{"id":88009,"date":"2018-07-05T08:00:17","date_gmt":"2018-07-05T11:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=88009"},"modified":"2018-07-04T22:15:29","modified_gmt":"2018-07-05T01:15:29","slug":"estagiaria-descobre-supercola-feita-com-bagaco-de-cana-em-centro-de-pesquisa-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estagiaria-descobre-supercola-feita-com-bagaco-de-cana-em-centro-de-pesquisa-brasileiro\/","title":{"rendered":"Estagi\u00e1ria descobre supercola feita com baga\u00e7o de cana em centro de pesquisa brasileiro"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cola.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-88010\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cola-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cola-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/cola.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>&#8220;Gente, est\u00e1 muito dif\u00edcil tirar essa f\u00f3rmula dos equipamentos. Eu tento lavar, mas fica tudo grudado nas h\u00e9lices&#8221;. Foi assim que Naima Orra, na \u00e9poca estagi\u00e1ria do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, identificou uma textura pegajosa, que se tornou depois de um m\u00eas de pesquisa uma cola at\u00f3xica feita a partir de baga\u00e7o de cana-de-a\u00e7\u00facar e materiais descartados por empresas de celulose.<\/p>\n<p>Depois de ouvir o relato de Orra, a pesquisadora do Laborat\u00f3rio Nacional de Nanotecnologia Rubia Figueiredo Gouveia decidiu orientar a estagi\u00e1ria em uma pesquisa espec\u00edfica para aprimorar o estudo e criar uma nova cola. Um m\u00eas depois, as duas chegaram \u00e0 f\u00f3rmula final, patenteada no Brasil este ano. A cola sustent\u00e1vel brasileira poder\u00e1 ser registrada no exterior em 2019 sob a autoria das duas pesquisadoras &#8211; Naima Orra, hoje, faz mestrado na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Caso a patente seja comercializada, metade do dinheiro arrecadado ser\u00e1 destinado ao fundo de inova\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o social CNPEM; os outros 50%, divididos entre as inventoras.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ter a mesma efici\u00eancia de outras colas j\u00e1 comercializadas atualmente, a nova f\u00f3rmula \u00e9 feita a partir da simples mistura de tr\u00eas ingredientes: l\u00e1tex, nanocelulose e lignina.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12460\/production\/_102384847_foto-rubiagouveia-cnpem_fotogustavomoreno.jpg\" alt=\"Rubia Figueiredo Gouveia\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">DIVULGA\u00c7\u00c3O CNPEM\/GUSTAVO MORENO<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">&#8216;Reaproveitar o que seria descartado \u00e9 sustent\u00e1vel e ainda deve baratear a produ\u00e7\u00e3o&#8217;, diz pesquisadora Rubia Gouveia<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Uma das vantagens \u00e9 que esses dois \u00faltimos elementos s\u00e3o muitas vezes descartados em larga escala por ind\u00fastrias de papel e refinarias de cana-de-a\u00e7\u00facar. Reaproveitar o que seria descartado \u00e9 sustent\u00e1vel e ainda deve baratear a produ\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou Rubia Gouveia em entrevista \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<p>A pesquisadora afirma que a cola pode beneficiar uma cadeia de ind\u00fastrias que usam o produto, como a automobil\u00edstica, de m\u00f3veis, constru\u00e7\u00e3o civil e brinquedos. Dos tr\u00eas materiais usados em sua produ\u00e7\u00e3o, o l\u00e1tex deve ser o \u00fanico que ainda continuaria sendo extra\u00eddo \u00e1rvores, principalmente de seringueiras.<\/p>\n<p>J\u00e1 a nanocelulose \u00e9 obtida em larga escala hoje no Brasil a partir de \u00e1rvores de eucalipto. Para a produ\u00e7\u00e3o da nova cola, por\u00e9m, a subst\u00e2ncia foi extra\u00edda do baga\u00e7o de cana.<\/p>\n<p>A lignina \u00e9 obtida a partir de um l\u00edquido chamado de &#8220;licor negro&#8221;, comumente descartado em ind\u00fastrias de papel, exceto as mais modernas, que costumam usar a subst\u00e2ncia para a produ\u00e7\u00e3o de energia. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio cozinhar a subst\u00e2ncia com soda em alta temperatura e press\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Produ\u00e7\u00e3o em larga escala<\/h2>\n<p>Fabiano Rosso, gerente de pesquisa do Projeto Lignina da Suzano Papel e Celulose, a maior produtora de pap\u00e9is de imprimir e escrever da Am\u00e9rica Latina, disse que uma fra\u00e7\u00e3o de 3% da lignina produzida pela f\u00e1brica da empresa em Limeira, no interior de S\u00e3o Paulo, deve ser separada a partir deste semestre, purificada, modificada, transformada em uma resina e vendida para f\u00e1bricas de madeira e MDF.