{"id":87860,"date":"2018-07-02T15:00:49","date_gmt":"2018-07-02T18:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=87860"},"modified":"2018-07-02T10:00:44","modified_gmt":"2018-07-02T13:00:44","slug":"controle-biologico-cresce-no-campo-e-ajuda-na-reducao-de-custos-da-lavoura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/controle-biologico-cresce-no-campo-e-ajuda-na-reducao-de-custos-da-lavoura\/","title":{"rendered":"Controle biol\u00f3gico cresce no campo e ajuda na redu\u00e7\u00e3o de custos da lavoura"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/controle_biologico.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-87861\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/controle_biologico-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/controle_biologico-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/controle_biologico.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Quem pensa que controle biol\u00f3gico \u00e9 coisa s\u00f3 de pequeno produtor ou de agricultor alternativo, est\u00e1 enganado. O Globo Rural visitou fazendas de S\u00e3o Paulo para mostrar as novidades dessa t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>O Brasil tem 61 biof\u00e1bricas produzindo inimigos naturais para uso no campo. \u00c9 um mercado de milh\u00f5es de d\u00f3lares. O transporte e o armazenamento dos inimigos naturais exigem uma s\u00e9rie de cuidados, j\u00e1 que esses aliados do agricultor s\u00e3o seres vivos.<\/p>\n<p>Muitas batalhas s\u00e3o travadas no interior das lavouras. Insetos comem plantas, fungos atacam insetos, insetos devoram insetos, s\u00e3o disputas \u00e0s vezes microsc\u00f3picas&#8230; E naturais num ambiente em equil\u00edbrio.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que na maioria dos cultivos, esse equil\u00edbrio foi perdido pelo plantio de uma mesma cultura em \u00e1reas muito extensas e o uso de produtos qu\u00edmicos em excesso.<\/p>\n<p>O agr\u00f4nomo Alexandre Sene resume bem.\u00a0 \u201cNos tornamos o maior consumidor de agrot\u00f3xicos do mundo. Em 2010, o segundo maior usu\u00e1rio de plantas transg\u00eanicas. Passamos a usar as duas melhores tecnologias do planeta, mas ao mesmo tempo aumentamos em 600% os preju\u00edzos, com ataque de pragas. N\u00e3o precisava de uma reflex\u00e3o muito profunda para perceber: alguma coisa est\u00e1 errada\u201d.<\/p>\n<p>Claro que o Brasil tamb\u00e9m gasta muito por ter uma das maiores \u00e1reas plantadas do mundo e num clima que favorece cultivos o ano todo.<\/p>\n<p>Foi neste cen\u00e1rio que, em 2013, surgiu uma nova praga para desafiar os agricultores. A lagarta helicoverpa arm\u00edgera devorou lavouras de soja, milho e algod\u00e3o. Com a dificuldade de aprova\u00e7\u00e3o de produtos qu\u00edmicos o agricultor se abriu para uma nova alternativa.<\/p>\n<p>\u201cO que \u00e9 que tinha dispon\u00edvel? Havia a utiliza\u00e7\u00e3o de v\u00edrus e a possibilidade de utiliza\u00e7\u00e3o de um parasit\u00f3ide de ovos chamado trichograma. Ent\u00e3o o agricultor come\u00e7ou a utilizar, e ele viu que dava bons resultados e passou a se interessar pela utiliza\u00e7\u00e3o do controle biol\u00f3gico\u201d, explica o agr\u00f4nomo e professor Jos\u00e9 Roberto Parra. Foi um marco importante, segundo Parra, um dos pioneiros no controle biol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Na Escola Superior de Agricultura Lu\u00edz de Queir\u00f3s, em\u00a0<a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/sp\/piracicaba-regiao\/cidade\/piracicaba.html\">Piracicaba<\/a>, S\u00e3o Paulo, o professor coordena os laborat\u00f3rios onde s\u00e3o estudados os organismos ben\u00e9ficos para a agricultura e aqueles considerados um problema.<\/p>\n<p>Recriando a batalha travada na natureza, nascem novas tecnologias para o controle biol\u00f3gico. \u00c9 o caso do percevejo marrom da soja, que recebe uma dieta especial.