{"id":87491,"date":"2018-06-25T14:42:36","date_gmt":"2018-06-25T17:42:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=87491"},"modified":"2018-06-25T14:42:36","modified_gmt":"2018-06-25T17:42:36","slug":"pintura-nenhuma-em-toda-a-historia-conseguiu-representar-um-relampago","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pintura-nenhuma-em-toda-a-historia-conseguiu-representar-um-relampago\/","title":{"rendered":"Pintura nenhuma, em toda a hist\u00f3ria, conseguiu representar um rel\u00e2mpago"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/relampago.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-87492\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/relampago-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/relampago-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/relampago.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Antes da ascens\u00e3o da pintura como arte aut\u00f4noma, com liberdade para abstrair o que quisesse, os academicistas se orgulhavam em dizer que suas obras eram espelhos da realidade. Bem, mais ou menos. Al\u00e9m da idealiza\u00e7\u00e3o de figuras e eventos (como o\u00a0<a href=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/4\/4d\/Napoleon_at_the_Great_St._Bernard_-_Jacques-Louis_David_-_Google_Cultural_Institute.jpg\">Napole\u00e3o<\/a>, de David, ou a\u00a0<a href=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/4\/40\/Independence_of_Brazil_1888.jpg\">Independ\u00eancia<\/a>, de Pedro Am\u00e9rico, que colocaram cenas hist\u00f3ricas num patamar muito mais glamuroso do que elas tiveram de verdade), cientistas descobriram outra grande falha das pinturas na hist\u00f3ria: a forma como os rel\u00e2mpagos foram retratados.\u00a0<em>Todos<\/em>\u00a0os rel\u00e2mpagos, em\u00a0<em>todos<\/em>\u00a0os quadros.<\/p>\n<p>Lembra do Delacoix, aquele artista franc\u00eas que pintou o famoso quadro\u00a0<a href=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/a\/a7\/Eug%C3%A8ne_Delacroix_-_La_libert%C3%A9_guidant_le_peuple.jpg\/757px-Eug%C3%A8ne_Delacroix_-_La_libert%C3%A9_guidant_le_peuple.jpg\"><i>A Liberdade Guiando o Povo<\/i><\/a>? Ele est\u00e1 na lista dos artistas que at\u00e9 tentaram, mas falharam na forma de retratar os raios. E o seu principal erro foi ter subestimado a quantidade de \u201cveias\u201d \u2013 as ramifica\u00e7\u00f5es de eletricidade \u2013 desse fen\u00f4meno natural. Para entender melhor, d\u00ea uma olhada no exemplo abaixo:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2018\/06\/cic3aancia-comprova-pinturas-famosas-retrataram-os-relampagos-errado_home2.png?w=1024&amp;h=682\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/p>\n<div class=\"content-image aligncenter wp-caption\">\n<div class=\"image\">\u00a0Cavalo Assustado por uma tempestade, Eugene Delacroix<\/div>\n<p class=\"caption\">Cavalo Assustado por uma tempestade, Eugene Delacroix\u00a0(Eug\u00e8ne Delacroix\/Dom\u00ednio P\u00fablico)<\/p>\n<\/div>\n<p>Para toda a verossimilhan\u00e7a do cavalo, o pobre rel\u00e2mpago mereceu pouco mais que um rabisco.<\/p>\n<p>Mas Delacroix est\u00e1 longe de ser o \u00fanico. Segundo um\u00a0<a href=\"http:\/\/rspa.royalsocietypublishing.org\/content\/474\/2214\/20170859\">estudo<\/a>\u00a0feito por pesquisadores h\u00fangaros da Universidade E\u00f6tv\u00f6s Lor\u00e1nd, esse erro virou padr\u00e3o: a arte nunca acertou com precis\u00e3o os rel\u00e2mpagos e suas veias el\u00e9tricas.<\/p>\n<p>E o engra\u00e7ado \u00e9 o que isso gerou no p\u00fablico: nossa imagem mental\u00a0<em>do que \u00e9 um raio<\/em>\u00a0tamb\u00e9m est\u00e1 errada. Pense na cicatriz em forma de \u201craio\u201d<a href=\"http:\/\/popcrush.com\/files\/2017\/06\/Harry-Potter-lightning-scar.jpg\">\u00a0na testa do Harry Potter<\/a>\u00a0ou\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=fLsBJPlGIDU\">os rel\u00e2mpagos no clipe do Arctic Monkeys<\/a>. Todos errados. Todos inspirados na forma que a arte retrata os raios \u2013\u00a0distorcendo nossas percep\u00e7\u00f5es sobre um fen\u00f4meno natural que acontece na frente dos nossos pr\u00f3prios olhos (mesmo que por mil\u00e9simos de segundos).<\/p>\n<p>Para chegar nessas conclus\u00f5es, os pesquisadores examinaram 100 pinturas e 400 fotografias de raios, usando um programa de computador. Eles atestaram que as pinturas e as fotos diferem principalmente no n\u00famero de ramos dos raios curtos, semelhante a ra\u00edzes, que ocorrem quando part\u00edculas carregadas de eletricidade tentam tra\u00e7ar o caminho de menor resist\u00eancia atrav\u00e9s do ar.