{"id":88466,"date":"2018-07-13T11:00:19","date_gmt":"2018-07-13T14:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=88466"},"modified":"2020-01-28T12:00:32","modified_gmt":"2020-01-28T15:00:32","slug":"astronomos-identificam-origem-de-particula-que-pode-ajudar-a-contar-a-historia-do-universo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/astronomos-identificam-origem-de-particula-que-pode-ajudar-a-contar-a-historia-do-universo\/","title":{"rendered":"Astr\u00f4nomos identificam origem de part\u00edcula que pode ajudar a contar a hist\u00f3ria do Universo"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/origem_terra.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-120870\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/origem_terra.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/origem_terra.jpg 415w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/origem_terra-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/a>Uma nova era de pesquisas especiais se inaugura nesta quinta-feira. Isso porque uma equipe internacional de\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/4fdf1711-6845-4344-98cc-1a382ed91b65\">astr\u00f4nomos<\/a>\u00a0descobriu a fonte de neutrinos de alta energia encontrados no Polo Sul &#8211; e esta part\u00edcula misteriosa abre uma oportunidade para contar a hist\u00f3ria e esclarecer enigmas do pr\u00f3prio\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/84915d8d-467d-4c5e-88f7-bbb1bb5cf0dc\">Universo<\/a>.<\/p>\n<p>A descoberta est\u00e1 na edi\u00e7\u00e3o desta quinta da revista\u00a0<i>Science<\/i>\u00a0e foi divulgada em coletiva de imprensa na sede da National Science Foundation, em Alexandria, Virginia (EUA).<\/p>\n<p>&#8220;Neutrinos de alta energia realmente nos fornecem uma nova janela para observar o Universo&#8221;, comenta o f\u00edsico Darren Grant, da Universidade de Alberta, em entrevista \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<p>Grant \u00e9 um dos mais de 300 pesquisadores de 49 institui\u00e7\u00f5es que integram o grupo IceCube Collaboration &#8211; respons\u00e1vel pela descoberta. &#8220;As propriedades dos neutrinos fazem deles um mensageiro astrof\u00edsico quase ideal. Como eles viajam de seu ponto de produ\u00e7\u00e3o praticamente desimpedidos, quando s\u00e3o detectados, podemos analisar que eles transportaram informa\u00e7\u00f5es de sua origem.&#8221;<\/p>\n<p>Os neutrinos s\u00e3o part\u00edculas subat\u00f4micas elementares, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 qualquer ind\u00edcio de que possam ser divididas em partes menores. S\u00e3o emitidos por explos\u00f5es estelares e se deslocam praticamente \u00e0 velocidade da luz.<\/p>\n<p>Instalado no Polo Sul e em opera\u00e7\u00e3o desde 2010, o IceCube \u00e9 considerado o maior telesc\u00f3pio do mundo &#8211; mede um quil\u00f4metro c\u00fabico. Levou dez anos para ser constru\u00eddo e fica sob o gelo ant\u00e1rtico.<\/p>\n<p>O IceCube consiste em um conjunto de mais de 5 mil detectores de luz, dispostos em uma grade e enterrados no gelo. \u00c9 um macete cient\u00edfico. Quando os neutrinos interagem com o gelo, produzem part\u00edculas que geram uma luz azul &#8211; e, ent\u00e3o, o aparelho consegue detect\u00e1-los. Ao mesmo tempo, o gelo tem a propriedade de funcionar como uma esp\u00e9cie de rede, isolando os neutrinos, facilitando sua observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Part\u00edcula \u00e9 segredo do Universo<\/h2>\n<p>Desde a concep\u00e7\u00e3o do projeto, os cientistas tinham a inten\u00e7\u00e3o de monitorar tais part\u00edculas justamente para descobrir sua origem. A ideia \u00e9 que isso d\u00ea pistas sobre a origem do pr\u00f3prio Universo. E \u00e9 justamente isso que eles acabam de conseguir.<\/p>\n<p>Os pesquisadores j\u00e1 sabem que a origem de neutrinos observados na Ant\u00e1rtica s\u00e3o um blazar, ou seja, um corpo celeste altamente energ\u00e9tico associado a um buraco negro no centro de uma gal\u00e1xia. Este corpo celeste est\u00e1 localizado a 3,7 bilh\u00f5es de anos-luz da Terra, na Constela\u00e7\u00e3o de \u00d3rion.<\/p>\n<p>&#8220;Eis a descoberta-chave&#8221;, explica Grant. &#8220;Trata-se das primeiras observa\u00e7\u00f5es multim\u00eddia de neutrinos de alta energia coincidentes com uma fonte astrof\u00edsica, no caso, um blazar. Esta \u00e9 a primeira evid\u00eancia de uma fonte de neutrinos de alta energia. E fornece tamb\u00e9m a primeira evid\u00eancia convincente de uma fonte identificada de raios c\u00f3smicos.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7421\/production\/_102492792_icecub2.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o do n\u00facleo gal\u00e1ctico ativo.\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">DESY\/SCIENCE COMMUNICATION LAB<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Emiss\u00e3o das part\u00edculas subat\u00f4micas elementares encontradas no Polo Sul vem de um corpo celeste localizado a 3,7 bilh\u00f5es de anos-luz da Terra, na Constela\u00e7\u00e3o de \u00d3rion<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Conforme afirma o f\u00edsico, a novidade \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o, no campo da astronomia, de uma nova habilidade para &#8220;ver&#8221; o universo. &#8220;Este \u00e9 o primeiro passo real para sermos capazes de utilizar os neutrinos como uma ferramenta para visualizar os processos astrof\u00edsicos mais extremos do universo&#8221;, completa Grant.