{"id":88680,"date":"2018-07-17T08:00:51","date_gmt":"2018-07-17T11:00:51","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=88680"},"modified":"2018-07-16T20:22:05","modified_gmt":"2018-07-16T23:22:05","slug":"soja-organica-e-economicamente-viavel-mas-enfrenta-desconfianca-do-consumidor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/soja-organica-e-economicamente-viavel-mas-enfrenta-desconfianca-do-consumidor\/","title":{"rendered":"Soja org\u00e2nica \u00e9 economicamente vi\u00e1vel, mas enfrenta desconfian\u00e7a do consumidor"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/soja.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-88681\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/soja-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/soja-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/soja.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Doze porcento da popula\u00e7\u00e3o brasileira se declara vegetariana, segundo pesquisa realizada em abril deste ano pelo Ibope em 142 cidades brasileiras. O n\u00famero representa um aumento de 75% em rela\u00e7\u00e3o a 2012. A pesquisa tamb\u00e9m mostrou o interesse crescente da popula\u00e7\u00e3o por produtos veganos, que excluem qualquer elemento de origem animal.<\/p>\n<p>A soja \u00e9 uma alternativa comum para quem segue este tipo de dieta, seja atrav\u00e9s da carne de soja, na farinha, leite, iogurte ou tofu. Mas quem opta por este alimento se depara com outro dilema: a soja \u00e9 a cultura que mais utiliza agrot\u00f3xicos no Brasil, respondendo por 47% de todo o pesticida vendido no pa\u00eds,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.larissabombardi.blog.br\/atlas2017\" rel=\"noopener\">segundo dados do Atlas dos Agrot\u00f3xicos<\/a>, al\u00e9m de seu cultivo em grandes \u00e1reas de monocultura ser comumente associado ao desmatamento.<\/p>\n<p>Uma realidade que incomoda a jornalista Fernanda da Costa, moradora de Porto Alegre, vegetariana h\u00e1 dez anos e vegana h\u00e1 quatro: &#8220;Uma hora eu percebi que estava consumindo muita soja, e como a maioria da soja do Brasil n\u00e3o \u00e9 org\u00e2nica, al\u00e9m de consumir muito soja eu estava consumindo muito agrot\u00f3xico&#8221;. Foi ent\u00e3o que Fernanda come\u00e7ou a buscar a soja org\u00e2nica: \u00a0&#8220;O meu sonho seria consumir s\u00f3 soja org\u00e2nica, mas n\u00e3o \u00e9 a realidade hoje, eu ainda consumo v\u00e1rios processados de soja que n\u00e3o \u00e9 org\u00e2nica&#8221;.<\/p>\n<p>Uma das poucas op\u00e7\u00f5es que ela encontrou em Porto Alegre foi a Sattva Produtos Naturais, que produz hamb\u00fargueres, kibes e salsichas, tudo \u00e0 base de ingredientes org\u00e2nicos. Encontro um dos donos do neg\u00f3cio em uma manh\u00e3 de s\u00e1bado ensolarado, na feira ecol\u00f3gica do Bom Fim, a mais tradicional de Porto Alegre. Este \u00e9 uma das seis feiras em que Shiva Braga exp\u00f5e seus produtos.<\/p>\n<div id=\"attachment_61544\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-61544\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Hamburgur-vegano.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Hamburgur-vegano.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Hamburgur-vegano-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Hamburgur-vegano-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Hamb\u00farguer vegano, um dos alimentos feitos a base de soja. Foto: Fernanda Wenzel.<\/p>\n<\/div>\n<p>Shiva explica que vem de fam\u00edlia vegetariana, que sempre buscou na soja uma fonte de prote\u00edna. O h\u00e1bito deu origem ao neg\u00f3cio, e ao longo de quinze anos a empresa construiu uma parceria com tr\u00eas produtores rurais que garantem a estabilidade no fornecimento do gr\u00e3o. A maior dificuldade, segundo o comerciante, est\u00e1 na desconfian\u00e7a do consumidor, que v\u00eam crescendo nos \u00faltimos anos: &#8220;De modo geral, o consumidor j\u00e1 n\u00e3o acredita na possibilidade da soja org\u00e2nica. Porque enfim, a gente sabe qual o cen\u00e1rio da produ\u00e7\u00e3o de soja no Brasil, e \u00e9 um cerco que se fecha, a gente deve ter no m\u00e1ximo 5% da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica no Brasil, nem isso. A aceita\u00e7\u00e3o cada vez se limita mais&#8221;. A resist\u00eancia dos clientes \u00e9 tanta que obrigou a fam\u00edlia a mudar receitas e oferecer novos produtos, que n\u00e3o inclu\u00edssem a soja.