{"id":88603,"date":"2018-07-15T12:30:19","date_gmt":"2018-07-15T15:30:19","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=88603"},"modified":"2018-07-15T12:04:54","modified_gmt":"2018-07-15T15:04:54","slug":"nosso-cerebro-nao-esta-preparado-para-lidar-com-novas-tecnologias-como-as-redes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/nosso-cerebro-nao-esta-preparado-para-lidar-com-novas-tecnologias-como-as-redes-sociais\/","title":{"rendered":"Nosso c\u00e9rebro n\u00e3o est\u00e1 preparado para lidar com novas tecnologias, como as redes sociais"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cerebro.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-88604\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cerebro-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cerebro-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cerebro.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Jana\u00edna Brizante explica, em entrevista, que nosso c\u00e9rebro tende a interpretar o que acontece no mundo virtual como real tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>1. As redes sociais aumentaram o sofrimento das pessoas?<\/strong><\/p>\n<p>Em alguns aspectos aumentaram, sim. Tudo depende do uso e da faixa et\u00e1ria. A m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 a seguinte: este c\u00e9rebro que temos n\u00e3o evoluiu neste mundo. Evoluiu no meio do mato, sem geladeira, supermercado ou smartphone. Ele n\u00e3o est\u00e1 acostumado a lidar com esse monte de op\u00e7\u00f5es. L\u00e1 atr\u00e1s, seu c\u00e9rebro n\u00e3o tinha de lidar com a incerteza sobre a rea\u00e7\u00e3o de outra pessoa quando se fala alguma coisa no mundo virtual. O c\u00e9rebro que hoje lida com isso \u00e9 um c\u00e9rebro que evoluiu em um ambiente muito diferente da internet. O m\u00e1ximo de conex\u00e3o virtual era tomar um alucin\u00f3geno e tentar se conectar com os deuses. Era uma experi\u00eancia transcendental. Hoje, o mundo virtual est\u00e1 em todo lugar.<\/p>\n<p><strong>2. E como se vive neste mundo, no qual nosso sistema nervoso n\u00e3o evoluiu?<\/strong><\/p>\n<p>Se voc\u00ea \u00e9 uma crian\u00e7a, ou um adolescente, n\u00e3o deveria ter acesso a tudo isso. N\u00e3o tem cabimento uma crian\u00e7a levar smartphone para a escola. Hoje o bullying vai com a crian\u00e7a para casa porque o WhatsApp vai para casa. Se um pai n\u00e3o deixa um estranho entrar em casa, por que vai deixar entrar no celular do filho? J\u00e1 um adulto deveria saber gastar o tempo f\u00edsico sem deixar que o mundo virtual diminua a qualidade desse tempo. Nosso c\u00e9rebro tem um sistema relacionado \u00e0 recompensa. Cada vez que um ratinho de laborat\u00f3rio aperta uma barrinha e recebe a\u00e7\u00facar, libera um neurotransmissor. Esse sistema de recompensa fica ativo. Instagram, WhatsApp etc. s\u00e3o a mesma coisa. Quando voc\u00ea posta algo e checa a toda hora para ver se algu\u00e9m curtiu, \u00e9 isso: barrinha, recompensa. E isso gera ansiedade, sofrimento, pode at\u00e9 levar \u00e0 depress\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>3. Chegaremos a um equil\u00edbrio entre evolu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie e da tecnologia?<\/strong><\/p>\n<p>Precisaremos de d\u00e9cadas. Nossa sociedade n\u00e3o sabe lidar com a tecnologia dispon\u00edvel. Hoje j\u00e1 vejo pessoas saindo de redes sociais para ter mais qualidade na vida. H\u00e1 coisas que est\u00e3o na base de nossa evolu\u00e7\u00e3o. A dor f\u00edsica \u00e9 importante para nossa esp\u00e9cie continuar viva e evoluir. E h\u00e1 estudos hoje que mostram que a dor social, gerada no mundo virtual, ativa as mesmas \u00e1reas do c\u00e9rebro que a f\u00edsica.<\/p>\n<p><strong>4. Como se relacionam essas dores, a f\u00edsica e a virtual?<\/strong><\/p>\n<p>A dor \u00e9 a mesma, mas em formatos diferentes. Se chamo uma amiga para sair e ela me deixa falando sozinha, \u00e9 uma dor de rejei\u00e7\u00e3o muito parecida a mandar uma mensagem e n\u00e3o ter resposta at\u00e9 o dia seguinte. O c\u00e9rebro que est\u00e1 interagindo no celular \u00e9 o mesmo de antes, o que muda \u00e9 a incerteza. Se a amiga virou as costas, n\u00e3o tenho d\u00favidas de que ela me ignorou. Se n\u00e3o respondeu a minha mensagem, por\u00e9m, n\u00e3o sei se perdeu o celular, se n\u00e3o viu, se dormiu. E isso traz uma incerteza que pode ser interpretada como rejei\u00e7\u00e3o. Com o tempo, quanto mais perto da intera\u00e7\u00e3o real o mundo virtual estiver, maior vai ser essa dor.<\/p>\n<p><strong>5. Antes nos relacion\u00e1vamos com no m\u00e1ximo umas 20 pessoas por dia, hoje s\u00e3o 100 ou mais.