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0 medida que esse campo de pesquisa continua se desenvolvendo, tamb\u00e9m deveremos aprender sobre os mecanismos que impulsionam essa part\u00edculas. E, um dia, come\u00e7aremos a estudar essa part\u00edcula fundamental da natureza em algumas das energias mais extremas imagin\u00e1veis, muito al\u00e9m daquilo que podemos produzir na Terra.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Esta identifica\u00e7\u00e3o lan\u00e7a um novo campo da astronomia de neutrinos de alta energia, e esperamos que traga avan\u00e7os emocionantes em nossa compreens\u00e3o do Universo e da f\u00edsica, incluindo como e onde essas part\u00edculas de energia ultra-alta s\u00e3o produzidas&#8221;, afirma o astrof\u00edsico Doug Cowen, da Universidade Penn State. &#8220;Por 20 anos, um dos nossos sonhos era identificar as fontes de neutrinos c\u00f3smicos de alta energia. Parece que finalmente conseguimos.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Mapeando o desconhecido<\/h2>\n<p>Foram d\u00e9cadas em que astr\u00f4nomos de todo o mundo procuraram detectar os chamados neutrinos c\u00f3smicos de alta energia, em tentativas frustradas de compreender onde e como essas part\u00edculas subat\u00f4micas s\u00e3o geradas com energias de milhares a milh\u00f5es de vezes maiores do que as alcan\u00e7adas no planeta Terra.<\/p>\n<p>O IceCube conseguiu detectar pela primeira vez neutrinos do tipo em 2013. A partir de ent\u00e3o, alertas eram disparados para a comunidade cient\u00edfica a cada nova descoberta. A part\u00edcula-chave, entretanto, s\u00f3 veio em 22 de setembro de 2017: o neutrino batizado de IceCube-170922A, com a impressionante energia de 300 trilh\u00f5es de el\u00e9tron-volts demonstrou aos cientistas uma trajet\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8220;Apontando para um pequeno peda\u00e7o do c\u00e9u na constela\u00e7\u00e3o de \u00d3rion&#8221;, relata a astrof\u00edsica Azadeh Keivani, da Universidade Penn State, coautora do artigo publicado pela\u00a0<i>Science<\/i>. T\u00e3o logo a part\u00edcula foi identificada, de forma coordenada e automatizada, quatorze outros observat\u00f3rios do mundo passaram a unir esfor\u00e7os para identificar sua origem, com telesc\u00f3pios de espectroscopia nuclear e observa\u00e7\u00f5es de raio-X e ultravioleta.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/13771\/production\/_102492797_980a29ff-0809-446e-82d4-1ba7b864cc85.jpg\" alt=\"luz azul saindo de um buraco negro\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">UNIVERSIDADE PENN STATE\/AMON\/NATE FOLLMER<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Quando os neutrinos interagem com o gelo, produzem part\u00edculas que geram uma luz azul, segundo os astr\u00f4nomos<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Todos os dados gerados foram analisados pelo grupo internacional de cientistas at\u00e9 a conclus\u00e3o de que a fonte era o buraco negro supermassivo a 3,7 bilh\u00f5es de anos-luz da Terra.<\/p>\n<p>Essa dist\u00e2ncia do planeta significa que as informa\u00e7\u00f5es carregadas pelo neutrino s\u00e3o de 3,7 bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s, supondo que o mesmo tenha viajado \u00e0 velocidade da luz. Nesse ponto, compreender tais propriedades \u00e9 como olhar para os confins do passado do Universo &#8211; atualmente, acredita-se que o Big Bang tenha ocorrido h\u00e1 13,8 bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s concluir a origem do neutrino IceCube-170922A, os cientistas vasculharam os dados arquivados pelo detector de neutrinos e conclu\u00edram que outros 12 neutrinos identificados entre 2014 e 2015 tamb\u00e9m eram oriundos do mesmo blazar. Ou seja: h\u00e1 a possibilidade de comparar part\u00edculas com a mesma origem, aumentando assim a consist\u00eancia da amostra.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2076\/production\/_102501380_icecub4.jpg\" alt=\"Sat\u00e9lite e a Terra\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">UNIVERSIDADE PENN STATE\/AMON\/NATE FOLLMER<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Telesc\u00f3pios de espectroscopia nuclear e observa\u00e7\u00f5es de raio-X e ultravioleta foram usados para identificar a origem da part\u00edcula<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>De acordo com os cientistas do IceCube, essa detec\u00e7\u00e3o inaugura de forma incontest\u00e1vel a chamada &#8220;astronomia multim\u00eddia&#8221;, que combina a astronomia tradicional &#8211; em que os dados dependem da a\u00e7\u00e3o da luz &#8211; com novas ferramentas, como a an\u00e1lise dos neutrinos ou das ondas gravitacionais.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um campo novo, empolgante e veloz. Que proporciona aos pesquisadores novos insights sobre a maneira como o Universo funciona&#8221;, analisa o astrof\u00edsico Phil Evans, da Universidade de Leicester.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma nova era de pesquisas especiais se inaugura nesta quinta-feira. 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