{"id":87313,"date":"2018-06-22T14:30:52","date_gmt":"2018-06-22T17:30:52","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=87313"},"modified":"2018-06-22T11:27:27","modified_gmt":"2018-06-22T14:27:27","slug":"cidade-ostenta-o-triste-titulo-de-capital-nacional-do-autoexterminio-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cidade-ostenta-o-triste-titulo-de-capital-nacional-do-autoexterminio-humano\/","title":{"rendered":"Cidade ostenta o triste t\u00edtulo de \u201ccapital nacional\u201d do autoexterm\u00ednio humano"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/agrotoxico-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-87314\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/agrotoxico-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/agrotoxico-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/agrotoxico-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ven\u00e2ncio Aires fica a cerca de 240 quil\u00f4metros de Porto Alegre (RS). \u00c9 um munic\u00edpio que se destaca internacionalmente pela produ\u00e7\u00e3o de tabaco. Mas, infelizmente, exatamente em raz\u00e3o do cultivo local de fumo \u2013 considerado um dos melhores do mundo \u2013 tem sido palco de investiga\u00e7\u00f5es sobre a correla\u00e7\u00e3o entre o uso de agrot\u00f3xicos e a ocorr\u00eancia de mortes por suic\u00eddio ao redor de suas lavouras.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 campe\u00e3o mundial no consumo de agrot\u00f3xicos. De acordo com pesquisas da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva (Abrasco) e do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz), o brasileiro consome, em m\u00e9dia, 7,3 litros de defensivos por ano. Em alguns estados, esse volume chega a quase 9 litros\/ano.<\/p>\n<p>Os glifosatos e os organofosforados s\u00e3o os dois tipos de pesticidas mais consumidos no pa\u00eds, sobretudo na ind\u00fastria do tabaco, apesar de j\u00e1 terem sido banidos em diversos outros pa\u00edses. O consumo de agrot\u00f3xicos est\u00e1 ligado \u00e0 ocorr\u00eancia de diversas doen\u00e7as, tais como problemas neurol\u00f3gicos, motores e mentais, dist\u00farbios de comportamento, problemas na produ\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nios sexuais, infertilidade, puberdade precoce, m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o fetal, aborto, Parkinson, endometriose, atrofia de test\u00edculos e c\u00e2nceres.<\/p>\n<p>O fumicultor R\u00e9gis Heinen explica que, 15 dias ap\u00f3s o plantio, \u00e9 colocada a primeira dose de salitre em cada novo pezinho que surge. Entre 30 e 40 dias depois, \u00e9 aplicada a segunda dose, fase em que a planta atinge cerca de meio metro de altura.<\/p>\n<p>A flora\u00e7\u00e3o ocorre em torno de 70 dias ap\u00f3s o plantio, etapa em que \u00e9 preciso tirar a flor e aplicar o agrot\u00f3xico. \u201cCada folha produz um broto. A gente corta bem em cima do bot\u00e3o inicial e aplica o agrot\u00f3xico (l\u00edquido) p\u00e9 por p\u00e9, para n\u00e3o crescer a brota\u00e7\u00e3o. Logo em seguida, vem a colheita, quando vamos fazendo as apanhadas das folhas, em etapas, conforme o fumo vai ficando maduro\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>Planta m\u00edstica<\/strong><\/p>\n<p>O engenheiro agr\u00f4nomo e florestal Sebasti\u00e3o Pinheiro lembra que o cultivo do fumo \u00e9 uma das mais intrigantes e instigantes colheitas desenvolvidas pela humanidade. \u00c9 uma planta m\u00edstica, usada pelos ind\u00edgenas para introspec\u00e7\u00e3o e conex\u00e3o com os deuses. \u201cCom a descoberta da Am\u00e9rica, por Crist\u00f3v\u00e3o Colombo, as sementes do fumo ganharam o mundo\u201d. No Brasil, essa lavoura come\u00e7ou a se desenvolver a partir da Bahia. N\u00e3o por acaso, todas as armas [bras\u00f5es\/s\u00edmbolos nacionais] t\u00eam um ramo de fumo florido, express\u00e3o do progresso e da riqueza do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cO tabaco produzido em Ven\u00e2ncio Aires \u00e9 o melhor do mundo. Mas h\u00e1 interesses de que a regi\u00e3o pare de produzir, por causa da concorr\u00eancia com o fumo de pa\u00edses como China e Estados Unidos, que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o bons quanto o nosso\u201d, alerta a vereadora Ana Cl\u00e1udia Teixeira.