{"id":88350,"date":"2018-07-11T12:00:28","date_gmt":"2018-07-11T15:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=88350"},"modified":"2018-07-10T21:10:39","modified_gmt":"2018-07-11T00:10:39","slug":"recuperacao-de-areas-degradadas-em-sergipe-ajuda-no-combate-a-desertificacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/recuperacao-de-areas-degradadas-em-sergipe-ajuda-no-combate-a-desertificacao\/","title":{"rendered":"Recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas em Sergipe ajuda no combate \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/desertificacao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-88351\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/desertificacao-300x192.jpg\" alt=\"desertificacao\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/desertificacao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/desertificacao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Os munic\u00edpios de Canind\u00e9 de S\u00e3o Francisco e Po\u00e7o Redondo ficam no Alto Sert\u00e3o Sergipano, a cerca de 200 quil\u00f4metros da capital do estado, Aracaju. Ambos os munic\u00edpios t\u00eam baixo \u00cdndice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) \u2014 0,567 e 0,529, respectivamente \u2014, segundo o Relat\u00f3rio de Desenvolvimento Humano do Brasil, de 2010. Apesar da proximidade com o rio S\u00e3o Francisco, um dos problemas mais s\u00e9rios dos moradores desses munic\u00edpios \u00e9 a desertifica\u00e7\u00e3o e a degrada\u00e7\u00e3o da terra,\u00a0agravadas pelos efeitos da seca.<\/p>\n<p>O manejo adequado dos solos \u00e9 fundamental para que os pequenos agricultores locais possam conviver de forma harm\u00f4nica com o semi\u00e1rido, a partir da preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente e de uma produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel. O uso sustent\u00e1vel dos recursos existentes na regi\u00e3o e a recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas s\u00e3o indispens\u00e1veis para a sustentabilidade ambiental, a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento dos habitantes desses munic\u00edpios.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que faz toda a diferen\u00e7a o projeto Manejo do Uso Sustent\u00e1vel de Terras do Semi\u00e1rido do Nordeste Brasileiro (Sergipe), implementado por meio de parceria entre o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, o Governo do Estado de Sergipe e o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com recursos do Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/nacoesunidas.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/PNUD4-1024x682.png\" alt=\"As atividades da regi\u00c3\u00a3o foram divididas em tr\u00c3\u00aas eixos integrados: ambiental, produtivo e social. Foto: PNUD\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/p>\n<h3>A\u00e7\u00f5es do projeto<\/h3>\n<p>\u201cEste \u00e9 um projeto que tem dois componentes principais. O primeiro \u00e9 referente \u00e0 governan\u00e7a. Temos tentado fortalecer a estrutura de governan\u00e7a no que diz respeito ao combate \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 no estado de Sergipe, mas tamb\u00e9m no Nordeste como um todo. Um segundo \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o mais estruturada para a recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas em algumas comunidades no alto sert\u00e3o sergipano\u201d, explica a gerente de projetos do PNUD, Patr\u00edcia Benthien.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/nacoesunidas.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/PNUD23-1024x685.png\" alt=\"As atividades da regi\u00c3\u00a3o foram divididas em tr\u00c3\u00aas eixos integrados: ambiental, produtivo e social. Foto: PNUD\" width=\"641\" height=\"429\" \/><\/p>\n<p>As atividades da regi\u00e3o foram divididas em tr\u00eas eixos integrados: ambiental, produtivo e social. No eixo ambiental, destacam-se a\u00e7\u00f5es como recupera\u00e7\u00e3o de nascentes, instala\u00e7\u00e3o de barragens (chamadas barragens de base zero) e cordeamento de pedras para evitar a eros\u00e3o no solo.