<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Hoje uma pessoa tem 1.000 amigos no Facebook \u2014 mas s\u00e3o 1.000 pessoas em uma rede. Nossa esp\u00e9cie evoluiu tendo contato f\u00edsico. O contato virtual n\u00e3o \u00e9 igual. Mesmo que pensemos em uma intera\u00e7\u00e3o face a face via internet. Uma pessoa que perdeu um ente querido e conversa com um amigo do outro lado do mundo consegue se reconfortar? Se \u00e9 a \u00fanica forma de comunica\u00e7\u00e3o, pode ser. Se fosse em uma intera\u00e7\u00e3o real, o que o amigo faria na hora em que a pessoa come\u00e7asse a chorar? Daria um abra\u00e7o. Existe uma demanda por contato social f\u00edsico em nossa esp\u00e9cie, e isso n\u00e3o pode ser substitu\u00eddo. Temos uma gera\u00e7\u00e3o de adolescentes que ficam muito em casa, porque t\u00eam os amigos no WhatsApp o tempo todo. Muitas vezes o excesso de intera\u00e7\u00e3o virtual pode ser mal\u00e9fica \u00e0 sa\u00fade mental de um adolescente ou de uma crian\u00e7a. Nosso c\u00e9rebro tende a interpretar o que acontece no mundo virtual como real tamb\u00e9m. No final, estamos falando das mesmas dores.<\/p>\n<p><strong>6. A felicidade que as redes sociais permitiram compensa a infelicidade que criaram?<\/strong><\/p>\n<p>Tudo depende do jeito que as usamos. Hoje nossa sociedade n\u00e3o valoriza esse cuidado. \u00c9 legal ter o celular em cima da mesa. Ter um aviso autom\u00e1tico para cada mensagem nova que aparece na tela. Nosso sistema visual evoluiu para que movimentos sejam percebidos mais r\u00e1pido do que forma e cor. \u00c9 uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia: \u00e9 mais importante ver o movimento do le\u00e3o que a cor de sua juba. Prestamos aten\u00e7\u00e3o em todo movimento perif\u00e9rico. Por isso, esses alertas que brilham no celular roubam nossa aten\u00e7\u00e3o automaticamente. Achamos que podemos fazer tudo ao mesmo tempo, com a mesma qualidade, mas nosso sistema nervoso \u00e9 limitado.<\/p>\n<p><strong>7. O sofrimento \u00e9 inerente \u00e0 natureza do ser humano?<\/strong><\/p>\n<p>Assim como a alegria. O neurocientista Ivan Izquierdo, que \u00e9 um dos maiores estudiosos de mem\u00f3ria no mundo, diz que n\u00e3o existe no ser humano um momento \u201caemocional\u201d. Sempre h\u00e1 um fundo de sofrimento ou um fundo de alegria. Os est\u00edmulos negativos tendem a ter uma relev\u00e2ncia evolutiva muito grande. Tendemos a ter avers\u00e3o ao risco porque interpretamos ser a perda mais devastadora do que o ganho \u00e9 recompensador. H\u00e1 muitas linhas de pesquisa sobre isso. N\u00e3o quero dizer que felicidade n\u00e3o importa, mas sem d\u00favida nosso c\u00e9rebro evoluiu assim porque \u00e9 importante evitar o que possa causar morte e extinguir nosso conjunto gen\u00e9tico.<\/p>\n<p><strong>8. Quais v\u00e3o ser as dores do futuro suscitadas por tecnologia e redes sociais?<\/strong><\/p>\n<p>Um pessimista vai dizer que a humanidade far\u00e1 o mundo explodir, e o otimista achar\u00e1 que conseguiremos nos entender com tudo isso e criar um mundo melhor. Estou no meio. Hoje temos discuss\u00f5es sobre igualdade. Falta olharmos para a internet e a tecnologia e fazer o mesmo. Se continuarmos achando fant\u00e1stico dar um smartphone a uma crian\u00e7a e achar que ela deve aprender a us\u00e1-lo, vamos continuar tendo adolescentes se matando, \u00edndices de depress\u00e3o como nunca vimos na hist\u00f3ria, porque eles n\u00e3o t\u00eam o sistema nervoso desenvolvido para lidar com isso. Talvez em algum momento uma solu\u00e7\u00e3o envolva san\u00e7\u00f5es. Algumas escolas da Fran\u00e7a, por exemplo, proibiram o uso de celular para crian\u00e7as e jovens com menos de 14 anos. Precisamos entender os pontos que amea\u00e7am nossa esp\u00e9cie e a sa\u00fade de nossa comunidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jana\u00edna Brizante explica, em entrevista, que nosso c\u00e9rebro tende a interpretar o que acontece no<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":88604,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cerebro.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cerebro-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cerebro-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cerebro.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cerebro.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cerebro.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cerebro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cerebro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cerebro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cerebro.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Jana\u00edna Brizante explica, em entrevista, que nosso c\u00e9rebro tende a interpretar o que acontece no","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88603"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88603"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88603\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/88604"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88603"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88603"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88603"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}