{"id":88158,"date":"2018-07-07T13:17:58","date_gmt":"2018-07-07T16:17:58","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=88158"},"modified":"2018-07-07T13:17:58","modified_gmt":"2018-07-07T16:17:58","slug":"neylor-aarao-mostra-o-papel-dos-indios-como-olheiros-da-maior-floresta-tropical-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/neylor-aarao-mostra-o-papel-dos-indios-como-olheiros-da-maior-floresta-tropical-do-planeta\/","title":{"rendered":"Neylor Aar\u00e3o mostra o papel dos \u00edndios como olheiros da maior floresta tropical do planeta"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/paragominas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-88159\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/paragominas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/paragominas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/paragominas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O desmatamento \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o mundial. N\u00e3o se justifica mais promover o desmate em nenhuma situa\u00e7\u00e3o, muito menos para agricultura ou pecu\u00e1ria, uma vez que hoje h\u00e1 in\u00fameros outros meios de assegurar a produtividade e a efici\u00eancia nesses setores.<\/p>\n<p>Eu decidi investigar por que o desmatamento na Amaz\u00f4nia ainda mant\u00e9m \u00edndices de crescimento t\u00e3o alarmantes. Viajei at\u00e9 Paragominas, no Par\u00e1, cidade que ficou conhecida por enfrentar e combater o desmatamento, depois de liderar, por anos, a lista dos munic\u00edpios com maior n\u00famero de assassinatos no Brasil.<\/p>\n<p>Um dos meus primeiros entrevistados na cidade foi o engenheiro agr\u00f4nomo Murilo Villela Zancaner. O pai dele, m\u00e9dico formado em S\u00e3o Paulo, chegou a Paragominas como colonizador. \u201cVeio para abrir uma fazenda. N\u00e3o tinha nada aqui em termos de estrada, m\u00e9dico ou condi\u00e7\u00e3o. Era tudo floresta. Eles desmatavam, queimavam e plantavam capim. A\u00ed, come\u00e7ava a pecu\u00e1ria.\u201d<\/p>\n<p>O processo de coloniza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia ficou muito conhecido pelo slogan \u201cintegrar para n\u00e3o entregar\u201d. Para entender a rela\u00e7\u00e3o desse lema como o desmatamento na regi\u00e3o, decidi procurar o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal.<\/p>\n<p>O procurador da Rep\u00fablica Daniel C\u00e9sar Avelino lembra que o incentivo \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia remonta \u00e0 \u00e9poca da ditadura militar no Brasil, quando muitos recebiam incentivos financeiros para se estabelecer na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEra oferecido financiamento em bancos p\u00fablicos para voc\u00ea abrir a floresta. A quest\u00e3o principal era ocupar a Amaz\u00f4nia para n\u00e3o a perder, e isso foi feito da pior forma poss\u00edvel, de maneira predat\u00f3ria. Na \u00e9poca, n\u00e3o se pensava quais seriam as atividades que poderiam ser desenvolvidas em harmonia com a riqueza natural da regi\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Suposto desenvolvimento<\/strong><\/p>\n<p>Em anos de devasta\u00e7\u00e3o, cada \u00e1rvore que tomba escreve uma hist\u00f3ria, \u201cpaga\u201d o pre\u00e7o do suposto desenvolvimento. Para Avelino, o Brasil s\u00f3 come\u00e7ou a repensar a ocupa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia a partir da ECO-92, realizada no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Come\u00e7ava ali, a cria\u00e7\u00e3o de um novo arcabou\u00e7o, de um novo conjunto de leis que tornaram o desmatamento mais dif\u00edcil, gra\u00e7as a regras mais rigorosas e, principalmente, \u00e0 sua criminaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O pecuarista Gast\u00e3o Filho foi um dos que chegou \u00e0 Amaz\u00f4nia atra\u00eddo pelas facilidades de cr\u00e9dito, benef\u00edcios e incentivos fiscais. \u201cHavia muito tamb\u00e9m de idealismo, uma certa poesia de que est\u00e1vamos participando da \u00faltima aventura do mundo.\u201d<\/p>\n<p>O desafio de desbravar e colonizar a regi\u00e3o tamb\u00e9m moveu os interesses do pecuarista. Hoje, cerca de dois ter\u00e7os da \u00e1rea desmatada na Amaz\u00f4nia \u00e9 ocupada pela pecu\u00e1ria e pastos.