{"id":874,"date":"2014-06-06T14:00:58","date_gmt":"2014-06-06T14:00:58","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=874"},"modified":"2014-06-06T14:00:58","modified_gmt":"2014-06-06T14:00:58","slug":"plantas-brasileiras-podem-ajudar-a-enfrentar-impactos-das-mudancas-climaticas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/plantas-brasileiras-podem-ajudar-a-enfrentar-impactos-das-mudancas-climaticas-2\/","title":{"rendered":"Plantas brasileiras podem ajudar a enfrentar impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/11.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-114203\" title=\"Plantas brasileiras podem ajudar a enfrentar impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/11-300x183.jpg\" alt=\"11 300x183 Plantas brasileiras podem ajudar a enfrentar impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\" width=\"300\" height=\"183\" \/><\/a><\/p>\n<p>A seriguela e o umbuzeiro, \u00e1rvores comuns do Semi\u00e1rido nordestino, e a sucupira-preta, do Cerrado, fazem parte de um grupo de plantas brasileiras que poder\u00e3o desempenhar um papel importante para a agricultura no enfrentamento das consequ\u00eancias das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Elas est\u00e3o entre as esp\u00e9cies do pa\u00eds com grande capacidade adaptativa, tolerantes \u00e0 escassez h\u00eddrica e a temperaturas elevadas.<\/p>\n<p>De acordo com Eduardo Assad, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa Tecnol\u00f3gica em Inform\u00e1tica para a Agricultura (CNPTIA) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), o estudo do genoma dessas esp\u00e9cies pode ajudar a tornar culturas como soja, milho, arroz e feij\u00e3o t\u00e3o resistentes quanto elas aos extremos clim\u00e1ticos. Assad foi um dos palestrantes no quarto encontro do Ciclo de Confer\u00eancias 2014 do programa Biota-Fapesp Educa\u00e7\u00e3o, realizado no dia 22 de maio, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cO Cerrado j\u00e1 foi muito mais quente e seco e \u00e1rvores como pau-terra, pequi e faveiro, al\u00e9m da sucupira-preta, sobreviveram. Precisamos estudar o genoma dessas \u00e1rvores, identificar e isolar os genes que as tornam t\u00e3o adapt\u00e1veis. Isso pode significar, um dia, a chance de melhorar geneticamente culturas como soja e milho, tornando-as igualmente resistentes\u201d, explicou. \u201cN\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas precisamos come\u00e7ar.\u201d<\/p>\n<p>Assad destaca que o Brasil \u00e9 l\u00edder em esp\u00e9cies resistentes. \u201cO maior armaz\u00e9m do mundo de genes tolerantes ao aquecimento global est\u00e1 aqui, no Cerrado e no Semi\u00e1rido Nordestino\u201d, ressaltou em sua palestra O impacto potencial das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na agricultura.<\/p>\n<p>Os modelos de pesquisa realizados pela Embrapa, muitos deles feitos em colabora\u00e7\u00e3o com institui\u00e7\u00f5es de outros 40 pa\u00edses, apontam que a redu\u00e7\u00e3o de produtividade de culturas como milho, soja e arroz decorrente das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas deve se acentuar nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. \u201cIsso vale para as variedades gen\u00e9ticas atuais. Uma das solu\u00e7\u00f5es \u00e9 buscar genes alternativos para trabalhar com melhoramento\u201d, sugeriu Assad.<\/p>\n<p><strong>Investir localmente<\/strong><\/p>\n<p>Outras plantas do Cerrado com grande capacidade adaptativa lembradas pelo pesquisador s\u00e3o a \u00e1rvore pacari e os frutos do baru e da cagaita. No Semi\u00e1rido Nordestino, \u00e1rvores como a seriguela, o umbuzeiro e a cajazeira foram apontadas como op\u00e7\u00f5es importantes n\u00e3o s\u00f3 para estudos gen\u00e9ticos como tamb\u00e9m para programas voltados \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de renda pela popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>\u201cEm vez de produzir culturas ex\u00f3ticas \u00e0 regi\u00e3o, \u00e9 preciso investir naquelas que j\u00e1 fazem parte da biodiversidade nordestina e t\u00eam potencial de superar as consequ\u00eancias do aquecimento global\u201d, adiantou Assad.<\/p>\n<p><strong>Soja e feij\u00e3o resistentes<\/strong><\/p>\n<p>Para o melhoramento de esp\u00e9cies, de forma a que se tornem tolerantes ao estresse abi\u00f3tico, a Embrapa planeja lan\u00e7ar, em 2015, uma soja resistente \u00e0 defici\u00eancia h\u00eddrica, produzida a partir de um gene existente em uma planta do Jap\u00e3o. \u201cTestamos essa variedade este ano, no Paran\u00e1, em um per\u00edodo sem chuvas. Ainda h\u00e1 estudos a serem feitos, mas ela est\u00e1 se saindo muito bem\u201d, observou o pesquisador.<\/p>\n<p>Assad tamb\u00e9m citou avan\u00e7os empreendidos pelo Instituto Agron\u00f4mico do Paran\u00e1 (Iapar), que j\u00e1 lan\u00e7ou quatro cultivares de feij\u00e3o com toler\u00e2ncia a temperaturas elevadas, al\u00e9m de pesquisas feitas no munic\u00edpio de Varginha (MG) em busca de vari\u00e1veis mais tolerantes para o caf\u00e9.