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea produtiva, houve o fomento ao pequeno agricultor, tendo em vista processos de manejo adequado do solo, como nas \u00e1reas Integra\u00e7\u00e3o Lavoura-Pecu\u00e1ria-Floresta (ILPF) e Sistemas Agroflorestais (SAFs). Finalmente, no eixo social, as a\u00e7\u00f5es privilegiaram a instala\u00e7\u00e3o de banheiros com fossas ecol\u00f3gicas para viabilizar o saneamento b\u00e1sico, a instala\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de cisternas, a constru\u00e7\u00e3o de fog\u00f5es ecol\u00f3gicos e treinamentos para que a popula\u00e7\u00e3o se aproprie das tecnologias e boas pr\u00e1ticas utilizadas e oportunamente possa replic\u00e1-las.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/nacoesunidas.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/projeto_PNUD-1024x683.png\" alt=\"As atividades da regi\u00c3\u00a3o foram divididas em tr\u00c3\u00aas eixos integrados: ambiental, produtivo e social. Foto: PNUD\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/p>\n<p>\u201cEu nunca imaginei que tinha uma nascente aqui, porque a gente passava sempre por aqui e n\u00e3o via nada, s\u00f3 terra, soterrado. A partir de quando o projeto veio para c\u00e1, ficamos sabendo que tinha recupera\u00e7\u00e3o de nascente, e eu fiquei pensando \u2018o que \u00e9 uma nascente?\u2019 Eu n\u00e3o sabia o que era uma nascente\u201d, conta Daysiane Souza de Lima, moradora do assentamento Florestan Fernandes, no munic\u00edpio de Canind\u00e9 de S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Para que a nascente fosse limpa, foi preciso mobilizar a comunidade, onde muitos n\u00e3o acreditavam que sua recupera\u00e7\u00e3o seria poss\u00edvel. \u201cA gente tem uma nascente, que h\u00e1 mais ou menos dez anos estava abandonada por motivo de fortes chuvas, ela soterrou e a comunidade n\u00e3o tinha nem um recurso para reativ\u00e1-la. Atrav\u00e9s do projeto, recuperamos nossa nascente, que hoje est\u00e1 garantindo um volume de \u00e1gua espetacular para nossos animais. N\u00e3o pensei que isso seria poss\u00edvel um dia\u201d, conta Geldino Cassiano de Lima, morador do assentamento Florestan Fernandes.<\/p>\n<p>J\u00e1 as BBZ s\u00e3o Barragens de Base Zero, instaladas no leito de pequenos c\u00f3rregos para evitar o assoreamento de rios e a forma\u00e7\u00e3o de vo\u00e7orocas (burac\u00f5es). \u201cO intuito delas \u00e9 impedir o assoreamento de terra, que ia diretamente ao Rio S\u00e3o Francisco. Ent\u00e3o, esses riachos j\u00e1 n\u00e3o levam mais terra para o rio\u201d, conta Geldino.<\/p>\n<p>\u201cAs barragens de base zero tamb\u00e9m auxiliam na recupera\u00e7\u00e3o de solos. S\u00e3o uns cord\u00f5es de pedra, sobretudo em \u00e1reas onde passam pequenos c\u00f3rregos ou onde tem pequenas vo\u00e7orocas, onde a \u00e1gua j\u00e1 est\u00e1 causando alguma eros\u00e3o\u201d, complementa Daniela Bento, da ONG Sociedade de Apoio S\u00f3cio-Ambientalista Cultural (SASAC).<\/p>\n<p>As BBZ s\u00e3o constru\u00eddas a partir de uma tecnologia simples, que utiliza as pedras da regi\u00e3o, formando com elas uma barreira em formato de cone sobre os mananciais, sendo, assim, uma metodologia de f\u00e1cil replica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cUm investimento simples, que voc\u00ea vai pegar a pedra da pr\u00f3pria natureza e vai fazer com que a barragem fique quatro, cinco anos sem encher de novo com areia. O cara gasta com m\u00e1quina pesada todo ano para limpar uma barragem, sendo que uma t\u00e9cnica simples de uma barragem de base zero filtra a \u00e1gua e mant\u00e9m o solo com a vegeta\u00e7\u00e3o normal, sem vo\u00e7oroca, sem eros\u00e3o, e ainda vai sustentar a \u00e1gua por mais tempo. Isso \u00e9 maravilhoso\u201d, explica Pedro Fran\u00e7a, morador do assentamento Modelo, em Canind\u00e9 de S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>O conhecimento para a realiza\u00e7\u00e3o das barragens pode ser repassado e replicado facilmente. Pedro conta que participou dos treinamentos e aprendeu a construir as BBZs n\u00e3o apenas para seu assentamento, mas para passar o conhecimento adiante. \u201cAprendi as