{"id":8859,"date":"2014-10-20T14:00:00","date_gmt":"2014-10-20T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=8859"},"modified":"2014-10-20T11:55:35","modified_gmt":"2014-10-20T11:55:35","slug":"prefeituras-reciclam-ao-maximo-e-diminuem-ao-minimo-o-dejeto-que-acaba-enterrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/prefeituras-reciclam-ao-maximo-e-diminuem-ao-minimo-o-dejeto-que-acaba-enterrado\/","title":{"rendered":"Prefeituras reciclam ao m\u00e1ximo e diminuem ao m\u00ednimo o dejeto que acaba enterrado"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"by\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/lixo_lucro.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-8862\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/lixo_lucro.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Por Renata Val\u00e9rio de Mesquita<\/span><\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 preciso ser\u00a0Midas para transformar\u00a0o in\u00fatil e o descart\u00e1vel\u00a0\u2013 vulgo, lixo\u00a0\u2013 em emprego, neg\u00f3cios\u00a0e lucro. Tampouco\u00a0chafurdar em\u00a0lix\u00f5es f\u00e9tidos em busca de materiais\u00a0recicl\u00e1veis para vender\u00a0como mat\u00e9ria-prima. O trabalho\u00a0de evitar preju\u00edzos \u00e0 natureza\u00a0e ao bolso de gestores p\u00fablicos\u00a0e privados \u2013 que precisam bancar\u00a0uma infraestrutura adequada\u00a0ao que antes era amontoado em\u00a0qualquer lugar \u2013 est\u00e1 criando um\u00a0novo mercado no Brasil.<\/p>\n<p>A Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos\u00a0S\u00f3lidos (PNRS) \u00e9 o mais recente\u00a0impulso dessa mudan\u00e7a de\u00a0mentalidade. Tendo entrado em\u00a0vigor em 2010, determinou, at\u00e9 2\u00a0de agosto passado, o fim dos \u201clix\u00f5es\u201d\u00a0\u2013 as \u00e1reas ilegais de dep\u00f3sito\u00a0de rejeitos a c\u00e9u aberto sem tratamento\u00a0subterr\u00e2neo, que causam a\u00a0contamina\u00e7\u00e3o do solo, da \u00e1gua e\u00a0do ar. Apenas 40% dos 5.565 munic\u00edpios\u00a0cumpriram a lei principalmente\u00a0nas regi\u00f5es Sul e Sudeste)\u00a0depositando res\u00edduos em\u00a0aterros sanit\u00e1rios. Mas os Minist\u00e9rios\u00a0P\u00fablicos Estaduais n\u00e3o\u00a0pretendem dar folga aos faltosos.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o volume de\u00a0lixo est\u00e1 aumentando. Em 2013,\u00a0foram geradas 76 milh\u00f5es de toneladas\u00a0de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos\u00a0no pa\u00eds, 4% a mais do que em\u00a02012. H\u00e1 mais desperd\u00edcio, e a destina\u00e7\u00e3o correta num aterro sanit\u00e1rio\u00a0custa caro, cerca de R$ 2,7\u00a0milh\u00f5es por ano para uma cidade\u00a0de 100 mil habitantes. Dado o\u00a0alto pre\u00e7o de ser ambientalmente\u00a0correto, as prefeituras e as empresas\u00a0s\u00f3 t\u00eam uma sa\u00edda: reaproveitar ao m\u00e1ximo e diminuir ao m\u00ednimo o dejeto final que termina morto e enterrado.<\/p>\n<p>\u201cO crescimento da gera\u00e7\u00e3o\u00a0de res\u00edduos \u00e9 maior que o crescimento\u00a0da popula\u00e7\u00e3o nacional.\u00a0A destina\u00e7\u00e3o correta dos rejeitos\u00a0n\u00e3o acompanha o ritmo do consumo\u201d,\u00a0afirma Ariovaldo Caodaglio,\u00a0presidente do Sindicato das\u00a0Empresas de Limpeza Urbana do\u00a0Estado de S\u00e3o Paulo e diretor da\u00a0Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Res\u00edduos\u00a0S\u00f3lidos e Limpeza P\u00fablica.