<\/p>\n<p>Enquanto nas pinturas os raios tinham, no m\u00e1ximo, 11 ramifica\u00e7\u00f5es, as fotos mostravam raios divididos em at\u00e9 51 \u201cbra\u00e7os\u201d. O que, acredite, ainda \u00e9 pouco se comparado com os n\u00fameros reais de ramifica\u00e7\u00f5es que existem \u2013 mas que somem r\u00e1pido demais para uma c\u00e2mera captar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2018\/06\/cic3aancia-comprova-pinturas-famosas-retrataram-os-relampagos-errado_home3.png?w=1024&amp;h=1498\" width=\"639\" height=\"935\" \/><\/p>\n<div class=\"content-image aligncenter wp-caption\">\n<div class=\"image\">\u00a0Parte dos estudos de G\u00e1bor Horv\u00e1th, comparando a representa\u00e7\u00e3o dos raios nas pinturas<\/div>\n<p class=\"caption\">Parte dos estudos de G\u00e1bor Horv\u00e1th, comparando a representa\u00e7\u00e3o dos raios nas pinturas\u00a0(G\u00e1bor Horv\u00e1th\/)<\/p>\n<\/div>\n<p>Os cientistas acreditam que esse erro est\u00e1 fortemente ligado a como n\u00f3s, humanos, lidamos com os n\u00fameros. Abaixo de cinco, avaliamos a maioria das coisas sem contar (geralmente falamos \u201cpouco\u201d). De 6 a 10, contamos. Acima de 10, aproximamos pra baixo (ou falamos \u201cmuito\u201d). Por isso os artistas raramente retratam rel\u00e2mpagos com mais de 11 ramifica\u00e7\u00f5es, conclui G\u00e1bor Horv\u00e1th, um dos l\u00edderes da pesquisa.<\/p>\n<p>A limita\u00e7\u00e3o ficou comprovada em experimento: os cientistas pediram que 10 pessoas avaliassem rapidamente 1.800 fotos. Os participantes conseguiam detectar com precis\u00e3o at\u00e9 11 ramifica\u00e7\u00f5es nos raios. \u00c0 medida que o n\u00famero aumentava, as pessoas o subestimam, ou apenas chutavam.<\/p>\n<p><b>Hist\u00f3rico de erros<\/b><\/p>\n<p>Essa n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que cometem um sacril\u00e9gio com os raios. Esse fen\u00f4meno meteorol\u00f3gico j\u00e1 \u00e9 injusti\u00e7ado desde que sua imagem simplificada em zigue-zague foi culturalmente determinada (al\u00f4, testa do bruxinho). Os cientistas afirmam que essa representa\u00e7\u00e3o se originou de antigas imagens greco-romanas dos raios de J\u00fapiter ou Zeus, deus associado aos rel\u00e2mpagos.<\/p>\n<p>Em meados do s\u00e9culo 19, quando a meteorologia ainda era uma ci\u00eancia nova, os primeiros estudiosos lutavam para acabar com a ideia arraigada de que o clima e seus fen\u00f4menos estavam fortemente relacionado a mitos, supersti\u00e7\u00f5es e folclore.<\/p>\n<p>Foi nessa \u00e9poca que as primeiras fotografias de raios foram tiradas. Uma dos pioneiros nessa essa fa\u00e7anha, o fot\u00f3grafo William Nicholson Jennings, queria explicitamente provar a rel\u00e2mpagos\u00a0<em>n\u00e3o eram em zigue-zague<\/em>.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, as fotos foram eleitas pelos meteorologistas como a maneira mais objetiva e correta de se estudar o c\u00e9u e seus fen\u00f4menos. Fotos de rel\u00e2mpagos eram levadas para reuni\u00f5es cient\u00edficas, que insistiam em culpar a cultura por espalhar rumores falsos a respeito da realidade dos acontecimentos meteorol\u00f3gicos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2018\/06\/cic3aancia-comprova-pinturas-famosas-retrataram-os-relampagos-errado_home1.png?w=1024&amp;h=911\" width=\"638\" height=\"568\" \/><\/p>\n<div class=\"content-image aligncenter wp-caption\">\n<div class=\"image\">\u00a0Primeira foto de um raio por William Nicholson Jennings<\/div>\n<p class=\"caption\">Primeira foto de um raio por William Nicholson Jennings\u00a0(William Nicholson Jennings\/Dom\u00ednio P\u00fablico)<\/p>\n<\/div>\n<p>Esse estudo, longe de s\u00f3 querer encher a paci\u00eancia dos hist\u00f3ricos da arte por causa das imprecis\u00f5es dos raios, na realidade faz parte de uma longa linhagem de pesquisas que tratam da fronteira entre representa\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e fotogr\u00e1ficas dos rel\u00e2mpagos. Mesmo os cientistas tendo raz\u00e3o, a imagem simplificada de um raio como na testa do Harry Potter ficar\u00e1 sempre na nossa cabe\u00e7a. Agora, se voc\u00ea quiser pagar de cult, pode dizer que a culpa s\u00e3o das obras do Delacroix.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes da ascens\u00e3o da pintura como arte aut\u00f4noma, com liberdade para abstrair o que quisesse,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":87492,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/relampago.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/relampago-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/relampago-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/relampago.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/relampago.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/relampago.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/relampago.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/relampago.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/relampago.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/relampago.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Antes da ascens\u00e3o da pintura como arte aut\u00f4noma, com liberdade para abstrair o que quisesse,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87491"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87491"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87491\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/87492"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87491"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87491"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87491"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}