<br \/>\n\u201cEsses percevejos colocam ovos. Esses ovos ser\u00e3o parasitados por uma pequena vespa, chamada telenomus podisi que, ao introduzir ovos no interior desses ovos, ir\u00e3o destru\u00ed-lo impedindo que haja progress\u00e3o de praga nas futuras gera\u00e7\u00f5es\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Outra tecnologia que saiu do laborat\u00f3rio de Piracicaba \u00e9 a da produ\u00e7\u00e3o de trichogramma, um inseto,\u00a0 inimigo natural da broca da cana. No laborat\u00f3rio ele se desenvolve dentro do ovo de uma tra\u00e7a, que se mostrou mais simples de ser criada do que a broca.<\/p>\n<p>\u201cA gente cola o ovo da tra\u00e7a em uma cartela, esteriliza os ovos com luz ultravioleta e oferece os ovos para o trichograma. As f\u00eameas v\u00e3o parasitar os ovos, dez dias ap\u00f3s o parasitismo, o trichograma emerge novamente. O dom\u00ednio da cria\u00e7\u00e3o dos ovos dessa tra\u00e7a \u00e9 que fizeram com que o trichograma fosse t\u00e3o usado na agricultura\u201d, explica Alo\u00edsio Coelho Jr., bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>Do laborat\u00f3rio para o campo. Em um canavial, em Barra Bonita, S\u00e3o Paulo, \u00e9 poss\u00edvel ver o estrago causado pela broca. Na fase de lagarta, ela abre galerias na cana, permitindo a entrada de fungos que provocam, por exemplo, a podrid\u00e3o vermelha.<\/p>\n<p>\u201cCada 1% de infesta\u00e7\u00e3o de broca, n\u00f3s perdemos 1,25% de toneladas de cana. Em termos de a\u00e7\u00facar, n\u00f3s vamos perder, cada 1%, 0,38 quilos de a\u00e7\u00facar e 0,27 % de etanol. No in\u00edcio tinha em torno de 13% de infesta\u00e7\u00e3o. Esse ano fechamos 0,66%\u201d, explica Sebasti\u00e3o Ribeiro, t\u00e9cnico em agropecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>Enquanto o trichogramma ataca os ovos da broca, a vespa cot\u00e9sia, age sobre a fase de lagarta. Uma das maiores produtoras de cana do pa\u00eds abriga em suas instala\u00e7\u00f5es uma f\u00e1brica s\u00f3 para a produ\u00e7\u00e3o de cot\u00e9sias.<\/p>\n<p>O processo come\u00e7a com a retirada de pap\u00e9is de dentro de um tubo cheio de mariposas, o inseto adulto da broca. Os pap\u00e9is ficam lotados de ovos. Depois de um tempo as larvinhas come\u00e7am a nascer. Peda\u00e7os do papel s\u00e3o colocados num outro frasco com alimento.\u00a0 De onde saem 378 mil brocas por semana. Depois de uns 19 dias, elas atingem cerca de 4 cent\u00edmetros.<\/p>\n<p>Em uma sala acontece o primeiro contato da lagarta com a vespa, que \u00e9 a sua inimiga natural. As lagartas j\u00e1 crescidas s\u00e3o retiradas dos frascos e oferecem uma a uma, para uma vespinha f\u00eamea, que vai imediatamente picar essa lagarta e depositar dentro dela, em torno de 60 ovos.<\/p>\n<p>O processo \u00e9 todo manual. Cada uma das funcion\u00e1rias tem a meta de inocular quatro mil e seiscentas lagartas por dia.\u00a0No canavial, o funcion\u00e1rio percorre a lavoura e distribui os potinhos com as vespas.<\/p>\n<p>\u201cEsses ovos se alimentam de todo o sangue da lagarta. Dentro de 11 a 15 dias elas saem do corpo da lagarta em forma de larva, se juntam formando um casulo. Cada aglomerado de ovinhos vai dar origem a 60 novas vespinhas\u201d, explica Deise Gallo, bi\u00f3loga e l\u00edder de do desenvolvimento t\u00e9cnico do laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cO controle biol\u00f3gico na cana \u00e9 um caso de sucesso mundial h\u00e1 muitos anos, desde 70, 72 e vem evoluindo ao longo do tempo. Quando eu falo em controle biol\u00f3gico eu tenho que ter um controle muito grande do canavial. Tenho que saber o clima: temperatura e umidade; preciso conhecer o ciclo da praga e n\u00edvel de infesta\u00e7\u00e3o na lavoura; a biologia do inimigo natural, no caso a cot\u00e9sia; e o est\u00e1gio de desenvolvimento da lavoura. Quando junta esses quatro pilares me d\u00e1 o \u00faltimo que \u00e9 o momento correto da aplica\u00e7\u00e3o\u201d, avalia Rodrigo Amoroso, agr\u00f4nomo.