\u00e1 cheio de cultivos. O cen\u00e1rio chega a lembrar a paisagem de um vinhedo europeu, com a diferen\u00e7a de que o lugar \u00e9 rodeado pelas \u00e1rvores contorcidas que crescem em meio \u00e0 baixa umidade do Cerrado. A uva cultivada l\u00e1 vai para uma pequena instala\u00e7\u00e3o na cidade de Cocalzinho. Nessa vin\u00edcola, s\u00e3o feitos sete r\u00f3tulos. O mais barato custa R$ 85. Cada garrafa do Bandeiras sai por R$ 180. O Intr\u00e9pido, um vinho ainda mais caro, vale R$ 200. Os dois s\u00e3o envelhecidos em barris de carvalho franc\u00eas e americano e considerados \u201cultrapremium\u201d, a segunda melhor classifica\u00e7\u00e3o do mercado. Um ainda melhor j\u00e1 foi feito na Vin\u00edcola Pireneus. Enquanto trabalhava para aprimorar a produ\u00e7\u00e3o de um r\u00f3tulo feito com uva tempranillo, Souza aperfei\u00e7oou a bebida a tal ponto que cada garrafa foi vendida a R$ 500. O lote n\u00e3o foi suficiente para atender a quem queria.\u201cVendeu igual a p\u00e3o quente na chapa\u201d, afirmou, orgulhoso, o m\u00e9dico goiano.<\/p>\n<p>Souza pretende lan\u00e7ar mais produtos, mas uma disputa judicial com a ex-mulher em torno do vinhedo tem atrasado seus planos. Ele sabe que a produ\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 em fase artesanal e negocia com investidores para ampliar o neg\u00f3cio. Entre visitas \u00e0s videiras e os atendimentos no consult\u00f3rio m\u00e9dico, avalia propostas. Souza recusou oportunidades para exportar seu vinho para a Inglaterra. Como faz no m\u00e1ximo 2 mil garrafas de cada r\u00f3tulo por ano, preferiu concentrar-se no mercado local. Disse que est\u00e1 preocupado em fazer a regi\u00e3o prosperar e em estimular outros produtores. A estrat\u00e9gia tem surtido efeito.<\/p>\n<p>A 287 quil\u00f4metros de Cocalzinho, outro vinho goiano \u00e9 produzido. Localizada no munic\u00edpio de Para\u00fana, mais ao sul de Goi\u00e1s, a vin\u00edcola Serra das Gal\u00e9s lan\u00e7ou recentemente o r\u00f3tulo Muralha, com uvas syrah e touriga nacional, trazidas da Fran\u00e7a e de Portugal. A fabrica\u00e7\u00e3o come\u00e7ou recentemente.<\/p>\n<div class=\"foto\">\n<figure><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/22936733-336-573\/FT1086A\/420\/x77332498_BSBBrasiliaBrasil14-06-2018EpocaVINHOS-GOIANOSO-medico-e-sommelier-Marce.jpg.pagespeed.ic.TbwRoxDsPE.jpg\" width=\"640\" height=\"384\" \/><figcaption>O m\u00e9dico e sommelier Marcelo Souza, com garrafas do vinho produzido em sua propriedade, em Cocalzinho. Ele recusou propostas para exportar seu vinho para a Inglaterra<b>\u00a0&#8211; Givaldo Barbosa \/ Ag\u00eancia O Globo<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Em Girass\u00f3is, munic\u00edpio vizinho de Cocalzinho, um novo vinhedo dar\u00e1 a primeira safra neste ano. \u00c9 a estreia do empres\u00e1rio S\u00e9rgio Resende no ramo. Resende trocou a noitada pela lavoura. Nos anos 1980 e 1990, ele foi dono do Gate\u2019s Pub, uma famosa casa noturna de Bras\u00edlia. Em vez do som de bandas de rock, passou a escutar o gotejar da \u00e1gua nas ra\u00edzes enxertadas das videiras.<\/p>\n<p>Em sua fazenda, Resende copiou um sistema de irriga\u00e7\u00e3o usado em Israel, onde a secura tamb\u00e9m impera e \u00e9 driblada pela tecnologia. Superados os habituais inc\u00eandios em \u00e9pocas de baix\u00edssima umidade no ar e as pragas, ele espera colher 5 toneladas de uvas syrah e pinot noir na propriedade da fam\u00edlia, onde brincava na inf\u00e2ncia. Resende acredita que o Cerrado seja capaz de dar a eleg\u00e2ncia e a acidez esperadas de um bom vinho de inverno. Pretende vender parte da produ\u00e7\u00e3o no Natal. A outra parte envelhecer\u00e1 em barris novos j\u00e1 encomendados.