tecnologias n\u00e3o s\u00f3 para fazer neste momento, mas para passarmos para outras pessoas que queiram tamb\u00e9m aprender. Eu sempre vou a outras propriedades, outros assentamentos, ajudar o pessoal a medir o terreno para fazer BBZ\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das barragens, os fog\u00f5es ecol\u00f3gicos tamb\u00e9m t\u00eam papel importante no projeto. Eles est\u00e3o sendo constru\u00eddos levando em considera\u00e7\u00e3o a necessidade de redu\u00e7\u00e3o da degrada\u00e7\u00e3o ambiental a partir de menos consumo dom\u00e9stico de lenha nativa, a necessidade de as fam\u00edlias consumirem menos g\u00e1s e, principalmente, eliminar a fuma\u00e7a para o exterior da resid\u00eancia, evitando, assim, problemas respirat\u00f3rios<\/p>\n<p>Como as demais a\u00e7\u00f5es, a comunidade passou por treinamento para aprender como construir e utilizar os novos fog\u00f5es, al\u00e9m de obter o conhecimento sobre a efici\u00eancia do produto e discutir quais seriam as fam\u00edlias que primeiro receberiam o produto e o acabamento que ele teria para melhor representar a comunidade. A constru\u00e7\u00e3o dos fog\u00f5es ecol\u00f3gicos envolve m\u00e3o de obra local, contribuindo para gerar renda e dar \u00e0 comunidade a capacidade de replicar o uso dessa tecnologia social.<\/p>\n<p>\u201cEra o meu sonho ter um fog\u00e3o desse na minha casa, porque eu tenho muitos netos, muitos filhos e, quando chegam, a\u00ed gasta muito g\u00e1s. Com um fog\u00e3o desse, a economia \u00e9 grande. Al\u00e9m disso, n\u00e3o vem fuma\u00e7a para dentro da casa, sai tudo pela chamin\u00e9\u201d, relata Josefa Golveia da Silva, a primeira moradora a receber o fog\u00e3o.<\/p>\n<p>Josefa tamb\u00e9m conta que as mulheres foram muita ativas nas capacita\u00e7\u00f5es de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia do manejo de lenha. \u201cTodas as mulheres aqui participaram do treinamento, opinaram sobre a produ\u00e7\u00e3o do fog\u00e3o. Elas gostaram muito, \u00e9 o sonho delas esse fog\u00e3o aqui\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSabemos que nas \u00e1reas do semi\u00e1rido temos um consumo alt\u00edssimo da caatinga, ent\u00e3o temos as atividades produtivas mais ecol\u00f3gicas, que s\u00e3o as implementa\u00e7\u00f5es dos sistemas de integra\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria, lavoura e florestas, os ILPFs e os sistemas agroflorestais, os SAFs, que integram produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola juntamente com a caatinga\u201d, explica Daniela Bento.<\/p>\n<p>Os SAF t\u00eam como objetivo principal proteger a vegeta\u00e7\u00e3o local e reflorestar \u00e1reas devastadas. J\u00e1 as \u00e1reas de ILPF integram a lavoura, floresta e pecu\u00e1ria sob os cuidados da comunidade, para o desenvolvimento da agricultura familiar. A pr\u00f3pria comunidade, ent\u00e3o, aprende como manejar o solo, realizar as curvas de n\u00edvel e otimizar o plantio de sementes.<\/p>\n<p>\u201cPara a gente, o ILPF \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o de riqueza, porque al\u00e9m de garantir a nossa seguran\u00e7a alimentar, fornece os insumos que para garantir alimentos para os nossos animais. Atrav\u00e9s disso aqui, a gente vai talvez at\u00e9 ampliar o nosso rebanho, porque a gente vai ter um alimento de mais qualidade e mais nutri\u00e7\u00e3o para os animais\u201d, conta Geldino.<\/p>\n<p>Todas as a\u00e7\u00f5es na comunidade se realizam de maneira horizontal, com a participa\u00e7\u00e3o dos assentados nas discuss\u00f5es e implementa\u00e7\u00f5es sobre as atividades. \u201cAqui, o trabalho coletivo est\u00e1 muito forte, fluindo mesmo, j\u00e1 faz parte da identidade da comunidade, e esse projeto veio para somar com isso, \u00e9 um projeto que tem uma capacidade de envolver muito a comunidade\u201d, afirma Daniela.<\/p>\n<p>Essa participa\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para que o projeto seja sustent\u00e1vel e consiga chegar a outras fam\u00edlias e comunidades da regi\u00e3o. \u201cUma vez implementadas essas a\u00e7\u00f5es, o projeto visa conscientizar as pessoas para que elas conscientizem outras pessoas, ou seja, \u00e9 um processo de formiguinha. A gente traz uma proposta para a comunidade, e essa comunidade vai ser uma vitrine para as comunidades vizinhas\u201d, explica o analista ambiental do MMA, Claudio Rodrigues dos Santos.