<\/p>\n<p>Um avan\u00e7o no controle da broca \u00e9 esperado com a distribui\u00e7\u00e3o das cot\u00e9sias atrav\u00e9s de uma c\u00e1psula de papel, lan\u00e7ada por drone. A agr\u00f4noma Gabriela Silva \u00e9 dona da empresa que desenvolveu a c\u00e1psula.<\/p>\n<p>\u201cEla \u00e9 redonda, tem um centro de gravidade na parte de baixo e orif\u00edcios de sa\u00edda dos inimigos naturais na parte superior. Dentro tem o que a gente chama de massa cotonoza, que parecem algod\u00f5es e dentro deles est\u00e3o as pulpas das vespas que daqui a algum tempo v\u00e3o emergir e elas v\u00e3o sair por esses orif\u00edcios e v\u00e3o atr\u00e1s das brocas para fazer todo o processo de parasitismo\u201d, descreve Gabriela Silva, bi\u00f3loga e agr\u00f4noma.<\/p>\n<p>Gabriela diz que a c\u00e1psula protege de intemp\u00e9ries do clima e, como tem uma camada de repelente, dos predadores. \u201cEm tr\u00eas meses n\u00e3o se encontra mais c\u00e1psulas no ambiente\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Os respons\u00e1veis pelo drone viajam o Brasil todo para prestar o servi\u00e7o com o equipamento, que n\u00e3o chamam de drone.\u00a0 \u201cEu chamo esse equipamento de aeronave agr\u00edcola que voa sozinha. A gente tenta n\u00e3o desenvolver drones, que tem esse aspecto de brinquedo, instrumento para fotografia e sim uma m\u00e1quina agr\u00edcola, que aguente as dificuldades do campo\u201d, comenta Enio Freitas, engenheiro el\u00e9trico.<\/p>\n<p>A ideia da empresa veio do Eduardo da Costa Goerl, piloto de avi\u00f5es. \u201cEm 2008 eu dava instru\u00e7\u00e3o para a avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e a\u00ed eu tive um acidente. Pegou fogo logo depois da decolagem. E esse acidente motivou que anos depois a cria\u00e7\u00e3o da empresa para evitar que os pilotos entrem naquela \u00e1rea de risco, onde os acidentes acontecem\u201d, conta.<\/p>\n<p>Seguran\u00e7a para os funcion\u00e1rios, efici\u00eancia e economia para o produtor. \u201cCom o drone eu consigo intensificar a libera\u00e7\u00e3o da cot\u00e9sia no melhor momento poss\u00edvel e consigo maximizar o controle da broca no canavial. O controle biol\u00f3gico \u00e9 30, 40% mais barato que o qu\u00edmico e o retorno \u00e9 muito eficiente\u201d, diz Rodrigo Amoroso, agr\u00f4nomo.<\/p>\n<p><strong>Mercado de milh\u00f5es de d\u00f3lares<\/strong><\/p>\n<p>As lavouras brasileiras se estendem por mais de 70 milh\u00f5es de hectares, um mercado enorme e desafiador.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s somos l\u00edderes mundiais em agricultura tropical, mas temos que desenvolver, e esse \u00e9 o nosso desafio, um modelo de controle biol\u00f3gico pra regi\u00f5es tropicais\u201d, declara o agr\u00f4nomo e professor Jos\u00e9 Roberto Parra.<\/p>\n<p>Segundo o\u00a0<a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/ministerio-da-agricultura\/\">Minist\u00e9rio da Agricultura<\/a>, o Brasil tem cerca de 170 produtos biol\u00f3gicos registrados. Em 2010 eram apenas 21.\u00a0 O interesse dos agricultores est\u00e1 crescendo, mas ainda h\u00e1 muito o que avan\u00e7ar. De todo o mercado de defensivos biol\u00f3gicos, a Am\u00e9rica Latina representa 13%. A Europa det\u00e9m a maior parcela: 30%.<\/p>\n<p>Uma das grandes empresas de controle biol\u00f3gico do mundo \u00e9 holandesa e, h\u00e1 alguns meses, cresceu mais um pouco, com a compra de uma empresa brasileira. N\u00e3o para acabar com a concorr\u00eancia, mas para aumentar sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Globo Rural mostrou a f\u00e1brica nacional de inimigos naturais em 2012. Ela surgiu dentro da Esalq como uma startup, uma pequena empresa com grande potencial de expans\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 entrei na faculdade de agronomia querendo o controle biol\u00f3gico. Era mais po\u00e9tico naquela \u00e9poca. Eu n\u00e3o imaginava ver isso vivo ainda. Imaginava que seria para gera\u00e7\u00f5es seguintes\u201d, conta Alexandre de Sene, agr\u00f4nomo e um dos fundadores da startup.