<\/p>\n<p>Enquanto as empresas e as\u00a0prefeituras retardat\u00e1rias correm\u00a0para se ajustar \u00e0 lei, proliferam\u00a0exemplos, pelo pa\u00eds afora, de\u00a0usos inteligentes e fins lucrativos\u00a0dados ao que se costumava tratar como lixo.<\/p>\n<p><strong>Energia limpa<\/strong><\/p>\n<p>Entre as \u00faltimas novidades em reaproveitamento desponta o Combust\u00edvel Derivado de Res\u00edduo (CDR). Uma parte dos desperd\u00edcios encaminhados para o Aterro de Paul\u00ednia (SP), da empresa Estre Ambiental, passa por uma seq\u00fc\u00eancia de separa\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas e segue para um maquin\u00e1rio importado da Finl\u00e2ndia, \u00fanico na Am\u00e9rica Latina. Apelidado de \u201ctiranossauro\u201d, seu sistema de tritura\u00e7\u00e3o reduz um sof\u00e1 a peda\u00e7os menores de seis cent\u00edmetros. O resultado final \u00e9 um massa de alto poder inflam\u00e1vel capaz de substituir combust\u00edveis f\u00f3sseis (como carv\u00e3o e madeira), usada em caldeiras da ind\u00fastria de cimento.<\/p>\n<p>\u201cEstamos em fase de testes e desenvolvimento de\u00a0mercado. Queremos comercializar o produto at\u00e9 o fim\u00a0do ano\u201d, diz Alexandre Alvim, diretor de novos neg\u00f3cios\u00a0da Estre. Com capacidade para gerar at\u00e9 sete mil\u00a0toneladas por m\u00eas de CDR, o tiranossauro n\u00e3o s\u00f3 vai\u00a0gerar novos ingressos para a empresa, como estender\u00a0a vida \u00fatil do seu aterro que deixa de receber esses volumes\u00a0di\u00e1rios de res\u00edduos. \u201cA valoriza\u00e7\u00e3o do res\u00edduo\u00a0\u00e9 uma mudan\u00e7a de paradigma que est\u00e1 acontecendo\u00a0agora. Seu benef\u00edcio ambiental \u00e9 claro e transforma\u00a0custo em rendimento.\u201d<\/p>\n<p>A Estre possui 19 aterros pr\u00f3prios em S\u00e3o Paulo,\u00a0Paran\u00e1, Rio de Janeiro, Bahia, Alagoas e Sergipe. Essas\u00a0\u00e1reas s\u00e3o impermeabilizadas\u00a0por uma espessa camada de argila\u00a0e manta acr\u00edlica para evitar a infiltra\u00e7\u00e3o\u00a0do chorume (o l\u00edquido t\u00f3xico\u00a0derivado do apodrecimento\u00a0dos restos org\u00e2nicos). Al\u00e9m disso,\u00a0como em todos os aterros, captam\u00a0e tratam os gases inflam\u00e1veis\u00a0e poluentes derivados da decomposi\u00e7\u00e3o.\u00a0Os res\u00edduos s\u00e3o compactados\u00a0por m\u00e1quinas e, diariamente,\u00a0cobertos por terra, para evitar a\u00a0prolifera\u00e7\u00e3o de vetores de doen\u00e7as,\u00a0como o mosquito da dengue e ratos.\u00a0Mas a empresa n\u00e3o se restringe\u00a0ao servi\u00e7os dos aterros.<\/p>\n<p>Mais de 80% do seu faturamento v\u00eam da coleta e\u00a0aterro, mas num futuro n\u00e3o muito distante essa propor\u00e7\u00e3o\u00a0promete mudar drasticamente. Em meados de\u00a0agosto, a Estre inaugurou, na unidade de Guatapar\u00e1\u00a0(SP), uma usina de energia el\u00e9trica por biog\u00e1s, a primeira\u00a0das dez planejadas at\u00e9 2017. Com capacidade\u00a0para gerar 3 mil megawatts por hora (MWh), a planta\u00a0pode abastecer uma cidade de 18 mil habitantes. Com\u00a0o aumento do pre\u00e7o da eletricidade no pa\u00eds e os incentivos fiscais do governo, na vis\u00e3o de Alvim, este \u00e9 o melhor momento para investir nessa tecnologia.