<\/p>\n<p>O fumicultor Romeu Heinen conta que planta fumo desde os 8 anos de idade. Os filhos ajudarem os pais na lavoura \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o antiga. \u201cNaquele tempo, era diferente e as crian\u00e7as podiam ajudar. De manh\u00e3 eu ia para a escola e, \u00e0 tarde, pegava no servi\u00e7o. A gente fazia de 10 a 15 arrobas, conforme o clima e o ritmo da produ\u00e7\u00e3o\u201d, relembra.<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/capas\/materias\/o%20ambientalista2_600.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><strong>Morte \u201ccasada\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Presidente do Sindicato Interestadual da Ind\u00fastria do Tabaco (SindiTabaco), Iro Sch\u00fcnke d\u00e1 alguns n\u00fameros relativos \u00e0 safra 2015, cuja produ\u00e7\u00e3o totalizou 60 mil toneladas nos tr\u00eas estados do Sul: Rio Grande do Sul, Paran\u00e1 e Santa Catarina. \u201cEla rendeu pouco mais de US$ 5 bilh\u00f5es aos 156 mil produtores que temos no campo.\u201d<\/p>\n<p>O produtor \u00e9 quem assume todos os riscos, inclusive o da colheita. A classifica\u00e7\u00e3o da qualidade do tabaco produzido \u00e9 feita pela [ind\u00fastria] fumageira e, nessa rela\u00e7\u00e3o, o produtor geralmente sai perdendo. Em toda a regi\u00e3o de Ven\u00e2ncio Aires \u00e9 f\u00e1cil perceber a desarticula\u00e7\u00e3o dos produtores. Tudo funciona na base do cada um por si.<\/p>\n<p>\u201cAlguns pa\u00edses preferem o fumo que \u00e9 mais forte. Nesse caso, a firma j\u00e1 tem uma semente de acordo para atender. Hoje em dia n\u00e3o tem como a gente fazer a semente, como antigamente. Ela \u00e9 muito cara, um kit de semente custa muito dinheiro\u201d, explica o fumicultor In\u00e1cio Frey.<\/p>\n<p>Rog\u00e9rio Heinen, tamb\u00e9m fumicultor, completa: \u201cO Sebasti\u00e3o Pinheiro j\u00e1 tinha dito que \u00edamos ver um pacotinho de semente ser comercializado a peso de ouro, mas a gente n\u00e3o acreditava. Como? Se bastava ir ali na ro\u00e7a e tirar a semente? Essa ideia de comprar semente n\u00e3o passava pela nossa cabe\u00e7a. Mas hoje isso \u00e9 real, estamos pagando por ela.\u201d<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica de \u201cvenda casada\u201d tamb\u00e9m \u00e9 comum na regi\u00e3o. Geralmente, a mesma empresa que compra o fumo vende a semente e o agrot\u00f3xico ao produtor, por meio de financiamento. \u201cA gente n\u00e3o \u00e9 obrigado a vender o produto para eles, mas a prefer\u00eancia \u00e9 levar na mesma empresa. Alguns conseguem pagar os insumos antecipadamente, mas s\u00e3o poucos.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO fumo daqui \u00e9 um monop\u00f3lio de grandes empresas. Elas monopolizam o cr\u00e9dito via Banco do Brasil. N\u00e3o \u00e9 o agricultor que pede o cr\u00e9dito, \u00e9 a fumageira. O cr\u00e9dito sai no nome da empresa e ela repassa ao agricultor, que s\u00f3 pode usar adubo e agrot\u00f3xico vendido por ela. E o que a empresa faz? Compra num atacado, na Alemanha, vende no varejo aqui e fica com a margem de lucro. Essa \u00e9 a realidade\u201d, aponta o engenheiro Sebasti\u00e3o Pinheiro.<\/p>\n<p>Ainda segundo ele, o uso de uma mol\u00e9cula qu\u00edmica como \u201carma\u201d se deu pela primeira vez na B\u00e9lgica, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), pelos alem\u00e3es. \u201cTerminada a guerra, eles desviaram a arma qu\u00edmica para uso do agricultor. \u00c9 algo absurdo.\u201d<\/p>\n<p>Para muitos, o que realmente sustenta a ind\u00fastria do agrot\u00f3xico, n\u00e3o apenas em Ven\u00e2ncio Aires, mas em milhares de cidades Brasil afora, s\u00e3o as pol\u00edticas p\u00fablicas e de interesse econ\u00f4mico. Atualmente, de 50 agrot\u00f3xicos proibidos na Europa, 22 s\u00e3o consumidos livremente no Brasil, movimentando mais de R$ 30 bilh\u00f5es por ano.<\/p>\n<p>Marilise Mesquita, professora em Sa\u00fade Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS) d\u00e1 uma dimens\u00e3o da press\u00e3o exercida pelas empresas fumageiras sobre os produtores da regi\u00e3o de Ven\u00e2ncio Aires. Segundo ela, n\u00e3o \u00e9 uma escolha do produtor usar agrot\u00f3xico somente diante da ocorr\u00eancia de pragas.<\/p>\n<p>\u201cO agrot\u00f3xico faz parte do pacote tecnol\u00f3gico. O produtor \u00e9 obrigado a comprar e usar. Na maioria dos casos, a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 feita em minif\u00fandios, aproveitando terrenos em volta das casas dos agricultores. As pessoas convivem com esses insumos qu\u00edmicos o tempo inteiro.