<\/p>\n<p>Atualmente como consultor da empresa, ele conta que ela cresceu 600%. \u201cA demanda \u00e9 muito alta, especialmente para os parasit\u00f3ides envolvidos com soja. \u00c9 um mercado perto de 5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares no mercado mundial. Est\u00e1 caminhando para isso. Hoje deve estar em tr\u00eas bilh\u00f5es e a Am\u00e9rica Latina est\u00e1 em 500 milh\u00f5es, indo pra 800 milh\u00f5es nos pr\u00f3ximos anos\u201d, avalia Sene.<\/p>\n<p>A empresa produz macroorganismos, como insetos, e microorganismos, como os fungos. S\u00f3 em uma unidade, s\u00e3o usadas 50 toneladas de arroz por dia, para a produ\u00e7\u00e3o de fungos.<\/p>\n<p>O arroz j\u00e1 com o fungo \u00e9 colocado em bandejas e trazido para uma das c\u00e2maras. S\u00e3o 18 c\u00e2maras com temperatura e umidade controladas. S\u00e3o nelas que o fungo vai se desenvolver. Isso pode levar entre oito a 20 dias, dependendo do microorganismo. Como l\u00e1 dentro existem equipamentos e processos sigilosos, o Globo Rural n\u00e3o pode mostrar.<\/p>\n<p>O arroz sai das c\u00e2maras cheio de fungos, que viram centenas de toneladas de produtos para aplica\u00e7\u00e3o no campo. Colocados em gal\u00f5es parecidos com os de agrot\u00f3xicos, eles exibem o selo do IBD &#8211; o Instituto de Biodin\u00e2mica, comprovando que se trata de produto biol\u00f3gico.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 de ingredientes ativo, produzimos em m\u00e9dia entre 30, 35 toneladas de fungo puro por ano. O faturamento \u00e9 em torno de fatura em torno de 70 milh\u00f5es de reais por ano. A gente tem saltos de faturamento assustadores, da faixa de dois d\u00edgitos, exatamente pelo excesso de demanda que vem do campo\u201d, explica Lucianao Zappelini, bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>A aposta da empresa, agora, \u00e9 um fungo acinzentado, a isaria fumosorosea, uma novidade no combate ao psil\u00eddeo, o inseto transmissor do amarel\u00e3o ou o greening dos citros.<\/p>\n<p>Nos pomares de laranja de uma propriedade, em Pirassununga, S\u00e3o Paulo, os primeiros sinais da doen\u00e7a come\u00e7aram em 2004. Segundo o Fundecitrus, o greening \u00e9 a pior doen\u00e7a que a citricultura j\u00e1 enfrentou. No ano passado, 17% das plantas os pomares de S\u00e3o Paulo e Minas apresentavam sintomas.<\/p>\n<p>\u201cExiste um inseto vetor empregado na dissemina\u00e7\u00e3o da bact\u00e9ria. Esse inseto se alimenta em uma planta doente, ele adquire a bact\u00e9ria e pode disseminar para outros pomares. E quando ele faz a sua alimenta\u00e7\u00e3o numa \u00e1rvore sadia ele pode inocular a bact\u00e9ria naquela planta\u201d, explica Bruno Daniel, agr\u00f4nomo\/Fundecitrus.<\/p>\n<p>Os ramos ficam amarelados, perdem folhas. Os frutos caem antes da hora e as sementes ficam escuras e menores do que sementes sadias. Uma vez que a bact\u00e9ria se instalou na planta, n\u00e3o existe mais cura.<\/p>\n<p>Para evitar que o greeening se espalhe por todo o pomar, a planta doente tem que ser cortada. Uma nova planta vai demorar uns quatro anos para produzir o mesmo que as outras.<\/p>\n<p>Outra medida \u00e9 o uso de armadilhas, para monitoramento do inseto transmissor.<br \/>\n\u201cEla \u00e9 um atrativo visual que possui uma cola. Semanalmente a gente faz a inspe\u00e7\u00e3o e contagem de quantos psil\u00eddios t\u00eam na armadilha. Com um \u00fanico psil\u00eddio, a gente j\u00e1 come\u00e7a com o controle\u201d, Brayan Palhares, agricultor.