{"id":88512,"date":"2018-07-13T21:32:30","date_gmt":"2018-07-14T00:32:30","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=88512"},"modified":"2018-07-13T21:32:30","modified_gmt":"2018-07-14T00:32:30","slug":"processo-de-extincao-atualmente-e-mil-vezes-mais-rapido-do-que-antes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/processo-de-extincao-atualmente-e-mil-vezes-mais-rapido-do-que-antes\/","title":{"rendered":"Processo de extin\u00e7\u00e3o atualmente \u00e9 mil vezes mais r\u00e1pido do que antes"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/JM0UVKktSRE7JtzvVoB4Mi8uGCE=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2018\/03\/20\/xsudan_960_480.jpg.pagespeed.ic.l6dt7rzfpl.jpg\" alt=\"Sudan morreu aos 45 anos de idade (Foto: Divulga\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o\/OI Pejeta)\" width=\"639\" height=\"384\" \/><\/p>\n<p><span class=\"intro\">Q<\/span>uando o rinoceronte-branco do norte Sud\u00e3o foi sacrificado por seus cuidadores no in\u00edcio deste ano, foi confirmada a extin\u00e7\u00e3o de uma das subesp\u00e9cies mais importantes da savana. Apesar das d\u00e9cadas de esfor\u00e7os dos conservacionistas, o que incluiu um perfil falso no Tinder para o animal apelidado de \u201co solteiro mais cobi\u00e7ado do mundo\u201d, o animal se mostrou um companheiro relutante e morreu \u2014 o \u00faltimo macho da sua esp\u00e9cie. Sua filha e neta permanecem \u2014 mas, salvo alguma fertiliza\u00e7\u00e3o em vitro milagrosa e bem-sucedida, [a extin\u00e7\u00e3o] \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de tempo.<\/p>\n<p>O rinoceronte-branco do norte certamente ser\u00e1 lembrado, assim como outros em livros ilustrados, document\u00e1rios e cole\u00e7\u00f5es de brinquedos. Mas e as esp\u00e9cies pelas quais n\u00e3o temos tanta afei\u00e7\u00e3o \u2014 ou nem mesmo conhecemos? N\u00f3s vamos nos lamentar por sapos desconhecidos, besouros enfadonhos ou fungos de m\u00e1 apar\u00eancia? Extin\u00e7\u00e3o \u00e9, no final das contas, inevit\u00e1vel no mundo natural \u2014 alguns at\u00e9 chamam de \u201cmotor da evolu\u00e7\u00e3o\u201d. Ent\u00e3o, n\u00f3s dever\u00edamos nos importar com isso?<\/p>\n<div id=\"pub-in-text\" data-google-query-id=\"CJad1MKpndwCFZGpyAodvsUBzQ\"><\/div>\n<p>Em primeiro lugar, h\u00e1 fortes argumentos pr\u00e1ticos contra a perda da diversidade. A varia\u00e7\u00e3o de genes individuais a esp\u00e9cies d\u00e1 resili\u00eancia aos ecossistemas que enfrentam mudan\u00e7as. Os ecossistemas, em troca, mant\u00eam o planeta est\u00e1vel e fornecem servi\u00e7os essenciais ao bem-estar humano. Florestas e p\u00e2ntanos impedem que poluentes entrem em nossas reservas de \u00e1gua; mangues fornecem defesa costeira, reduzindo surtos de tempestades; e espa\u00e7os verdes em \u00e1reas urbanas diminuem as taxas de doen\u00e7as mentais entre moradores de grandes cidades. Uma perda cont\u00ednua de biodiversidade ir\u00e1 perturbar ainda mais esses servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Partindo dessa perspectiva, o preju\u00edzo ambiental causado pela extra\u00e7\u00e3o de recursos e as vastas mudan\u00e7as que os humanos forjaram na paisagem parecem ser extremamente arriscadas. O mundo nunca tinha experimentado esses dist\u00farbios ao mesmo tempo, e \u00e9 uma grande aposta assumir que n\u00f3s podemos danificar nosso planeta enquanto, ao mesmo tempo, mantemos os sete bilh\u00f5es de humanos que vivem nele.<\/p>\n<p>Embora a pilhagem n\u00e3o regulamentada dos recursos naturais da Terra certamente deva preocupar aqueles que s\u00e3o corajosos o bastante para examinar as evid\u00eancias, vale a pena especificar que a extin\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema por si s\u00f3. Alguns preju\u00edzos ambientais podem ser revertidos, alguns ecossistemas deficientes podem reviver.<\/p>\n<p><em><strong>Perdas desiguais<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Estudos sobre esp\u00e9cies amea\u00e7adas indicam que, ao olhar para suas caracter\u00edticas, n\u00f3s podemos prever a probabilidade de uma esp\u00e9cie se tornar extinta. Animais com corpos maiores, por exemplo, s\u00e3o mais propensos \u00e0 extin\u00e7\u00e3o do que os menores \u2014 e o mesmo vale para esp\u00e9cies no topo da cadeia alimentar. Para plantas, o crescimento epif\u00edtico (no qual vivem em outra planta, mas n\u00e3o como parasita) as colocam em uma posi\u00e7\u00e3o de grande risco, assim como aquelas com florescimento tardio.<\/p>\n<p>Isso significa que a extin\u00e7\u00e3o n\u00e3o acontece de forma aleat\u00f3ria entre os ecossistemas, mas afeta desproporcionalmente esp\u00e9cies similares que desempenham fun\u00e7\u00f5es similares. Considerando que ecossitemas se apoiam em determinados grupos de organismos para fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, como poliniza\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o de sementes, a perda de um grupo pode causar uma perturba\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel. Imagine uma doen\u00e7a que apenas mata profissionais da medicina \u2014 isso seria muito mais devastador para a sociedade do que se matasse um n\u00famero similar de pessoas aleatoriamente.