{"id":87403,"date":"2018-06-24T12:30:16","date_gmt":"2018-06-24T15:30:16","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=87403"},"modified":"2018-06-24T10:48:01","modified_gmt":"2018-06-24T13:48:01","slug":"extintas-no-rio-antas-sao-reintroduzidas-proximas-ao-parque-estadual-dos-tres-picos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/extintas-no-rio-antas-sao-reintroduzidas-proximas-ao-parque-estadual-dos-tres-picos\/","title":{"rendered":"Extintas no Rio, antas s\u00e3o reintroduzidas pr\u00f3ximas ao Parque Estadual dos Tr\u00eas Picos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/anta.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-87405\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/anta-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/anta-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/anta.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Flora, Valente e J\u00fapiter s\u00e3o os novos moradores da Reserva Ecol\u00f3gica Guapia\u00e7u (REGUA), uma reserva privada cont\u00edgua ao Parque Estadual dos Tr\u00eas Picos. As antas chegaram no domingo (10), ap\u00f3s percorrerem 1.000 quil\u00f4metros desde a sua antiga resid\u00eancia, o criadouro cient\u00edfico da Klabin, localizado em Tel\u00eamaco Borba, no Paran\u00e1. Os animais passar\u00e3o um m\u00eas se preparando para viverem em liberdade na reserva localizada no munic\u00edpio de Cachoeiras de Macacu, no estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>As novas integrantes se juntar\u00e3o a Eva e Floquinho, que j\u00e1 moram no local desde dezembro de 2017 e foram a primeira fam\u00edlia a ser reintroduzida ali. A m\u00e3e e o filhote vieram do criadouro conservacionista da Companhia Brasileira de Metalurgia e Minera\u00e7\u00e3o, situado em Arax\u00e1, Minas Gerais. Junto aos dois, havia um outro macho que n\u00e3o sobreviveu ao per\u00edodo de 30 dias de aclimata\u00e7\u00e3o no viveiro localizado dentro da Reserva Particular do Patrim\u00f4nio Natural.<\/p>\n<p><strong>Adapta\u00e7\u00e3o ao novo local<\/strong><\/p>\n<p>As antas comp\u00f5em uma popula\u00e7\u00e3o muito reduzida na Mata Atl\u00e2ntica e est\u00e3o extintas no Rio de Janeiro h\u00e1 pelo menos um s\u00e9culo.<\/p>\n<p>S\u00e3o animais de grande porte (podendo pesar at\u00e9 300 quilos) e de reprodu\u00e7\u00e3o lenta. Reintrodu\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies com essas caracter\u00edsticas demandam tempo e envolvem muitos custos. Al\u00e9m disso, historicamente a taxa de sucesso das iniciativas n\u00e3o \u00e9 alta. Os n\u00fameros variam de pa\u00eds para pa\u00eds, mas de modo geral, considera-se que menos de 10% desses projetos de reintrodu\u00e7\u00e3o t\u00eam sucesso no longo prazo. N\u00e3o \u00e9 raro que os animais n\u00e3o tenham atividade reprodutiva ou n\u00e3o se adaptem \u00e0 nova condi\u00e7\u00e3o e tenham que ser reconduzidos ao cativeiro ou acabem falecendo.<\/p>\n<div id=\"attachment_60914\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-60914\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Anta0.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Anta0.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Anta0-225x300.jpg 225w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"533\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Equipe do Projeto Refauna de olho na chegada na nova integrante Flora. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<p>Entretanto, o bi\u00f3logo Maron Galliez, do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), explica que esses resultados est\u00e3o melhorando gra\u00e7as ao desenvolvimento da ci\u00eancia da disciplina Biologia da Reintrodu\u00e7\u00e3o. Segundo ele, talvez a etapa mais importante do processo seja a que os pesquisadores chamam de aclimata\u00e7\u00e3o, quando os animais s\u00e3o colocados em um cercado j\u00e1 no ambiente de soltura.<\/p>\n<p>Nesse caso das antas, elas s\u00e3o mantidas em um cercado de 8.800 metros quadrados constru\u00eddo pr\u00f3ximo ao ambiente selvagem da reserva. O cercado permanece fechado por no m\u00e1ximo 30 dias, per\u00edodo em que os animais ainda s\u00e3o alimentados pela equipe do projeto. Ap\u00f3s um m\u00eas, a porteira \u00e9 aberta, mas a suplementa\u00e7\u00e3o alimentar pode ser mantida, caso a equipe considere necess\u00e1ria. Antes da soltura os animais recebem o colar de telemetria, cada um dos indiv\u00edduos recebe um colar de VHF-GPS telemetria, que armazena localiza\u00e7\u00f5es georreferenciadas automaticamente a cada 30 minutos. Os dados s\u00e3o enviados aos pesquisadores por e-mail. Caso seja notado que algum animal est\u00e1 debilitado ou n\u00e3o adaptado \u00e0 reintrodu\u00e7\u00e3o, ele ser\u00e1 capturado e levado para o recinto de aclimata\u00e7\u00e3o novamente.