<\/p>\n<p>A desconfian\u00e7a transparece no relato de Nicole Vargas da Rocha, uma das clientes atendidas na banca de Shiva. Vegetariana h\u00e1 quinze anos e em transi\u00e7\u00e3o para o veganismo, Nicole costuma comprar produtos \u00e0 base de soja org\u00e2nica na feira da cidade onde mora, em Caxias do Sul: &#8220;L\u00e1 t\u00e1 escrito org\u00e2nica n\u00e9, se \u00e9 ou n\u00e3o ou n\u00e3o sei dizer&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Um setor sem n\u00fameros<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro desafio para quem quer entender o mercado de produtos org\u00e2nicos no Brasil \u00e9 a falta de dados. O Cadastro Nacional de Produtores Org\u00e2nicos \u00e9 extremamente falho, o que n\u00e3o permite que possamos sequer estimar o tamanho da produ\u00e7\u00e3o total, que dir\u00e1 de um produto espec\u00edfico. A \u00fanica conclus\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 que o n\u00famero de produtores cadastrados vem crescendo a uma m\u00e9dia de 20% ao ano. Em 2010, havia 5.934 produtores inscritos no Cadastro, n\u00famero que saltou para 17.451 em 2017. Uma an\u00e1lise preliminar mostra que pelo menos 252 deles afirmam ter a soja como um de seus cultivos.<\/p>\n<div id=\"attachment_61545\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-61545\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Produtores.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Produtores.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Produtores-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Produtores-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Produtor rural fornecedor da Gebana. Foto: Federa\u00e7\u00e3o das Industrias do Estado do Paran\u00e1.<\/p>\n<\/div>\n<p>Mas segundo a coordenadora de Agroecologia e Produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica no Minist\u00e9rio da Agricultura, Virg\u00ednia Mendes Cipriano Lira, o carro-chefe da produ\u00e7\u00e3o de org\u00e2nicos no Brasil continua sendo as hortali\u00e7as. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 soja, a \u00fanica informa\u00e7\u00e3o \u00e9 que a maior parte da produ\u00e7\u00e3o se d\u00e1 nos tr\u00eas estados do Sul: Paran\u00e1, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>A Gebana \u00e9 uma das empresas que atuam neste mercado, comprando e revendendo os produtos, al\u00e9m de prestar assessoria t\u00e9cnica e dar suporte aos agricultores. Atualmente, a empresa conta com uma rede de 120 produtores de org\u00e2nicos espalhados no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo, Goi\u00e1s, Minas Gerais e Paraguai. A Gebana comercializa anualmente 10 mil toneladas de soja org\u00e2nica, al\u00e9m de outras 10 mil toneladas de outros gr\u00e3os, como milho, trigo, aveia branca e canola.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos demais produtos, a maioria da soja (70%) vai para o exterior, mais especificamente para a Uni\u00e3o Europeia, um mercado com maior poder aquisitivo e mais avan\u00e7ado em termos de consci\u00eancia ambiental. Mas para Marcio Alberto Challiol, agr\u00f4nomo e gerente agr\u00edcola da Gebana, aos poucos esta onda est\u00e1 \u00a0chegando no Brasil: &#8220;A gente agora come\u00e7ou a entrar em uma l\u00f3gica de diversifica\u00e7\u00e3o dos produtos org\u00e2nicos. Antes era muito focado em hortifruti, hoje voc\u00ea encontra facilmente geleias, ovos, mesmos gr\u00e3os. Tem cada vez mais op\u00e7\u00f5es no mercado&#8221;.<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o de que os org\u00e2nicos fazem parte de um caminho sem volta \u00e9 compartilhada por Virg\u00ednia Lira: &#8220;A gente observa o crescimento dos produtores cadastrados ano a ano, independente da crise econ\u00f4mica e de outras adversidades como o conv\u00edvio com agrot\u00f3xicos e os transg\u00eanicos. Ent\u00e3o \u00e9 uma resposta a uma demanda dos consumidores brasileiros, que buscam cada vez mais produtos com respeito ambiental e social, que s\u00e3o valores que o produto org\u00e2nico tem agregados. \u00c9 um mercado muito promissor e eu acho que \u00e9 um processo irrevers\u00edvel&#8221;. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 falta de informa\u00e7\u00f5es sobre o setor, Virg\u00ednia afirma que um novo cadastro est\u00e1 sendo constru\u00eddo. A previs\u00e3o \u00e9 que at\u00e9 o final do ano o Minist\u00e9rio possa fornecer relat\u00f3rios mais detalhados sobre a produ\u00e7\u00e3o de org\u00e2nicos no Brasil.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Diziam que a gente era burro, atrasado&#8221;<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_61546\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-61546\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Foto-1-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Foto-1-1.