<\/p>\n<p>Esse padr\u00e3o n\u00e3o-aleat\u00f3rio se estende \u00e0 \u201c\u00e1rvore da vida\u201d evolutiva. Alguns grupos de esp\u00e9cies pr\u00f3ximas est\u00e3o restritos aos mesmos locais amea\u00e7ados (como l\u00eamures em Madagascar) ou compartilham caracter\u00edsticas vulner\u00e1veis (como os carn\u00edvoros), o que significa que a \u00e1rvore evolutiva pode perder galhos inteiros em vez de ter algumas folhas dispersas uniformemente. Algumas esp\u00e9cies com poucos parentes pr\u00f3ximos, como o aie-aie [primata end\u00eamico de Madagascar, \u00fanica esp\u00e9cie do fam\u00edlia Daubentoniidae] ou o tuatara [r\u00e9ptil end\u00eamico da Nova Zel\u00e2ndia, \u00fanica esp\u00e9cie da ordem Sphenodontida], correm riscos maiores tamb\u00e9m. A perda deles iria afetar desproporcionalmente a forma da \u00e1rvore evolutiva, sem mencionar no apagamento de suas estranhas e maravilhosas hist\u00f3rias naturais.<\/p>\n<p>O contra-argumento mais popular diz que n\u00f3s n\u00e3o dever\u00edamos nos preocupar com a extin\u00e7\u00e3o, porque isso \u00e9 um \u201cprocesso natural\u201d. Primeiramente, a morte tamb\u00e9m \u00e9, mas isso n\u00e3o quer dizer que n\u00f3s devemos nos entregar humildemente a isso (especialmente n\u00e3o prematuramente ou nas m\u00e3os uns dos outros).<\/p>\n<p>Em segundo lugar, registros f\u00f3sseis mostram que os n\u00edveis de extin\u00e7\u00e3o atuais s\u00e3o cerca de mil vezes maiores do que a taxa natural pr\u00e9via. Eles s\u00e3o exacerbados pela perda de habitat, a ca\u00e7a, \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e doen\u00e7as invasivas. Anf\u00edbios parecem ser particularmente sens\u00edveis \u00e0s mudan\u00e7as ambientais, com taxas de extin\u00e7\u00e3o estimadas em at\u00e9 45 mil vezes a sua velocidade natural. A maioria dessas extin\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o registradas, ent\u00e3o n\u00f3s nem sabemos que esp\u00e9cies estamos perdendo.<\/p>\n<p><em><strong>Um custo incalcul\u00e1vel<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Mas realmente importa se o mundo tiver menos tipos de sapos? Vamos pensar em um sapo africano, marrom, pequeno e hipot\u00e9tico que se torna extinto por causa do descarte de poluentes t\u00f3xicos em seu riacho. O sapo nunca foi descrito pela ci\u00eancia, ent\u00e3o ningu\u00e9m est\u00e1 ciente sobre a sua perda. Colocando de lado o colapso do ecossistema em n\u00edvel cinematogr\u00e1fico como um resultado de uma extin\u00e7\u00e3o em massa em andamento, o valor intr\u00ednseco do sapo \u00e9 uma quest\u00e3o de opini\u00e3o. Ele evoluiu por milh\u00f5es de anos para se adaptar ao seu nicho particular \u2014 para n\u00f3s, os autores, a perda daquela individualidade perfeitamente balanceada faz do mundo um lugar menor.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 mais f\u00e1cil moralizar a biodiversidade quando voc\u00ea n\u00e3o tem que viver ao lado dela. A maravilha da natureza de uma pessoa pode ser o tormento de outra \u2014 um orangotango invadindo a colheita de um agricultor ou um leopardo atacando o gado de um pastor. Pat\u00f3genos tamb\u00e9m fazem parte da rica tape\u00e7aria da vida, mas quantos de n\u00f3s lamentamos a erradica\u00e7\u00e3o da var\u00edola?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, at\u00e9 onde nossa avers\u00e3o a extin\u00e7\u00e3o deve se estender? N\u00f3s n\u00e3o podemos responder essa quest\u00e3o \u2014 mas como todo bom enigma filos\u00f3fico, isso pertence a todos para ser debatido em escolas, caf\u00e9s, bares e mercados ao redor do mundo. N\u00f3s podemos discordar, mas a extin\u00e7\u00e3o est\u00e1 ampliando seu alcance, ent\u00e3o, consenso e a\u00e7\u00f5es urgentes s\u00e3o necess\u00e1rias se n\u00f3s queremos control\u00e1-la.<\/p>\n<p><em>*Elizabeth Boakes e David Redding s\u00e3o pesquisadores de biodiversidade na University College London. O texto foi publicado originalmente em ingl\u00eas no\u00a0<a href=\"https:\/\/theconversation.com\/extinction-is-a-natural-process-but-its-happening-at-1-000-times-the-normal-speed-99191\" target=\"_blank\">The Conversation<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o rinoceronte-branco do norte Sud\u00e3o foi sacrificado por seus cuidadores no in\u00edcio deste ano,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Quando o rinoceronte-branco do norte Sud\u00e3o foi sacrificado por seus cuidadores no in\u00edcio deste ano,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88512"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88512"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88512\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88512"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88512"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88512"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}