\u201d<\/p>\n<p><strong>Triste conex\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Conforme dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, das 20 cidades com maior n\u00famero de suic\u00eddios no pa\u00eds, dez s\u00e3o ga\u00fachas. Ven\u00e2ncio Aires lidera a lista, com cerca de 40 casos para cada 100 mil habitantes. Esse \u00edndice \u00e9 bem superior \u00e0 m\u00e9dia nacional, estimada em quatro casos para cada 100 mil habitantes.<\/p>\n<p>A conex\u00e3o entre suic\u00eddio e plantadores de fumo \u00e9 apontada em diversos estudos cient\u00edficos. Um relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul registrava, em 1996, que 80% dos suic\u00eddios ocorridos em Ven\u00e2ncio Aires, a maior produtora de tabaco do estado, eram cometidos por agricultores.<\/p>\n<p>Esse mesmo estudo indicava aumento nos casos de suic\u00eddios, quando o uso de agrot\u00f3xicos era intensificado. Segundo pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), o uso de agrot\u00f3xicos, como os organofosforados, aumenta as chances de depress\u00e3o dos agricultores, por atingir o sistema nervoso central via inala\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2014, 20% de 100 fumicultores entrevistados sofriam de depress\u00e3o. O quadro depressivo por exposi\u00e7\u00e3o aos venenos, somado a fatores sociais e culturais, pode evoluir, levando muitos deles ao suic\u00eddio.<\/p>\n<p>\u201cQuando voc\u00ea trabalha como agricultor e usa uma s\u00e9rie de inseticidas que afetam o hipot\u00e1lamo (c\u00e9rebro), voc\u00ea j\u00e1 tem propens\u00e3o \u00e0 depress\u00e3o. O efeito pode tardar por at\u00e9 20, 30 anos e deixa sequelas. Ent\u00e3o, um produtor que trabalha e se v\u00ea diante de negocia\u00e7\u00f5es em que o pre\u00e7o do fumo cai muito, j\u00e1 volta para casa deprimido e busca um jeito de se matar\u201d, afirma Sebasti\u00e3o Pinheiro.<\/p>\n<p>\u201cSei de pelo menos tr\u00eas casos de morte por enforcamento. O pior \u00e9 que era gente conhecida: antigos colegas de aula, de jogo de futebol&#8230; Isso mexeu muito com a gente\u201d, relata o fumicultor Rog\u00e9rio Heinen.<\/p>\n<p>A vereadora Ana Cl\u00e1udia Teixeira diz se sentir chocada cada vez que se lembra de casos de suic\u00eddios ocorridos em Ven\u00e2ncio Aires. \u201cEu me lembro de fotografia de pessoas enforcadas que tinham os joelhos dobrados numa altura em que poderiam colocar os p\u00e9s no ch\u00e3o a qualquer momento, ou seja, a decis\u00e3o de se matar era algo forte demais.\u201d<\/p>\n<p>Para o psiquiatra Ricardo Nogueira, uma das poss\u00edveis explica\u00e7\u00f5es para a elevada ocorr\u00eancia de suic\u00eddios em Ven\u00e2ncio Aires \u00e9 o fato de os produtores de fumo n\u00e3o usarem equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual (EPIs), tais como luvas e \u00f3culos, durante a aplica\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos. \u201cOs organofosforados, usados como secantes do fumo, s\u00e3o depressores do sistema nervoso central e levam ao suic\u00eddio.\u201d<\/p>\n<p><strong>\u00c1gua contaminada<\/strong><\/p>\n<p>A correla\u00e7\u00e3o entre o uso de agrot\u00f3xicos e suic\u00eddios, no entanto, \u00e9 contestada pelo presidente do SindiTabaco, Iro Sch\u00fcnke. \u201cHoje n\u00e3o se usa mais agrot\u00f3xicos que ficam depositados no solo\u201d, diz. Questionado sobre o risco de contamina\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e solo, Sch\u00fcnke afirma: \u201cEu diria que \u00e9 muito dif\u00edcil isso ocorrer. A menos que d\u00ea uma chuvarada bem na hora da aplica\u00e7\u00e3o. O per\u00edodo de tempo que o agrot\u00f3xico fica perigoso \u00e9 de um dia. A\u00ed, n\u00e3o \u00e9 permitida a reentrada na cultura. Tanto que \u00e9 posta uma plaquinha para ningu\u00e9m entrar no dia da aplica\u00e7\u00e3o, s\u00f3 no outro dia.\u201d<\/p>\n<p>Constata\u00e7\u00f5es feitas em campo, no entanto, pelo professor Fernando Mainardi, do Instituto de Pesquisas Hidr\u00e1ulicas da UFRGS, contradizem a fala de Sch\u00fcnke. \u201cH\u00e1 presen\u00e7a de agrot\u00f3xico na lavoura e em volta das casas e na \u00e1gua subterr\u00e2nea de po\u00e7os.\u201d O mesmo acontece nos rios.