{"id":87513,"date":"2018-06-26T08:00:54","date_gmt":"2018-06-26T11:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=87513"},"modified":"2018-06-25T21:23:46","modified_gmt":"2018-06-26T00:23:46","slug":"expedicoes-revelam-novas-especies-de-sapos-lagartos-aves-e-plantas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/expedicoes-revelam-novas-especies-de-sapos-lagartos-aves-e-plantas\/","title":{"rendered":"Expedi\u00e7\u00f5es revelam novas esp\u00e9cies de sapos, lagartos, aves e plantas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/sapo-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-87514\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/sapo-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/sapo-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/sapo-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A ideia de passar um m\u00eas rodeado pelos barulhos da floresta tropical, sem sinal de internet ou chuveiro com \u00e1gua quente, dormindo em redes ou em barracas e trabalhando das cinco horas da manh\u00e3 \u00e0 meia-noite at\u00e9 mesmo nos fins de semana pode parecer estressante para muitas pessoas. Mas para o zo\u00f3logo Miguel Trefaut Rodrigues esse tipo de viagem \u00e9 \u201ca coisa mais relaxante do mundo\u201d.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses, o professor do Instituto de Bioci\u00eancias (IB) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) liderou duas expedi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas a regi\u00f5es praticamente inexploradas da Amaz\u00f4nia. S\u00e3o dois os objetivos principais: expandir o conhecimento sobre os padr\u00f5es evolutivos da biota neotropical e desvendar, por meio dos estudos com esses animais e plantas, as rela\u00e7\u00f5es que a floresta atl\u00e2ntica e a Amaz\u00f4nia tiveram no passado.<\/p>\n<p>\u201cNa primeira expedi\u00e7\u00e3o, foram coletados mais de 700 exemplares de 104 diferentes esp\u00e9cies, entre r\u00e9pteis, anf\u00edbios, pequenos mam\u00edferos, aves e plantas. O material ainda est\u00e1 sendo analisado, mas acreditamos que ser\u00e1 poss\u00edvel descrever v\u00e1rias esp\u00e9cies novas. Na segunda viagem, foram coletados mais de mil esp\u00e9cimes de aproximadamente 110 esp\u00e9cies \u2013 a maioria delas lagartos\u201d, contou Rodrigues.<\/p>\n<p>Realizada entre os meses de outubro e novembro de 2017, a primeira expedi\u00e7\u00e3o foi concentrada na regi\u00e3o do Pico da Neblina \u2013 o ponto mais alto do Brasil, situado a 2.995 metros acima do n\u00edvel do mar em uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o integral da natureza perto da fronteira com a Venezuela.<\/p>\n<p>O grupo seguiu de Manaus para Maturac\u00e1, onde permaneceu durante 15 dias para as primeiras coletas. A segunda metade do trabalho de campo foi conduzida no alto do Pico da Neblina.<\/p>\n<p>\u201cSabemos que em altitudes superiores a 1.700 metros prevalecem paisagens que n\u00e3o t\u00eam absolutamente nada a ver com a Amaz\u00f4nia atual. S\u00e3o campos abertos e com clima muito mais frio que o da floresta, possivelmente parecido com o que imperava na Am\u00e9rica do Sul durante os per\u00edodos mais frios do Quatern\u00e1rio [aproximadamente de 2,6 milh\u00f5es de anos at\u00e9 cerca de 10 mil anos atr\u00e1s]\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p><strong>Pequena coruja<\/strong><\/p>\n<p>Entre os 700 esp\u00e9cimes coletados, o grupo identificou 12 esp\u00e9cies novas s\u00f3 de sapos e lagartos \u2013 al\u00e9m de uma pequena coruja nunca antes descrita pela ci\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0s plantas, por enquanto, foi identificada uma esp\u00e9cie nova. Mas acredito que haja pelo menos uma dezena. S\u00e3o grupos complexos e t\u00eam de ser avaliados por especialistas. Os pequenos mam\u00edferos tamb\u00e9m ainda est\u00e3o sob an\u00e1lise e muito possivelmente teremos boas surpresas\u201d, disse Rodrigues.<\/p>\n<p>J\u00e1 foi poss\u00edvel observar, por exemplo, que as esp\u00e9cies presentes no Pico da Neblina n\u00e3o t\u00eam qualquer rela\u00e7\u00e3o de parentesco com a biota encontrada nas demais regi\u00f5es amaz\u00f4nicas. Na avalia\u00e7\u00e3o de Rodrigues, tal fato indica que a floresta ainda n\u00e3o estava ali quando o complexo maci\u00e7o que abriga a montanha se formou.