<\/p>\n<p><strong>Dispersora de sementes<\/strong><\/p>\n<p>A relev\u00e2ncia das antas est\u00e1 na elevada capacidade de dispers\u00e3o e preda\u00e7\u00e3o de sementes, al\u00e9m de pisoteio de pl\u00e2ntula &#8211; quando os animais pisam na vegeta\u00e7\u00e3o, podendo levar a morte de algumas plantas mais delicadas e jovens, evitando a abund\u00e2ncia excessiva de uma esp\u00e9cie dominante. Segundo o pesquisador Maron Galliez, a anta assume \u201co papel de verdadeira jardineira da floresta\u201d e que \u201csem a volta desses animais, n\u00e3o adianta falar de restaura\u00e7\u00e3o ambiental\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_60916\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-60916\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Anta-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Anta-1.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Anta-1-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Anta-1-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">J\u00fapiter no cercadinho da aclimata\u00e7\u00e3o. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<p>A iniciativa faz parte da Rede Refauna &#8211; projeto desenvolvido em conjunto pelo Instituto Federal do Rio de Janeiro, a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro \u2013, que visa retroceder o processo de extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e restabelecer as intera\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas na Mata Atl\u00e2ntica. O programa, patrocinado pela FAPERJ, Botic\u00e1rio, IFRJ e CNPq, teve financiamento de aproximadamente 200 mil reais, al\u00e9m das bolsas recebidas das institui\u00e7\u00f5es ao longo dos \u00faltimos quatro anos.<\/p>\n<p>Para o sucesso da iniciativa, \u00e9 essencial que a informa\u00e7\u00e3o chegue aos moradores e que sejam convidados a colaborar de forma a prevenir os conflitos e a ca\u00e7a. Por isso, o projeto est\u00e1 sendo executado de forma participativa, e um dos exemplos \u00e9 a coopera\u00e7\u00e3o das escolas da regi\u00e3o, onde os pesquisadores apresentam o programa e as antas, e conduzem uma din\u00e2mica em que os alunos as desenham e escolhem seus nomes.<\/p>\n<p><strong>Jacutinga<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m das antas, a jacutinga ser\u00e1 reintroduzida na mesma Reserva pelo Projeto Jacutinga da ONG SAVE Brasil que j\u00e1 conduz o projeto em outras regi\u00f5es. A ave \u00e9 uma esp\u00e9cie end\u00eamica da Mata Atl\u00e2ntica e, no estado do Rio de Janeiro, est\u00e1 extinta. At\u00e9 o final de julho, quatro indiv\u00edduos ser\u00e3o soltos segundo informa\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o. \u00a0A jacutinga \u00e9 considerada uma excelente dispersora de sementes, capaz de se alimentar de 41 frutos da Mata Atl\u00e2ntica, colaborando na manuten\u00e7\u00e3o das florestas e dos sistemas h\u00eddricos. A SAVE Brasil j\u00e1 trabalhou com tr\u00eas escolas da regi\u00e3o e incentiva que a comunidade frequente a reserva para a pr\u00e1tica de observa\u00e7\u00e3o de aves.<\/p>\n<p>Clique na\u00a0<strong>galeria<\/strong>\u00a0para ler as legendas das fotos.<\/p>\n<div class=\"tiled-gallery type-circle\" data-carousel-extra=\"{&quot;blog_id&quot;:1,&quot;permalink&quot;:&quot;http:\\\/\\\/www.oeco.org.br\\\/noticias\\\/extintas-no-rio-antas-sao-reintroduzidas-proximas-ao-parque-estadual-dos-tres-picos\\\/&quot;,&quot;likes_blog_id&quot;:false}\" data-original-width=\"500\">\n<div class=\"tiled-gallery-item\"><a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/noticias\/extintas-no-rio-antas-sao-reintroduzidas-proximas-ao-parque-estadual-dos-tres-picos\/attachment\/foto-eva-femea-que-faz-parte-da-primeira-familia-reintroduzida-em-dezembro-de-2017-1\/\"><img loading=\"lazy\" title=\"Foto Eva, f\u00eamea que faz parte da primeira fam\u00edlia reintroduzida em dezembro de 2017 (1)\" 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