<\/p>\n<p>Palhares, que herdou o cultivo de laranjas do pai, sempre usou agrot\u00f3xicos, mas estava ficando sem op\u00e7\u00e3o para variar o produto. \u201cSe usar sempre o mesmo produto, pode dar resist\u00eancia ao inseto. A gente j\u00e1 viu isso em outras culturas que a gente planta e estamos tentando prevenir no caso dos citros\u201d, diz.<\/p>\n<p>Hoje, em \u00e1reas vizinhas aos pomares, j\u00e1 vem sendo usado um outro inseto inimigo natural do psil\u00eddeo: a tamarixia radiata. A tamarixia coloca o ovo no corpo da ninfa do psil\u00eddeo. O inseto inimigo se desenvolve l\u00e1 dentro, matando a ninfa do transmissor do greeening.<\/p>\n<p>A tecnologia foi desenvolvida pela Esalq, mas n\u00e3o pode ser usada nos pomares de citrus porque, com as aplica\u00e7\u00f5es de inseticidas, o inimigo natural tamb\u00e9m morreria.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que entra a novidade do controle com o fungo is\u00e1ria, lan\u00e7ado este ano, os primeiros testes foram feitos na propriedade do Bryan.<\/p>\n<p>\u201cEle vem sendo trabalhado h\u00e1 oito anos quase. A gente segue o caminho de um defensivo com todos os laudos de efici\u00eancia, testes a campo&#8230; A mesma metodologia que o Minist\u00e9rio prega para defensivo qu\u00edmico, a gente prega para o biol\u00f3gico. A gente come\u00e7ou o processo de colocar o produto a campo, onde a gente instalava alguns voais no pomar de laranja com o psil\u00eddio confinado e ent\u00e3o aplicava-se o produto e depois voltava a acampo para avaliar a efici\u00eancia de mortalidade. Um dia ap\u00f3s a aplica\u00e7\u00e3o a gente pode considerar na m\u00e9dia, entre 60, 65% de mortalidade\u201d, esclarece Jos\u00e9 Leonardo Santos, agr\u00f4nomo.<\/p>\n<p>O preparo para aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 o mesmo de outros produtos. O funcion\u00e1rio coloca o fungo dilu\u00eddo no pulverizador e aplica o pomar. O produtor ficou surpreso com o resultado. \u201cLogo de in\u00edcio ele j\u00e1 deu um controle bom e nos primeiros 15 dias, praticamente zerou os insetos\u201d, conta Bryan.<\/p>\n<p>Na lavoura de caf\u00e9 do agricultor Jean Faleiros, em Cristais Paulista, na divisa com Minas Gerais, o problema era a broca.<\/p>\n<p>Faleiros avalia as plantas com o agr\u00f4nomo Rodrigo Rodrigues. \u201cO inseto adulto oviposita dentro dos gr\u00e3os de caf\u00e9, as larvinhas v\u00e3o nascendo dentro do gr\u00e3o e v\u00e3o consumindo todo o conte\u00fado interno do gr\u00e3o de caf\u00e9. Hoje \u00e9 considerada uma das principais pragas da cafeicultura nacional\u201d, explica.<\/p>\n<p>At\u00e9 pouco tempo, para controlar pragas e doen\u00e7as s\u00f3 se usava produto qu\u00edmico nos 900 hectares de caf\u00e9.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 2011 eu usava produto para a broca que era o endosulfam, que me dava controle de 100%. Eu nunca tive problema com broca. De 2011 pra c\u00e1 ele foi proibido. A\u00ed eu vinha buscando outro produto para substituir. Eu comecei a usar um produto, outro, outro, isso tava causando um desequil\u00edbrio muito forte na lavoura com \u00e1caro, bicho mineiro e eu tava buscando alternativa\u201d, conta Faleiros.<\/p>\n<p>A alternativa veio na forma do controle biol\u00f3gico, com um fungo chamado beauveria. Mas, n\u00e3o pense que ele aceitou logo a mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cA princ\u00edpio eu fiquei desconfiado, pensei que um fungo ia matar a broca. At\u00e9 acreditei que poderia funcionar, mas numa \u00e1rea t\u00e3o grande&#8230; Tanto que no primeiro ano abri s\u00f3 10% da \u00e1rea para ver o benef\u00edcio do produto\u201d, conta Faleiros.