<\/p>\n<p>\u201cOs conceitos eram completamente diferentes daqueles que temos hoje. Antes, imperava o integrar para n\u00e3o entregar. Quanto mais derrubasse, mais voc\u00ea era dono da \u00e1rea. S\u00f3 depois come\u00e7ou a se a falar em preserva\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Os conflitos e enfrentamentos por posse de terras tamb\u00e9m dominavam a regi\u00e3o, relembra Gast\u00e3o. \u201cTeve muito conflito, com mortes por tentativa de invas\u00e3o de \u00e1reas. Tanto que Paragominas ganhou o apelido de \u2018Paragobalas\u2019.\u201d<\/p>\n<p><strong>Modelo de efici\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Na fazenda do pecuarista Mauro L\u00facio, considerada modelo na efici\u00eancia de cria\u00e7\u00e3o de gado, procurei entender como conseguiam produzir seis vezes mais do que em uma propriedade centrada em pr\u00e1tica extensivista e com derrubada de floresta.<\/p>\n<p>\u201cMeu av\u00f4 desmatou Mata Atl\u00e2ntica; meu pai, Floresta Amaz\u00f4nica&#8230; Na \u00e9poca deles, isso era sin\u00f4nimo de desenvolvimento, n\u00e3o faziam isso por maldade. Eu tamb\u00e9m desmatei quando cheguei aqui, n\u00e3o tinha sentimento ambiental de que estava fazendo algo errado.\u201d<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o inadequada dos recursos da floresta, a situa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o se tornou ca\u00f3tica. Mauro L\u00facio lembra que, no come\u00e7o dos anos 1980, imperava a pecu\u00e1ria de baix\u00edssima rentabilidade e produtividade, com as fazendas atingindo altos n\u00edveis de degrada\u00e7\u00e3o. \u201cO desmate come\u00e7ou com a pecu\u00e1ria extensiva. A madeira veio depois. Sua valoriza\u00e7\u00e3o \u2018explodiu\u2019 por volta de 1986, permanecendo at\u00e9 a d\u00e9cada de 1990.\u201d<\/p>\n<p>Pesquisador-s\u00eanior do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia (Imazon), Paulo Barreto salienta que, na d\u00e9cada de 1990, bastava montar uma serraria simples para ter um lucro l\u00edquido de US$ 250 mil\/ano. Considerando o c\u00e2mbio atual, o montante equivaleria a cerca de R$ 1 milh\u00e3o\/ano. \u201cEra uma renda l\u00edquida fant\u00e1stica, por isso, milhares de serrarias se instalaram na Amaz\u00f4nia naquela \u00e9poca.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA floresta \u00e9 assaltada e maltratada por grileiros apoiados em pistoleiros, na a\u00e7\u00e3o do crime. Isso sem contar o garimpo, principalmente no Oeste do Par\u00e1, atividade que tamb\u00e9m atrai a prostitui\u00e7\u00e3o, o tr\u00e1fico de drogas e criminosos fugidos da Justi\u00e7a. Est\u00e3o todos l\u00e1 nos garimpos, onde tamb\u00e9m h\u00e1 trabalho escravo\u201d, afirma o diretor de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental do Ibama, Luciano de Menezes Evaristo.<\/p>\n<p>Segundo ele, tanto o garimpo quanto o desmatamento e toda a ocupa\u00e7\u00e3o criminosa de terras que ocorre na regi\u00e3o t\u00eam consequ\u00eancias grav\u00edssimas para a popula\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m sofre com a aus\u00eancia do poder p\u00fablico.<\/p>\n<p>\u201cDesmatar rende mais do que traficar coca\u00edna, atividade que n\u00e3o recebe a devida aten\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro. Uma \u00e1rvore de mogno \u00e9 derrubada e vendida por R$ 20. O atravessador pega essa mesma \u00e1rvore e vende cada metro c\u00fabico por R$ 1.200.\u201d<\/p>\n<p>Prefeito de Paragominas, Paulo Tocantins reconhece que cerca de 20 anos atr\u00e1s, a cidade era conhecida como a \u2018capital\u2019 da pistolagem, da devasta\u00e7\u00e3o e da prostitui\u00e7\u00e3o: \u201cParagominas simbolizava tudo o que era ruim no Par\u00e1. Com o decl\u00ednio da ind\u00fastria madeireira, em meados dos anos 1990, come\u00e7amos a nos perguntar o que seria da nossa cidade sem essa atividade. S\u00f3 t\u00ednhamos dois caminhos: ir embora ou reassumir a pol\u00edtica da cidade e fazer algo diferente\u201d.<\/p>\n<p>A inefici\u00eancia no combate ao desmatamento e a aus\u00eancia de fiscaliza\u00e7\u00e3o efetiva seguem estrangulando a regi\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 pior gra\u00e7as \u00e0 presen\u00e7a dos \u00edndios.