<\/p>\n<p>O mercado est\u00e1 aberto para empreendimentos.\u00a0Atualmente h\u00e1 21 projetos\u00a0de gera\u00e7\u00e3o de energia a partir de\u00a0biog\u00e1s de aterro, em v\u00e1rios Estados,\u00a0somando um potencial de 254 MWh.\u00a0Somados todos os aterros existentes\u00a0no pa\u00eds, o potencial de gera\u00e7\u00e3o chega a\u00a02 gigawatts. O primeiro leil\u00e3o de energia\u00a0para compra dessa fonte vai acontecer\u00a0em outubro, o que deve criar um\u00a0pre\u00e7o de refer\u00eancia e atrair mais aten\u00e7\u00e3o\u00a0para o setor do lixo.<\/p>\n<p>A Biog\u00e1s Energia Ambiental, que\u00a0j\u00e1 atua no mercado h\u00e1 dez anos, tem\u00a0hoje as usinas de Gramacho, no Rio\u00a0de Janeiro, e S\u00e3o Jo\u00e3o e Bandeirantes,\u00a0ambas em S\u00e3o Paulo. A S\u00e3o Jo\u00e3o, em\u00a0S\u00e3o Miguel, opera no limite m\u00e1ximo\u00a0de gera\u00e7\u00e3o, 20 MWh (gerando energia\u00a0para 150 mil habitantes). A usina\u00a0extrai g\u00e1s do aterro de mesmo nome \u2013\u00a0que recebeu 28 milh\u00f5es de toneladas\u00a0de res\u00edduos at\u00e9 ser fechado em 2009, e \u00a0vai gerar metano por de duas d\u00e9cadas\u00a0\u2013 e da Central de Tratamento de Res\u00edduos\u00a0Leste (CTL), aberta em 2010\u00a0logo ao lado, tamb\u00e9m na estrada do\u00a0Sapopemba.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Aterro Bandeirantes (no km 26 da Rodovia\u00a0Bandeirantes) atingiu sua capacidade de 30 milh\u00f5es de\u00a0toneladas, n\u00e3o recebe mais rejeitos e parou de produzir\u00a0eletricidade. As geradoras instaladas ali pelo banco\u00a0Ita\u00fa est\u00e3o desligadas. Procurado pela reportagem da\u00a0PLANETA, o banco n\u00e3o quis comentar o caso.<\/p>\n<p>Resta \u00e0 Biog\u00e1s continuar fazendo a queima controlada\u00a0de gases para transformar metano em di\u00f3xido\u00a0de carbono (CO2), que ret\u00e9m 25 vezes menos calor\u00a0do Sol, e comercializar cr\u00e9ditos de carbono. \u00c9 verdadeque o mercado criado com a assinatura do protocolo\u00a0de Kyoto, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 rent\u00e1vel como antes. Um cr\u00e9dito de\u00a0carbono \u2013 equivalente a uma tonelada de di\u00f3xido de\u00a0carbono n\u00e3o emitida ou retirada da atmosfera \u2013 j\u00e1 valeu 17 euros, mas hoje \u00e9 comercializado por centavos.<\/p>\n<p><strong>Pequenas cidades, grandes problemas<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto aguarda a constru\u00e7\u00e3o do gasoduto que ligar\u00e1 o Aterro Dois Arcos, em S\u00e3o Pedro da Aldeia (RJ), \u00e0 rede da Companhia Estadual de G\u00e1s do Rio de Janeiro (CEG-Rio), previsto para 2015, a Usina de Tratamento de Biog\u00e1s dar\u00e1 outro fim para o biog\u00e1s. Al\u00e9m de comprimir e entregar o g\u00e1s gerado a um consumidor industrial, vai us\u00e1-lo como g\u00e1s natural veicular (GNV) na sua frota de carros e caminh\u00f5es de lixo. Os oito munic\u00edpios da Regi\u00e3o dos Lagos, \u00a0atendidos pelo aterro, representam melhor a realidade do mercado de lixo brasileira do que as grandes capitais do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Quase 95% das cidades brasileiras n\u00e3o chegam\u00a0a somar uma popula\u00e7\u00e3o