<\/p>\n<p>\u201cA comunidade est\u00e1 com a autoestima l\u00e1 em cima, inclusive os trabalhos coletivos que fazemos aqui, as comunidades todas interagindo, quando temos uma atividade pr\u00e1tica, a comunidade est\u00e1 toda junta, seja na \u00e1rea de interven\u00e7\u00e3o de BBZ, de recupera\u00e7\u00e3o de nascente, nas \u00e1reas dos SAFs, ent\u00e3o o projeto \u00e9 muito positivo para n\u00f3s\u201d, conclui Geldino.<\/p>\n<div><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yzPJQsuBRgQ?list=PLGOYdSTNrz1mN0dwUs8M876qizmUBgZbx&amp;ecver=2\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/div>\n<p>Unidades de recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas e redu\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade clim\u00e1tica na regi\u00e3o semi\u00e1rida brasileira<\/p>\n<p>Para a implementa\u00e7\u00e3o dessas tecnologias sociais e boas pr\u00e1ticas de manejo sustent\u00e1vel da terra (SLM) nas quatro comunidades rurais no Alto Sert\u00e3o Sergipano, foi adotada a metodologia das URADs (Unidades de Recupera\u00e7\u00e3o de \u00c1reas Degradadas), que trabalha com os tr\u00eas eixos \u2013 ambiental, social e produtivo \u2013 de maneira integrada, para promover estrat\u00e9gias de recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas e implementa\u00e7\u00e3o de tecnologias de adapta\u00e7\u00e3o e de redu\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade \u00e0s secas e \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante levar essa metodologia para as comunidades porque, por meio das a\u00e7\u00f5es ambientais, podemos trabalhar a convers\u00e3o, o manejo sustent\u00e1vel dos solos, tamb\u00e9m tendo em vista as a\u00e7\u00f5es produtivas, de forma a aproveitar as tecnologias de conserva\u00e7\u00e3o dos solos para potencializar essa \u00e1rea e melhorar as condi\u00e7\u00f5es produtivas\u201d, afirma o analista ambiental do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, Cl\u00e1udio Rodrigues dos Santos.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Alexandre de Freitas Neto, da ONG Centro Dom Jos\u00e9 Brand\u00e3o de Castro (CDJBC), parceiro do projeto nas interven\u00e7\u00f5es de campo, explica que as fam\u00edlias gostam da proposta trazida pela URAD, pois t\u00eam espa\u00e7o para que apontem suas necessidades e discutam as a\u00e7\u00f5es implementadas. \u201cJ\u00e1 pudemos evidenciar diversos ganhos aqui dentro do assentamento, como a quest\u00e3o do envolvimento das pessoas, do sentimento de trabalho coletivo, de assessoria t\u00e9cnica, que vem se envolvido bastante nas atividades\u201d, complementa.<\/p>\n<h3>Empoderamento feminino<\/h3>\n<p>Para a implementa\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es, o apoio da comunidade \u00e9 fundamental. A participa\u00e7\u00e3o das mulheres, contudo, foi essencial em todas as atividades. \u201cElas n\u00e3o ajudam, elas trabalham realmente no campo, d\u00e3o conta da casa, das crian\u00e7as, e conseguem estar junto com o esposo fazendo esse trabalho bra\u00e7al, que \u00e9 o trabalho da agricultura familiar\u201d, conta Geldino.<\/p>\n<p>Maria Izabel Guedes, moradora do assentamento Modelo, complementa que o projeto tem uma capacidade de envolver bastante a comunidade, mas que as mulheres tomaram a lideran\u00e7a em diversas atividades. \u201cOs meninos iam junto com a gente para as reuni\u00f5es, mas \u00e9ramos n\u00f3s que decid\u00edamos, que particip\u00e1vamos mesmo dos encontros. E, na hora de colocar a m\u00e3o da massa, todo mundo trabalhou em conjunto, mas foram as mulheres que mais trabalharam\u201d, conta.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres foram os machos mesmo, foram maria-macho, pegavam o balde com \u00e1gua e jogavam, nem os homens faziam o que as mulheres faziam, ent\u00e3o eu acho importante isso, porque hoje em dia tem muito preconceito que a mulher n\u00e3o faz isso e n\u00e3o faz aquilo, mas \u00e9 a mulher que est\u00e1 interagindo hoje mais do que o homem, temos mais uma independ\u00eancia para fazer as coisas\u201d, finaliza Daysiane.