<\/p>\n<p>\u201cOs melhores olheiros do Ibama na Amaz\u00f4nia s\u00e3o os \u00edndios. Hoje, dos 800 brigadistas que temos, 600 s\u00e3o ind\u00edgenas. Eles deveriam ser remunerados por isso. Afinal, \u00edndio n\u00e3o vive de espelhinho, de colarzinho n\u00e3o. Eles me passam informa\u00e7\u00f5es \u00e9 por WhatsApp, querem manter a floresta em p\u00e9. Lidar com os \u00edndios requer mudan\u00e7a de mentalidade. Eles t\u00eam de ser tratados como parceiros\u201d, salienta o diretor de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental do Ibama, Luciano Evaristo.<\/p>\n<p><strong>A origem de todo mal<\/strong><\/p>\n<p>Ainda que a passos lentos, algumas mudan\u00e7as e avan\u00e7os v\u00e3o se consolidando. Um exemplo \u00e9 a pr\u00f3pria din\u00e2mica do mercado, exigindo que serrarias com atua\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia atestem a regularidade e a adequada origem das madeiras vendidas.<\/p>\n<p>\u201cDo contr\u00e1rio, pode ocorrer o efeito domin\u00f3 e haver retalia\u00e7\u00e3o na empresa compradora\u201d, explica o presidente do Sindicato das Ind\u00fastrias de Serrarias de Paragominas (Sindiserpa), F\u00e1bio Alves dos Santos.\u00a0 Trata-se, sobretudo, de uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia. Afinal, quem n\u00e3o se adequa n\u00e3o sobrevive ao mercado. \u201cVoc\u00ea corre o risco de perder seu patrim\u00f4nio, de responder a processo. N\u00e3o vale a pena arriscar.\u201d<\/p>\n<p>Questionado sobre o que acontece, caso fiscais cheguem a uma serraria e encontrem madeira ilegal em p\u00e1tios, Santos afirma que a empresa \u00e9 imediatamente boqueada no sistema de controle.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, as madeiras irregulares s\u00e3o apreendidas e, at\u00e9 se adequar, a empresa vai ser multada. Com isso, algumas podem nem voltar mais a funcionar. Depende da gravidade da situa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel por desmatamento ilegal pode ser responsabilizado de tr\u00eas formas. Quem esclarece as formas de puni\u00e7\u00e3o \u00e9 o coordenador-geral de Fiscaliza\u00e7\u00e3o Ambiental do Ibama, Jair Schmitt. A primeira \u00e9 administrativamente, cujo papel cabe ao Ibama e aos demais \u00f3rg\u00e3os de meio ambiente.<\/p>\n<p>A segunda \u00e9 criminalmente, ou seja, por meio de medidas punitivas determinadas pela Justi\u00e7a, envolvendo ainda investiga\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia e do Minist\u00e9rio P\u00fablico. Por fim, vem a puni\u00e7\u00e3o na esfera civil, geralmente por meio de a\u00e7\u00e3o judicial imposta para repara\u00e7\u00e3o de danos.<\/p>\n<p>\u201cNossa primeira linha de trabalho s\u00e3o as opera\u00e7\u00f5es em campo, a partir de alertas de desmatamento que recebemos, gerados pelo sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em tempo real. Quando identificamos alguma \u00e1rea desmatada, as equipes de campo entram em a\u00e7\u00e3o para conter o avan\u00e7o do desmatamento, apreendem equipamentos, embargam \u00e1rea e tomam outras medidas punitivas\u201d, frisa Schmitt.<\/p>\n<p><strong>Novo aliado<\/strong><\/p>\n<p>Criado pela Lei 12.651\/2012, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) \u00e9 um registro eletr\u00f4nico obrigat\u00f3rio para todos os im\u00f3veis rurais. A partir dele, vem sendo formada uma base de dados estrat\u00e9gica para o controle, monitoramento e combate ao desmatamento das florestas e demais formas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa do Brasil.<\/p>\n<p>Na Amaz\u00f4nia, o CAR tem se mostrado um importante aliado, auxiliando na fiscaliza\u00e7\u00e3o, sobretudo do ponto de vista do desmatamento destinado \u00e0 abertura de \u00e1reas pela agricultura e pela pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cAntes de comprar o gado, somos obrigados a verificar sua origem. Consultamos o CAR da fazenda fornecedora, para saber se ele \u00e9 produzido a partir de \u00e1rea desmatada. Se houver desmatamento na fazenda de origem, n\u00e3o posso comprar o gado. O sistema bloqueia e a gente pode ser multado\u201d, explica o engenheiro agr\u00f4nomo Murilo Villela Zancaner.