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/ARd3CIbH0JE?feature=player_detailpage\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Preju\u00edzos e mudan\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>C\u00e1lculos da Embrapa feitos com base na produtividade m\u00e9dia da soja mostram que somente esse gr\u00e3o acumulou mais de US$ 8,4 bilh\u00f5es em perdas relacionadas \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no Brasil entre 2003 e 2013. J\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o de milho perdeu mais de US$ 5,2 bilh\u00f5es no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>A \u00e1rea considerada de baixo risco para o cultivo do caf\u00e9 ar\u00e1bica deve diminuir 9,45% at\u00e9 2020, causando preju\u00edzos de R$ 882 milh\u00f5es, e 17,15% at\u00e9 2050, elevando as perdas para R$ 1,6 bilh\u00e3o, de acordo com an\u00e1lises feitas na Embrapa e na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/12.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-114204\" title=\"Plantas brasileiras podem ajudar a enfrentar impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/12-300x183.jpg\" alt=\"12 300x183 Plantas brasileiras podem ajudar a enfrentar impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\" width=\"300\" height=\"183\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Revis\u00e3o do modelo<\/strong><\/p>\n<p>Diante dos preju\u00edzos, outra solu\u00e7\u00e3o apontada por Assad \u00e9 a revis\u00e3o do modelo produtivo agr\u00edcola. \u201cA concentra\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa na atmosfera aumentou mais de 20% nos \u00faltimos 30 anos, tornando indispens\u00e1vel a implanta\u00e7\u00e3o de sistemas produtivos mais limpos\u201d, declarou \u00e0 Ag\u00eancia Fapesp.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil \u00e9 muito respeitado nesse tema, em especial porque reduziu o desmatamento na Amaz\u00f4nia e, ao mesmo tempo, ampliou a produtividade na Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica\u201d, acrescentou o pesquisador.<br \/>\nSegundo Assad, isso abre canais de di\u00e1logo sobre a sustentabilidade na agricultura e sobre a ado\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias como integra\u00e7\u00e3o entre lavoura, pecu\u00e1ria e floresta, plantio direto na palha, uso de bact\u00e9rias fixadoras de nitrog\u00eanio no solo, rochagem (uso de micro e macronutrientes para melhorar a fertilidade dos solos), aplica\u00e7\u00e3o de adubos organominerais, al\u00e9m do melhoramento gen\u00e9tico.<\/p>\n<p>\u201cO confinamento do gado \u00e9 outro ponto que est\u00e1 em discuss\u00e3o por pesquisadores e criadores em diversas partes do mundo. Ele pode resultar em menos emiss\u00e3o de gases de efeito estufa, mas torna o rebanho mais vulner\u00e1vel \u00e0 doen\u00e7a da vaca louca. Nesse caso, uma alternativa \u00e9 a recupera\u00e7\u00e3o de pastos degradados\u201d, afirmou Assad.<\/p>\n<p>Estudos feitos na Embrapa Agrobiologia mostram que um quilo de carne produzido em pasto degradado emite mais de 32 quilos de CO2 equivalente por ano. J\u00e1 em pasto recuperado a partir do que a agricultura de baixa emiss\u00e3o de carbono preconiza, a emiss\u00e3o por quilo de carne pode ser reduzida a tr\u00eas quilos de CO2 equivalente anuais.<\/p>\n<p>\u201cIsso mostra que ambientalistas, ruralistas, governo e setor privado precisam sentar e decidir o que fazer daqui em diante \u2013 qual sistema de produ\u00e7\u00e3o adotar? Com ou sem pasto? Com ou sem \u00e1rvores? Rotacionado ou n\u00e3o? S\u00e3o mudan\u00e7as dif\u00edceis, de longo prazo, mas muitos agricultores j\u00e1 est\u00e3o preocupados com essas quest\u00f5es, com os preju\u00edzos que o aquecimento global pode trazer, e come\u00e7am a buscar solu\u00e7\u00f5es\u201d, concluiu Assad.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A seriguela e o umbuzeiro, \u00e1rvores comuns do Semi\u00e1rido nordestino, e a sucupira-preta, do Cerrado,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":875,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/plantas_resistentes.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/plantas_resistentes.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/plantas_resistentes.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/plantas_resistentes.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/plantas_resistentes.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/plantas_resistentes.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/plantas_resistentes.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/plantas_resistentes.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/plantas_resistentes.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/plantas_resistentes.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A seriguela e o umbuzeiro, \u00e1rvores comuns do Semi\u00e1rido nordestino, e a sucupira-preta, do Cerrado,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/874"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=874"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/874\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/875"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=874"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=874"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=874"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}