<\/p>\n<p>\u201cMesmo com vaz\u00e3o baixa, em \u00e9poca mais seca e depois que o fumo j\u00e1 havia sido colhido foi constatada a concentra\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos. Ou seja, o produto n\u00e3o tinha sido aplicado t\u00e3o recentemente assim\u201d, avalia.<\/p>\n<p>\u201cVale salientar que, em uma das propriedades, amostras de \u00e1gua coletadas num po\u00e7o que abastecia a fam\u00edlia continham tra\u00e7os de quatro tipos de agrot\u00f3xico. Em outros dois po\u00e7os foi constada a presen\u00e7a de pelo menos um tipo de defensivo\u201d, ressalta a professora Marilise Mesquita, que ainda completa:<\/p>\n<p>\u201cPessoas de todas as faixas et\u00e1rias \u2013 de crian\u00e7as a adultos idosos \u2013 ingerem agrot\u00f3xico a todo tempo, no chimarr\u00e3o, na comida&#8230; N\u00e3o \u00e9 um produto que se degrada com facilidade, ele permanece.\u201d<\/p>\n<p><strong>Situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a vereadora Ana Cl\u00e1udia Teixeira, todos os estudos feitos pelas empresas da ind\u00fastria de tabaco revelam que houve aumento tanto da fiscaliza\u00e7\u00e3o nas lavouras quanto do uso de EPIs. \u201cComo \u00e9, ent\u00e3o, que o n\u00famero de suic\u00eddios aumentou?\u201d, questiona ela, afirmando n\u00e3o ter conhecimento sobre iniciativas ou estudos, por parte das empresas fumageiras, voltados para a redu\u00e7\u00e3o do uso de agrot\u00f3xicos nos cultivos da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas tudo indica que a solu\u00e7\u00e3o efetiva desse dilema envolve quest\u00f5es econ\u00f4micas, sobretudo no que se refere aos impostos arrecadados pelo munic\u00edpio de Ven\u00e2ncio Aires. Para a vereadora, essa \u00e9, sem d\u00favida, uma quest\u00e3o que ainda paira no ar. \u201cTalvez tenham medo de mexer com essa ind\u00fastria&#8230; N\u00e3o \u00e9 brincadeira. \u00c9 muito dif\u00edcil falar sobre isso aqui.\u201d<\/p>\n<p>Outros subterf\u00fagios para n\u00e3o constar o problema, de fato, tamb\u00e9m s\u00e3o apontados pelo psiquiatra Ricardo Nogueira.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um boicote\u201d, garante. Segundo o m\u00e9dico, a Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs) coordenou um projeto chamado Estudo da S\u00edndrome da Depress\u00e3o Rural. Tudo corria bem at\u00e9 que os recursos destinados ao projeto serem cortados, assim que a pesquisa come\u00e7ou a comprovar a correla\u00e7\u00e3o entre agrot\u00f3xicos versus suic\u00eddios no campo.<\/p>\n<p>Depois de tudo o que vi e ouvi em Ven\u00e2ncio Aires conclu\u00ed que, quando falamos de falamos de depress\u00e3o, estamos falando de um problema de sa\u00fade. Mas pode haver preven\u00e7\u00e3o e h\u00e1 tratamento. Precisamos combater o uso exagerado de agrot\u00f3xicos que, na realidade, \u00e9 a causa disso tudo.<\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o, confira o quarto epis\u00f3dio da s\u00e9rie sobre o desmatamento na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ven\u00e2ncio Aires fica a cerca de 240 quil\u00f4metros de Porto Alegre (RS). \u00c9 um munic\u00edpio<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":87314,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/agrotoxico-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/agrotoxico-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/agrotoxico-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/agrotoxico-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/agrotoxico-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/agrotoxico-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/agrotoxico-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/agrotoxico-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/agrotoxico-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/agrotoxico-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Ven\u00e2ncio Aires fica a cerca de 240 quil\u00f4metros de Porto Alegre (RS). \u00c9 um munic\u00edpio","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87313"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87313"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87313\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/87314"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87313"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87313"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87313"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}