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 importante, pois sugere uma poss\u00edvel rela\u00e7\u00e3o da biota do Pico da Neblina com a existente nos Andes, na floresta atl\u00e2ntica e em outros biomas. Evid\u00eancias para isso j\u00e1 temos. Uma das esp\u00e9cies de lagartos que encontramos, o\u00a0<em>Anolis neblininus<\/em>, faz parte de uma radia\u00e7\u00e3o que abrange esp\u00e9cies andinas e das montanhas da floresta atl\u00e2ntica, no Sudeste do Brasil\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>A barreira fluvial<\/strong><\/p>\n<p>A segunda expedi\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica foi realizada entre abril e maio de 2018. \u201cTivemos de alugar um barco \u2013 a \u00fanica maneira de se deslocar pela floresta. Passamos um m\u00eas dormindo em redes dentro do barco, onde tamb\u00e9m faz\u00edamos todas as refei\u00e7\u00f5es e montamos nosso laborat\u00f3rio. Em cada ponto diferente do rio era necess\u00e1rio contratar um guia local. O Rio Negro \u00e9 cheio de pedras e \u00e9 muito f\u00e1cil acontecer um acidente\u201d, explicou Rodrigues.<\/p>\n<p>O grupo navegou de Manaus at\u00e9 cerca de 80 quil\u00f4metros acima do munic\u00edpio de Santa Isabel do Rio Negro \u2013 passando pela regi\u00e3o em que o Rio Branco desemboca suas \u00e1guas barrentas no Rio Negro. Esp\u00e9cimes foram coletadas em diferentes pontos desse trajeto, em ambas as margens.<\/p>\n<p>Por sua baixa densidade e alta acidez, o Rio Negro \u00e9 considerado pobre do ponto de vista faun\u00edstico. Quer\u00edamos estudar a influ\u00eancia das \u00e1guas do Rio Branco na diversidade e abund\u00e2ncia de esp\u00e9cies. Outro objetivo foi entender o papel do rio como barreira geogr\u00e1fica para a diferencia\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Armadilhas feitas com baldes e lonas de pl\u00e1stico foram instaladas na mata para capturar pequenos animais \u2013 sobretudo r\u00e9pteis e anf\u00edbios. A linha de pesquisa coordenada por Rodrigues tem como objetivo entender a evolu\u00e7\u00e3o de cobras, lagartos, sapos e pererecas da fauna sul-americana.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o animais extremamente interessantes do ponto de vista ecossist\u00eamico, pois formam a base da cadeia alimentar. E, nessa segunda expedi\u00e7\u00e3o, conseguimos uma coleta espetacular, com mais de mil exemplares\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>Apesar de ainda ter pela frente um vasto material a ser analisado, a equipe j\u00e1 planeja a pr\u00f3xima expedi\u00e7\u00e3o \u00e0 Amaz\u00f4nia. Desta vez o objetivo \u00e9 amostrar a fauna dos altos campos do Parque Nacional de Paca\u00e1s, em Rond\u00f4nia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ideia de passar um m\u00eas rodeado pelos barulhos da floresta tropical, sem sinal de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":87514,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/sapo-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/sapo-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/sapo-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/sapo-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/sapo-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/sapo-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/sapo-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/sapo-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/sapo-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/sapo-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A ideia de passar um m\u00eas rodeado pelos barulhos da floresta tropical, sem sinal de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87513"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87513"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87513\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/87514"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87513"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87513"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87513"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}