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Foto-1-1-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Foto-1-1-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Barraca na feira ecol\u00f3gica do Bom Fim. Foto: Fernanda Wendel.<\/p>\n<\/div>\n<p>A soja org\u00e2nica que Shiva transforma nos hamb\u00fargueres e salsichas vendidos na feira, e que Fernanda e Nicole compram para complementar sua dieta vegana, tem origem na propriedade da fam\u00edlia Primel, a 250 km de Porto Alegre. Junto com os dois irm\u00e3os, Alceu Primel toca a fazenda de 50 hectares localizada em Santo Ant\u00f4nio do Palma, no norte ga\u00facho. Cerca de 30 hectares s\u00e3o utilizados para o plantio de soja, mas sempre em rota\u00e7\u00e3o com outras culturas. Alceu se orgulha de dizer que na terra deles se planta de tudo: soja, milho, feij\u00e3o, trigo, centeio e aveia, al\u00e9m de frutas e verduras que eles vendem na feira ecol\u00f3gica da vizinha Passo Fundo. O \u00a0pr\u00f3ximo passo \u00e9 come\u00e7ar a processar os gr\u00e3os ali mesmo na propriedade e comercializar a pr\u00f3pria farinha org\u00e2nica.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o-org\u00e2nica nunca foi op\u00e7\u00e3o para os Primel, j\u00e1 que os pais dos guris sempre proibiram os filhos de trabalharem com produtos qu\u00edmicos. Na \u00e9poca, eram motivo de piada na regi\u00e3o: &#8220;Nos primeiros anos diziam que a gente era burro, era atrasado, no col\u00e9gio nos chamavam de &#8216;os ecol\u00f3gicos&#8217;, n\u00e3o sei mais o que&#8230; Teve um per\u00edodo muito dif\u00edcil em que desmereciam o que a gente fazia, e hoje a gente anda de cabe\u00e7a levantada por causa do orgulho do que a gente faz&#8221;.<\/p>\n<p>Numa \u00e9poca em que ser &#8220;org\u00e2nico&#8221; era coisa de outro mundo, eles mesmos faziam os pr\u00f3prios produtos biol\u00f3gicos para controle de pragas. A op\u00e7\u00e3o sequer existia no mercado. Os Primel aliaram os conhecimentos herdados dos pais com a vontade de estar sempre aprendendo. Fizeram cursos, estudaram e foram aplicando as t\u00e9cnicas na propriedade: &#8220;Tem que ter conhecimento. A terra, que tipo de terra tu tem? Tem que conhecer o solo. N\u00e3o \u00e9 toda terra que tu pode produzir horta, raiz, cereal. Tu mesmo v\u00ea como t\u00e1 a planta, se t\u00e1 doente ou n\u00e3o. V\u00ea o solo, se tem que corrigir. Se v\u00eam in\u00e7o, tem que ver por que o in\u00e7o t\u00e1 vindo. Por que essa praga t\u00e1 vindo, essa doen\u00e7a? Com tantos anos tu vai adquirindo o conhecimento de toda a tua cadeia de produ\u00e7\u00e3o. A natureza nos ensina, e nunca termina o que ela pode ensinar pra gente&#8221;.<\/p>\n<div id=\"attachment_61547\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-61547\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cortinas.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cortinas.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cortinas-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cortinas-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Cortinas verdes plantadas nas Esta\u00e7\u00f5es de Tratamento de Esgoto (ETEs) para reduzir os efeitos dos gases emitidos pelo processo de tratamento. O mesmo processo \u00e9 usado para impedir a deriva dos agrot\u00f3xicos. Foto: Sanepar Cascavel\/Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<p>Como se n\u00e3o bastassem os desafios impostos pela natureza, os Primel precisam se preocupar com os impactos das lavouras vizinhas, na sua maioria monoculturas transg\u00eanicas e tratadas com agrot\u00f3xicos. Alceu conta que muitas vezes tem que deixar de usar uma \u00e1rea por causa do risco de contamina\u00e7\u00e3o, ou ent\u00e3o construir uma barreira verde para evitar a deriva (quando o pesticida \u00e9 levado para fora da lavoura, normalmente pela a\u00e7\u00e3o do vento). Outras vezes os produtos qu\u00edmicos acabam matando as esp\u00e9cies amigas da lavoura org\u00e2nica, como lagartas e vespinhas que ajudam no controle das pragas inimigas.<\/p>\n<p>Esse cuidado constante \u00e9 um dos principais entraves \u00e0 expans\u00e3o do plantio de org\u00e2nicos, no entender de Marcio Alberto Challiol: &#8220;D\u00e1 mais trabalho porque tanto o agricultor quanto o t\u00e9cnico t\u00eam que ser presentes na lavoura, por n\u00e3o trabalhar com o calend\u00e1rio qu\u00edmico do convencional. Ent\u00e3o existe uma aten\u00e7\u00e3o e um olhar mais hol\u00edstico para propriedade, que d\u00e1 mais trabalho e \u00e9 um pouco mais complexo porque envolve muitos fatores biol\u00f3gicos e n\u00e3o s\u00f3 qu\u00edmicos&#8221;. Al\u00e9m da presen\u00e7a constante na propriedade, o cultivo org\u00e2nico exige cuidados especiais, como rota\u00e7\u00e3o de culturas, capina com m\u00e1quinas antes e depois do plantio, e em alguns casos inclusive a capina manual.