de 100 mil pessoas. Cerca \u00a0de metade tem menos de 20 mil habitantes. Quanto menor o munic\u00edpio, mais cara e insustent\u00e1vel fica a conta do aterro correto. \u201cO custo operacional do aterro \u00e9 muito grande para uma cidade pequena ou m\u00e9dia. Portanto, o ganho de escala reduz esses custos\u201d, explica Glauco Rodrigo Kozerski, diretor t\u00e9cnico do Cons\u00f3rcio Intermunicipal de Saneamento da Regi\u00e3o Central de Rond\u00f4nia (Cisan). For gra\u00e7as \u00e0 uni\u00e3o de 14 munic\u00edpiosmembro que eles conseguiram construir um aterro em Arequemes para atender os 214 mil habitantes (no total) da zona urbana\u00a0de suas cidades.<\/p>\n<p>Embora se possa aproveitar de\u00a0diferentes formas o g\u00e1s dos aterros,\u00a0\u00e9 crucial fazer cada vez mais\u00a0materiais retornarem \u00e0 cadeia de\u00a0produ\u00e7\u00e3o. Constitu\u00eddo em 2007,\u00a0o Cons\u00f3rcio Pr\u00f3-Sinos, que re\u00fane\u00a027 dos 32 munic\u00edpios da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio dos Sinos (RS) \u2013 onde vivem 1,7 milh\u00e3o de pessoas \u2013 apostou em outra solu\u00e7\u00e3o para outro grande problema ambiental: construiu uma usina de beneficiamento de res\u00edduos da constru\u00e7\u00e3o civil, em S\u00e3o Leopoldo. A constru\u00e7\u00e3o civil \u00e9 o maior gerador de lixo da economia moderna.<\/p>\n<p>No Brasil inteiro, esse tipo de desperd\u00edcio superou\u00a042 milh\u00f5es de toneladas s\u00f3 em\u00a02013 \u2013 4,6% a mais que em 2012.\u00a0\u201cTransformamos entulho em material\u00a0para o pr\u00f3prio setor de constru\u00e7\u00e3o,\u00a0e nos livramos desse passivo,\u00a0que costumava ser despejado\u00a0nas margens dos rios e em terrenos baldios\u201d, conta Viviane Diogo, diretora do Cons\u00f3rcio.<\/p>\n<p>O entulho levado para l\u00e1 \u00e9\u00a0processado para se tornar brita,\u00a0areia reciclada, bica corrida\u00a0(brita com granula\u00e7\u00e3o maior)\u00a0e material para aterro. O \u00a0produto mais barato \u00e9 a areia, que custa R$ 28 por metro c\u00fabico para particulares, R$ 24 para munic\u00edpios em geral e R$ 20 para munic\u00edpios associados. Desde que a usina entrou em opera\u00e7\u00e3o, em dezembro de 2013, o cons\u00f3rcio recebe 16% do faturamento da empresa que ganhou a concess\u00e3o de 20 anos do neg\u00f3cio.<\/p>\n<p><strong>Biofertilizantes<\/strong><\/p>\n<p>De volta a Arequemes,\u00a0a Cisan ainda\u00a0quer inaugurar uma\u00a0\u00e1rea de compostagem\u00a0no seu aterro. A compostagem\u00a0transforma\u00a0os restos org\u00e2nicos\u00a0em biofertilizantes e\u00a0\u00e9 indicada para munic\u00edpios\u00a0pequenos, pelo tipo \u00a0de lixo que geram e pela maior demanda por adubo. Segundo Kozerski, isso n\u00e3o traz lucro direto, principalmente sem bioaceleradores e biodigestores (tecnologias mais novas nessa \u00e1rea), mas aumenta a vida \u00fatil do aterro e sobretudo o retorno do investimento feito nele.<\/p>\n<p>Outra forma de estender a vida\u00a0\u00fatil do aterro \u00e9 fazer uma boa coleta\u00a0seletiva para reciclagem, porque\u00a0assim as prefeituras podem levar\u00a0menos coisa ao aterro\u00a0e reduzir seus gastos\u00a0com transporte.\u00a0Machadinho, o munic\u00edpio\u00a0mais distante,\u00a0est\u00e1 a 150 km de Arequemes.