{"id":88198,"date":"2018-07-08T09:24:22","date_gmt":"2018-07-08T12:24:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=88198"},"modified":"2018-07-08T09:24:22","modified_gmt":"2018-07-08T12:24:22","slug":"porque-os-elefantes-tem-as-bolas-nas-costas-em-uma-unica-etiqueta-biologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/porque-os-elefantes-tem-as-bolas-nas-costas-em-uma-unica-etiqueta-biologica\/","title":{"rendered":"Porque os elefantes t\u00eam as bolas nas costas em uma \u00fanica etiqueta biol\u00f3gica?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/elefantes-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-88199\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/elefantes-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/elefantes-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/elefantes-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\u201cOs animal, tem uns bicho interessante\u2026\u00a0Imaginem s\u00f3 como \u00e9 o sexo dos elefante\u2026\u00a0E os camelos, que tem as bolas em cima das costas\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 todo dia que este rep\u00f3rter pode abrir um texto da SUPER citando Mamonas Assassinas. E tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 todo dia que ele pode se dar ao luxo de\u00a0<i>fazer uma ressalva biol\u00f3gica<\/i>\u00a0\u00e0 mais amada banda de Guarulhos: por incr\u00edvel que pare\u00e7a, os camelos t\u00eam saco escrotal como a gente. Pendurado. S\u00e3o os s\u00e1bios elefantes\u00a0<a href=\"http:\/\/www.asianelephantresearch.com\/about-elephant-anatomy-and-biology-p4.php\" target=\"_blank\">que guardam seus test\u00edculos<\/a>\u00a0no interior do corpo, perto dos rins \u2014 quase nas costas.<\/p>\n<p>Essa adapta\u00e7\u00e3o embutida n\u00e3o \u00e9 exclusividade dos gigantes acinzentados: \u00e9 comum a todos os animais do clado Afrotheria, que tamb\u00e9m inclui o peixe-boi e o\u00a0porco-formigueiro (que no Brasil \u00e9 chamado erroneamente de \u201ctamandu\u00e1\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/The_Ant_and_the_Aardvark\">por causa do desenho\u00a0<i>O Tamandu\u00e1 e a Formiga<\/i><\/a>).<\/p>\n<p>Os membros variados do Afrotheria compartilham uma \u00fanica etiqueta biol\u00f3gica porque evolu\u00edram juntos na \u00c1frica em relativo isolamento geogr\u00e1fico ap\u00f3s a queda do meteoro que levou os dinossauros a extin\u00e7\u00e3o h\u00e1 66 milh\u00f5es de anos. Eles podem n\u00e3o se parecer tanto assim\u00a0<i>por fora<\/i>, mas a gen\u00e9tica deda o grau de parentesco: todos vem de um ancestral comum, que se separou da \u00e1rvore principal h\u00e1 mais ou menos 100 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Outra coisa que reafirma a semelhan\u00e7a (voltando ao come\u00e7o do texto) s\u00e3o os benditos test\u00edculos embutidos. Eles s\u00e3o praticamente o \u00fanico grupo de mam\u00edferos placent\u00e1rios que optou por mant\u00ea-los pr\u00f3ximos dos rins na vida adulta, na posi\u00e7\u00e3o original \u2014 em vez de balan\u00e7\u00e1-los orgulhosamente por a\u00ed.<\/p>\n<p>\u201cPosi\u00e7\u00e3o original\u201d porque todo mam\u00edfero, no primeiros est\u00e1gios de desenvolvimento, tem test\u00edculos internos. Inclusive voc\u00ea, bom leitor. O que acontece em humanos, cachorros, camelos e uma por\u00e7\u00e3o de outros animais \u00e9 que, aos tr\u00eas meses de gesta\u00e7\u00e3o, alguns genes s\u00e3o ativados e fazem as g\u00f4nadas descerem. Nos elefantes \u2014 e em pelo menos outras 71 esp\u00e9cies do Afrotheria,\u00a0<a href=\"http:\/\/journals.plos.org\/plosbiology\/article?id=10.1371\/journal.pbio.2005293\" target=\"_blank\">segundo um artigo cient\u00edfico<\/a>\u00a0publicado nesta semana \u2014, isso n\u00e3o acontece.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2018\/06\/29\/science\/descending-testicles-evolution.html?rref=collection%2Fsectioncollection%2Fscience&amp;action=click&amp;contentCollection=science&amp;region=rank&amp;module=package&amp;version=highlights&amp;contentPlacement=8&amp;pgtype=sectionfront\" target=\"_blank\">Bi\u00f3logos sempre se perguntaram<\/a>\u00a0qual dessas duas configura\u00e7\u00f5es \u00e9 a original de f\u00e1brica. Em outras palavras: ser\u00e1 todo mam\u00edfero tinha test\u00edculos externos antigamente, e s\u00f3 alguns se desviaram do padr\u00e3o gra\u00e7as a uma muta\u00e7\u00e3o? Ou na verdade \u00e9 o contr\u00e1rio: os mam\u00edferos que viram uma vantagem adaptativa em ter as g\u00f4nadas do lado de fora precisaram criar genes s\u00f3 para permitir isso?<\/p>\n<p>Um grupo de bi\u00f3logos do Instituto Max Plank, na Alemanha, se debru\u00e7ou sobre a quest\u00e3o. E a resolveu. Eles encontraram dois genes,\u00a0<em>RXFP2<\/em>\u00a0e\u00a0<em>INSL3<\/em>, que, quando s\u00e3o desativados em ratinhos de laborat\u00f3rio, impedem os test\u00edculos deles de se deslocar para o saco escrotal no momento certo da gesta\u00e7\u00e3o. E descobriram que esses genes est\u00e3o incompletos, inativos ou at\u00e9 desaparecidos nos genomas de v\u00e1rios dos membros da grande fam\u00edlia dos elefantes.<\/p>\n<p>Moral da hist\u00f3ria? Mam\u00edferos n\u00e3o tem as bolas nas costas. E ponto final. Quem quis se diferente ao longo da hist\u00f3ria natural precisou passar por modifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O que levanta uma quest\u00e3o ainda mais profunda: porque deixar\u00edamos algo t\u00e3o valioso do ponto de vista darwiniano \u00e0 mostra, em um lugar fr\u00e1gil? Bem,<a href=\"https:\/\/www.huffingtonpost.com\/entry\/why-do-most-mammals-teste_b_7986204.html\" target=\"_blank\">\u00a0h\u00e1 algumas explica\u00e7\u00f5es<\/a>. Algumas envolvem a temperatura necess\u00e1ria para fabrica\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o de espermatozoides. Outras tem a ver com a necessidade de mostrar \u201cas armas na disputa\u201d por f\u00eameas. A verdade \u00e9 que ningu\u00e9m sabe ao certo. Agora sabemos que os elefantes podem guardar a resposta.<\/p>\n<p>Muito bem guardada.<\/p>\n<p>Mesmo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cOs animal, tem uns bicho interessante\u2026\u00a0Imaginem s\u00f3 como \u00e9 o sexo dos elefante\u2026\u00a0E os camelos,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":88199,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/elefantes-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/elefantes-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/elefantes-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/elefantes-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/elefantes-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/elefantes-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/elefantes-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/elefantes-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/elefantes-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/elefantes-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u201cOs animal, tem uns bicho interessante\u2026\u00a0Imaginem s\u00f3 como \u00e9 o sexo dos elefante\u2026\u00a0E os camelos,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88198"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88198"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88198\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/88199"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}