<\/p>\n<p>&#8220;O produtor realmente tem que gostar e ter uma dedica\u00e7\u00e3o e uma determina\u00e7\u00e3o por fazer, porque sen\u00e3o ele desiste do processo. Essa \u00e9 a diferen\u00e7a dos agricultores que t\u00eam ficado no sistema, ele v\u00ea que embora seja mais dif\u00edcil de fazer, as vantagens de trabalhar com uma agricultura limpa compensam&#8221;. \u00a0A compensa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 sentida no bolso. A Gebana paga entre 30% e 50% a mais pela soja org\u00e2nica em rela\u00e7\u00e3o ao pre\u00e7o do produto com agrot\u00f3xicos. \u00c9 o chamado &#8220;pr\u00eamio&#8221;, que pode aumentar ainda mais se o produtor tive a certifica\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Justo.<\/p>\n<table class=\" aligncenter\" cellpadding=\"5\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>O\u00a0<strong>Fair Trade<\/strong>, ou\u00a0<strong>Com\u00e9rcio Justo<\/strong>, se apresenta como uma alternativa vi\u00e1vel e concreta frente ao sistema de com\u00e9rcio tradicional. Tem como um dos pilares a rela\u00e7\u00e3o direta entre produtor e comprador, melhorando as condi\u00e7\u00f5es de troca e reduzindo a depend\u00eancia de atravessadores e do mercado global de commodities. Entre os princ\u00edpios que regem o Com\u00e9rcio Justo, est\u00e3o a transpar\u00eancia dos processos, o pagamento de pre\u00e7o justo pelos produtos e o respeito ao meio-ambiente. Para usar o selo Fair Trade, \u00e9 preciso obter uma licen\u00e7a junto \u00e0 Fairtrade Labelling Organizations International ou \u00e0s licenciadores nacionais autorizadas.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a de pre\u00e7o torna o produto economicamente vi\u00e1vel. Em termos de custo, a lavoura org\u00e2nica costuma exigir um investimento maior em adubos, mas o gasto com produtos fitossanit\u00e1rios tende a ser igual ou menor que o do cultivo tradicional: &#8220;Porque a gente faz aplica\u00e7\u00f5es somente ap\u00f3s o monitoramento das lavouras. A gente acompanha as \u00e1reas, normalmente a cada semana ou no m\u00e1ximo a cada quinze dias. Ent\u00e3o qualquer aplica\u00e7\u00e3o, seja um agente biol\u00f3gico, uma vespinha, um fungo, \u00e9 feita em cima de um crit\u00e9rio agron\u00f4mico muito claro, ao contr\u00e1rio do tradicional que \u00e9 feito em cima de um calend\u00e1rio. Ele tem uma seguran\u00e7a de aplicar somente quando precisa&#8221;. M\u00e1rcio lembra que os custos de produ\u00e7\u00e3o dependem muito do quanto o agricultor est\u00e1 disposto a investir: &#8220;Temos produtores m\u00e9dios, de perfil bem profissional, muitos deles agr\u00f4nomos, que buscam tecnologia. Querem produzir mais e logicamente t\u00eam um custo maior. Mas isso vale muito a pena no org\u00e2nico porque cada saca a mais que voc\u00ea produz tem um pr\u00eamio final que compensa muito bem esse custo adicional&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Doze porcento da popula\u00e7\u00e3o brasileira se declara vegetariana, segundo pesquisa realizada em abril deste ano<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":88681,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/soja.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/soja-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/soja-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/soja.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/soja.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/soja.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/soja.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/soja.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/soja.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/soja.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Doze porcento da popula\u00e7\u00e3o brasileira se declara vegetariana, segundo pesquisa realizada em abril deste ano","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88680"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88680"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88680\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/88681"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88680"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88680"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88680"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}