<\/p>\n<p>O primeiro teste n\u00e3o foi muito eficiente, porque a infesta\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava grande, mas com a ajuda dos t\u00e9cnicos ele insistiu. Hoje, o monitoramento atrav\u00e9s de armadilhas mostra como est\u00e1 a infesta\u00e7\u00e3o e se h\u00e1 a necessidade de aplicar o fungo. Hoje 100% da \u00e1rea recebe controle biol\u00f3gico para a broca. O que \u00e9 aplicado nas plantas \u00e9 o esporo da bov\u00e9ria, a sementinha do fungo.<\/p>\n<p>\u201cA partir do momento que esse esporo entra em contato com o inseto, ele promove um processo de desenvolvimento da bov\u00e9ria dentro do inseto. Em torno de sete a 10 dias a broca j\u00e1 t\u00e1 morta. Hoje em m\u00e9dia na safra 17\/18, a gente tem encontrado em torno de 70% de brocas colonizadas pela bov\u00e9ria bassiana\u201d, explica Rodrigo Rodrigues, agr\u00f4nomo.<\/p>\n<p>A efici\u00eancia do controle conseguiu mudar o pensamento at\u00e9 do cafeicultor tradicional. \u201cHoje qualquer produto do mercado est\u00e1 ficando em torno de 300 reais por hectare, uma aplica\u00e7\u00e3o. A bov\u00e9ria hoje \u00e9 60 reais, ent\u00e3o \u00e9 um quinto, com o mesmo resultado, mas na minha opini\u00e3o \u00e9 um resultado muito melhor porque \u00e9 produto natural e deixa sua planta equilibrada. Passar s\u00f3 pro biol\u00f3gico \u00e9 o sonho, cada vez mais imitar nossa floresta\u201d, avalia o agricultor Faleiros.<\/p>\n<p>O sonho de recuperar o equil\u00edbrio da natureza. \u00c9 dif\u00edcil, em cultivos t\u00e3o extensivos. Mas, com monitoramento constante e tratamentos preventivos pelo menos \u00e9 poss\u00edvel reduzir a quantidade de produtos qu\u00edmicos.<\/p>\n<p>\u201cO controle qu\u00edmico dificilmente vai ser erradicado. O que existe \u00e9 fazer o manejo integrado de pragas. O produto qu\u00edmico pode ser usado de forma mais racional\u201d, comenta o agr\u00f4nomo e professor Jos\u00e9 Roberto Parra.<\/p>\n<p>\u201cQuando voc\u00ea tem uma praga que n\u00e3o d\u00e1 para ser controlada de forma biol\u00f3gica, por falta de ci\u00eancia, de pesquisa, da\u00ed entraria com o qu\u00edmico. O Brasil est\u00e1 entrando nessa fase\u201d, avalia Alexandre Sene, engenheiro agr\u00f4nomo.<\/p>\n<p>\u201cA gente v\u00ea vida trabalhando para a vida e a gente regozija desse trabalho da natureza, da gente poder estar manipulando a natureza a favor de todos. N\u00f3s e dela pr\u00f3pria\u201d, diz Rodrigo Rodrigues, agr\u00f4nomo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem pensa que controle biol\u00f3gico \u00e9 coisa s\u00f3 de pequeno produtor ou de agricultor alternativo,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":87861,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/controle_biologico.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/controle_biologico-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/controle_biologico-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/controle_biologico.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/controle_biologico.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/controle_biologico.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/controle_biologico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/controle_biologico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/controle_biologico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/controle_biologico.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Quem pensa que controle biol\u00f3gico \u00e9 coisa s\u00f3 de pequeno produtor ou de agricultor alternativo,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87860"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87860"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87860\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/87861"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87860"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87860"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87860"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}