\u00a0E h\u00e1 ainda\u00a0outro est\u00edmulo: muitos\u00a0termos de ajuste\u00a0de conduta est\u00e3o\u00a0sendo assinados nas\u00a0cidades. \u201cNo dia 4\u00a0de agosto, na segunda-\u00a0feira ap\u00f3s o vencimento\u00a0do prazo, todos\u00a0os integrantes do Cisan foram notifi cados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, porque ainda t\u00eam lix\u00f5es\u201d, revela Kozerski. A promotoria n\u00e3o vai dar mole.<\/p>\n<p>O que pode assustar, na verdade\u00a0\u00e9 promissor. \u201cEm 1998, com a\u00a0Lei de Crimes Ambientais, os Minist\u00e9rios\u00a0P\u00fablicos Estaduais foram\u00a0atr\u00e1s das prefeituras, principalmente\u00a0nas regi\u00f5es Sul e Sudeste, e\u00a0foram feito v\u00e1rios termos de ajuste\u00a0de conduta. Hoje elas s\u00e3o as regi\u00f5es\u00a0mais pr\u00f3ximas da total adequa\u00e7\u00e3o\u201d,\u00a0analisa Albino Rodrigues\u00a0Alvarez, coordenador da PNRS\u00a0no Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica\u00a0Aplicada (Ipea).<\/p>\n<p><strong>Antes do fim<\/strong><\/p>\n<p>O aterro deve ser a \u00faltima op\u00e7\u00e3o.\u00a0A Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos\u00a0S\u00f3lidos determina a redu\u00e7\u00e3o\u00a0gradual dos res\u00edduos secos dispostos\u00a0em aterros sanit\u00e1rios e a inclus\u00e3o\u00a0nesse processo de 600 mil\u00a0catadores brasileiros \u2013 segundo estimativas\u00a0do Minist\u00e9rio do Meio\u00a0Ambiente. S\u00e3o Leopoldo, cidademembro\u00a0do Cons\u00f3rcio Pr\u00f3-Sinos, \u00e9 a primeira do Brasil a ter 100% da gest\u00e3o de recicl\u00e1veis feita por cooperativas. Caxias do Sul j\u00e1 recicla quase 25% do lixo que produz, enquanto S\u00e3o Paulo n\u00e3o chega a 1,5%.<\/p>\n<p>O Aterro de Paul\u00ednia da Estre\u00a0tem reservado um espa\u00e7o para\u00a0a Cooperl\u00ednia, cooperativa de catadores\u00a0reconhecido pelo Programa\u00a0de Investimento Direto em\u00a0Empresas Inovadoras (da Finep).\u00a0Seus s\u00f3cios v\u00e3o para o trabalho de\u00a0van com ar condicionado e DVD,\u00a0t\u00eam plano de sa\u00fade e odontol\u00f3gico,\u00a0almo\u00e7o de restaurante, nutricionista,\u00a0psic\u00f3loga, psicopedagoga,\u00a0pedagoga, f\u00e9rias, 13o sal\u00e1rio e\u00a0outras coisinhas mais. No ano que\u00a0vem, a Finep vai permitir \u00e0 Cooperl\u00ednia\u00a0comprar uma m\u00e1quina de\u00a0triagem de R$ 12 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cNingu\u00e9m se assusta com a\u00a0mecaniza\u00e7\u00e3o. Vamos pular de 32\u00a0profissionais na opera\u00e7\u00e3o para\u00a090\u201d, adianta Jos\u00e9 Carlos da Silva.\u00a0De uma m\u00e9dia de produ\u00e7\u00e3o de 1\u00a0ton\/h, v\u00e3o passar para 10 ton\/h,\u00a0e o custo operacional vai cair de R$ 380 pra R$ 150 por tonelada, em um \u00fanico produto que representa 50% da produ\u00e7\u00e3o da cooperativa. A parte fina, de separar 54 itens finais para reciclagem continuar\u00e1 nas m\u00e3os dos s\u00f3cios e funcion\u00e1rios e seus \u201csal\u00e1rios\u201d devem dobrar.<\/p>\n<p>Com o reaproveitamento,\u00a0a press\u00e3o\u00a0sobre recursos virgens\u00a0(madeira, \u00e1gua,\u00a0areia, pedra, etc) fica\u00a0menor. \u201cMas enquanto\u00a0houver espa\u00e7o\u00a0para tirar os desperd\u00edcios\u00a0do alcance\u00a0da vista, eles v\u00e3o continuar a existir.