<\/p>\n<p>O n\u00famero equivale a cerca de 20 mil toneladas. O restante continuar\u00e1 sendo queimado, como hoje, para virar vapor, alimentar uma turbina e produzir energia, que abastece a ind\u00fastria e ainda gera um excedente que \u00e9 vendido. Caso as experi\u00eancias demonstrem a viabilidade da supercola, boa parte da subst\u00e2ncia produzida pela Suzano Papel e Celulose poderia ser utilizada para este fim.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/94D0\/production\/_102369083_areacampus_junho.jpg\" alt=\"Campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">DIVULGA\u00c7\u00c3O CNPEM\/RENAN PICORETI<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Imagem a\u00e9rea do campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>A not\u00edcia de que uma cola pode ser produzida a partir de lignina animou Rosso. Para ele, o ideal seria diminuir a destina\u00e7\u00e3o do material \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de energia e us\u00e1-lo para fabricar de materiais com valor agregado.<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o conhe\u00e7o essa pesquisa, mas vou procurar saber e entender sua aplica\u00e7\u00e3o e o que os pesquisadores est\u00e3o fazendo. Eu tenho interesse n\u00e3o s\u00f3 pela aplica\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m pela fabrica\u00e7\u00e3o desse produto final. Eu vejo esse como um caminho bastante vi\u00e1vel para produzir em larga escala&#8221;, afirmou Rosso.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17B48\/production\/_102369079_060416limeira002.jpg\" alt=\"F\u00e1brica da Suzano Report em Limeira\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">DIVULGA\u00c7\u00c3O<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">F\u00e1brica da Suzano Papel e Celulose produz 20 mil toneladas por ano de um dos principais produtos usados na fabrica\u00e7\u00e3o da cola sustent\u00e1vel<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Formalde\u00eddo<\/h2>\n<p>Al\u00e9m de vantagens econ\u00f4micas e ecol\u00f3gicas, a cola sustent\u00e1vel n\u00e3o usa solventes qu\u00edmicos derivados do petr\u00f3leo como a maior parte das colas usadas hoje industrialmente. O mais conhecido e prejudicial \u00e9 o formalde\u00eddo, classificado como cancer\u00edgeno pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) em 1984 e que est\u00e1 presente na maior parte das colas industriais, inclusive as usadas por sapateiros e vidraceiros. O odor da subst\u00e2ncia pode causar n\u00e1useas, dores de cabe\u00e7a e, em casos mais graves, at\u00e9 mesmo alucina\u00e7\u00f5es e confus\u00e3o mental. A cola sustent\u00e1vel, por sua vez, \u00e9 at\u00f3xica.<\/p>\n<p>O uso do formalde\u00eddo foi proibido nas ind\u00fastrias dos Estados Unidos e do Canad\u00e1, as \u00fanicas que, ao lado da Su\u00e9cia, tamb\u00e9m produzem lignina em larga escala.<\/p>\n<p>Mas, de acordo com a pesquisadora Rubia Gouveia, a cola sustent\u00e1vel n\u00e3o tem como foco apenas uso industrial, mas tamb\u00e9m comercial, dom\u00e9stico e escolar.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12D28\/production\/_102369077_adesivo_ensaiosmecnicos_lnnano-cnpem-fotodivulgaocnpem-gustavomoreno-12.jpg\" alt=\"Teste feito com cola sustent\u00e1vel\" width=\"640\" height=\"640\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">DIVULGA\u00c7\u00c3O<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Teste feito com madeira mostra que peda\u00e7o colado n\u00e3o se rompeu ao ser for\u00e7ado<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;\u00c9 poss\u00edvel fazer modifica\u00e7\u00f5es para adequar seu uso em diferentes situa\u00e7\u00f5es. Desta forma, a cola poderia ser usada desde ind\u00fastrias automobil\u00edsticas, m\u00f3veis, de tecidos a at\u00e9 mesmo em escolas e escrit\u00f3rios&#8221;, afirma Gouveia.<\/p>\n<p>A cola demonstrou sua pot\u00eancia adesiva em testes de tra\u00e7\u00e3o feitos em laborat\u00f3rio. Al\u00e9m de colar pap\u00e9is e madeiras, a cola tamb\u00e9m mostrou um alto poder de ader\u00eancia em testes feitos com alum\u00ednio.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo das pesquisadoras \u00e9 fazer adapta\u00e7\u00f5es na f\u00f3rmula e testar a cola em altas e baixas temperaturas. Tamb\u00e9m ser\u00e1 feita uma adapta\u00e7\u00e3o para que ela possa colar vidros e beneficiar mais setores industriais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Gente, est\u00e1 muito dif\u00edcil tirar essa f\u00f3rmula dos equipamentos. 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