<\/p>\n<p>Questionado se h\u00e1 formas de burlar o sistema de controle associado ao CAR, Zancaner \u00e9 direto. \u201cJeito tem. Sabemos de fazendeiros que usam o CAR de outra fazenda&#8230; Mas, agora, estamos com um sistema de rastreamento por sat\u00e9lite, que identifica o caminh\u00e3o e a fazenda onde ele ser\u00e1 carregado, tudo para evitar fraudes ou conflitos.\u201d<\/p>\n<p>O avan\u00e7o no controle, assegurando pelas possibilidades oferecidas pelo rastreamento por sat\u00e9lite, \u00e9 ressaltado pelo diretor de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental do Ibama, Luciano Evaristo. \u201cD\u00e1 para comprar imagens com at\u00e9 um metro de resolu\u00e7\u00e3o, mapear toda a \u00e1rea degradada e fazer o nosso trabalho sem sair daqui, sem tomar um tiro. Fica at\u00e9 mais barato do que acionar o helic\u00f3ptero do Ibama e destacar agentes para a opera\u00e7\u00e3o. A tecnologia do sat\u00e9lite est\u00e1 a\u00ed, ao nosso alcance. Estamos muito perto de contar bois no solo.\u201d<\/p>\n<p>Eu sobrevoei Paragominas acompanhado por um fazendeiro local. O que vi l\u00e1 de cima refor\u00e7a o que apontam os dados mais recentes: o desmatamento no Brasil continua em ritmo acelerado. Uma realidade preocupante, pois j\u00e1 provado que o desequil\u00edbrio da Amaz\u00f4nia se reflete num desequil\u00edbrio em escala global.<\/p>\n<p><strong>Din\u00e2mica regional<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador-s\u00eanior do Instituto Imazon, Paulo Barreto, o desmatamento agrava a mudan\u00e7a do clima e tende a afetar a din\u00e2mica regional, levando \u00e0 seca. Hoje, um ter\u00e7o das emiss\u00f5es de CO2 (g\u00e1s carb\u00f4nico) do Brasil est\u00e3o ligadas ao desmatamento e \u00e0 mudan\u00e7a no uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo. \u201cO desmate da Amaz\u00f4nia gera mais CO2 que o total de carros em circula\u00e7\u00e3o no pa\u00eds\u201d, compara.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o que segue sem resposta \u00e9 por que a floresta continua sendo desmatada. Mesmo havendo conhecimento, fiscaliza\u00e7\u00e3o, tecnologia e acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. Para o pecuarista Mauro L\u00facio, parte da resposta est\u00e1 na cultura do brasileiro.<\/p>\n<p>\u201cQueremos ganhar muito num tempo curto e o desmatamento d\u00e1 esse retorno: as pessoas conseguem ganhar dinheiro muito r\u00e1pido. Precisamos de mecanismos para conter o desmate desenfreado. Proteger e valorizar as \u00e1reas que j\u00e1 est\u00e3o abertas, fazendo com que realmente produzam.\u201d<\/p>\n<p>Outro caminho vi\u00e1vel, pontua Luciano Evaristo, do Ibama, \u00e9 enxergar a verdadeira voca\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia e criar um modelo de desenvolvimento pr\u00f3prio para esse bioma, mantendo a floresta em p\u00e9.<\/p>\n<p>\u201cSe n\u00e3o buscarmos esse caminho, condenaremos todos os nossos descendentes \u00e0 extin\u00e7\u00e3o. Teremos desertifica\u00e7\u00e3o e uma s\u00e9rie de cat\u00e1strofes no mundo inteiro, por causa do aquecimento global. Preservar a floresta em p\u00e9 \u00e9 um grande neg\u00f3cio para o Brasil e para o mundo.\u201d<\/p>\n<p><strong>Entenda melhor<\/strong><\/p>\n<p>Conforme divulgados pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), o desmatamento na Amaz\u00f4nia caiu 16% entre agosto de 2016 e julho de 2017. No mesmo per\u00edodo do ano anterior (de agosto de 2015 a julho de 2016), a perda de florestas no bioma havia aumentado em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior.<\/p>\n<p>Apesar da queda, a \u00e1rea desmatada foi de 6.624 quil\u00f4metros quadrados, a maior parte no Par\u00e1 (2.413 km\u00b2) e no Mato Grosso (1.341 km\u00b2). Entre agosto de 2015 e julho de 2016, o desmatamento totalizou 7.893 km\u00b2.<\/p>\n<p>A maioria das \u00e1reas desmatadas fica em terras privadas (61%), al\u00e9m de assentamentos (15%) e terras ind\u00edgenas (2%).<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Par\u00e1 e Mato Grosso, a regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia Legal \u00e9 composta por Acre, Amazonas, Amap\u00e1, Maranh\u00e3o, Par\u00e1, Rond\u00f4nia, Roraima e Tocantins.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desmatamento \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o mundial. 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