<\/p>\n<div id=\"pub-retangulo-3\" class=\"arroba publicidade clearfix\" data-google-query-id=\"CI7LkIqk1twCFZOsyAod6_ML3w\"><\/div>\n<p>O empres\u00e1rio acumula expertise na produ\u00e7\u00e3o de vinhos. Terceiriza a fabrica\u00e7\u00e3o do espumante Dom para uma vin\u00edcola em Garibaldi, no Rio Grande do Sul. O r\u00f3tulo ganhou medalha de bronze no Brinda Brasil, um dos maiores concursos do pa\u00eds, na categoria brut feito pelo m\u00e9todo charmat. No ano que vem, Resende far\u00e1 os primeiros testes para produzir o Dom em solo goiano. Pretende vender o espumante no mercado depois que tr\u00eas r\u00f3tulos de sua propriedade estiverem consolidados. Um deles foi batizado com o nome Altitude 1.080, numa refer\u00eancia \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de sua propriedade rural em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel do mar.<\/p>\n<p>Os dados de consumo de vinho em Bras\u00edlia encorajam o empres\u00e1rio, que foi dono de distribuidora de bebidas. O mercado da capital federal \u00e9 farto. Bras\u00edlia \u00e9 um dos maiores centros consumidores de vinho do pa\u00eds. Est\u00e1 em primeiro lugar em compra de espumante, uma das bebidas que mais regam as festas da cidade com o maior n\u00famero de piscinas por habitante do planeta. \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 maluquice. O maluco um foi o coronel. O maluco n\u00famero dois foi o Marcelo\u201d, disse Resende, em tom de brincadeira. \u201cAgora que a gente sabe que deu certo, \u00e9 mais bem f\u00e1cil e sucesso garantido.\u201d<\/p>\n<p>O vinho goiano, segundo os especialistas, ainda pode evoluir muito. Os pioneiros costumam abrir caminho para a amplia\u00e7\u00e3o e a sofistica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. Na vis\u00e3o do sommelier S\u00e9rgio Pires, o maior desafio do vinho goiano, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 chegar a um equil\u00edbrio perfeito de sabores, cheiros e consist\u00eancia, mas superar preconceitos. Ele reclamou da dificuldade que \u00e9 levar vinho nacional para degusta\u00e7\u00e3o nos grupos de que faz parte. Pires chegou a ser acusado de defender a produ\u00e7\u00e3o brasileira, o que seria uma atitude muito natural para um sommelier franc\u00eas ou portugu\u00eas. \u201cQuando digo que quero levar um vinho produzido em Cocalzinho, as pessoas torcem o nariz. Esse vinho s\u00f3 \u00e9 valorizado em degusta\u00e7\u00f5es \u00e0s cegas\u201d, contou em tom de lamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na virada do mil\u00eanio, a iniciativa de um coronel da reserva do Ex\u00e9rcito colocou Goi\u00e1s<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":89729,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/uvas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/uvas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/uvas-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/uvas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/uvas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/uvas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/uvas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/uvas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/uvas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/uvas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Na virada do mil\u00eanio, a iniciativa de um coronel da reserva do Ex\u00e9rcito colocou Goi\u00e1s","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89728"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89728"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89728\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89729"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89728"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89728"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89728"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}