\u00a0O que n\u00e3o \u00e9 escasso n\u00e3o \u00e9 objeto\u00a0de preocupa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica\u201d,\u00a0alerta Alvarez.<\/p>\n<p>Em alguns pa\u00edses\u00a0europeus essa frase\u00a0est\u00e1 deixando de fazer\u00a0sentido, como a Noruega,\u00a0que importa\u00a0lixo de outros pa\u00edses\u00a0para alimentar usinas\u00a0de energia el\u00e9trica\u00a0e t\u00e9rmica. Mas ainda\u00a0estamos longe da\u00a0proposta do qu\u00edmico\u00a0e ambientalista alem\u00e3o\u00a0Michael Braungart,\u00a0autor do cl\u00e1ssico\u00a0Cradle to Cradle: Criar\u00a0e Reciclar Ilimitadamente,\u00a0rec\u00e9m traduzido\u00a0no Brasil (Editora GGbrasil,\u00a02014). Braungart defende que todo produto\u00a0deve ser projetado para se decompor sem causar\u00a0dano, ou para ser reciclado sem perder a qualidade.\u00a0A seu ver, todas as pr\u00e1ticas atuais da economia\u00a0s\u00e3o subdesenvolvidas, pois o lixo ainda se acumula. Tudo deveria se transformar, como\u00a0na natureza.<\/p>\n<p><img style=\"width: 640px; height: 644px;\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2014\/09\/19\/img-357855-jogue-dinheiro-no-lixo.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\n<img style=\"width: 640px; height: 273px;\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2014\/09\/19\/img-357856-jogue-dinheiro-no-lixo.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><img style=\"width: 640px; height: 665px;\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2014\/09\/19\/img-357857-jogue-dinheiro-no-lixo.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><img style=\"width: 640px; height: 1436px;\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2014\/09\/19\/img-357859-jogue-dinheiro-no-lixo.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Renata Val\u00e9rio de Mesquita J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 preciso ser\u00a0Midas para transformar\u00a0o in\u00fatil e o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8862,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/lixo_lucro.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/lixo_lucro.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/lixo_lucro.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/lixo_lucro.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/lixo_lucro.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/lixo_lucro.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/lixo_lucro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/lixo_lucro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/lixo_lucro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/lixo_lucro.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Renata Val\u00e9rio de Mesquita J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 preciso ser\u00a0Midas para transformar\u00a0o in\u00fatil e o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8859"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8859"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8859\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8862"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8859"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8859"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8859"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}