<\/p>\n<h3>Objetivos de desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/h3>\n<div><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_ug_FdiPmsc?list=PLGOYdSTNrz1mN0dwUs8M876qizmUBgZbx&amp;ecver=2\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/div>\n<p>O projeto est\u00e1 alinhado com a Agenda 2030 e busca apoiar a regi\u00e3o do Alto Sert\u00e3o Sergipano para o desenvolvimento sustent\u00e1vel. Para isso, v\u00e1rios dos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) se integram de forma transversal.<\/p>\n<p>\u201cEsse projeto de fato se insere em v\u00e1rios ODS. Primeiro, de uma forma mais macro, pensamos no Objetivo 1, de erradica\u00e7\u00e3o da pobreza, com fam\u00edlias de reforma agr\u00e1ria, que est\u00e3o trabalhando para a promo\u00e7\u00e3o de uma agricultura sustent\u00e1vel ao mesmo tempo que est\u00e3o conservando a caatinga, integrando assim com o ODS 2, porque a gente est\u00e1 aumentando a sustentabilidade da vida no campo, dessas pessoas estarem na terra produzindo e diminuindo a pobreza dessas fam\u00edlias\u201d, ressalta a coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (Cluster Planeta) do PNUD, Rose Diegues.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, outros ODS est\u00e3o contemplados com a implementa\u00e7\u00e3o de algumas atividades nos assentamentos. \u201cH\u00e1 um componente tamb\u00e9m de saneamento b\u00e1sico, de instala\u00e7\u00e3o de unidades sanit\u00e1rias constitu\u00eddas de um abrigo sanit\u00e1rio e uma fossa s\u00e9ptica. Ent\u00e3o, observamos um alinhamento com o ODS 6. Al\u00e9m disso, por ser um projeto envolvido com o combate \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o de biodiversidade, a gente est\u00e1 implementando o ODS 15, que \u00e9 de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 vida na terra\u201d.<\/p>\n<p>O projeto tamb\u00e9m alcan\u00e7a temas transversais, como a igualdade de g\u00eanero, com o empoderamento das mulheres camponesas, abrangendo, dessa forma, a implementa\u00e7\u00e3o do ODS 5. E, para que todas as atividades sejam executadas de forma integrada, \u00e9 preciso parceria entre os \u00f3rg\u00e3os envolvidos, desde a escala municipal e estadual, o Governo Federal, as ONG locais e o PNUD como ag\u00eancia implementadora, observando, assim, a import\u00e2ncia do ODS 17.<\/p>\n<div><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/v7ppTEbGiq8?list=PLGOYdSTNrz1mN0dwUs8M876qizmUBgZbx&amp;ecver=2\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os munic\u00edpios de Canind\u00e9 de S\u00e3o Francisco e Po\u00e7o Redondo ficam no Alto Sert\u00e3o Sergipano,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":88351,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/desertificacao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/desertificacao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/desertificacao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/desertificacao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/desertificacao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/desertificacao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/desertificacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/desertificacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/desertificacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/desertificacao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Os munic\u00edpios de Canind\u00e9 de S\u00e3o Francisco e Po\u00e7o Redondo ficam no Alto Sert\u00e3o Sergipano,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88350"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88350"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88350\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/88351"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88350"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88350"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88350"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}