{"id":89177,"date":"2018-07-26T12:00:28","date_gmt":"2018-07-26T15:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=89177"},"modified":"2018-07-26T12:34:05","modified_gmt":"2018-07-26T15:34:05","slug":"povos-amazonicos-domesticaram-plantas-ha-6-mil-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/povos-amazonicos-domesticaram-plantas-ha-6-mil-anos\/","title":{"rendered":"Povos amaz\u00f4nicos domesticaram plantas h\u00e1 pelo menos 6 mil anos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/amazonia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-89178\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/amazonia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/amazonia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/amazonia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Achados arqueol\u00f3gicos menores do que um gr\u00e3o de areia, que s\u00f3 podem ser vistos em um microsc\u00f3pio, refor\u00e7am a tese de que a regi\u00e3o do Alto Rio Madeira, no Sudeste da Amaz\u00f4nia, foi um importante polo de domestica\u00e7\u00e3o de plantas, em tempos remotos.<\/p>\n<p>Os resultados dos estudos, publicados nesta quarta-feira (25 de julho), no jornal cient\u00edfico on-line PLOS ONE, demonstram tamb\u00e9m que as antigas popula\u00e7\u00f5es j\u00e1 provocavam mudan\u00e7as na paisagem da floresta naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>An\u00e1lises gen\u00e9ticas j\u00e1 indicavam que a regi\u00e3o teve um papel chave na domestica\u00e7\u00e3o de plantas na Am\u00e9rica, datando por exemplo que a mandioca teria sido domesticada ali entre 8 mil e 10 mil anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>\u201cMas at\u00e9 agora n\u00e3o t\u00ednhamos evid\u00eancias arqueol\u00f3gicas disso\u201d, explica a arque\u00f3loga Jennifer Watling, do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de S\u00e3o Paulo, autora principal do artigo.<\/p>\n<p>Entre as evid\u00eancias est\u00e3o fit\u00f3litos, min\u00fasculos peda\u00e7os de plantas petrificados encontrados em meio a argila. Eles t\u00eam cerca de 20 m\u00edcrons, ou 0,02 mil\u00edmetros. Para comparar, ao lado de um gr\u00e3o de areia fina, proporcionalmente uma bola de t\u00eanis ao lado de uma bola de futebol de campo.<\/p>\n<p>Watling e seus colegas analisaram remanescentes de sementes e outros restos de plantas mais antigos encontrados no s\u00edtio arqueol\u00f3gico e tamb\u00e9m artefatos utilizados no processo de alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNeste estudo a gente conseguiu achar restos micro bot\u00e2nicos, associados com assentamentos antr\u00f3picos que remontam de 5 a 6 mil anos atr\u00e1s. A gente est\u00e1 associando um tipo de s\u00edtio na regi\u00e3o \u00e0 domestica\u00e7\u00e3o de mandioca\u201d, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p>Foram encontrados tamb\u00e9m os mais antigos vest\u00edgios de feij\u00e3o do Brasil e de ab\u00f3bora, plantas domesticadas em outras regi\u00f5es, como Andes e M\u00e9xico.<\/p>\n<p><strong>Rea\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n<div class=\"olho-direita\">&#8220;As descobertas sugerem que os povos do sudeste amaz\u00f4nico passaram de ca\u00e7adores-coletores para horticultores h\u00e1 mais de seis mil anos, bem antes do que se imaginava.\u201d<\/div>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m evid\u00eancias de Terra Preta de \u00cdndio na regi\u00e3o, resultado de altera\u00e7\u00f5es humanas no ambiente. As descobertas sugerem que os povos do sudeste amaz\u00f4nico passaram de ca\u00e7adores-coletores para horticultores h\u00e1 mais de seis mil anos, bem antes do que se imaginava.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es dessas mudan\u00e7as \u00e9 a pergunta que Jennifer Watling quer responder com os estudos no Rio Madeira. \u201cUma das hip\u00f3teses \u00e9 que seja uma resposta \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, arrisca a pesquisadora.<\/p>\n<p>\u201cNo come\u00e7o do Holoceno, final da Era Glacial (cerca de 11 mil anos atr\u00e1s), quando est\u00e1 ficando mais quente, os ambientes mudam, os seres humanos est\u00e3o perdendo recursos dos quais antes dependiam e ent\u00e3o come\u00e7am a investir mais para garantir recursos para sua dieta\u201d, completa.<\/p>\n<p>Registros de domestica\u00e7\u00e3o de plantas no M\u00e9xico, Sudeste Asi\u00e1tico e Oriente M\u00e9dio sugerem que a domestica\u00e7\u00e3o de plantas em v\u00e1rias partes do mundo ocorreu nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, al\u00e9m do M\u00e9xico, os Andes e o Alto Rio Madeira tamb\u00e9m foram polos importantes da domestica\u00e7\u00e3o de plantas. Al\u00e9m da mandioca, na Amaz\u00f4nia foram domesticadas ao que tudo indica outras plantas, como amendoim e pupunha.<\/p>\n<p><strong>Paisagem alteradas<\/strong><\/p>\n<p>Jennifer explica que a presen\u00e7a da Terra Preta indica o uso mais intensivo da terra na Amaz\u00f4nia. Antes de 6 mil anos, de acordo com ela, as evid\u00eancias encontradas no Alto Rio Madeira indicam uma popula\u00e7\u00e3o mais esparsas, com uma popula\u00e7\u00e3o mais m\u00f3vel, que ainda iniciava o manejo ou cultivo de algumas esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>\u201cMas a gente viu dentro desses registros mais antigos que eles j\u00e1 cultivavam ra\u00edzes, que podem ser mandioca ou ari\u00e1 (um tub\u00e9rculo parecido com a batata)\u201d, afirma Jennifer Watling.<\/p>\n<div id=\"attachment_61735\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-61735\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/DSC_5841.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/DSC_5841.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/DSC_5841-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/DSC_5841-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Equipe de arque\u00f3logos trabalhando no S\u00edtio Teot\u00f4nio, em Rond\u00f4nia. Foto: Amabile Casarin\/Secom &#8211; Governo de Rond\u00f4nia.<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cBasicamente isso mostra impactos na paisagem que recua h\u00e1 at\u00e9 mesmo 9 mil anos, com palmeiras e outras plantas. Mas esse processo vai se intensificando a partir dos 6 mil, quando chega a ab\u00f3bora e o feij\u00e3o\u201d, conta a pesquisadora.<\/p>\n<p>As descobertas foram feitas em camadas de solo expostas recentemente no s\u00edtio arqueol\u00f3gico Teot\u00f4nio, perto da cachoeira que leva o mesmo nome, em Rond\u00f4nia. A regi\u00e3o \u00e9 considerada por arque\u00f3logos como um microcosmo da ocupa\u00e7\u00e3o humana no Alto Rio Madeira, porque preserva registros quase cont\u00ednuos da culturas humanas que remontam h\u00e1 cerca de 7 mil anos Antes de Cristo.<\/p>\n<p>Os estudos foram financiados pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Achados arqueol\u00f3gicos menores do que um gr\u00e3o de areia, que s\u00f3 podem ser vistos em<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":89178,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/amazonia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/amazonia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/amazonia-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/amazonia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/amazonia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/amazonia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/amazonia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Achados arqueol\u00f3gicos menores do que um gr\u00e3o de areia, que s\u00f3 podem ser vistos em","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89177"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89177"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89177\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89178"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}